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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Os sinais de uma economia em decadência

E os sinais da decadência estão aí todos mas António Costa faz de conta que não ve . Quando chegar a crise logo se arranjará um culpado tal como fizeram com a crise que Sócrates cavou.

Entretanto na economia os sinais de alarme soam cada vez mais alto, perante a complacência de um primeiro-ministro que triunfa num crescimento de 2,7%. Poupança, investimento e crédito às empresas estão em mínimos nunca vistos, próprios de uma economia em decadência. Com a produtividade e a competitividade a cair, o crescimento é alimentado só pela redução do desemprego. Mas o governo não nota que a melhoria do mercado de trabalho aumenta a precariedade laboral, com mais de um quinto dos trabalhadores em contratos a prazo.

Assim, nesta recuperação económica, a força produtiva fica cada vez mais frágil, mais descapitalizada, mais dependente do turismo, sem qualquer estratégia razoável para enfrentar os enormes desafios de desenvolvimento que tanto preocupam a Europa e o mundo. Mas isso não interessa, se o país está contente com a reposição de rendimentos, que permite voltar aos níveis de consumo insustentáveis que nos conduziram à crise anterior.

O crescimento é francamente pouco para as necessidades

A maioria dos países ( 20) na Europa tem um crescimento da economia francamente melhor do que nós e uma dívida menor . É poucochinho .

Sobre a economia do país, Maria Luís desvaloriza o crescimento. “Acho francamente triste para o país que 2,7% seja o melhor que conseguimos em todos estes anos. Tanto mais, se nos compararmos com parceiros europeus”, salienta, acrescentando ainda que “quando pensamos na posição que o país tem, no atraso que tem de recuperar, naquilo que precisamos de fazer, porque a dívida é muito elevada, e quando há, na mesma conjuntura, 20 países que conseguem fazer melhor, é francamente pouco”.

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A economia portuguesa carece de sustentabilidade

Um cometa que brilha momentaneamente mas que desaparece rapidamente

“As nossas exportações têm de estar 60% acima do PIB, até 2030, para termos uma economia sustentada”, refere José Manuel Fernandes. O Executivo tem definida como meta que as exportações venham a ter um peso superior a 50% do PIB até 2020, mas o Banco de Portugal duvida da exequibilidade deste objetivo. O empresário reconhece que é difícil, mas é possível, desde o momento em que “haja uma concertação muito bem afinada em relação às ações a desenvolver pelos vários organismos do Estado”. Ou seja, “desde a parte fiscal, passando pela estruturação dos incentivos, até mexer, de uma forma ousada, com os setores e os clusters“, refere.

Como é que se faz essa concertação, se o IRC está a aumentar por um lado e a AICEP, por outro, anda a tentar captar investimento estrangeiro?”, questiona-se, lançando uma crítica à opção de aumentar a derrama de IRC que penaliza as grandes empresas.

Os caminhos da economia digital também passam por aqui

Há que aliviar os custos de contexto que asfixiam a economia portuguesa.

O peso da administração pública nos circuitos empresariais permanece excessivo. E o Estado tarda a cumprir prazos de pagamento aos seus fornecedores, penalizando, porém, implacavelmente quem se atrasa em pagar-lhe o que quer que seja. E tudo isto se passa num país provido das mais avançadas tecnologias e que tem sido frequentemente elogiado em relatórios internacionais por ser um “early adopter”

Estamos tecnicamente muito evoluídos, mas enquadrados numa pesada estrutura estatal que suga recursos das empresas numa multiplicidade de impostos especiais, taxas, seguros de todo o género, certificações variadas, sistemas de controlo interno, tarifas de resíduos sólidos, contribuições audiovisuais, exigências de documentação diversa e mais uma infinidade de custos intermédios que legisladores de diversos matizes políticos se encarregaram de imaginar e pôr em prática ao longo das últimas quatro décadas.

Há que simplificar as regras e agilizar os procedimentos para reduzir custos: só assim conseguiremos atrair investimento de qualidade. O diagnóstico está feito e não é novo. Só falta pôr em prática a terapêutica adequada, e os caminhos da economia digital também passam por aqui.

Que a economia da Zona Euro não crescia diziam eles

Agora até dizem que foram eles que puseram a economia a crescer. Diziam que com o Tratado Orçamental Europeu a economia não crescia, controlando o défice e a despesa. Mas ela cresce !

O produto interno bruto (PIB) da Zona Euro vai crescer 2,2% este ano, muito próximo dos 2,4% do ano passado, que representam o melhor registo da última década.

Também o Banco Central Europeu reconhece que a economia europeia está a crescer a bom ritmo, tendo por isso admitido que poderá reduzir o programa de estímulos de forma mais rápida do que o previsto anteriormente.  

As últimas projecções apontam para que as maiores economias do euro – Alemanha, França e Espanha – cresçam todas acima de 2% este ano.

Estes três países são os nossos maiores compradores pelo que as nossas exportações vão manter-se a bom ritmo sustentando o PIB português.

Os caminhos possíveis para a economia

Ao contrário do que se faz por cá que escolhemos o caminho B em detrimento do caminho A .

...Ainda assim, a prazo, o que vai ser determinante para o crescimento do PIB – e dos padrões de crescimento inclusivos – vão ser os ganhos de produtividade. Da forma que as coisas estão, há motivos para duvidar que a produtividade vá crescer apenas por si mesma. Faltam vários itens importantes, o que lança dúvidas tanto sobre o crescimento da produtividade em larga escala como sobre uma mudança para padrões de crescimento mais inclusivos.

Ray Dalio descreve um caminho que pode ser caracterizado pelo investimento em capital humano, infra-estruturas e numa economia de base cientifica, como o caminho A. O caminho alternativo, o B, é caracterizado pela falta de investimento em áreas que vão impulsionar directamente a produtividade, como as infra-estruturas e a educação. 

Apesar de as economias estarem actualmente a favorecer o caminho B, é o caminho A que produziria um crescimento mais elevado, mais sustentável e inclusivo, enquanto amenizava a dívida persistente que está associada à dívida soberana elevada e às responsabilidades que não geram dívida em áreas como as pensões, segurança social e os cuidados de saúde financiados publicamente.

Sem poupança vamos ser colonizados

É cultural, poupar não é connosco. E sem poupança não há investimento. E sem investimento nacional avança ( se avançar) o investimento estrangeiro.

E, é claro, a nossa economia vai fazer o que os outros não querem fazer. Mas quanto a este problema o governo não diz nada. A verdade é que com as actuais políticas e com a actual solução governativa não é assunto que tenha solução. É chapa ganha chapa gasta .

"Se não tivermos capacidade de desenvolver a nossa economia por nós próprios, ela vai ser desenvolvida por outros. Mas vai ser desenvolvida tornando-nos no canal de distribuição dos produtos dos outros, e não  numa fonte de criação de riqueza, e sobretudo de riqueza de conteúdo elevado", avisa.

Quando isto acabar vamos estar como sempre estivemos. Na cauda e com todos os problemas que nos mantêm abaixo da média europeia .

Santana Lopes : reduzir a carga fiscal sobre as empresas

Consolidar as contas públicas pelo lado da despesa é bom mas ainda melhor é fazê-lo pelo lado das receitas. E reformas para descer as despesas do Estado de forma permanente não se vê nenhuma.

Mas com o nível elevadíssimo da carga fiscal (especialmente nas empresas.)  isso só é possível com o crescimento da economia que continua muito aquém do necessário,

Portugal já devia estar a convergir com a média europeia, a pagar a dívida e a aumentar significativamente o investimento para quando chegar a crise estarmos preparados para a enfrentar. Como sabemos, na crise anterior fomos profundamente afectados, muito mais que a maioria dos países porque não tínhamos feito o trabalho de casa . Exactamente o que está a acontecer agora .

A economia a nível Europeu e mundial está a crescer ( e não me venham dizer que é devido ao mérito da geringonça), aproxima-se o momento de a compra de dívida por parte do BCE terminar com o consequente aumento das taxas de juro . Com o nível de dívida que temos é um desastre anunciado que só aguentamos com o crescimento da economia a 3/4% .

As reformas prioritárias serão na vertente económica. “Continuamos abaixo das médias europeias em vários domínios, apesar de fazermos parte dessa comunidade há mais de 30 anos. O Estado continua a gastar demais e, por isso, pagamos impostos a mais. A economia cresce de menos e o país encolhe em relação àquelas que são as suas necessidades e responsabilidades”, apontou o candidato.

Questionado sobre se a redução da carga fiscal é uma prioridade, Santana Lopes admitiu que sim, sobretudo para as empresas. “É [uma prioridade], dentro das possibilidades do país. O primeiro objetivo é a consolidação das contas públicas, mas o equilíbrio orçamental não deve ter uma obsessão pela despesa, deve focar-se também na receita. Para isso, é muito importante o crescimento económico e, nesse âmbito, defendemos uma redução da carga fiscal, nomeadamente sobre as empresas.

Ao contrário o governo é incentivado pelos seus apoios, PCP e BE, a aumentar a carga fiscal ( como vai fazer sobre a derrama do IRC), a aumentar a carga fiscal via impostos indirectos e, como diz Mariana Mortágua ir buscar o dinheiro onde ele está.

E os aumentos de preços anunciados em produtos essenciais de primeira necessidade levam boa parte das reversões dos rendimentos.

Os problemas nos fundamentais da economia permanecem e com a presente solução conjunta governativa não há como resolvê-los. E após dois anos de governo a culpa é de todos menos de Costa e companhia. Acredita quem quer.

 

E com a dívida monstruosa que temos a que se deve a euforia ?

Não dá para grandes folias bem pelo contrário . E com uma economia a crescer poucochinho. Com excepção da Grécia, esse tal exemplo de sucesso, somos os que estamos em pior situação.

Juros da dívida soberana em Portugal, Grécia, Irlanda, Itália e Espanha cerca das 09:25:

2 anos…5 anos….10 anos

Portugal

27/12……-0,235….0,375……1,821

22/12……-0,272….0,369……1,804

Grécia

27/12…….1,595….3,405……4,060

22/12…….1,603….3,413……4,077

Irlanda

27/12……-0,544…-0,009……0,598

22/12……-0,546…-0,011……0,603

Itália

27/12……-0,311….0,618……1,918

22/12……-0,311….0,602……1,906

Espanha

27/12……-0,381….0,297……1,460

22/12……-0,391….0,279……1,463

Fonte: Bloomberg Valores de ‘bid’ (juros exigidos pelos investidores para comprarem dívida) que compara com fecho da última sessão.

Por volta das 09:25 em Lisboa, os juros a dez anos estavam a subir para 1,821%, contra 1,804% na sexta-feira e 1,740% na quinta-feira passada, um mínimo desde maio de 2015.

Baixar a dívida é fundamental mas não está no orçamento

No quadro da Zona Euro o limiar da dívida pública que ajuda o crescimento da economia anda entre os 67% e os 100% conforme as características dos países. Na OCDE esse limiar anda nos 85%.

A dívida portuguesa monta a 128% do PIB e se a reduzíssemos para o tal limiar (digamos 90%) o crescimento da economia podia chegar aos 3,5%.

Faz todo o sentido colocar este objectivo no centro  das políticas económicas mas as exigências de PCP e BE não deixam . É o custo mais visível do apoio a António Costa.

O programa de compra de dívida do BCE tem permitido a Portugal pagar taxas de juro mais baixas e a reestruturação da dívida faz-se como se tem vindo a fazer. Amortizar a dívida mais cara do FMI e trocar dívida mais antiga e mais cara por dívida actual mais barata .

Enquanto não se atingir o rácio de 90% da dívida em relação ao PIB o objectivo orçamental  devia ser a "redução da dívida é fundamental " como disse Mário Centeno.

A má despesa afasta a boa .

O défice está sob controlo ? Está. Mas com uma degradação clara da qualidade da nossa despesa pública.