Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

BandaLarga

as autoestradas da informação

BandaLarga

as autoestradas da informação

ESTE INCÊNDIO É DE ESQUERDA

O critério para aferir se as declarações infelizes são desculpáveis ou, até, normais é puramente subjectivo.

 

Se quem as proferir for de esquerda (aquela a que se chama "esquerda") a resposta é afirmativa. Mas, só nesse caso.

 

A visão de um tanato coberto (a cobertura até podia estar a tapar outra coisa, não sabemos) de uma vítima (morta, não mortal) de um incêndio é repulsiva. Já o corpo, bem à vista de uma criança, que terá perecido (recentemente, há quem assevere, suportado em imagens, que, afinal o infante continua vivinho da costa, mas isso é outra história) durante uma invasão da Europa, já é uma imagem que vale mil palavras.

 

Sabemos que Passos Coelho é pouco hábil nos contactos informais com a imprensa. Tão pouco hábil, que até parece que ainda não percebeu que a maioria dos jornaleiros dá o cu e três tostões para o entalar, seja às mãos dos partidos à esquerda ou até dos que, seu partido, são conformes à nova ordem.

 

Não fez a ponderação óbvia - este incêndio é de esquerda.

 

Como tal, falar de solidariedade, chorar em coro, dar abracinhos sentidos em frente às câmaras, prometer mudanças radicais, tudo isso está certo. Como certo está dizer que foi feito todo o possível (mesmo na hora em que seria completamente impossível sabê-lo) ou que ainda não se detectou algo tenha falhado (mesmo quando já eram manifestos os erros mais evidentes).

 

Apontar prejuízos ou aventar culpas já é pernicioso aproveitamento da desgraça alheia.

 

Então, a própria Catarina, que há dois anos reclamara a queda colectiva do governo por evento muito menos grave, não veio, quase em forma de prece, suspirar por chuva?

 

Pois é, Caro Pedro, "quem se mete com o PS, leva".

 

A medalha póstuma da estupidez

O PSD na oposição não acerta uma. Com o governo a tentar justificar-se apressou-se a indicar-lhe o caminho da salvação. Abrir um inquérito parlamentar ao fogo que é, como se sabe, a melhor maneira de não se tirar conclusão nenhuma.

O inquérito devia ser independente, constituído por técnicos não engajados aos partidos e inclusive, por técnicos estrangeiros. E, as suas conclusões, deviam fazer parte de um consenso geral nacional para que de uma vez se fizesse o que há muito devia estar feito.

É preciso afrontar interesses instalados poderosos e perder votos ? Que seja, mas os mortos merecem um trabalho honesto .

O que já dá para ver é que tudo anda a ser tratado no recato dos gabinetes como sempre. É preciso que o tempo passe, a dor acalme, e as indemnizações cheguem. E, bem se vê, que a oposição é isso que anda a fazer. Têm todos culpas no cartório não se esperem inquéritos independentes .

Venham para o terreno, dizia uma moradora local, e deixem-se de levantamentos, estamos fartos de levantamentos e de conversa. A população sabe que o estado falta no que só ao estado compete fazer. Não protege a propriedade, não protege as populações e não faz cumprir a legislação vigente. 

Quem se lembrar do discurso de António Costa no verão de 2016 não terá dúvidas nenhumas sobre o que nos espera.

Enterrar os mortos porque o verão só agora começou e, o Presidente, avisou Costa das consequências se os fogos de 2017 fossem tão graves como os de 2016.

Estamos todos a arder . Lá se vão os afectos.

 

A terrível acusação do PCP : as mortes podiam ter sido evitadas

Se só 13% dos incêndios têm mão criminosa porque é que todos os anos nos vendem a cantiga do incendiário ? Não sabem ? Mas há estudos que confirmam. Sabem ? Então porque insistem na mentira? É absolutamente necessário saber. Se o estado não faz em décadas o que devia fazer ( e todos sabem o que é preciso fazer) então estamos perante um crime de Estado.

Hoje Louçã vem acusar António Costa de não ter actuado com a necessária rapidez . Tentou travar o prejuízo político descendo ao terreno . Presidente, primeiro ministro, ministra e secretário de estado quiseram circunscrever o incêndio político que lavrava, ganhar tempo apontando para as circunstancias singulares.

Mas as razões que rapidamente foram adiantadas ( a PJ já tinha encontrado a razão da ignição) foram ainda mais rapidamente desmentidas quando a população começou a falar. Tinham morrido 34 pessoas numa estrada seis horas depois do início do fogo. O SIRESP não funcionou.

Olhando para aqueles carros calcinados percebe-se bem a desorientação que os fez embater uns nos outros e ficarem prisioneiros no inferno.

Mas a mais terrível acusação é o PCP dizer que aquelas mortes podiam ter sido evitadas se os governantes tivessem olhado para as suas propostas.

Quem pode confiar no que nos dizem ? A última vez que nos vendiam o paraíso, corríamos nós para a bancarrota.

 

O verão da tolerância zero para António Costa

António Costa correu para as televisões para fazer o "damage control" mas o seu desconforto era visível e a coisa não correu bem. É óbvio que, politicamente, há um antes e um depois do incêndio de Pedrógão Grande . 

Catarina Martins reza para que venha chuva e Jerónimo diz que é preciso saber a verdade. A confiança foi-se. António Costa faz perguntas mas o que se exige dele é que dê respostas. Para mais sendo um ex-ministro das florestas.

O PS pela voz do César "pater família" ensaia o discurso do "não é conveniente a partidarite" tentando evitar as perguntas a que o governo terá que responder. A população está em choque e exige a verdade. Já há versões terríveis de testemunhas presenciais do descontrole da coordenação do combate ao incêndio .Veja-se que por enquanto o verão está no início mas todos sabemos que este verão vai ser tão mau como todos os outros. A confiança foi-se.

Num artigo duro sobre o que se está a passar em Portugal, o correspondente do “El Mundo” escrevia que esta tragédia pode por fim à carreira política de António Costa. A profecia parece-me claramente exagerada, mas toca numa questão que está ainda adormecida no debate: quais são as consequências políticas? É lícito concluir que se fosse com outro Governo, e sobretudo com outra oposição, a discussão política já teria subido de tom. 

Mas nas próximas semanas será inevitável .

 

 

Porque não ardem as florestas das celuloses ?

Ardeu 1% da área total da floresta propriedade das fábricas de celulose numa década e a razão é simples. Porque a floresta é limpa, tratada e vigiada.

Em 2015, último ano em que existem dados definitivos, dos mais de 200 mil hectares geridos, apenas 0,4% ou cerca de 750 hectares, arderam, o que, referiu à agência Lusa, "reforça a evidência de que uma floresta bem gerida é menos vulnerável ao risco de incêndios".

A força de prevenção e combate a incêndios Afocelca ( empresa de combate aos incêndios constituída pelas celuloses) é constituída por três helicópteros ligeiros - cada um com uma equipa de combate helitransportada de cinco sapadores florestais -, 38 unidades de prevenção e vigilância, compostas por três sapadores, com equipamento de primeira intervenção, e 18 equipas de combate terrestre com seis elementos operacionais num veículo semipesado.

Entre os trabalhos de prevenção de incêndios realizados ao longo de todo o ano, estão desmatamento, controlo de vegetação, limpeza de caminhos e aceiros ou manutenção e construção de rede viária e divisional das propriedades.

Enfim, faz tudo o que é necessário para que não hajam ignições ao contrário do Estado que deita dinheiro para cima do fogo. E pasme-se, com somente 400 técnicos. Só em Pedrógão Grande havia 2 000 bombeiros. Isto mostra à evidência que as políticas públicas seguidas são uma aberração.

 

 

 

Relatório sobre a floresta mais de dois anos na gaveta

Deixa arder que o meu pai é bombeiro dizia a malta pequena mal sabendo quanto perto andava da verdade. Os senhores que nos governam também pensam assim.

Há um relatório que fixa objectivos e metas, enfim, que só dá trabalho? Mete-se na gaveta, e na altura dos incêndios torna-se público para a plebe ver como os génios políticos andam a controlar o que verdadeiramente é importante.

O Plano Nacional de Defesa da Floresta consagra um conjunto de metas  até 2018. Um dos objectivos, que seguramente não foi concretizado, passava pela redução da área ardida a menos de 100 mil hectares/ano até 2012. Esse número foi frequentemente ultrapassado nos últimos anos e em 2016 chegou quase aos 160 mil hectares.

Entre os objectivos apontados pelo plano como "primordiais" contava-se uma "profunda alteração ao nível do planeamento", fazendo com que os municípios passassem "a definir políticas de intervenção na florestas e o reforço da capacidade técnica", com reflexos na prevenção e nos procedimentos.

Previa-se, igualmente, a criação de redes de gestão de combustível, o alargamento do uso de técnicas de fogo controlado e a criação de faixas de protecção que conduzissem "à diminuição, de forma significativa, do número de incêndios com áreas superiores a um hectare e eliminação de incêndios com áreas superiores a 1.000 hectares".

Ora, isto vai lá é com relatórios que custam milhões e que jazem na quietude das gavetas dos gabinetes governamentais. Levá-los para o terreno e implementá-los dá muito trabalho e obriga a sair do ar condicionado.

António Costa disse hoje em entrevista que foi ministro dos incêndios há 12 anos.

A verdade da grande mentira

A verdade da grande mentira

"À medida que se vão conhecendo os pormenores da Tragédia de Pedrógão Grande cresce a revolta. O fogo começou cerca das 14.00 horas quando das aldeias em perigo começaram a surgir os primeiros pedidos de socorro, sem resposta dos serviços de bombeiros ou de quaisquer outras entidades e muito antes das tais trovoadas secas que têm servido para culpar Deus em vez dos homens. Apenas quando se começou a saber em Lisboa que haveria mortos, se iniciou um enorme serviço de desinformação pública, adiando a informação sobre a existência da tragédia e na preparação do circo mediático que se seguiu com a visita de ministros e do Primeiro Ministro, bem como do Presidente da República, que a meio da tragédia já anunciava com muitos abraços e bastante hipocrisia que nada mais poderia ter sido feito. Esta tragédia, que matou 62 portugueses, representa uma amostra do indisfarçável estado de degradação do sistema político português"
Henrique Neto

Marcelo avisa que o governo tem ano e meio de governação

Marcelo no "pino do inverno" avisou que faria a leitura da responsabilidade política do que acontecesse no "pino do verão" . E perante tamanha tragédia vai fazê-la. E agora ?

Em plena época de incêndios, no ano passado, o Presidente da República preveniu o Governo de que estaria atento a medidas sobre o ordenamento do território, para ter a “certeza que no pino do inverno ninguém se esquece do que aconteceu no pino do verão“.

“Já temos muitas frentes pela frente, não vamos juntar mais frentes neste momento”, disse Marcelo para afastar questões sobre as causas da catástrofe de sábado. O Presidente deixou em aberto a possibilidade de, uma vez fechada a frente das chamas e das vítimas, poderá haver uma frente política para gerir. Por agora, a solidariedade com as famílias afetadas tem sido a cola entre atores políticos.

E quanto à falha do SIRESP (sistema de comunicações ) no auge da tragédia ? Não vai ser fácil para o governo apresentar justificações. É tempo do governo puxar para si as coisas boas mas também as coisas más. Não vai poder continuar a atribuir culpas ao governo que substituiu por sua exclusiva vontade.

A área ardida em Portugal representa 50% da área ardida no sul da Europa

Se as condições naturais são as mesmas em Portugal, na Espanha, França, Itália, Grécia e Chipre então porque é que a área ardida entre nós representa 50% da área ardida no conjunto destes países ?

Mas o que se passa nas nossas florestas não tem apenas a ver com a questão do clima e da natureza, vai muito para além disso. E vale a pena ler alguns peritos no tema aqui, aqui e aqui, por exemplo.

Portugal representa 2% da área da União Europeia, mas representa 50% da sua área ardida. Ora, como é evidente, as condições meteorológicas são igualmente adversas no centro e sul de Espanha, em Itália e na Grécia, mas quando juntamos os quatro países, Portugal tem quase 2/3 dos fogos, apesar de ter menos de 10% da superfície.

Todos os anos logo que os incêndios começam os (i)responsáveis aparecem logo com a ladaínha do país "uno" que não precisa de críticas mas de solidariedade. Boa forma de afastar críticas e responsabilidades de quem, já foi tudo no sector, desde ministro da administração interna a primeiro ministro como é o caso de António Costa. Pelo contrário aparecem no cenário dantesco dos fogos como os salvadores, fazendo as promessas de sempre.

Mas os números das estatísticas não mentem quanto à falta de capacidade política para travar a tragédia anual. 

Demitam-se !

fires.png

 

 

Não há floresta no Terreiro do Paço

Nas televisões quem nos aparece a debitar discursos sobre o incêndio são membros do estado central. O Presidente da República, o primeiro ministro, a ministra da administração interna e o seu secretário de estado, o presidente nacional dos bombeiros, o presidente nacional da Proteção civil. Responsável local apenas o presidente da câmara.

Se tal fosse necessário esta é a imagem do estado centralista em que vivemos. As decisões são tomadas no Terreiro do Paço. É só ler o que a ministra disse sobre a programação do combate aos incêndios para se perceber que deverá pedir a demissão.  Já agora mal não faria pedir responsabilidades a todos os ministros da administração interna dos últimos 25 anos. António Costa exerceu o lugar nos governos de Sócrates  e passeia-se por ali no meio da tragédia como se não tivesse responsabilidade nenhuma.

E há quem se lembre do desastre da Ponte de Entre os Rios : "Acontece que, pelo que se sabe, Coelho teria recebido algum tempo antes um relatório dos seus serviços a dizer que a ponte estava em risco iminente de ruir. Ao não reagir a esse aviso, tomando previdências para evitar o desastre, Coelho fez muitíssimo bem em demitir-se quando ele ocorreu, com a perda de 59 vidas humanas."

Ontem como hoje não há florestas nem pontes no Terreiro do Paço mas é lá que se tomam as decisões. Não é este governo que prometeu descentralizar ? Depois destes desastres precisa de mais argumentos ? Ou é preciso morrer mais gente ?