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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Corremos o risco de não corrigir o aumento da dívida

No mesmo dia em que António Costa e Rui Rio faziam profissão de fé nas obras públicas e regionalização, o governador do Banco de Portugal e a presidente do Conselho de Finanças Públicas alertavam para outros problemas do país, esses sim, críticos: 1 - “corremos o risco de não corrigir o aumento da dívida” (Carlos Costa); 2 – atingido o pleno emprego e esgotando o efeito cíclico da retoma, o crescimento só virá do aumento da população ativa e/ou da produtividade (Teodora Cardoso).
O Presidente, António Costa e Rui Rio não deviam estar mais preocupados com estes temas do que com obras públicas e regionalização?

PS : Camilo Lourenço

Portugal beneficia de uma componente externa rara

Mas nem assim o país consegue realizar as reformas inevitáveis e cresce bem menos que os outros países que estiveram sob programa de austeridade.

Aníbal Cavaco Silva compara o crescimento de Portugal "com o dos outros países que também foram objecto de programas de ajustamento e que tiveram uma saída limpa". "É o caso da Irlanda, que iniciou o seu programa em Dezembro de 2010, a Espanha que começou o seu programa voltado para reestruturação do sistema bancário, em Novembro de 2012, e de Chipre, que começou em Março de 2013. Quando os países passam por esses programas, o que se espera é que a seguir tenham uma taxa de crescimento elevada. Portugal está numa trajectória de crescimento desde 2013, mas está aquém de todos estes países que referi", refere o antigo Presidente da República. 
 
Cavaco Silva destacou ainda que Portugal "está a beneficiar de uma envolvente externa extraordinariamente favorável: taxas de juro extremamente baixas, perto de zero, durante um período longo, como nunca se viu na história monetária portuguesa; deslocação de turistas de outros destinos para Portugal; crescimento económico da União Europeia que há muito tempo não ocorria, com destaque para a Espanha, nosso principal cliente, para onde exportamos cerca de 27% do total; e preço do petróleo muito baixo. Tudo isto são factores que raramente se repetem na sua conjugação de forma tão favorável".
 
"Neste quadro de benesses externas, tenho algum receio de que não se esteja a aproveitar o momento para corrigir alguns dos nossos desequilíbrios estruturais em ordem a preparar o futuro", realça. Entre esses desequilíbrios, Cavaco Silva destaca "o enorme endividamento do país, a insustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde e do sistema de Segurança Social, a baixíssima taxa de poupança das famílias - que está a um nível historicamente baixo - , a falta de capital, o inverno demográfico, a baixa produtividade, a reforma do Estado".   
 
 
 

Em 27 países temos 21 com mais crescimento económico

Só cinco países crescem menos que Portugal. Não crescendo acima dos 3% não conseguiremos reduzir a divida e o fim do programa do BCE vai fazer aumentar as taxas de juro.

As previsões para o crescimento da economia são más : 

2017 - 2,7% ;   2018 - 2,2% ; 2019 - 1,8% 

Com o ambiente externo positivo e no auge do Turismo não conseguimos fazer as reformas sem as quais não sairemos deste ciclo de pobreza que dura há vinte anos pelo menos. Aqui ao lado a Espanha cresce acima dos 3% há três anos.

Temos a segunda maior dívida . A banca está longe de estar estabilizada. Não crescemos o suficiente

O desemprego desce a custa de mais emprego de baixa qualificação e mal pago e faltam 120 000 trabalhadores qualificados para preencherem as necessidades do mercado de trabalho. Diligentemente, o ministro da Educação foi fechando os cursos de formação profissional .

Mas o importante está no desafio que o Presidente deixou: “Portugal pode dispor de uma oportunidade única para se afirmar, virando definitivamente a página das crises endémicas, dos adiamentos, dos conjunturalismos, das soluções para o imediato”.

Vamos ser capazes ?

A economia vai esfriar significativamente em 2018 e anos seguintes

Estamos a crescer com ajuda externa Esta conjugação de fatores externos, entre outros, contribuiu no passado recente para a maior atividade económica em Portugal, mas agora irá exercer uma influência mais ténue. O crescimento da nossa economia irá abrandar significativamente em 2018 e progressivamente nos anos seguintes. Dentro de 4-5 anos poderá estar a crescer a um ritmo de apenas metade do de 2017. Por conseguinte, parece prudente moderar as celebrações, inclusive porque uma desaceleração económica exercerá uma pressão negativa no controlo do défice e na capacidade de redução da dívida pública, que continua a ser enorme.

O crescimento da nossa economia é sustentável ?

Hoje, com excepção dos partidos da geringonça, é consensual que sem reformas inevitáveis o crescimento da economia não é sustentável . Como vimos o próprio Francisco Louçã concorda. Mas à esquerda PCP e BE impedem o PS de reformar. E mesmo dentro do PS há quem faça contra vapor .

Persistem graves problemas estruturais na economia portuguesa que tornam Portugal muito vulnerável a contingências externas de diversa ordem, como a subida das taxas de juro ou a eliminação das compras de dívida decorrentes do quantitative easing do Banco Central Europeu, entre outras.

O nível do investimento, por exemplo, continua abaixo dos números registados antes da grave crise das finanças públicas que levou à intervenção da troika. A tímida recuperação registada em 2017 não chegou sequer para alcançar os valores de 2015. A necessidade imperiosa de atrairmos investimento externo para fazer face às debilidades estruturais da nossa economia devia ser consensual entre nós, mas, infelizmente, isso parece não suceder. Mesmo ao nível do investimento público, o Governo continua francamente aquém das metas traçadas.

Outra questão que pode ter repercussões graves num futuro próximo é a do agravamento da despesa pública de natureza mais estrutural, muito para além da anunciada recuperação de rendimentos que estiveram congelados ou foram mesmo reduzidos durante o período em que Portugal se manteve sob intervenção externa.

Falemos sem rodeios: estamos a comprometer a sustentabilidade do nosso crescimento à míngua de investimento tornando mais rígida a estrutura da despesa pública para fazer face a uma fase mais recessiva do ciclo económico.

Nesta altura de optimismo devemos fazer três coisas

Estamos numa onda de optimismo mas convém relembrar que em 2008, o ano que marca o início da Grande Recessão, o FMI também estava otimista em janeiro, prevendo que a economia mundial cresceria 4,1%.  O mundo viria a terminar o ano em forte desaceleração e uma contração global no ano seguinte.

Nestas alturas de otimismo económico devemos fazer três coisas: em primeiro lugar, gozar o bom momento; em segundo, preparar o futuro, já que sabemos que um ambiente superior à média não se pode manter por muito tempo; e em terceiro lugar, prepararmo-nos para uma crise, já que estas são mais perigosas e violentas quando nos apanham no meio da festa.

Como é bom de ver por cá só fazemos uma delas. Gozamos o momento. É ver o crédito concedido aos particulares para consumo que já preocupa toda a gente .

 

Zona Euro entra em 2018 com crescimento muito forte

O crescimento da economia na Zona Euro na entrada de 2018 é muito forte apontando para 1% no 1º trimestre.

"A Zona Euro teve um óptimo início de 2018, com a actividade das empresas a crescer a um ritmo que não se via há quase 12 anos", afirma Chris Williamson, economista-chefe da IHS Markit. "A aceleração do crescimento leva os dados para um território consistente com um crescimento económico muito forte de aproximadamente 1% no trimestre".

"Com um início de ano tão forte, esperamos ver os economistas a melhorarem as suas estimativas para o crescimento e inflação na Zona Euro em 2018, e os responsáveis pela política monetária a defenderem uma política mais restritiva".

Diziam que não crescia mas agora não se ouvem.

O PIB potencial não cresce acima da média europeia desde 2003

Em 2017 o PIB potencial só cresceu 1,3% abaixo da média europeia. Este indicador é importante porque revela a real capacidade de crescer mas não sobe acima da média europeia pelo menos desde 2003.

Sem maior crescimento do produto potencial haverá uma tendência de aumento das taxas de juro, de diminuição das exportações e menor investimento directo estrangeiro.

Isto é o resultado das políticas adoptadas . A produtividade do trabalho caiu 0,3% ( medida per capita por pessoa empregada). Fruto do crescimento do emprego em actividades pouco produtivas, como por exemplo o turismo. Ficou congelada a reforma da administração pública perdendo-se uma oportunidade única, quando se restituíam rendimentos e regalias e por isso os funcionários públicos estavam mais receptivos a aceitar mudanças estruturais. Mas tudo foi feito sem pedir nada em troca a não ser alimentar as exigências do PCP e do BE.

A única preocupação foi utilizar o bónus do crescimento para favorecer os mesmos de sempre. Mas podíamos ter acelerado o pagamento a fornecedores que induziria uma aumento no PIB calculado em 1%. Ou poderia servir para reduzir a dívida pública que desceu em percentagem do PIB mas que cresceu em valor global . Se há défice, há mais dívida e no total o Estado deve ao exterior 243,6 mil milhões, mais 2 mil milhões do que em 2016.

E podia ter servido para reduzir impostos beneficiando a actividade económica . E se houve alguma baixa no IRS, aumentaram os impostos indirectos que criam a ilusão de que temos mais rendimentos do que aquele que realmente temos.

Quando temos as condições para fazer diferente e preparar um futuro mais risonho, decidimos olhar para o umbigo e comprar a complacência de quem vota, está tudo dito sobre a qualidade de quem nos governa.

PS : Expresso - joão vieira pereira ( a partir de...)

 

Rui Rio : Reformar o Estado, descentralizar, crescer sustentadamente

É o que muitos dizem mas o que ninguém ainda fez. Reformar o Estado : Passos Coelho foi acusado por muitos de ser demasiado liberal e de ter virado o partido à direita, e agora Rui Rio quer recentrá-lo. Quer “reposicionar o PSD no lugar que é seu: num centro político alargado que vai desde o centro-direita ao centro-esquerda, de orientação reformista e com inspiração na social-democracia e no pragmatismo social”, como se lê no texto da moção.

Rui Rio pôs o rigor das contas públicas e a estabilidade das políticas públicas no topo da lista de ingredientes necessários para pôr a economia a crescer de forma a “um dia vir a crescer mais do que a média da União Europeia”.

“Precisamos de boas políticas públicas para promover o investimento, e isso só se consegue com estabilidade: estabilidade gera confiança, que gera investimento”, disse, acrescentando a esta receita um novo ingrediente: “coerência“.

Temos de olhar para a carga fiscal, não só para a carga fiscal mas a forma como a distribuímos em função dos objetivos que pretendemos, o contrário do que tem vindo a ser feito, quando, por exemplo, no Orçamento do Estado para o próximo ano de 2018 até vão aumentar o IRC em vez de o diminuir”.

Defendendo a descentralização com unhas e dentes, o ex-presidente da câmara do Porto pegou mesmo nos exemplos do assalto a Tancos e dos incêndios deste ano para dizer que “um Estado centralista protege menos os cidadãos, falha na capacidade de socorrer as pessoas a tempo e horas e não cuida bem daquilo que só ao Estado cabe cuidar”.