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BandaLarga

as autoestradas da informação

BandaLarga

as autoestradas da informação

Contra um governo que apela à desistência

Habituem-se, dizem os governantes, aos que acabaram de ver e de enfrentar a morte olhos nos olhos.

Dizer aos familiares, amigos, vizinhos, prováveis próximas vítimas para se habituarem à tragédia é um convite à desistência. Olhem, sabem uma coisa, não vale a pena lutar. Connosco vai ser sempre assim. Vamos continuar a distribuir umas esmolas para garantir a miséria diária de quem vota . Não contem connosco para governar isso é pedir-nos o impossível - acabar com os incêndios que matam .

Não há dinheiro para manter activo o dispositivo de ataque aos fogos mas há dinheiro para se anunciarem todos os meses aumentos de salários às sua clientelas eleitorais.

Em todo o país aumentam os apelos às  populações para saírem para a rua em manifestações pacificas contra um governo que apela à desistência. Vamos ouvir dizer que não é o povo que está indignado porque o povo é deles, os trabalhadores são deles mas, esses, só se manfestam a mando dos sindicatos.

A sociedade civil paga impostos não se manifesta.

 

 

Todos a Belém - o direito à indignação

Em Lisboa, Porto e Castelo Branco estão a ser preparadas manifestações de quem ainda se sente com direito à indignação.

Morreram cem pessoas e a ideia que o governo quer fazer passar é que não podia ser de outra forma. Não esperem por ajuda dos bombeiros, habituem-se!

Na Galiza morreram quatro pessoas e as ruas de várias cidades espanholas estão cheias de manifestantes que não aceitam que o estado não consiga cumprir a primeira das suas obrigações. Proteger os seus cidadãos.

O truque é frequente e manhoso. O tempo resolve e entretanto vamos adoçar a boca aos funcionários públicos, acalmar os sindicatos e abafar a voz dos apoios . Onde estão o PCP e o BE ? Não têm nada a dizer ou assim alguma coisa do género ?

O Presidente da República tem que chamar à pedra o governo e dar voz às populações que sofrem . Governar é distribuir uns tostões ? Nem uma única reforma a começar pela reforma da floresta ? É que o governo já ocupa os cadeirões do poder há dois anos . António Costa continua com o seu frio calculismo. A culpa é de todos menos dele.

Há muita gente zangada com o seu cinismo manifestado nas suas intervenções televisivas ao país. Ao drama Costa responde com a comédia.

 

A maior revolução florestal desde D. Dinis

Cães nos restaurantes e coisas do género, engordar o estado com mais despesa, mais funcionários públicos, aumentar salários e pensões e ir buscar o dinheiro necessário onde existe. É todo um programa de governação.

Mas quanto à floresta não há tempo nem atribuição de prioridade. Arde, habituem-se !

À entrada do verão que se sabia quente e seco a ministra substituiu as chefias experientes por gente inexperiente do partido e com cursos "à relvas " . Falharam estrondosamente como não podia deixar de ser .

António Costa muito chateado por a sorte desta vez lhe ter virado as costas, disse ao que vem quanto à floresta. O que se pode fazer a curto prazo não se fez porque estava à espera do relatório técnico e, quanto ao longo prazo, ninguém está à espera que se faça do pé para a mão.

Além disso o Capoulas já tinha anunciado que a maior revolução na floresta desde D. Dinis já estava " on road ", nem precisou de esperar pelo tal relatório . Siga, que o que é verdade ontem é mentira amanhã.

E, no meio deste desnorte, morrem mais de cem pessoas. As populações a partir de agora devem autoproteger-se e serem reactivas ( atacar o incêndio ) porque já sabem que o governo não pode fazer mais nada.

O governo não pode desviar-se do seu focus, manter o PCP e o BE em permanentes conversações para segurar os sindicatos e a paz social.

Há tempo para mais ? Não há !

PS :

Há uma diferença gigantesca entre governar e fazer a redistribuição de rendimentos em favor dos que nos asseguram que ficamos no poder. Costa, hoje, é só isto. Podia ser mais, mas não é. E isto não é o regular funcionamento das instituições, do governo no caso. O PR?

 

 

Falhou a natureza

Fase Charlie terminou no dia 30 de Setembro. Foram retirados parte dos meios de ataque aos incêndios e a natureza devia começar a fazer chuva e a baixar a temperatura. Mas a natureza não cumpriu.

Perante o calor e a seca a Fase Charlie entrou na Fase Bravo. Era assim que estava planeado. Mas planeado ou não a verdade é que continuou tudo a arder e já morreram pelo menos mais 27 pessoas . Vai continuar, não fiquem ansiosos diz António Costa. 

Se vamos esquecer os incêndios e as mortes de Pedrógão, então o Governo merece uma estátua pela capacidade de gerir uma crise, mas o lioz dessa estátua será a nossa indiferença coletiva.
O truque foi fácil: adiar as conclusões para quando a trituradora da atualidade já tivesse sobreposto assuntos e até lá acusar quem tocasse no tema de aproveitamento da catástrofe. O estômago sobe à traqueia com vontade de sair pela boca, mas é mesmo assim.

Do relatório: "A questão que se coloca é a seguinte: no século XXI, com o avanço do conhecimento nos domínios da gestão da floresta, da meteorologia preventiva, da gestão do fogo florestal, das características físicas e da ocupação humana do território, como é possível que continuem a existir acontecimentos como os dramáticos incêndios da zona do Pinhal Interior que tiveram lugar no verão de 2017?"

E agora sabemos, também no Outono.

 

Quem ganha com os incêndios ?

Fazem-se relatórios para nos dizerem que a culpa é do calor, da falta de limpeza e de meios, mas ninguém manda fazer relatórios para responder a esta pergunta óbvia. Quem ganha com os incêndios ?

Depois do incêndio a madeira ardida é comprada por quem ? Quem é que faz negócio com os meios de ataque ao incêndio ? Quem compra, manda reparar, manda fazer a manutenção dos meios ?

E os meios da força aérea não podem estar preparados com "kits" que transformem aviões de transporte em aviões de combate aos incêndios ? O mesmo para hélios ?

Autoridades locais dizem ( sem que ninguém os ouça) que depois dos incêndios aparecem uns senhores muito bem intencionados a quererem comprar a madeira e as terras, assim transformando minifúndio em latifúndios a partir do emparcelamento das terras.

Mas já alguém viu algum governante deslocar-se ao terreno para ouvir os locais ? Já alguém se deu ao trabalho de seguir o circuito económico iniciado com um incêndio ? Ou é pura maldade ? Ou é o raio ( que os parta)?

Há mortes no dia de hoje, amanhã de manhã vamos ficar a saber em toda a extensão a hecatombe que decorre neste momento. E lá teremos mais um relatório que tem como objectivo silenciar, de preferência com resultados daqui a três meses e longe do período das eleições.

O que é preciso fazer para tirar de cima os políticos e dar meios e competências aos poderes e populações locais ?

E as mãos criminosas são assim tão poderosas que se tenha medo ? É que a troika ( de gente lá de fora) em três anos derrubou o " dono disto tudo", um governo estadista e vários gestores vencedores de prémios internacionais.

Ou estamos à espera que arda tudo para depois chamar alguém independente das negociatas para colocar as coisas nos eixos ?

 

A seca e os incêndios

Os sinais são preocupantes e até indiciadores de termos atingido um máximo de taxa de crescimento trimestral para este ano.

O investimento, sem crescer mais, não permite aumentar as exportações ( que têm sido realizadas com base em capacidade instalada e não em capacidade acrescida ) e o aumento de rendimento disponível, alavancado pelo crédito ao consumo em que aposta o governo, vai arrastar mais importações e mais desequilibro no endividamento nacional .

O Turismo, que tem sido o motor desta primavera económica, vai agora iniciar um menor crescimento a que não é alheio um entupimento da capacidade aeroportuária.

Os incêndios vão levar a quebras de actividade já nos próximos trimestres e a seca com impacte na produção agrícola.

Ou os investidores ganham confiança na governação portuguesa, que não vejo suceder, e reagem com um aumento de investimento em bens de capital, ou os próximos trimestres podem ser o definhar face ao inicio do ano.

PS : João Duque - Expresso)

António Costa julga que somos todos burros

Enquanto o país arde e o SIRESP não funciona o primeiro ministro brinca com a tragédia. É que quem anda agora a vender a imagem de um político de horizontes largos foi ministro da Administração Interna, e que por isso mesmo foi a pessoa ( ou umas das poucas pessoas) que poderia ter evitado os actuais incêndios ( ou pelo menos os incêndios-tragédia).

Num desespero cego não consegue furtar-se a esta figura ridícula de dar lições sobre antecipação dos desastres. Logo ele que atirou milhões de euros para cima do problema com os resultados que agora estão à vista.

António Costa julga que somos todos ingénuos como António José Seguro.

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Depois da vaga de incêndios a vaga de greves

O governo está fragilizado. Depois da vaga de incêndios e da ópera bufa de Tancos, a vaga de demissões de secretários de estado, a vaga das cativações e agora, impulsionada pela CGTP a vaga de greves.

Médicos, enfermeiros, juízes e até a Autoeuropa anunciam greves que é a forma do PCP mostrar a sua força. Não por acaso quando se prepara e discute o Orçamento para 2018 e se preparam as eleições autárquicas. E também não por acaso as sondagens mostram que quer o PCP quer o BE estão a tornar-se dispensáveis.

O que se está a passar na Venezuela deixa sequelas entre PS, BE e PCP com os comunistas a apoiarem a ditadura que se está a formar naquele país. Não podemos esquecer que a UE já anunciou a sua oposição ao regime de Maduro  e mais de 40 países alinham com Bruxelas. A posição do PCP apoiando o governo português e apoiando Maduro, não interfere com a forma como somos vistos lá de fora ? E há tantas coisas importantes que não dependem só de nós.

É que sem ajuda internacional ( sair do "lixo") não controlamos a dívida e os juros. Sem exportações e Turismo não conseguiremos manter a economia a rolar e o emprego a crescer.

O PCP já está a testar o seu arsenal sindical.

Há eventuais mortes em Pedrógão além das conhecidas ?

Não sabemos o número de vítimas mortais passado um mês da tragédia dos incêndios. As pessoas desaparecidas já apareceram ? As vítimas internadas nos hospitais algumas delas gravemente feridas estão livres de perigo ou morreram ? São as tais vítimas indirectas que não entram na lista oficial ? Está tudo doido .

Agora temos a "lei da rolha" que filtra os esclarecimentos à nação. Há mais uma vítima mortal, mas segundo a "central nacional de comunicação" não cabe nos critérios. Quem definiu os critérios ?

Há mortos directos e indirectos, estes últimos não sabemos quantos são nem quem são , muito menos como morreram e onde, mas o primeiro ministro diz que em relação ao incêndio de Pedrógão está tudo esclarecido . Como é isto possível no Portugal democrático ? Ninguém se indigna ?

Então os comandantes no terreno que comunicam com os seus homens e tomam decisões muitas vezes de vida e de morte não têm competência para comunicar directamente com o povo ? Ensandeceram ? 

Em reação à notícia, a Autoridade Nacional de Proteção Civil reiterou hoje que o incêndio do mês passado em Pedrógão Grande fez 64 vítimas mortais, em "consequência direta" do fogo, e que outros eventuais casos não se integram nos critérios "definidos".

Mas ainda há "eventuais casos" ? Eventuais mortes para sermos mais directos ?

Há quem diga que são mais de 80 mortos 

 

 

Típico do PS - a lei da rolha

Agora os comandantes distritais não podem dar informações à comunicção social. E percebe-se porquê. As notícias são muito más e ainda estamos no ínicio do verão. Não há como centralizar a comunicação em gente amiga que antes de falar recebe ordens .

Quer dizer a fonte para o jornalista passa a ser alguém que está num qualquer gabinete, fonte que ande no terreno não dá garantias. Pode dizer a verdade.

Hoje um jornalista na RTP1 dizia-se nada surprendido, anda nisto há muitos anos e sabe que esta tentação de mordaça é recorrente.

É claro que os jornalistas vão passar ( já o fazem) a entrevistar as vítimas dos incêndios, os moradores no teatro de operações. Os comandantes distritais amordaçados vão ter o tempo todo para se dedicarem ao combate aos incêndios. Mas claro, haverá uma informação oficial que passará em tudo o que é jornal e televisão. E quem é que neste ambiente, chamesmo-lhe oficial vai fazer perguntas incómodas ?

Os incêndios tendo em vista as proporções e os desastres bem como o envolvimento de António Costa como ministro da Administração interna são um pesadelo para o governo.

Há que calar vozes independentes e chamar os boys que foram nomeados há apenas dois meses.