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BandaLarga

as autoestradas da informação

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O "hard Brêxit " pode parir uma pequena Inglaterra

A União Europeia não pode deixar que o Reino Unido fique melhor fora do que dentro pelo que o "hard Brêxit" não é uma figura de estilo, sob pena de muitos quererem o mesmo . Sol na eira e chuva no nabal .

Já o Reino Unido, não tendo outro caminho que não seja cumprir o resultado do referendo tudo fará para suavizar o brêxit . Quem tem nas costas a casa a arder não pode transferir recursos para a frente de batalha.

Com muitos escoceses – 62% dos quais votaram para ficar na UE – a serem arrastados para um "hard Brexit" pelo governo conservador do Reino Unido, o argumento para um referendo à independência da Escócia pode ser convincente. O futuro da Irlanda do Norte continua também em aberto. O estado de espírito de uma pequena Inglaterra pode tornar-se real.

May, a primeira ministra Britânica, prometeu logo após o referendo que não haveria eleições antecipadas mas voltou com a palavra atrás e marcou eleições antecipadas para Junho deste ano . Ganhando, e tudo aponta para que sim, ficará com uma maioria sólida no parlamento que lhe dará força negocial com a UE.

Mas os que se afirmam solidamente pró-europeus não vão deixar cair os braços. Um "hard Brêxit" pode fazer-se sentir com fragor na economia do Reino Unido.

May está também a jogar um jogo arriscado em relação à sobrevivência do Reino Unido.

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Espanha e Irlanda abandonam os "PIIGS" os restantes são "lixo"

Graças à economia que cresce bem acima da de Portugal e das dos restantes países periféricos, Espanha e Irlanda , abandonam e distanciam-se do grupo denominado de "PIIGS" . Agora já só temos "PIG" ( Portugal, Itália, Grécia ) . E o ambiente externo internacional é igual para todos.

“Faço uma separação muito rápida entre aquilo a que chamo boas periferias e más periferias”, explica o chefe de dívida em grau de investimento na BlueBay Asset Management LLP, Mark Dowding, à Bloomberg. “As boas periferias são os países que tiveram problemas no setor da banca e que os resolveram, que fizeram reformas e que voltaram a crescer. Isto aconteceu na Irlanda e em Espanha”.

As ‘yields‘ da dívida pública portuguesa não estão a ter o mesmo desempenho que a de Espanha ou da Irlanda, uma das razões que pode ditar o fim da configuração. O diferencial entre as taxas das obrigações espanholas e italianas tem aumentado e está em máximos de 2012.

A situação de Portugal é má e as razões são internas não há como esconder a verdade. Como ficou hoje mais uma vez avaliado continuamos no "lixo"

Encarar a realidade

Ler estes dois textos mostra muito do que somos e do que nos diferencia do sucesso dos outros e do nosso próprio insucesso.

A Suécia fez há anos uma política de reformas e de poupança apoiada pelos principais partidos, a Lituânia sofreu o duríssimo abalo de cortes salariais e de despedimentos no Estado, a Irlanda seguiu um caminho idêntico num admirável espírito de união e todos estes países foram capazes de assumir colectivamente o seu destino. Para muitos de nós, encarar a realidade e aprender com ela é um exercício improvável – ainda ontem José Pacheco Pereira escrevia no PÚBLICO que a necessidade do ajustamento era uma invenção de “argumentos conservadores, destinados a impor às democracias uma noção da história que não depende da vontade e da escolha humana no presente”.

Entre a invenção de Pacheco Pereira e a realidade dos outros há a distância de sermos capazes de assumir colectivamente o nosso destino.

Crescimento da economia muito fraco em 2016

Adianta The Economist . "O crescimento, em termos homólogos, ficou muito abaixo do de Espanha (3,2%) e Irlanda (2,3%), como consequência da fraca procura interna", destacam os especialistas.

Citando os mais recentes dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) – que mostram que o PIB nacional cresceu 0,8% no segundo trimestre, em termos homólogos, e 0,2% face aos três meses anteriores – a unidade de previsão e análise da britânica The Economist sublinha que, em comparação com a média da União Europeia e da Zona Euro, a expansão económica em Portugal "foi muito mais fraca".

Entretanto, por cá, a narrativa é que a oposição não vê a realidade.

 

Colar Portugal à Grécia foi para já o grande resultado

Separar Espanha e Irlanda de um lado e Portugal e a Grécia do outro. Os primeiros a crescer na economia e a cumprir os défices, os segundos a patinar no crescimento económico . Os primeiros a sair dos défices excessivos os segundos a correrem o risco de não beneficiarem das ajudas do BCE.

O Morgan Stanley antecipa que Portugal cresça apenas 1,3% neste ano e que o défice orçamental persista em 3% do PIB até 2017, o que, a verificar-se, não permitirá ao país sair do procedimento europeu dos défices excessivos. A previsão inicial do governo de crescimento era de 2,4% que foi baixando e já vai em 1,3%. Um desastre. É só preciso saber quanto é que o IVA vai aumentar.

António Costa apresentou ao Parlamento uma proposta de Orçamento do Estado assente numa previsão de evolução do PIB de 1,8% em vez de 2,1% - valor que a Comissão Europeia e o FMI continuam a considerar excessivamente optimista, calculando 1,6% e 1,4%, respectivamente. O Governo comprometeu-se, por seu turno, com um défice orçamental máximo de 2,2% do PIB, meta que Bruxelas considera também difícil de cumprir sem medidas adicionais de austeridade, tendo, por isso, pedido a Lisboa para ter pronto um plano B.

Na Irlanda a economia cresceu 7,8% em 2015

Acertou as contas, recebeu uma ajuda de 85 mil milhões da troika e agora a economia cresce puxada pela indústria, pela construção civil e pelas exportações. Com o consumo interno a acompanhar.

Os irlandeses viveram nos últimos anos com duras medidas de austeridade depois de a situação do país ter levado, em 2010, a um programa de resgate no valor de 85 mil milhões de euros assinado com a União Europeia e Fundo Monetário Internacional (FMI). Em 2013 o governo aliviou a austeridade já depois da saída da Comissão Europeia e do FMI

Mesmo assim o obreiro deste trabalho extraordinário, embora ganhando as eleições, não tem condições para formar governo por não ter alcançado a maioria absoluta.

Em política não há, lá como cá, reconhecimento. Preferimos sonhar com um estado que nos dá tudo sem sacrifícios. 

A Irlanda não quer ser como Portugal

Face à instabilidade da actual posição política que sustenta o governo e ao aumento das taxas de juro da dívida que já tocaram nos 4,5%, o actual ministro Irlandês e candidato nas próximas eleições a novo mandato diz que " não queremos ser como Portugal ".

A legislatura de Enda Kenny foi marcada pela intervenção da troika. Aliás há já vários olhares sobre Irlanda, tendo em conta o que aconteceu em Portugal, mas também em Espanha que, embora não tenha sido resgatada financeiramente, sofreu uma crise económica. E o desfecho nas eleições tanto em Portugal como em Espanha acabou por ser o mesmo. Os partidos no poder - em Portugal liderado pelo PSD e em Espanha pelo PP - venceram as eleições, mas sem maioria.

Irlanda é, por estes dias, por isso, foco de vários olhares, até dos investidores. "As eleições de 2015 no sul da Europa produziram surpresas significativas e uma situação política confusa", assumiu, anteriormente, Jens Peter Sorensen, analista do Danske Bank. "As eleições na Irlanda podem produzir um resultado semelhante", contribuindo para uma volatilidade "de curto prazo" nas obrigações do tesouro do país.

Temos que evitar que o estado nos chupe o sangue

 Um governo suficientemente grande para te dar tudo o que queres é também suficientemente grande para te tirar tudo o que tens."  A Irlanda, por exemplo, que foi outro dos países resgatados pela União Europeia, encabeçará o ranking neste ano e no próximo e tem uma dimensão parecida com a de Portugal. Qual é o segredo do renovado tigre celta? É, pois, o de ser um país com um alto grau de liberdade económica: impostos baixos, despesa pública controlada e regulação mínima.

Acaba de ser divulgado em Espanha o Índice de Liberdade Económica, que se calcula com vários indicadores que refletem o comportamento do setor público na sua dupla dimensão de fornecedor e financiador de bens e serviços, por um lado, e de regulador do setor privado, por outro. É um exercício interessante, que vem confirmar uma evidência: a correlação positiva entre liberdade económica e prosperidade. Mas, face a essa certeza, porque tantos governos continuam a manter ou, inclusive, a intensificar as suas políticas intervencionistas sabendo que terão consequências nefastas sobre o bem-estar geral?

Com a concorrência Seguro já está a melhorar

Pagar a dívida ao FMI que nesta altura custa o dobro dos empréstimos obtidos nos mercados. A Irlanda já está a trabalhar nessa solução junto das instituições financeiras europeias. Percebe-se mal que não se poupem milhões em juros com uma operação simples e que faz todo o sentido. E abre caminho à solução que melhor ajuda os países com dívida elevada. A compra pelo BCE dessa dívida que seria paga pelos dividendos futuros a receber pelos países accionistas do banco central.

Sem perdões e sem prejudicar os investidores, mantendo a confiança dos mercados. O exemplo da Argentina, novamente à beira da bancarrota, mostra bem que "não pagar" significa pagar com língua de palmo.

 

 

 

A saída à irlandesa que a oposição quer custa mil milhões de euros

Eleitoralmente é capaz de ser o melhor para os partidos do governo ( onde anda a cabeça da oposição ao exigir uma saída à irlandesa?) mas custa em juros mil milhões. A almofada financeira que o governo está a acumular para se defender de algum percalço é o dobro da necessária em tempos amenos.

Os que diziam que não podíamos passar a barreira dos 7% andam agora a clamar contra os 5%. Na verdade a taxa ainda é alta, acima da taxa média que estamos a pagar (3,5%).

Com um programa cautelar ( que a Irlanda não quis porque não sabia o que lhe seria exigido em troca) o risco percebido pelos credores é menor, embora internamente continuemos com as mãos mais ou menos atadas. Como se vê temos pela frente um problema político já não um problema de dívida embora seja assustadoramente alta.

Como não acredito que os partidos cheguem a um consenso quanto às políticas de rigor orçamental a seguir, acho que o melhor mesmo é manter a rédea curta. Sair com um programa cautelar!