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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Entregar o ouro ao bandido

Jerónimo de Sousa tem um fantasma. Que o PS venha a ter uma maioria absoluta. O PCP ficaria como o idiota útil que ajudou o PS a governar, a ganhar uma maioria absoluta e que em troca seria remetido para a insignificância .

É por isso que avisa que uma segunda edição da geringonça é altamente improvável a não ser que o PCP tenha tantos votos que possa aspirar a ser governo. Doutra forma não brinca.

O seu braço armado - a CGTP- já avisou que o governo PS está muito aquém do cumprimento dos acordos é preciso um governo patriota e de esquerda . E nós todos sabemos o que isso quer dizer, quanto à relação com a União Europeia e a Zona Euro .

Catarina Martins diz que a geringonça é irrepetível deixando a entender que só com mais votos e a governar. Face às sondagens sente-se injustiçada, logo o BE que se arroga pai de tantas medidas de esquerda.

É, claro, que o futuro próximo não é brilhante - é tudo poucochinho - e PCP e BE não podem deixar de se afastar o mais possível do governo de que não fazem parte. A responsabilidade é toda do PS que continua a fazer uma governação de direita . Tudo o que é bom deve-se à determinação e exigência dos partidos à esquerda tudo o que é mau deve-se ao PS de direita.

Só fazendo parte do governo e com mais votos . António Costa pode pagar caro ter remetido os partidos que o apoiam para o papel de idiotas úteis.

 

Com a geringonça não é possível reformar o país

Como começa estar à vista mesmo para os mais ingénuos. O que se passa na Auto Europa com a CGTP ao assalto a uma empresa estratégica por forma a influenciar o orçamento para 2018. E o PCP arranjará sempre uma cenário de rua para influenciar as decisões do governo. O seu braço armado a CGTP encarrega-se de fazer o trabalho de sapa.

"A terceira lição é que o tempo das reformas acabou. Não é possível reformar e modernizar o país enquanto, simultaneamente, se acerta a agenda com PCP e BE, satisfazendo as suas clientelas sindicais e evitando hostilizar o seu posicionamento ideológico. PCP e BE, nomeadamente através do braço da CGTP, constituem as forças políticas mais resistentes à mudança. Isso é absolutamente claro nas matérias laborais ou nos assuntos europeus. Mas não só. Por exemplo, convém não esquecer que, na educação, as políticas públicas que, nos últimos 15 anos, sustentaram a melhoria de desempenhos dos alunos nas avaliações internacionais foram todas implementadas contra esses partidos e os seus agentes educativos. Com mais ou com menos reversões, um futuro com geringonça arrisca-se a ter um horizonte de estagnação."

 

A enorme austeridade que a geringonça continuou a impor ao país

Quem quis ir além da Troika ?

Tudo isto — PERES, corte radical no investimento público e cativações brutais de verbas inscritas no Orçamento para 2016 —, tudo isto constitui os ingredientes principais e decisivos da enorme austeridade que a “geringonça” continuou a impor ao país. E o país, largamente infantilizado, geralmente desinformado e alegremente ludibriado pela narrativa do governo, canta hossanas ao cocheiro da “geringonça”, António Costa. A avaliar pela candura da entrevista concedida ao PÚBLICO de 27 de Julho pelo líder parlamentar do Bloco, este acólito do Governo de Costa finge-se indignado com a dimensão das cativações aplicadas por Centeno, declarando com manifesta estultícia que “o Governo não tinha mandato político para fazer cativações deste nível”! O Bloco não lhe concedera poderes para tanto! Infelizmente, o ridículo não mata.

A enorme dose de austeridade que Costa impôs ao país, e que este engoliu sem dar por ela, era em parte totalmente desnecessária: Bruxelas apenas exigiu um deficit de 2,4%, mas Costa quis ir para além da troika e mostrar mais serviço do que lhe pediam — um deficit de 2,1%. 

Portugal desperdiçou quase dois anos e anda meio mundo radiante !!

Graças à “geringonça”, apesar de beneficiar de condições externas mais favoráveis, o pais perdeu quase 2 anos : no crescimento do Pib (que só agora alcançou os niveis que já se verificavam no primeiro semestre de 2015 … mas há quem sustente que é meramente conjuntural) ; na redução do custo do refinanciamento público a mais longo prazo (que duplicou em vez de ter continuado a descer como no resto da zona euro) ; nas reformas estruturais (incluindo a do sistema de pensões, que Passos Coelho queria discutir e fazer e o PS não) ; etc ; etc.

Mesmo assim, anda meio mundo radiante !!

E bem verdade que é preciso ir buscar o dinheiro onde ele está

Se há virtude na "geringonça", e há , a principal é ter transformado a extrema esquerda num cordeirinho em relação à Europa. Veja-se como se afadiga em aprovar orçamentos alinhados com Bruxelas . Sublinhe-se as exigências descabeladas de reestruturação da dívida de há um ano com as mais recentes e cordatas propostas.

PCP e BE aprenderam com o Siryza que lá continua ao leme na Grécia a executar programas de austeridade tal qual PSD/CDS o fizeram por cá. Bem dizia a Mariana Mortágua que é preciso ir buscar o dinheiro onde ele está.

Estamos pois, como o resto da Europa, na direcção certa mas, se o PS não conseguir fazer as reformas estruturais necessárias por oposição da extrema esquerda, mais uma vez ficaremos à bolina à espera que o ambiente externo nos dirija a porto seguro. E o custo da actua acalmia será mais um ciclo de empobrecimento.

Sem reformas, sem o programa do BCE de compra de dívida, sem os subsídios europeus do Programa 2020 para investimento num país onde público e privados não têm dinheiro, qual seria o destino ?

Transformar dois partidos "marginais" do regime, e contestatários da integração europeia, em diligentes cumpridores das exigências dessa mesma integração, empenhados salvadores de bancos, e devotos do rigor orçamental não é coisa pouca .

 

A futura geringonça francesa é má

Macron, não pode fazer grande coisa porque não tem atrás de si um partido vencedor . É difícil acreditar que o seu movimento "En marche" se possa converter até às legislativas num grande partido. Terá pois, que exercer uma governação de geometria variável com grandes riscos.

O que está ao seu alcance é por a economia a crescer de forma robusta, criar emprego e reganhar a confiança de quem a perdeu. Precisa de reduzir o estado em 500 000 funcionários públicos e reduzir os 57% da receita com que o monstro estatal se alimenta.

O Estado francês precisa de investimento público mas para isso tem que reduzir a despesa corrente. Ou convencer Bruxelas a separar a despesa corrente da despesa de investimento com esta a não contar para o défice.

Tudo isto no quadro da União Europeia e da Zona Euro.

Agora em vez da França e de Macron, coloque Portugal e António Costa. A economia não cresce, o PS não é o maior partido, a geringonça faz política de geometria variável, ora à esquerda ora à direita, aumenta o número de funcionários públicos, aumenta salários e pensões, corta no investimento e reduz o crescimento da economia.

Mas a geringonça portuguesa é boa.

Já vimos este filme várias vezes, os dez euros de aumento ao fim do mês anestesiam muita gente, o PCP retirou os sindicatos das acções de rua, a comunicação social está amestrada e o Presidente da República quer afectos não quer chatices.

" Tudo é possível, fácil e evidente: basta recusar o "sistema" e renunciar à Europa. "La France d'abord", igualzinho ao "America first" de Donal Trump. Igualzinho ao discurso económico da extrema esquerda" (Miguel Sousa Tavares )

 

ENCAVACADOS MUITO PARA ALÉM DO MANDATO

Há pouco mais de meio ano, Cavaco e Silva, de uma assentada, violou duas obrigações que a CRP lhe comete.

Nomeou um primeiro-ministro sem ter em conta os resultados eleitorais, segundo o único critério compatível com o texto da lei e que, até ele, repetidamente e sem excepção, sempre fora o de todos os presidentes; subjugou-se à indicação do parlamento, que pode demitir governos, mas não pode nomeá-los, abdicando, assim, da competência própria e exclusiva, que colhe da legitimidade na eleição por sufrágio directo e universal.

Hoje, os sinais deletérios são evidentes, não obstante a competente propaganda e o novo estilo “flash interview” do titular que lhe sobreveio.

 

Aqui ao lado, fruto de uma constituição mais reguladora do que tem de ser regulado e da serenidade do Chefe do Estado, o país esteve seis meses com um governo de gestão. Sem dramas e sem prejuízos; sem orçamento aprovado para o ano em curso, mas, nem por isso, sem orçamento; sem convulsões ou crises, sem agravamento do risco da dívida e sem dificuldades de acesso a financiamento. Também sem sobressaltos no curso da sua economia. Ainda sem pressões dou ralhetes “de Bruxelas”

 

O povo espanhol, cuja opinião, essa sim, foi tida em conta, disse, novamente, o que queria – o mesmo que tinha dito em Dezembro, mais enfaticamente. Caberá aos partidos entenderem-se e os que se recusarem ao entendimento fora do que é razoável e do que dois actos eleitorais sucessivos ditaram, arrostarão as necessárias consequências nas urnas. Daqui a mais uns meses, é certo, e, como até aqui, sem crises ou convulsões.

 

Cavaco poderia corar de vergonha, no retiro fausto e dourado que a república lhe consente. Se alguma vez tivesse percebido o que se espera de um Chefe do Estado.

Que, a coberto da limitação de poderes pela proximidade do fim do mandato, acabou por comprometer-nos, muito para além deste. Por cobardia ou convicção, nunca saberemos.

 

E, no nosso caso, teria sido bem mais simples do que em Espanha, já que, em novas eleições, apenas teríamos, na prática, de dizer – queremos um governo de coligação com comunistas? O que poderia estar já resolvido desde o passado Abril.

 

Os problemas sérios que aí vêm radicarão numa decisão bem fácil, mas profundamente errada.

PCP e BE cairam na real segundo Marcelo

A realidade está acima dos ideais e PCP e BE têm sabido conter-se. "Ambos tinham dúvidas sérias em relação à NATO e uma posição crítica em relação à UE, eram muito críticos no que diz respeito ao mecanismo para o défice". Mas, "a disposição para o compromisso e a vontade de apoiar o Governo foram, até agora, mais fortes do que os ideais".

"Portugal passou em 40 anos de uma economia colonial para uma economia de mercado europeia e ao mesmo tempo construimos uma democracia. Isso custou dinheiro". E lembra que foi a Europa que em 2007 aconselhou: "Vamos fazer o que Keynes disse, avançar com investimento público. Foi o que fizemos e o resultado é o valor da dívida".

O que não disse é que por estes dias a dívida não deixa de crescer e as taxas de juro a dez anos não baixam dos 3%. Para não falar no investimento que não há. E isso deve-se à falta de confiança dos investidores no apoio de PCP e BE ao governo. Um custo para o país visível mas difícil de mensurar.

A geringonça anda sem sair do sítio

É mais que evidente que na frente orçamental nada mudou e se mudou foi para que tudo fique na mesma. Mas na frente política há coisas a mudar. As reversões de algumas medidas entre elas manter as transportadoras no domínio público ( assim salvando a CGTP braço sindical do PCP) e na Educação com reforço da escola estatal. O PCP com estas medidas e não querendo de todo perdê-las não rói a corda.

E o Bloco ? Catarina Martins já veio avisar/ameaçar António Costa que o que está ser feito não chega. A luta de Catarina Martins joga-se no braço de ferro com Bruxelas e num forte reforço dos salários e pensões. Mas nestes dois cenários Costa pouco pode ajudar a não ser que a economia se porte muito melhor que o previsto.

Com o Brexit, os refugiados e o terrorismo a Alemanha não vai querer problemas na ala sul da UE. Por isso vai manter a pedalada sem sair do sítio. Ganhar tempo para que a economia na Zona Euro se fortaleça o que não é certo. Se a economia se portar bem a dívida não saltará para cima da mesa. Caso contrário há que tomar medidas para restruturar a dívida que sendo pagável em cenário de economia saudável não o é em cenário de economia débil. É, pois, possível que o governo ande sem sair do sítio à espera de melhores dias.

Com esta estratégia quem perde - quem tem quase tudo a perder - é o PCP e o BE. Fica claro que com eles ou sem eles a geringonça anda mas não sai do sitio.

Governo obediente e agradecido

O ministro da Segurança Social, Vieira da Silva, substitui anteriores equipas a exigência do BE .

A direção cessante tem sido alvo de contestação por parte do Bloco de Esquerda (um dos partidos que garante maioria parlamentar ao Governo) precisamente devido aos recibos verdes. O deputado José Soeiro entregou, anteontem, uma pergunta dirigida a Vieira da Silva, denunciando o recurso a falsos recibos verdes no concurso que a direção do IEFP lançou para docentes e formadores na rede de centros de emprego e formação profissional.

O PS vai engolindo sapos a ver se o orçamento para 2016 passa. Desde que as exigências não façam mais despesa ainda a coisa vai ...