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BandaLarga

as autoestradas da informação

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A seca e os incêndios

Os sinais são preocupantes e até indiciadores de termos atingido um máximo de taxa de crescimento trimestral para este ano.

O investimento, sem crescer mais, não permite aumentar as exportações ( que têm sido realizadas com base em capacidade instalada e não em capacidade acrescida ) e o aumento de rendimento disponível, alavancado pelo crédito ao consumo em que aposta o governo, vai arrastar mais importações e mais desequilibro no endividamento nacional .

O Turismo, que tem sido o motor desta primavera económica, vai agora iniciar um menor crescimento a que não é alheio um entupimento da capacidade aeroportuária.

Os incêndios vão levar a quebras de actividade já nos próximos trimestres e a seca com impacte na produção agrícola.

Ou os investidores ganham confiança na governação portuguesa, que não vejo suceder, e reagem com um aumento de investimento em bens de capital, ou os próximos trimestres podem ser o definhar face ao inicio do ano.

PS : João Duque - Expresso)

António Costa julga que somos todos burros

Enquanto o país arde e o SIRESP não funciona o primeiro ministro brinca com a tragédia. É que quem anda agora a vender a imagem de um político de horizontes largos foi ministro da Administração Interna, e que por isso mesmo foi a pessoa ( ou umas das poucas pessoas) que poderia ter evitado os actuais incêndios ( ou pelo menos os incêndios-tragédia).

Num desespero cego não consegue furtar-se a esta figura ridícula de dar lições sobre antecipação dos desastres. Logo ele que atirou milhões de euros para cima do problema com os resultados que agora estão à vista.

António Costa julga que somos todos ingénuos como António José Seguro.

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Depois da vaga de incêndios a vaga de greves

O governo está fragilizado. Depois da vaga de incêndios e da ópera bufa de Tancos, a vaga de demissões de secretários de estado, a vaga das cativações e agora, impulsionada pela CGTP a vaga de greves.

Médicos, enfermeiros, juízes e até a Autoeuropa anunciam greves que é a forma do PCP mostrar a sua força. Não por acaso quando se prepara e discute o Orçamento para 2018 e se preparam as eleições autárquicas. E também não por acaso as sondagens mostram que quer o PCP quer o BE estão a tornar-se dispensáveis.

O que se está a passar na Venezuela deixa sequelas entre PS, BE e PCP com os comunistas a apoiarem a ditadura que se está a formar naquele país. Não podemos esquecer que a UE já anunciou a sua oposição ao regime de Maduro  e mais de 40 países alinham com Bruxelas. A posição do PCP apoiando o governo português e apoiando Maduro, não interfere com a forma como somos vistos lá de fora ? E há tantas coisas importantes que não dependem só de nós.

É que sem ajuda internacional ( sair do "lixo") não controlamos a dívida e os juros. Sem exportações e Turismo não conseguiremos manter a economia a rolar e o emprego a crescer.

O PCP já está a testar o seu arsenal sindical.

Há eventuais mortes em Pedrógão além das conhecidas ?

Não sabemos o número de vítimas mortais passado um mês da tragédia dos incêndios. As pessoas desaparecidas já apareceram ? As vítimas internadas nos hospitais algumas delas gravemente feridas estão livres de perigo ou morreram ? São as tais vítimas indirectas que não entram na lista oficial ? Está tudo doido .

Agora temos a "lei da rolha" que filtra os esclarecimentos à nação. Há mais uma vítima mortal, mas segundo a "central nacional de comunicação" não cabe nos critérios. Quem definiu os critérios ?

Há mortos directos e indirectos, estes últimos não sabemos quantos são nem quem são , muito menos como morreram e onde, mas o primeiro ministro diz que em relação ao incêndio de Pedrógão está tudo esclarecido . Como é isto possível no Portugal democrático ? Ninguém se indigna ?

Então os comandantes no terreno que comunicam com os seus homens e tomam decisões muitas vezes de vida e de morte não têm competência para comunicar directamente com o povo ? Ensandeceram ? 

Em reação à notícia, a Autoridade Nacional de Proteção Civil reiterou hoje que o incêndio do mês passado em Pedrógão Grande fez 64 vítimas mortais, em "consequência direta" do fogo, e que outros eventuais casos não se integram nos critérios "definidos".

Mas ainda há "eventuais casos" ? Eventuais mortes para sermos mais directos ?

Há quem diga que são mais de 80 mortos 

 

 

Típico do PS - a lei da rolha

Agora os comandantes distritais não podem dar informações à comunicção social. E percebe-se porquê. As notícias são muito más e ainda estamos no ínicio do verão. Não há como centralizar a comunicação em gente amiga que antes de falar recebe ordens .

Quer dizer a fonte para o jornalista passa a ser alguém que está num qualquer gabinete, fonte que ande no terreno não dá garantias. Pode dizer a verdade.

Hoje um jornalista na RTP1 dizia-se nada surprendido, anda nisto há muitos anos e sabe que esta tentação de mordaça é recorrente.

É claro que os jornalistas vão passar ( já o fazem) a entrevistar as vítimas dos incêndios, os moradores no teatro de operações. Os comandantes distritais amordaçados vão ter o tempo todo para se dedicarem ao combate aos incêndios. Mas claro, haverá uma informação oficial que passará em tudo o que é jornal e televisão. E quem é que neste ambiente, chamesmo-lhe oficial vai fazer perguntas incómodas ?

Os incêndios tendo em vista as proporções e os desastres bem como o envolvimento de António Costa como ministro da Administração interna são um pesadelo para o governo.

Há que calar vozes independentes e chamar os boys que foram nomeados há apenas dois meses.

 

Os grandes negócios do Estado : a fibra óptica que arde

Durante este mês depois da tragédia ouviu-se tudo o que é comentador encartado e técnico de gabinete . Ontem entrevistaram um operacional que nasceu e trabalha na região.

Ao longo da estrada da morte, subterrânea, corre uma estrutura para proteger os cabos eléctricos, telefones e outras cablagens. Mas a fibra óptica que falhou na tragédia foi ( e está novamente ) a ser colocada em cima de postes de madeira que, obviamente, ardem como ardem os eucaliptos . A tal infraestrutura subterrânea custou ao estado e à câmara local um milhão e seiscentos mil euros.

A morte de 64 pessoas tem responsáveis. São os administradores e técnicos das empresas que optaram por aquela solução mais barata em detrimento da segurança das pessoas. E o estado que pagou os trabalhos e que recebeu como boa aquela solução também é responsável. Ministros e secretários de estado.

É, claro, que se não fosse o trabalho jornalístico de Sandra Felgueiras e Ana Leal nunca inquérito algum apontaria o dedo a este crime. Assim como não ouvimos ninguém do governo ou das empresas de comuncação.

Pois se quem nos dá explicações são os mesmos que fazem os negócios ...

Cada vez é mais simples perceber porque foi Costa de férias.

Tancos e Pedrógão Grande são consequência da austeridade

Nem sequer estou a criticar porque sei bem que quando há apertos orçamentais a forma de controlar é centralizar as decisões ao mais alto nível. Centeno faz o que tem a fazer segura o dinheiro conforme as necessidades do controlo orçamental e do défice.

Em Tancos a vídeo vigilância não funciona há dois anos. Razão ? Não é prioritário e o dinheiro não chegou a tempo. O simples arranjo da rede exterior do quartel foi solicitado há dois meses mas a autorização só chegou há dois dias.

Nos incêndios faltaram os meios. Antenas inoperacionais, helicópteros em manutenção em plena fase aguda dos incêndios. Que diabo os serviços podem não ser um exemplo de eficácia mas não podem ser assim tão maus. Tiveram que esperar a sua vez .

Na saúde há uma lista de espera que anda entre os 120 00 e os 200 000 doentes. Há dinheiro para os casos graves mas os casos programados podem esperar, pelo menos 90 dias.

É a austeridade que continua neste governo depois da austeridade mais aguda do anterior governo. O défice desceu de 11% para 4,4% com Passos Coelho e agora está a descer para 1,5% com António Costa . E o crescimento da economia não gera mais impostos de um dia para o outro.

Mas a austeridade tem este efeito negativo que pode chegar subitamente. Ardem as florestas e roubam-se paióis  militares e depois vamos a ver e num caso e noutro não houve dinheiro para manter a vigilância e a confiança.

E não se operam milhares de doentes dentro dos prazos terapêuticamente aconselháveis também por falta de meios. Há bem pouco tempo sabia-se que só 40% da capacidade instalada dos blocos operatórios era utilizada.

Não há milagres.

ESTE INCÊNDIO É DE ESQUERDA

O critério para aferir se as declarações infelizes são desculpáveis ou, até, normais é puramente subjectivo.

 

Se quem as proferir for de esquerda (aquela a que se chama "esquerda") a resposta é afirmativa. Mas, só nesse caso.

 

A visão de um tanato coberto (a cobertura até podia estar a tapar outra coisa, não sabemos) de uma vítima (morta, não mortal) de um incêndio é repulsiva. Já o corpo, bem à vista de uma criança, que terá perecido (recentemente, há quem assevere, suportado em imagens, que, afinal o infante continua vivinho da costa, mas isso é outra história) durante uma invasão da Europa, já é uma imagem que vale mil palavras.

 

Sabemos que Passos Coelho é pouco hábil nos contactos informais com a imprensa. Tão pouco hábil, que até parece que ainda não percebeu que a maioria dos jornaleiros dá o cu e três tostões para o entalar, seja às mãos dos partidos à esquerda ou até dos que, seu partido, são conformes à nova ordem.

 

Não fez a ponderação óbvia - este incêndio é de esquerda.

 

Como tal, falar de solidariedade, chorar em coro, dar abracinhos sentidos em frente às câmaras, prometer mudanças radicais, tudo isso está certo. Como certo está dizer que foi feito todo o possível (mesmo na hora em que seria completamente impossível sabê-lo) ou que ainda não se detectou algo tenha falhado (mesmo quando já eram manifestos os erros mais evidentes).

 

Apontar prejuízos ou aventar culpas já é pernicioso aproveitamento da desgraça alheia.

 

Então, a própria Catarina, que há dois anos reclamara a queda colectiva do governo por evento muito menos grave, não veio, quase em forma de prece, suspirar por chuva?

 

Pois é, Caro Pedro, "quem se mete com o PS, leva".

 

A medalha póstuma da estupidez

O PSD na oposição não acerta uma. Com o governo a tentar justificar-se apressou-se a indicar-lhe o caminho da salvação. Abrir um inquérito parlamentar ao fogo que é, como se sabe, a melhor maneira de não se tirar conclusão nenhuma.

O inquérito devia ser independente, constituído por técnicos não engajados aos partidos e inclusive, por técnicos estrangeiros. E, as suas conclusões, deviam fazer parte de um consenso geral nacional para que de uma vez se fizesse o que há muito devia estar feito.

É preciso afrontar interesses instalados poderosos e perder votos ? Que seja, mas os mortos merecem um trabalho honesto .

O que já dá para ver é que tudo anda a ser tratado no recato dos gabinetes como sempre. É preciso que o tempo passe, a dor acalme, e as indemnizações cheguem. E, bem se vê, que a oposição é isso que anda a fazer. Têm todos culpas no cartório não se esperem inquéritos independentes .

Venham para o terreno, dizia uma moradora local, e deixem-se de levantamentos, estamos fartos de levantamentos e de conversa. A população sabe que o estado falta no que só ao estado compete fazer. Não protege a propriedade, não protege as populações e não faz cumprir a legislação vigente. 

Quem se lembrar do discurso de António Costa no verão de 2016 não terá dúvidas nenhumas sobre o que nos espera.

Enterrar os mortos porque o verão só agora começou e, o Presidente, avisou Costa das consequências se os fogos de 2017 fossem tão graves como os de 2016.

Estamos todos a arder . Lá se vão os afectos.

 

A terrível acusação do PCP : as mortes podiam ter sido evitadas

Se só 13% dos incêndios têm mão criminosa porque é que todos os anos nos vendem a cantiga do incendiário ? Não sabem ? Mas há estudos que confirmam. Sabem ? Então porque insistem na mentira? É absolutamente necessário saber. Se o estado não faz em décadas o que devia fazer ( e todos sabem o que é preciso fazer) então estamos perante um crime de Estado.

Hoje Louçã vem acusar António Costa de não ter actuado com a necessária rapidez . Tentou travar o prejuízo político descendo ao terreno . Presidente, primeiro ministro, ministra e secretário de estado quiseram circunscrever o incêndio político que lavrava, ganhar tempo apontando para as circunstancias singulares.

Mas as razões que rapidamente foram adiantadas ( a PJ já tinha encontrado a razão da ignição) foram ainda mais rapidamente desmentidas quando a população começou a falar. Tinham morrido 34 pessoas numa estrada seis horas depois do início do fogo. O SIRESP não funcionou.

Olhando para aqueles carros calcinados percebe-se bem a desorientação que os fez embater uns nos outros e ficarem prisioneiros no inferno.

Mas a mais terrível acusação é o PCP dizer que aquelas mortes podiam ter sido evitadas se os governantes tivessem olhado para as suas propostas.

Quem pode confiar no que nos dizem ? A última vez que nos vendiam o paraíso, corríamos nós para a bancarrota.