Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

BandaLarga

as autoestradas da informação

BandaLarga

as autoestradas da informação

O que faz falta é avisar a malta

Desde a crise financeira, seis economias europeias conseguiram regressar à notação de investimento deixando para trás a notação de "lixo". E o que foi preciso para que as agências financeiras deixassem de "chantagear" esses países ? Um crescimento robusto e sustentável do PIB e uma descida gradual mas consistente da dívida pública. Duas coisas que Portugal não consegue fazer e que pelo menos nos dois próximos anos não fará se continuar no actual registo. O foguetório é isso mesmo. Foguetório.

E para mal do nossos pecados ainda temos a situação da Banca especialmente a situação da CGD e a venda do Novo Banco que ainda não sabemos como vão ser tratadas . Vai ao défice ? Vai à dívida ? Num caso e noutro é um piparote de todo o tamanho .

Como por outro lado a variação para cima das taxas de juro é certa com a retirada da compra de dívida do BCE, estamos como em Pedrógão Grande ( Deus nos valha) . Basta uma fagulha.

Por isso o melhor mesmo é proibir o foguetório e os balões de S. João e seguir os avisos de quem é prudente. É que ser prudente é ser amigo e as instituições já andam a prever que o crescimento do PIB ao nível deste ano é fogo de pouca dura. Para 2018 e 2019 já se espera um abrandamento.

Sem as reformas que o apoio da extrema esquerda não deixa fazer, o crescimento do PIB e descida da dívida é como o SIRESP. Não comunicam .

 

Na Zona Euro há menos 1,5 milhões de desempregados

A economia cresce na Zona Euro o que é uma bênção para Portugal . Há menos 1,5 milhões de desempregados e como esses países são o destino principal das nossas exportações (principalmente turismo), é sopa no mel . E apesar do Brexit o Algarve está cheio de ingleses e no verão continuará cheio de ingleses. Razões que explicam a queda do desemprego por cá.

Portugal está a beneficiar ( melhor : continua a beneficiar) por pertencer à Zona Euro . Além dos turistas estão a caminho os subsídios para o investimento . Mas como o investimento na base dos subsídios europeus exige uma comparticipação de 20/25% nacional, vai continuar a ser cortado ou sujeito a chico-espertices. Nada pior para uma economia que corre para os níveis de 2004.

Apesar destas boas notícias e do PCP e do BE se terem convertido no que diz respeito à disciplina orçamental europeia, as agências de rating não se deixam convencer . E a pergunta é : o que se passa em Portugal é sustentável ? As dúvidas são muitas. 

Com o fortalecimento da economia da Zona Euro abre-se uma nova oportunidade para Portugal deixar para trás de vez a situação de patinho feio . E da Alemanha, pela voz de Merkel, chegam-nos fortes indícios que é com os países europeus que conta como parceiros na cena mundial. E já percebeu que se abrir os cordões à bolsa ( aumentar o poder de compra dos alemães) todos os países europeus beneficiarão, o seu excedente comercial externo é mais que suficiente.

Assim Portugal esteja à altura das imensas oportunidades que se formam no horizonte.

Crescem o PIB e o Emprego com o investimento a cair ?

investimento-01.png

 E é natural estarmos à espera que a economia tenha uma trajectória sólida ? E que a criação de emprego seja robusta ? O investimento está a cair há vinte anos em Portugal conforme o gráfico .

Vamos ter o próximo trimestre ainda a crescer graças ao turismo mas depois vem a realidade, o PIB cai e, anual, não andaremos longe do intervalo 1,7% - 2,0% . Depois começa a descer conforme as previsões do próprio governo. E se, entretanto, o BCE nos tira o apoio lá vamos para o buraco negro. Mas, andamos todos contentes . Fazemos o papel do maluqinho da aldeia.

Em comparação com 1996, são poucos os Estados-membros piores do que Portugal. É o caso também da Grécia que, com um nível de investimento de 11,4% do PIB, viu o seu rácio descer 9,4 pontos percentuais. Mas o pior caso é o da Eslováquia: há 20 anos os eslovacos tinham um investimento de 33,5%, mas no ano passado este foi de 20,2%. Ou seja, o rácio sofreu uma queda de 13,3 pontos percentuais.

Como se vê estamos bem acompanhados .

A consolidação orçamental precisa de medidas de qualidade

Reduzir drasticamente o investimento para alcançar o défice é a pior forma de o fazer.

E “o crescimento [económico] é crítico para levar o rácio da dívida para níveis sustentáveis”, acrescentou. Abdelhak Senhadji referiu que “as dinâmicas da dívida [pública] ainda não são realmente favoráveis a Portugal”. Ou seja, “existe um progresso significativo que tem de ser feito daqui em diante”, dado que em 2016 o rácio da dívida portuguesa colocou-a como a quarta maior a nível mundial.

Isto é óbvio só não vê quem não quer.

Austeridade silenciosa

 

A grande mentira sobre as contas públicas começa numa ilusão.  A austeridade que Centeno prometeu acabar está melhor do que nunca.  Tinha prometido aos partidos da "geringonça" cortar E950 milhões na despesa. Afinal cortou mais de E 3 mil milhões. Se os números não enganam, porque passa a ideia que os tempos de apertar o cinto terminaram ?

A resposta está no tipo de cortes que o governo fez . Investimento, fornecimentos e serviços externos e contratos com o Estado. Quem trabalha para o Estado foi a grande vítima da austeridade do PS. No anterior governo o alvo tinha sido quem trabalha no Estado ou é por ele suportado. Em vez de salários e pensões o PS escolheu cortar nos gastos externos dos serviços e naquilo em que o Estado investe.

O mais curioso é que o PS está a aplicar à letra a recomendação da Troika de reduzir o défice por via da despesa. No fundo, a aplicar o programa do PSD de 2011 que este nunca conseguiu fazer.

...este ano vai continuar a reposição de rendimentos a funcionários públicos e pensionistas. E o garrote no investimento e gastos com os privados. A economia vai continuar a crescer uma miséria e o monstro começa a engordar. E, para animar a festa a dívida pública, aquela que ainda é "lixo", não para de crescer .Já vai nos 130,4% do PIB. E não dá sinais de diminuir.

Para terminar, fique com esta informação : a dívida pública irlandesa era de 120% do PIB em 2012 . Em 2016 ficou nos 75,4%.

PS : Expresso - João Vieira Pereira

irlanda.jpg

 

O investimento público mais baixo desde 1995

Como é que a economia cresce sem investimento ? Pode crescer alguma coisa esgotando o potencial já instalado que é o que está a acontecer . Mas é muito pouco e não chega para pagarmos a dívida . Mas foi cortando no investimento que o actual governo desceu o défice.

investimento-no-pib.jpg

 Quanto ao investimento privado nacional e estrangeiro há notícias que apontam para uma retoma mas ainda muito longe do pré-crise .  

Mas o valor total da formação bruta de capital fixo — o chamado investimento — que, no ano passado, terá ficado em 27,4 mil milhões de euros, continua muito aquém dos anos pré-crise. Em 2008, a formação bruta de capital fixo estava nos 40,8 mil milhões de euros.

A Europa está no melhor momento após a crise, as perpectivas são animadoras e o BdP e o INE já publicaram números que indicam que Portugal está a beneficiar desse ambiente positivo. Daí os projectos que já foram anunciados. Mas como também indica a trajectória do PIB nos dois próximos anos, segundo o orçamentado pelo governo, a economia não vai acelerar em 2018 e 2019. Pelo menos o suficiente para fazer crescer a economia, criar emprego e pagar a dívida.

É que para quem anda distraído há em Portugal mais de 500 000 desempregados. Os 100 000 empregos criados nos últimos anos ainda deixam a taxa de desemprego em dois dígitos.

PS : claro que os 100 000 empregos criados desde a saída da Troika aumentam os descontos para a Segurança Social e pagam impostos e reduzem os subsídios sociais.

 

No investimento só a Grécia e a Letónia fazem pior

Sem investimento não há crescimento da economia que se veja nem criação de postos de trabalho. E fica-se para trás na investigação e na inovação . Sete anos abaixo da linha de água.

A implicação mais imediata foi a redução do stock total de capital do país de 2012 a 2016. Os trabalhadores portugueses trabalham hoje com menos capital, o que reduz a sua produtividade e torna mais difícil os aumentos salariais.

E apesar de as projecções actuais apontaram para um crescimento do Investimento em 2017 e 2018, o aumento ainda não chega para inverter a tendência. Na Zona Euro, só a Grécia e a Letónia fazem pior. As duas foram das economias mais afectadas pela crise económica de 2009 .

Um desastre que continua .

INVESTIMENTO_1200.jpg

 

A longa agonia do investimento

Em jeito de resposta a um comentário sobre o nível de investimento actual .       

O investimento pode estar a crescer, mas o ritmo não chega sequer para repor a desvalorização corrente do capital existente. E a situação pode manter-se assim (pelo menos) até 2018. Isto quer dizer que o actual nível de investimento não repõe as empresas que fecharam modernizando-as, não substitui os equipamentos que se tornaram obsoletos e muito menos cria novas empresas . Com o actual nível de investimento fica pelo caminho a inovação dos produtos, a criação de novos produtos e a competitividade.

Ao contrário do que a ignorância de alguns e o desejo bem intencionado de outros querem fazer crer, o emprego que se vai criando reflete a retoma da capacidade potencial já instalada . Isto é, estamos a chegar a 2011 com o nível de desemprego ainda em dois dígitos. E tudo isto se deve à falta de investimento.

Assim é fácil mas muito caro

Descer o défice como está a fazer o actual governo é fácil mas não é barato .

Uma banca com problemas que se arrastam, crescimento económico fraco e abaixo do previsto pelo governo, uma montanha de dívida acumulada e um défice que, apesar de ter ficado abaixo de 2,5%, não chega para impressionar a agência de rating, porque é sabido que efeitos extraordinários e uma quebra histórica no investimento público foram decisivos.

“Nós importamos-nos com o crescimento potencial a longo prazo e com a sustentabilidade da dívida. Ou seja, se as políticas que estão a ser aplicadas são apenas one offs (efeitos extraordinários) ou se são sustentáveis. É muito fácil cortar o défice de forma expressiva num ano, cortando no investimento, mas estando a criar-se problemas para o futuro. Vemos isso muito em algumas economias emergentes, por vezes”, ouviu o Observador da boca de Federico Barriga Salazar, o diretor da área de soberanos europeus da Fitch.