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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Atenção Portugal - UE alivia dívida Grega

No quadro da União Europeia vão encontrar-se soluções negociadas para as dívidas públicas insustentáveis. É o caso de Portugal e Grécia.

De acordo com o jornal alemão Handelsblatt, citado pela Reuters (acesso livre / conteúdo em inglês) uma das opções poderá passar pela transferência do empréstimo do FMI (mais oneroso para os cofres helénicos) para o fundo de resgate europeu, o que permitiria baixar as taxas de juro de parte da dívida de Atenas. Mas há mais medidas previstas, incluindo o prolongamento das maturidades dos empréstimos oficiais e ainda a transferência dos lucros do BCE e dos bancos centrais nacionais com obrigações do Tesouro gregas para Atenas através dos governos nacionais.

Fonte citada pela agência indica que o documento foi originalmente preparado pelos responsáveis do MEE e não pelas quatro instituições, tendo sido já alterado e reformulado entretanto, pelo que a versão a que o Handelsblatt divulgou não será aquela que chegará às mãos dos responsáveis pelas pastas das Finanças do bloco da moeda única.

“O paper estabelece várias opções para a reestruturação da dívida grega e especifica possibilidades que foram dadas pelo Eurogrupo em maio último. Uma das opções que permanece é a assunção da dívida do FMI pelo MEE”, revelou a mesma fonte. “Ainda não é claro se o FMI concordará com isso”, acrescentou ainda.

Portugal deve estar atento depois do documento apresentado há dias. Se a Grécia beneficiar com estas medidas é meio caminho andado para o nosso país.

 

Austeridade silenciosa

 

A grande mentira sobre as contas públicas começa numa ilusão.  A austeridade que Centeno prometeu acabar está melhor do que nunca.  Tinha prometido aos partidos da "geringonça" cortar E950 milhões na despesa. Afinal cortou mais de E 3 mil milhões. Se os números não enganam, porque passa a ideia que os tempos de apertar o cinto terminaram ?

A resposta está no tipo de cortes que o governo fez . Investimento, fornecimentos e serviços externos e contratos com o Estado. Quem trabalha para o Estado foi a grande vítima da austeridade do PS. No anterior governo o alvo tinha sido quem trabalha no Estado ou é por ele suportado. Em vez de salários e pensões o PS escolheu cortar nos gastos externos dos serviços e naquilo em que o Estado investe.

O mais curioso é que o PS está a aplicar à letra a recomendação da Troika de reduzir o défice por via da despesa. No fundo, a aplicar o programa do PSD de 2011 que este nunca conseguiu fazer.

...este ano vai continuar a reposição de rendimentos a funcionários públicos e pensionistas. E o garrote no investimento e gastos com os privados. A economia vai continuar a crescer uma miséria e o monstro começa a engordar. E, para animar a festa a dívida pública, aquela que ainda é "lixo", não para de crescer .Já vai nos 130,4% do PIB. E não dá sinais de diminuir.

Para terminar, fique com esta informação : a dívida pública irlandesa era de 120% do PIB em 2012 . Em 2016 ficou nos 75,4%.

PS : Expresso - João Vieira Pereira

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Antes e depois do euro

Portugal pagava taxas de juro de dois dígitos e agora paga 4% .O problema é que a dívida cresceu irresponsavelmente e o problema é o mesmo. Uma factura que a débil economia, a crescer a 1,4%, não consegue pagar. Não se fale pois de injustiça.

O Euro deu a países mais pobres e com economias menos robustas acesso a um mercado de financiamento abundante e com taxas de juro muito baixas.

É preciso não esquecer que apesar do efeito “anestesiante” da política monetária do BCE, as taxas de juro a 10 anos de Portugal estão neste momento no limiar daquilo que o país aguenta e que os mercados aceitam. Com as taxas a 10 anos acima dos 4% desde há mais de 4 meses, dificilmente as taxas voltarão a descer desse patamar.

Esse facto coloca duas questões: a primeira é como vão reagir as taxas de juro de Portugal quando o efeito do BCE se reduzir e esgotar? Subirão para valores em torno dos 5%-6%? A segunda é como vai Portugal financiar-se nos mercados em 2018 e 2019, se as taxas subirem para esse patamar dos 5%-6%?

 

  • Desde o início de 2016 que o IGCP não faz um leilão, mas apenas operações sindicadas, denotando insegurança e algum receio face à reação dos mercados.
  • Desde então, os investidores estrangeiros quase desapareceram das compras de dívida pública. Estamos no mercado primário de novo a sustentar as emissões no setor financeiro nacional (e em parte num aumento significativo do retalho) e no mercado secundário com as compras do BCE e do Banco de Portugal, via “Quantitative Easing”.
  • as agências de rating não vão subir a notação de Portugal, pelo que é expectável que esta se mantenha em “lixo” nos próximos tempos. Note-se que a entrevista do ministro Centeno ao Financial Times a semana passada, a queixar-se das agências de rating, é um sinal de desistência.

 

Os avisos que nos são enviados pela Comissão Europeia e pelas outras instituições financeiras não deviam ser ignorados . Factos são factos .

Só com gente vinda de fora

Tal como sempre disse e defendi, o BCE não deveria nunca ter comprado títulos de dívida pública de nenhum país, sem que esses países ficassem obrigados a implementar as reformas que cada um deles necessita para eliminar os seus déficits, iniciarem trajectórias descendentes nas suas dívidas públicas acumuladas, e tomarem as medidas necessárias para melhorar a produtividade e competitividade das suas economias.

Ao ter comprado títulos de dívida de todos os países membros do euro, gerando dessa forma uma baixa generalizada dos juros, a todos os países, sem no entanto ter recebido em troca, nenhum compromisso, nem obrigação, por parte dos países, de fazerem as reformas necessárias, só andaram a adiar o problema, e a dar balões de oxigénio, mais tempo e liberdade aos países faltosos, para que pudessem continuar a adiar e a empurrar prá frente com a barriga as resoluções dos seus problemas de governação e de contas públicas.

Pode ser que um dia a UE, deixe de acreditar no pai Natal, e acabe mesmo por ter que meter na cabeça, que com alguns países, só mesmo à força e com gente vinda de fora é que alguma vez farão o que tem que ser feito.

Mas pelos vistos, ainda não foi desta que aprenderam.

O custo em juros do apoio do PCP e do BE

taxa de juros da dívida já esteve bem abaixo dos presentes 3,5% tendo subido com a entrada em funções da solução governativa encontrada . São mais de oito mil milhões só de encargos com os juros o correspondente a 4,3% do PIB. Para agravar o problema a dívida não desce em 2016 e em 2017. 

Como há um movimento generalizado de redução dos encargos com a dívida, também o peso médio dos juros entre os 19 países vai recuar. Se neste ano cada país enfrenta em média um custo de 2,07% do PIB, no próximo ano o peso dos juros recua para 1,94%. Ora como Portugal prevê pagar o mesmo em 2016 e em 2017 - os tais 4,3% -, então o esforço enfrentado pelos portugueses em comparação com os restantes europeus vai ficar maior. Os portugueses vão gastar mais 2,36 pontos do PIB em juros em relação à média - contra os 2,23 pontos de diferença em 2016.

A tal dívida que não é para pagar é para gerir .

 

Sócratismo sem Sócrates tenta calar RTP

O que foi apresentado pela RTP quanto à evolução da dívida pública é exactamente o que eu penso. Na verdade os 85 mil milhões da Troika foram pedidos por Sócrates porque faltavam para cumprir os compromissos assumidos. E não foi aquela verba por acaso. O montante era o necessário para cobrir o buraco que Sócrates  tinha diligentemente e irresponsavelmente cavado. Não pode ser assacado ao governo que teve que o utilizar para cumprir os compromissos assumidos pela República.

José Rodrigues dos Santos explica que o problema de Portugal foi não ter travado a dívida em 2005. “Portugal fez exatamente o contrário”, afirma o jornalista, referindo-se ao período em que os socialistas chegaram ao poder. Rodrigues dos Santos garante ainda que “para agravar as coisas o Eurostat descobriu que vários países, incluindo Portugal, estavam a esconder a dívida em empresas públicas”.

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As reservas de liquidez justificam a subida da dívida

Aproveitar as janelas de oportunidade do mercado, com taxas mais favoráveis, preparando assim o pagamento antecipado ao FMI, levaram a que 2014 tenha fechado com um montante de dívida ligeiramente acima do previsto. Facto imediatamente aproveitado para os tais do 2º resgate e da espiral recessiva virem a terreiro gritar que estava tudo a falhar . Não está. Esta almofada de liquidez vai tornar possível poupar cerca de 500 milhões em juros anualmente.

Maria Luís Albuquerque argumentou ainda que “as reservas de liquidez, os depósitos, acabaram por crescer um pouco mais do que estava previsto, até pela grande adesão que tiveram os produtos de retalho e o maior número de subscrições do que aquele que estava previsto”.

É claro que a dívida desce com a correspondente descida do défice primário o que quer dizer menos despesa e mais receita. Mas os que criticam estão contra. Vá lá ser-se cura numa paróquia destas.

Quanto vale o que pede a Grécia ?

A dívida da Grécia chega  vale hoje quase 317 mil milhões de euros. E cerca de 90% desse valor está nas mãos dos países europeus, já que, depois das perdas sofridas com o ‘haircut' de 2012, a grande maioria dos investidores privados se desfez dos títulos helénicos. O plano do Syriza envolve, assim, o perdão de cerca de 158,5 mil milhões de euros, implicando perdas para os governos europeus que podem ir de entre 127 a 143 mil milhões de euros.

As perdas avultadas a que os governos seriam sujeitos são um dos maiores obstáculos a que países que, como a Alemanha, aceitem sentar-se com Atenas a negociar uma reestruturação. E representam também um dos motivos pelos quais Berlim faz campanha a todo o custo contra o Syriza, voltando a invocar o fantasma da saída do euro.

O BCE vai renegociar a dívida pública

Baixar a dívida pública ate 60% do PIB a taxas e prazos mais favoráveis é a verdadeira negociação da dívida. Os países pagariam com os dividendos do BCE  a que têm direito por serem accionistas. Sem perdões de dívida e sem prejudicar empresas e famílias. O Japão acabou há bem pouco tempo de fazer uma operação igual com sucesso. Embora o BCE tenha há bem pouco tempo lançado uma operação de empréstimo aos bancos a longo prazo que ainda não deu frutos, tudo aponta que a compra de dívida seria mais eficaz no relançamento da economia e no aumento da inflação. Há cada vez mais consenso á volta desta solução. Sem ficções e sem absurdos.

O FMI continua a exercer pressão alta sobre a política monetária da Zona Euro, defendendo as vantagens de o BCE ir mais longe no combate aos riscos de deflação na região e na promoção do relançamento económico da região. Quem não anda a exercer a actividade de incendiário de serviço já percebeu há muito que o pagamento da dívida passa por esta proposta. Que, diga-se, não é de agora mas que vem reunindo cada vez mais condições para ser colocada em prática.