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BandaLarga

as autoestradas da informação

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O custo da Dívida Pública aumentou para 3,4%.

Luis Faria
2 h ·
 

O governo tem-se esforçado por transmitir a ideia que a sua estratégia económica e orçamental tem funcionado bem.

Apresenta, para esse efeito, os resultados obtidos com a descida do desemprego e o crescimento da economia. Ao mesmo tempo, sugere que a descida do défice público para 2% do PIB evidencia que, afinal, era perfeitamente possível reverter rapidamente as medidas de austeridade sem pôr em causa a consolidação orçamental e as metas assumidas com a União Europeia.

Em conclusão, segundo os socialistas, estes resultados comprovam que a austeridade dos anos anteriores era desnecessária e só aconteceu por obsessão ideológica do anterior governo. Como os socialistas gostam de dizer, fica provado por esta solução de governo que, afinal, havia mesmo alternativa.

Sem surpresa, não têm razão.

E não têm razão desde logo, porque o que se passa hoje em Portugal não tem qualquer comparação com a situação vivida em 2011, quando o então Primeiro-ministro José Sócrates pediu a intervenção do FMI.

Qualquer pessoa medianamente consciente e informada sabe o que se passou então. O País perdeu acesso a financiamento externo na sequência de desequilíbrios fortíssimos, envolvendo quer as contas públicas – com défice superior a 10% do PIB, registados tanto em 2009 como em 2010 – quer as contas externas, com um défice grave ao nível da balança de pagamentos, representando uma dívida externa, pública e privada, numa trajectória de insustentabilidade.

Os socialistas, que ainda em 2010, aprovaram e aplicaram dois PEC´s cheios de austeridade, pelos quais reduziam fortemente rendimentos e prestações sociais e agravavam impostos, sabem que se houvesse verdadeiramente alternativa a teriam posto em prática, evitando assim a intervenção externa e a consequente humilhação política para o seu governo e para o País.

Todos sabemos, infelizmente, que quando é demasiado tarde para actuar sobre as causas dos problemas, fica apenas a inevitabilidade de fazer o que é preciso para poder ter acesso ao dinheiro que é indispensável para evitar a rotura de pagamentos e a consequente miséria social e económica que esta acarreta.

Para finalizar, resta dizer o seguinte:

O crescimento da Economia para o valor de 2,8% (registado no 1º trimestre de 2017) e tão apregoado pelos socialistas, afinal não "cobre" o enorme aumento da dívida pública registada no 1º trimestre de 2017 (entre Janeiro e Abril deste ano, o custo da Dívida Pública aumentou para 3,4%. Como comparação: em 2016 foi de 2,8% e em 2015 foi o melhor ano, 2,7%!)

Portanto, ainda é demasiado cedo para abrir as garrafas de champanhe no Largo do Rato ....

Diz que é a papaguear mas os juros não param de crescer

Só por cá é que estamos em negação. Dizem-nos que não fazemos as reformas necessárias e que gastamos o dinheiro onde não devemos atiramo-nos ao holandês pequeno dos copos e das gajas. Estamos no "lixo" mas para nós é uma injustiça. Sobem os juros mas a culpa é dos países do norte da Europa.

Quem chame a atenção para os aspectos negativos que são sublinhados pelas entidades Europeias é, no mínimo , um traidor . Mas factos são factos como diz António Costa . E o comportamento das taxas de juro durante um período alargado não deixa dúvidas a ninguém.

custo da divida.png

 

Em média o custo da dívida que foi emitida este ano é de 3,4%, segundo dados divulgados esta quinta-feira pela agência que gere o crédito público, o IGCP. Está acima do custo do "stock" de dívida, que é de 3,2%.

É o valor mais elevado desde 2014, ano em que o custo médio das emissões foi de 3,6%. E é quase um ponto percentual mais elevado que o custo médio de 2016, que se situou em 2,5%. O ano mais barato para o novo financiamento tinha sido 2015, com um custo médio de 2,4%. No mercado secundário, as taxas das obrigações portuguesas têm mostrado uma tendência de subida, principalmente desde o início de Novembro. A taxa a dez anos sobe de 3,318% para 4,195% nesse período.

Quem é que acredita na narrativa oficial ?