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BandaLarga

as autoestradas da informação

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As cativações de Centeno fecham serviços nos hospitais do SNS

As cativações de Centeno foram longe demais e a realidade está aí e não pode ser desmentida. Há hospitais centrais de referência a fechar serviços por falta de enfermeiros e de equipamentos. Os 600 enfermeiros em falta só entram em Março para que as contas de 2017 batam certo. A austeridade tinha acabado.

A falta de enfermeiros nos hospitais atingiu este ponto de ridículo e a razão é simples de entender: sem nada que os incentive a ficar, optam por sair para unidades privadas ou mesmo para centros de saúde, onde as condições financeiras, de trabalho ou a qualidade de vida que adquirem compensam bem mais do que ficar. É um caso sério que alguns dos maiores hospitais do país já ponderem fechar serviços fundamentais, como a ginecologia e a obstetrícia, porque não têm profissionais suficientes para os garantir. E é um problema que tem de ser resolvido rapidamente e ao mais alto nível. Não criando barreiras à mobilidade e possibilidade de escolha destes profissionais, mas antes garantindo-lhes condições que assegurem que compensa ficar. O que inclui dar prioridade à contratação de meios suficientes para que todo o sistema não torne a colapsar daqui por um par de meses.

A despesa não pode crescer mas não é o governo que diz que estamos a crescer no PIB como nunca ? E se tal não é verdade não há que estabelecer prioridades que afectem menos os cidadãos ?

Os incêndios e os hospitais onde se morre é que são as prioridades para efectuar cativações enquanto se aumentam salários e pensões ?

O governo a atirar a culpa dos próximos incêndios para cima dos municípios

Os autarcas estão possessos. O governo quer que limpem as matas em dois meses e meio algo que o Estado não conseguiu em quarenta anos. 

António Costa sabe que não tem margem de credibilidade para aguentar uma época de novos incêndios depois do que aconteceu no verão passado . E, bem à sua maneira manhosa de proceder começa a preparar a fuga. É realmente preciso limpar as matas e é correcto o governo castigar quem o não faça mas é necessário primeiro falar com quem conhece o terreno e transferir os meios necessários e só após tomar medidas duras.

"Tanto o presidente da Associação Nacional de Autarcas Socialistas (ANA/PS), Rui Santos, como o dos Autarcas Social-Democratas (ASD), Álvaro Amaro, mostram-se indignados em declarações ao DN contra o que qualificam como ameaça e penalização dos municípios - dezenas de milhares de euros mensais em muitos deles - por parte de um poder central que, lamentam, desconhece o território e procura desresponsabilizar-se se este ano ocorrerem incêndios trágicos como os de 2017."

O governo numa tremideira quer tirar dinheiro à accão social de apoio às populações para as encaminhar para a limpeza das matas.

Álvaro Amaro critica o governo quanto a essa opção, porque "não teve a coragem de disponibilizar, com rigor e controlo, os dinheiros para desencadear" as ações de limpeza. "É um empréstimo e toda a gente sabe que, se quero fazer algo, ou pago ou a burocracia para pedir um empréstimo atrasa tudo", lamenta o autarca da Guarda.

Rui Santos alerta ainda que a retenção das verbas do FEF pela tutela vai penalizar as populações, pois essas verbas "servem para manter as ruas limpas, destinam-se às escolas, à ação social, à cultura, etc".

 

 

As urgências hospitalares são como os incêndios - morre gente por falta de meios

“Isto é como o problema dos incêndios quando se contrata bombeiros depois de o fogo estar extinto”. O enfermeiro refere-se à contratação de mais enfermeiros até final de março anunciada recentemente pelo primeiro-ministro, António Costa. “Claro que são necessários, mas quando chegarem já será tarde”. 

A causa é a mesma. Para cumprir as vitórias do século de que Costa tanto fala é preciso  cativar a despesa e empurrá-la com a barriga para o ano seguinte, assim degradando os serviços públicos. E como isto se passa na saúde e nos incêndios é bem claro que estamos a falar de mortes.

“onde a urgência está completamente cheia, há um défice ao nível do espaço e o número de profissionais não foi reforçado”. “Mesmo no controlo de infeção, as pessoas estão em cima umas das outras, não há um intervalo suficiente entre os utentes para evitar contágios”, diz o enfermeiro, sublinhando a ausência de um “planeamento e de serviços suplementares capazes de dar resposta à afluência registada nos últimos dias”.

E no verão sabe-se há muito que há incêndios e no inverno sabe-se há muito que há epidemias de doenças respiratórias . Mas para o governo e para o PCP e o BE é mais importante ganhar os votos das suas clientelas com reversões para as quais precisa de ir buscar dinheiro "onde ele está" como diz a deputada Mortágua.

E como esta solução governamental já fez três orçamentos é dificil aceitar que a culpa é do governo anterior.

 

Morreram mais de 100 pessoas nos incêndios mas Costa diz que o ano foi saboroso

O primeiro ministro na ânsia de vender as maiores vitórias do século diz coisas absolutamente inaceitáveis e ofensivas.

2017 foi o ano que por incúria e incompetência do governo morreram mais de cem pessoas nos incêndios mas isto não impede Costa de afirmar que o ano "foi particularmente saboroso" . O mesmo Costa que fugiu para férias e que nem sequer pediu desculpas ao país. Ele que há 12 anos foi o ministro que montou a estrutura de ataque aos fogos e que por isso é, em larga medida, o principal responsável.

A sua genial reforma das florestas deu num ano "particularmente saboroso". As familias das vitimas devem ter a mesma opinião.

"Num tom mais grave, o líder do Executivo comentou que tal mudança "não é de somenos e significa claramente que algo de novo está a acontecer na Europa". "Há uma nova vontade, depois de anos muito difíceis e em que muitas divisões existiram entre os diferentes países europeus, de seguirmos em conjunto, reagindo positivamente. Se calhar o choque do Brexit foi excessivo para o que era necessário, mas o que é verdade é que desde esse momento há com que uma nova vontade de a Europa se construir", regozijou-se.

A Europa salvadora que os seus amigos do governo não querem mas que puxou para a governação para salvar a pele.

2017 foi um ano particularmente doloroso mas para o primeiro ministro o que é importante é que Centeno substituiu o holandês dos "copos e das mulheres ".

António Costa não tem um pingo de compaixão .

 

 

Depois dos incêndios e de Tancos a legionella

Alguma coisa correu mal diz o ministro da Saúde sem se rir perante um surto de legionella num dos principais hospitais do país e que já matou duas pessoas.

Aumentam-se os salários das clientelas dos partidos que apoiam o governo e degradam-se os serviços públicos por falta de investimento. E, claro, adoecem e morrem pessoas quer seja nos incêndios quer seja nos hospitais.

E há listas de espera de doentes para cirurgia dos quais já morreram 2 506 até Setembro e listas de espera para consultas que andam pelos 200 000 doentes. Médicos e enfermeiros entram em greves.

Arrisco dizer que isto é apenas um exemplo mais da estratégia com que dois governos sucessivos enfrentaram a falência do Estado Português que ocorreu em 2011. Em vez de reformar o Estado e o adaptar à realidade de um país pobre e com escassos recursos, cortou-se nos investimentos e nos chamados custos intermédios (que inclui a manutenção e as grandes reparações de equipamentos) e aumentaram-se os impostos.

Quanto a este tema, este Governo piorou tudo. Governando para a sua base de apoio eleitoral, usa todos os recursos para melhorar a vida dos funcionários públicos e dos pensionistas. Esquece-se, como venho dizendo, dos verdadeiramente mais desfavorecidos (como os incêndios tragicamente demonstraram), do investimento reprodutivo, dos que não têm a vantagem de trabalhar para o Estado.

E andavam aí uns pândegos a dizer que a legionella de Vila Franca de Xira também tinha matado quando quiseram justificar as mortes nos incêndios. Mais depressa falaram mais depressa se enterraram.

Quem manda é o governo ou é cada um por si ?

O prejuízo dos incêndios anda entre os 2 000 milhões e os 3 000 milhões de euros. Ajudas, informação e respostas não chegam mas os problemas são agora não são para o ano.

“Quanto vale a nossa madeira? Onde é que a vamos guardar? Cortamo-la já ou esperamos até novas ordens? Quem manda ‘aqui’ é o Governo ou decide cada um por si? Quanto é que vamos perder, além do que já perdemos com o fogo?” As perguntas não são apenas estas e quantas mais se fazem mais sobem os níveis de stresse e de inquietação na pequena sala de reuniões da sede da CAULE.

O governo devia comprar toda a madeira e depois fazer escoar o stock à medida da procura. Segurava o preço e os empresários com dinheiro podiam começar a reconstrução . Mas é agora não é para o ano .

Os caniches de Pavlov

Tiago Oliveira é um técnico considerado académica e profissionalmente mas arrasta consigo um pecado mortal. Trabalhou para uma empresa privada a Navigator. E os caniches de Pavlov já reagiram.

Não deixa de ser irónico que Tiago Oliveira tenha sido, com José Miguel Cardoso Pereira, um dos autores da Proposta Técnica para o Plano Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios elaborada em 2005 e que foi, no essencial, desconsiderado pelo governo de então, dirigido por José Sócrates e que tinha como ministro da Administração Interna António Costa. Tenho pois a esperança de que agora se possam recuperar muitas das boas propostas de então e continuam actuais.

Sem surpresa, pois nunca nos surpreendemos como as reacções dos caniches de Pavlov, os bloquistas de serviço já trataram de desconsiderar esta nomeação por Tiago Oliveira trabalhar para a Navigator, da mesma forma que a Liga dos Bombeiros também já mostrou incómodo.

Fala-se de celuloses e eles salivam. Na verdade a experiência profissional de Tiago Oliveira na prevenção e combate aos incêndios florestais numa empresa que vive precisamente dos recursos da floresta qualifica-o de forma especial para o lugar que vai ocupar. Mas que interessa isso a quem vive na bolha de Lisboa e se alimenta dos preconceitos e mitos que alimentam as conversas das noites no Lux?

 

A greve é um aproveitamento político miserável da fragilidade do governo

O governo está muito fragilizado com as mortes nos incêndios deste Verão. As florestas ainda fumegam e os mortos ainda não estão enterrados e já a Frente Comum sindical se prepara para uma greve nacional.

Os sindicatos não exigem que aqueles que perderam os seus familiares e que agora estão mais sós e pobres sejam auxiliados de imediato. Não, os sindicatos vão exigir mais dinheiro e mais direitos para os funcionários públicos . Sabemos todos que o que se dá à Administração Pública tem que se ir buscar a outro lado qualquer. E como está tragicamente à vista é ao interior, às vilas e aldeias do país pobre que se vão buscar os meios para os entregar a quem já os tem.

No interior do país não há empregos para toda a vida. As pessoas são pobres e idosas e não têm voz para fazer greves e manifestações.

Uma grandiosa greve de solidariedade dos que vivem bem para com os que vivem mal isso sim seria nobre. Mas mais do mesmo ainda com a dor a escaldar a alma do país é uma vergonha.

De um lado o silêncio de quem sofre do outro, a greve de quem se prepara para ter mais quase uma semana de férias. É só olhar para o calendário.

 

Governo não foi demitido por falta de alternativa

desastre após Pedrógão foi de tal forma uma imagem fidedigna das políticas do actual governo que não foi demitido exclusimente por não haver oposição.

Desde Pedrógão até 15 de Outubro o governo andou a negociar os apoios com PCP e BE não andou a governar . Nas negociações com os partidos da extrema esquerda não cabe a governança do país mas o equilíbrio da geringonça. Garantir o equilíbrio entre os três partidos profundamente abalado com os resultados das autárquicas.

As diferenças entre PS, PCP e BE são tão profundas que a partir de um certo nível não são conciliáveis. E a economia patina, a dívida cresce e o défice ( estrutural) tarda a descer.

O silêncio do BE é demonstrativo da dificuldade que o partido tem em se apresentar ao povo de cara lavada. Não tem uma única contribuição para a reforma da floresta nem de qualquer outro sector. Exige dinheiro para os seus apoiantes. É isto governar ?

Por parte do PCP o entusiasmo não é nenhum já quis foi saber de onde vem o dinheiro não vá a origem ser dos seus avanços.

“É aí que, acho, impende uma espada a António Costa que necessariamente o vai levar a actuar", indica o jurista Nuno Botelho para quem “se quebrou a relação de confiança entre o estado e os cidadãos. Se pensarmos bem os actos terroristas, este ano, na Europa fizeram menos mortos que Pedrogão e o último domingo juntos”, alerta Nuno Botelho.