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BandaLarga

as autoestradas da informação

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O embuste pela terceira vez

João César das Neves: Neste caso a resposta é óbvia: os cortes monumentais têm acontecido nas despesas, correntes e de investimento, de operação dos serviços. Os vários sistemas públicos têm trabalhadores aumentados, mas estão estrangulados no seu funcionamento. O dinheiro não é elástico; só se sobem salários e pensões cativando verbas. Isso vê-se, cada vez mais, da saúde aos incêndios, dos transportes às escolas, da segurança à cultura. Centeno reduziu o défice mantendo contentes as clientelas públicas, sacrificando as populações. Os sindicatos estão satisfeitos e ainda apoiam o governo, mas o Estado não funciona. E logo que vier um tropeço económico o défice explode, porque o problema financeiro público, se virmos o quadro completo, está longe de estar resolvido.

Interessante, também, é a forma como este embuste é conseguido, desta vez, a terceira, em condições muito diferentes. Guterres, nos anos 1990, tinha crescimento razoável, mas, gastando mais do que produzia, endividou o país, até à recessão de Barroso em 2002-2003. Sócrates, já sem crescimento que se visse, baseou o brilharete em puro endividamento, caindo na crise de Passos, muito pior. Agora há crescimento moderado, mas, dada a dívida astronómica, o endividamento ainda é limitado. A única solução é comer capital. Vendemos as melhores empresas a estrangeiros, o investimento líquido é negativo desde 2011 e deixamos decair o equipamento. Também aqui se sacrifica estrutura e produção para ir alimentando o consumo. Enquanto der.

É preciso que o grande embuste não se repita

Que dizer quando nas Parcerias Público Privadas se discutem sete mil milhões de Euros ? Como é que foi possível que advogados e economistas do lado do estado tenham assinado e assessorado um crime desta amplitude? "Quando se anunciam reduções de custos de 7,4 mil milhões de euros com as PPP rodoviárias, não haverá explicações para dar? Como foram as negociações iniciais? Antes disso, como foi a definição do modelo de negócio, do estudo económico? Que entidades financeiras apoiaram esse desenho? Bancos de Investimento? E nacionais ou estrangeiros? E quem aconselhou juridicamente? Escritórios de advogados? Gabinetes de Consultoria? É que sendo um tipo de contrato em que uma ou duas das três partes nunca perdem, não se acredita que juristas e economistas tenham concordado com tal modelo...

E que dizer da dívida escondida nas transportadoras que montam a vinte mil milhões? O outro caso é o da clarificação do regime a que ficará sujeita a dívida, não avalizada pelo Estado, do setor público, como disse, principalmente, do sub-setor dos transportes. Como se sabe, estão previstas para breve privatizações e/ou concessões desta área. Há vários nacionais e estrangeiros interessados, mas para esses processos terem sucesso é fundamental que essa questão magna, que ronda os 20 mil milhões de euros, seja resolvida. Por força das nossas obrigações no seio da União Europeia e por força dos compromissos no Eurostat, todas as matérias dessa natureza terão de estar resolvidas e esclarecidas até 2015. Mas se o Governo quer privatizar ou concessionar a exploração da Carris e do Metro, certos troços da CP ou outros, tem de resolver o assunto antes. Tem de o fazer, principalmente, se quiser mesmo privatizar. De qualquer modo, com privatização ou cessão de exploração, esta é uma matéria também relevante para a transparência das contas públicas. Também aqui era bom o historial da dívida acumulada neste domínio. A não ser assim, em qualquer altura pode aparecer outro apóstolo das virtudes a levar à prática um monumental embuste que custam anos e anos de sacrifícios aos portugueses.

Os embustes de Sócrates

O que neste vídeo se pode ver e ouvir só não compreende quem não quer. Ao contrário do que Sócrates diz a dívida cresceu porque não havia um tostão furado nos cofres do estado e, por isso, quando ele se foi embora não se pagariam salários e pensões. Teve que se pedir dinheiro que, obviamente, acresceu à divida. Quanto às PPPs outro embuste. Sócrates, como é da sua natureza, veio para dificultar a vida dos que têm que encher o balde sem fundo que nos deixou.