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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Gigantes do Euro acordam e protegem crescimento de Portugal

Agora o crescimento já é possível no quadro da União Europeia e da Zona Euro . E a dívida já é gerível . A falta de coerência é lamentável .

A economia da moeda única deverá terminar o ano com o maior crescimento desde 2007, empurrada pelo desempenho dos seus pesos-pesados: Alemanha, França, Itália e Espanha. Os quatro gigantes do euro são responsáveis por mais de metade das vendas de Portugal ao exterior.

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Dívida pública sobe, sobe sem parar

A única razão que tem segurado os juros da dívida portuguesa é o programa de compra do BCE que não é eterno . E, com o nível de dívida que temos isso, será um enorme problema .

A dívida pública de Portugal está entre as maiores do mundo e a redução anunciada é a da percentagem da dívida face ao PIB e não do montante absoluto, que continuará a subir. Isto porque é o PIB que cresce e não a dívida que diminui. 

Também o Commerzbank, numa nota aos investidores, alertou esta semana que  «só graças à política de juros baixos do BCE é que são suportáveis os custos da dívida». A análise do economista Ralph Solveen aponta que  «crescimento robusto deve continuar nos próximos trimestres» - o banco alemão prevê 2,5% este ano e 2% no próximo - taxas que vão «ajudar a compensar o impacto do aumento da despesa pública e reduzir o défice e o rácio da dívida pública». Mas quando as taxas de juro subirem Portugal caminhará para ser «um dos países que mais vão sofrer com isso».

O banco central já é dono de quase um terço de toda a dívida », diz Marcus Answorth, acrescentando que «os progressos na economia têm sido bons, mas não suficientemente bons para começarem a abater neste impressionante fardo de dívida».

As implicações da elevada dívida na economia não podem ser ignoradas para sempre

Fitch uma das três grandes agências de notação financeira que mantém a nossa dívida no "lixo" e da qual esperamos ansiosamente uma palavra de boa vontade, vem dizer o que é óbvio mas que cá em Portugal não é tido em conta. Com a dívida a aumentar sem parar não há economia que resista mesmo que conjunturalmente possa crescer.

O crescimento da economia ao nível que está desde 2015 é incremental, quer dizer bateu no fundo e tudo o que bate no fundo volta a crescer. Em Portugal a riqueza produzida em 2016 é igual à riqueza produzida em 2008 .

E a Fitch vem dizer que se a curto prazo ainda é possível gerir o nível elevado da dívida soberana a longo prazo tal não é possível. Isto é, logo que a conjuntura deixe de ser favorável o crescimento para . E para que conste diz que a austeridade parou mas não devia ter parado.

Atendendo ao nível elevado da dívida, bem entendido, a tal que não deixa de aumentar.

"“Os níveis da dívida soberana em muitas economias avançadas estão desconfortavelmente altos, por isso seria prudente os governantes discutirem estratégias para os fazerem descer”, escreve o analista da agência de rating norte-americana."

"Consolidar-se-ia assim uma mudança de paradigma, ao dar prioridade às implicações económicas a longo prazo. “Até agora, estas decisões estão a ser adiadas no campo político. Mas as implicações económicas da alta dívida soberana não podem ser ignoradas para sempre“.

Portugal é dos poucos países onde a dívida continua a aumentar

Todos gostaríamos muito que a situação fosse a que a propaganda apregoa mas os sinais negativos são muitos. A dívida pública e privada continua a crescer e os juros andam nos 3%. A economia cresce menos.

O que é bom vem da situação da Zona Euro que está a crescer, o que é mau há muito que anda cá dentro. E não está a ser resolvido.

Entre os primeiros três meses de 2016 e o primeiro trimestre deste ano, a dívida pública portuguesa aumentou de 128,9% para 130,5% do PIB. A subida não é grande – 1,6 pontos percentuais – mas coloca Portugal entre os poucos países onde se observa um agravamento do endividamento público e com a dívida mais elevada de todas. Na Zona Euro e na União Europeia há uma descida e a dívida anda entre os 83% e os 96% . É só comparar e não fechar os olhos.

 

 

E Portugal está a fazer o que é preciso ?

Parece que não pese o foguetório : 

Devemos preocupar-nos porque a política monetária dos últimos anos está a chegar ao fim. E Portugal foi bastante beneficiado, tendo visto as suas taxas de juro reduzirem-se substancialmente (bem como o spread face à Alemanha).

No entanto, desde o início de 2016 que a redução do spread face à Alemanha inverteu-se. Portugal chegou a ter 150 bp de spread (a 10 anos), com a taxa Portuguesa a ser de 1,5% (isto em abril-maio de 2015). Depois do início de 2016 quer o spread, quer a taxa de juro subiram. Há uns meses atrás a taxa de juro a 10 anos chegou aos 4%, com o spread próximo dos 350 bp. Neste momento a taxa a 10 anos de Portugal está nos 3%, mas o spread face à Alemanha continua próximo dos 250 bp.

No entanto nós sabemos que virá novamente uma subida das taxas de juro e que não é de excluir a possibilidade de no médio prazo termos de novo uma crise mundial.

Assim, devíamos estar a ter uma política mais exigente. Por um lado, em termos de reformas estruturais que melhorem a competitividade da nossa economia. Por outro lado, ao nível orçamental uma consolidação não apenas do défice nominal, mas sobretudo focada em reduzir o défice estrutural. E em simultâneo, uma redução rápida (com um plano ambicioso e credível) da dívida pública, de forma a passar rapidamente dos 130% para os 100% do PIB.

Para que na próxima tempestade não sejamos apanhados (novamente) de surpresa, e com cada vez menos margem de manobra.

Da mesma maneira que no arsenal de Veneza se lia “feliz a cidade que em tempo de paz pensa na guerra”, podemos dizer “feliz o país que em tempo de (alguma) bonança e crescimento, pensa na próxima recessão”.

A verdadeira questão

elevada dívida pública de países como a Itália e Portugal será gerível quando os juros começarem a subir ? O potencial de crescimento da economia desses países será suficiente ?

Seria um erro descartar já a Europa. O seu capital humano é sólido, os cuidados de saúde estão disponíveis para mais pessoas do que nos EUA e estão a surgir empresas mais fortes através do processo de integração dos mercados nacionais.

Na ausência de um apoio mútuo generoso, houve uma aura de desespero quando, em Março de 2015, o Banco Central Europeu anunciou um ambicioso programa de compra de dívida pública.

Pouco mais de dois anos depois, a situação parece muito mais positiva. As últimas previsões do Fundo Monetário Internacional antecipam um crescimento de 1,7% para a Zona Euro em 2017 e de 1,6% em 2018 - uma melhoria notável desde há alguns anos, quando a região lutava para crescer 1%.

Acima de tudo, a Zona Euro - ou talvez a UE - deve encontrar formas de garantir que todos crescem e beneficiam do crescimento. Se será bem-sucedida ou não, ainda não sabemos. O que é certo é que, num ambiente como o actual, onde o pior já passou, a tarefa tornou-se mais fácil.

A propaganda tem limites - a dívida mais elevada de sempre

Como é que a economia cresce, o défice baixa e a dívida publica continua a aumentar ? Cá em casa também já fizemos assim . O rendimento familiar não cresceu mas aumentamos as despesas e até fomos de férias mais tempo que o habitual. Fomos pagando com o cartão do descoberto bancário. Já em casa recebemos uma carta do banco avisando que o saldo estava esgotado . Isto é, a dívida ao banco tinha aumentado.

A diferença com o estado é que cá em casa tivemos mesmo que cortar despesa, e eu arranjei um segundo emprego.Conseguimos pagar o descoberto bancário garantido com a casa de família.

Com o estado paga o contribuinte mais tarde ou mais cedo. E o circo que está montado é este. Quem paga ? Paga a dívida que vai ser paga por todos nós no futuro.

E anda o governo a fazer de conta que as agências de rating estão quase a elevar a notação da dívida para o nível investimento.

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A propaganda tem limites - é quase impossível sair este ano do "lixo"

Há vários políticos a pressionarem as agências de notação para elevarem a classificação da dívida pública . Mas ainda em Fevereiro a Presidente do IGDP dizia que não contassem com uma melhoria em 2017.

O défice foi reduzido com medidas extraordinárias que não se repetem e com cativações que reduzem a qualidade dos serviços públicos e que não são passíveis de manter durante muito mais tempo.

A dívida pública não desce, pelo contrário cresce, e isso para as agências de rating é fatal ...

As Agências têm insistido sobretudo na sustentabilidade da dívida pública, acima de 130% do Produto Interno Bruto (PIB), e na capacidade do Governo de manter o défice sob controlo como fatores de longo prazo que estão a prender o rating ao lixo.

A melhoria orçamental nos próximos dois anos depende fortemente em receitas de one-offs [não recorrentes] e no congelamento dos gastos em bens e serviços, o que provavelmente será difícil de sustentar a longo prazo”, considerou a Moody’s na reação

Vamos lá ver se em 2018 temos boas notícias .

 

 

O PS é de direita diz Jerónimo de Sousa

Como o PS no essencial perfilha os tratados europeus para o PCP é de direita. Não há volta a dar. Quem não pensa como o PCP é reaccionário e de direita . E são 80% dos portugueses.

...referiu que a resposta plena aos "problemas continua muito condicionada pelo limitado alcance das opções do Governo minoritário do PS que, nas questões mais estruturantes e fundamentais, continua a pautar-se pelas grandes orientações da política de direita".

"Por exemplo, vir afirmar, como o senhor ministro das Finanças afirmou, de que a dívida é sustentável, fugindo à questão de sabermos que temos uma das maiores dívidas do mundo e um serviço da dívida que constitui uma autêntica sangria desatada, já que pagamos oito mil milhões de euros só em juros.

É, claro, que se a economia crescer mais e a taxa de juro descer a dívida é sustentável mas, para isso, é necessário fazer o trabalho de casa que não agrada ao PCP . Como suster o défice e controlar a despesa do estado. Daí até crismar o PS de direita vai um saltinho .

Ser de esquerda é quando um comunista quiser

Lembram-se da obsessão sobre o défice ?

Porquê 3% de défice, perguntava Jerónimo de Sousa, é que nunca nenhum economista lhe tido conseguido explicar . Isto passava-se nos tempos de Passos Coelho mas também se passa agora com António Costa . Porque não 11% ?

É, claro, que Jerónimo sabe muito bem que a dívida pública é a soma dos défices. E a dívida cobra juros e tem que ser paga. Não sabe ele outra coisa. Mas como é que se controla o défice e a economia cresce ?

É, que, quando as contas públicas estão controladas há "défices virtuosos" e "dívida virtuosa" quando uns e outra são aplicados em investimentos que dão retornos superiores ao custo do dinheiro pedido emprestado.

E em relação a uma pretensa política económica do Governo que estará a levar a este resultado, a ironia não podia ser maior.

A ideia do PS era simples: vamos devolver rendimentos mais depressa e, com isso, estimulamos o consumo das famílias e, com ele, a actividade económica; vamos dinamizar o investimento; ao mesmo tempo, temos que reduzir o défice orçamental de forma muito mais lenta para que estas contas possam bater certo.

O que está a acontecer é mais ou menos o inverso disto: a economia cresce muito mais com o contributo das exportações e do investimento do que do consumo interno; o investimento foi sacrificado; o défice foi – e bem – cortado muito mais depressa (e o corte no investimento, entre outras operações, fez com que as contas batessem certo).