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BandaLarga

as autoestradas da informação

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A consolidação orçamental precisa de medidas de qualidade

Reduzir drasticamente o investimento para alcançar o défice é a pior forma de o fazer.

E “o crescimento [económico] é crítico para levar o rácio da dívida para níveis sustentáveis”, acrescentou. Abdelhak Senhadji referiu que “as dinâmicas da dívida [pública] ainda não são realmente favoráveis a Portugal”. Ou seja, “existe um progresso significativo que tem de ser feito daqui em diante”, dado que em 2016 o rácio da dívida portuguesa colocou-a como a quarta maior a nível mundial.

Isto é óbvio só não vê quem não quer.

Austeridade silenciosa

 

A grande mentira sobre as contas públicas começa numa ilusão.  A austeridade que Centeno prometeu acabar está melhor do que nunca.  Tinha prometido aos partidos da "geringonça" cortar E950 milhões na despesa. Afinal cortou mais de E 3 mil milhões. Se os números não enganam, porque passa a ideia que os tempos de apertar o cinto terminaram ?

A resposta está no tipo de cortes que o governo fez . Investimento, fornecimentos e serviços externos e contratos com o Estado. Quem trabalha para o Estado foi a grande vítima da austeridade do PS. No anterior governo o alvo tinha sido quem trabalha no Estado ou é por ele suportado. Em vez de salários e pensões o PS escolheu cortar nos gastos externos dos serviços e naquilo em que o Estado investe.

O mais curioso é que o PS está a aplicar à letra a recomendação da Troika de reduzir o défice por via da despesa. No fundo, a aplicar o programa do PSD de 2011 que este nunca conseguiu fazer.

...este ano vai continuar a reposição de rendimentos a funcionários públicos e pensionistas. E o garrote no investimento e gastos com os privados. A economia vai continuar a crescer uma miséria e o monstro começa a engordar. E, para animar a festa a dívida pública, aquela que ainda é "lixo", não para de crescer .Já vai nos 130,4% do PIB. E não dá sinais de diminuir.

Para terminar, fique com esta informação : a dívida pública irlandesa era de 120% do PIB em 2012 . Em 2016 ficou nos 75,4%.

PS : Expresso - João Vieira Pereira

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O investimento público mais baixo desde 1995

Como é que a economia cresce sem investimento ? Pode crescer alguma coisa esgotando o potencial já instalado que é o que está a acontecer . Mas é muito pouco e não chega para pagarmos a dívida . Mas foi cortando no investimento que o actual governo desceu o défice.

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 Quanto ao investimento privado nacional e estrangeiro há notícias que apontam para uma retoma mas ainda muito longe do pré-crise .  

Mas o valor total da formação bruta de capital fixo — o chamado investimento — que, no ano passado, terá ficado em 27,4 mil milhões de euros, continua muito aquém dos anos pré-crise. Em 2008, a formação bruta de capital fixo estava nos 40,8 mil milhões de euros.

A Europa está no melhor momento após a crise, as perpectivas são animadoras e o BdP e o INE já publicaram números que indicam que Portugal está a beneficiar desse ambiente positivo. Daí os projectos que já foram anunciados. Mas como também indica a trajectória do PIB nos dois próximos anos, segundo o orçamentado pelo governo, a economia não vai acelerar em 2018 e 2019. Pelo menos o suficiente para fazer crescer a economia, criar emprego e pagar a dívida.

É que para quem anda distraído há em Portugal mais de 500 000 desempregados. Os 100 000 empregos criados nos últimos anos ainda deixam a taxa de desemprego em dois dígitos.

PS : claro que os 100 000 empregos criados desde a saída da Troika aumentam os descontos para a Segurança Social e pagam impostos e reduzem os subsídios sociais.

 

No investimento só a Grécia e a Letónia fazem pior

Sem investimento não há crescimento da economia que se veja nem criação de postos de trabalho. E fica-se para trás na investigação e na inovação . Sete anos abaixo da linha de água.

A implicação mais imediata foi a redução do stock total de capital do país de 2012 a 2016. Os trabalhadores portugueses trabalham hoje com menos capital, o que reduz a sua produtividade e torna mais difícil os aumentos salariais.

E apesar de as projecções actuais apontaram para um crescimento do Investimento em 2017 e 2018, o aumento ainda não chega para inverter a tendência. Na Zona Euro, só a Grécia e a Letónia fazem pior. As duas foram das economias mais afectadas pela crise económica de 2009 .

Um desastre que continua .

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A longa agonia do investimento

Em jeito de resposta a um comentário sobre o nível de investimento actual .       

O investimento pode estar a crescer, mas o ritmo não chega sequer para repor a desvalorização corrente do capital existente. E a situação pode manter-se assim (pelo menos) até 2018. Isto quer dizer que o actual nível de investimento não repõe as empresas que fecharam modernizando-as, não substitui os equipamentos que se tornaram obsoletos e muito menos cria novas empresas . Com o actual nível de investimento fica pelo caminho a inovação dos produtos, a criação de novos produtos e a competitividade.

Ao contrário do que a ignorância de alguns e o desejo bem intencionado de outros querem fazer crer, o emprego que se vai criando reflete a retoma da capacidade potencial já instalada . Isto é, estamos a chegar a 2011 com o nível de desemprego ainda em dois dígitos. E tudo isto se deve à falta de investimento.

Assim é fácil mas muito caro

Descer o défice como está a fazer o actual governo é fácil mas não é barato .

Uma banca com problemas que se arrastam, crescimento económico fraco e abaixo do previsto pelo governo, uma montanha de dívida acumulada e um défice que, apesar de ter ficado abaixo de 2,5%, não chega para impressionar a agência de rating, porque é sabido que efeitos extraordinários e uma quebra histórica no investimento público foram decisivos.

“Nós importamos-nos com o crescimento potencial a longo prazo e com a sustentabilidade da dívida. Ou seja, se as políticas que estão a ser aplicadas são apenas one offs (efeitos extraordinários) ou se são sustentáveis. É muito fácil cortar o défice de forma expressiva num ano, cortando no investimento, mas estando a criar-se problemas para o futuro. Vemos isso muito em algumas economias emergentes, por vezes”, ouviu o Observador da boca de Federico Barriga Salazar, o diretor da área de soberanos europeus da Fitch.

Sem investimento a economia não cresce

investimento em Portugal deu um trambolhão nunca visto , isto apesar de Costa ter dito que não há relançamento da economia sem investimento. Mas para conter o défice com reversões de salários e pensões que não pode pagar, Costa cortou estupidamente no investimento e com essa decisão decepou a economia.

"Essa ideia peregrina de que é possível relançar uma economia sem haver aumento significativo do investimento público é uma ideia absolutamente fracassada". As palavras são de António Costa, proferidas há exatamente dois anos, mas os atos do atual primeiro-ministro são o oposto."

Siga o link e veja o vídeo e perceba como o governo está a afundar o país e a limitar o crescimento da economia. E sem crescimento à volta dos 4% não pagamos a dívida nem haverá melhoria nos salários e pensões.

Há vida para além do défice . Leia também " Como se fabrica um défice "

A Catarina rabina

Ela, a Catarina , sabe que o défice de 2,3% só foi conseguido porque o governo cortou criminosamente no investimento. O que quer dizer que deixando de cortar no investimento o défice torna a subir. No meio disto tudo a economia não cresce.

Mas, para a Catarina , tirar o tapete ao governo é mais forte do que fazer umas contas simples. Além disso, não é questão que se coloque porque o orçamento já foi aprovado e o que se vai fazer no investimento está lá inscrito . É mesmo só para repetir o número da TSU. Entalar António Costa.

Defendendo que é preciso olhar para o que ensinou o último ano e tirar algumas lições, a coordenadora do BE recusou a ideia de que é impossível existir investimento porque Portugal continua a ter muitas dificuldades, tem uma dívida pública alta e precisa de controlar o défice.

E diz que foi possível aumentar salários e pensões mas não diz que foi à custa de mais impostos indirectos  e do aumento generalizado dos preços dos produtos mais elementares.

Jerónimo já o disse alto e em bom som, os cidadãos pouco ou nada ganharam com o suposto aumentos dos salários e pensões.

Afinal não havia outro caminho

Cativar verbas orçamentais que prejudicam gravemente a qualidade dos serviços públicos . Cortar no investimento público com prejuízo da economia . Afinal não havia outro caminho.

Do lado da despesa, além do “maior corte no investimento público de que há memória na história democrática”, Leitão Amaro alerta para o impacto das cativações no funcionamento dos serviços. Olhando para os mais de mil milhões de euros congelados, o vice-presidente da bancada do PSD diz que “não admira, que no final de 2016 e no início de 2017 se estejam a suceder notícias de degradação dos serviços na educação, saúde, inovação, investigação e transportes“.

Leitão Amaro lembra que “chegámos ao ponto de não haver sequer bilhetes no metro porque não havia dinheiro para os comprar, várias escolas que fecharam porque estavam sem trabalhadores suficientes para que pudessem funcionar no seu horário e assistimos ao aumento dos pagamentos em atraso.”

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A crónica falta de crescimento da economia

Tal como em 2011 é a crónica falta de crescimento da economia que arrasta o país para o abismo. O actual governo começou com um programa em que previa um crescimento de 2,4% e acabou com um corte cego nas despesas do Estado nas correntes e nas do investimento.

Catarina e Jerónimo estão furiosos porque são obrigados a engolir um sapo que é do tamanho de 33% na redução do investimento em relação a 2008 e reconhecer que não há mais vida para além do défice . Quem os ouviu e quem os ouve...

Para devolver rendimentos Centeno teve que cortar no investimento que é de facto o que faz crescer a economia. Vamos de mal a pior.

Um perdão fiscal, uns aviões vendidos e mais umas receitas manhosas ajudaram ( e de que maneira) a alcançar um défice que BE e PCP sempre combateram.

Afinal o caminho era mesmo aquele.