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BandaLarga

as autoestradas da informação

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A questão é simples e grave

Andamos a vender os anéis para financiar o excesso de consumo. As famílias e as associações  sem fins lucrativos portuguesas tiveram, no primeiro trimestre de 2017, um rendimento disponível bruto mais baixo do que as despesas de consumo. Um saldo do consumo negativo de 624 milhões de euros.

Isto é, consome-se mais do que se ganha. O saldo desta natureza é o mais baixo desde qu há registos (1999). Para suprir esta diferença andamos a vender os anéis e o acumulado já vai na bonita soma de 14 mil milhões de euros.

A diferença é que antes alienávamos bens para financiar o investimento das famílias, agora vendemos bens para financiar o consumo. Uma limpeza na queda da poupança.

Até o sucesso do nosso consumo que alguns insistem  afirmar ser o pináculo do nosso crescimento, está assente na confiança dos consumidores, e na poupança dos outros, pois nem os anéis que vendemos nos chegam para pagar o excesso de consumo.

PS : João Duque - Expresso

As razões para o resgate já estão aí todas

A entrar em 2017 sem aprender nada com 2010. Os portugueses começaram a alargar o cinto. O consumo está a crescer à custa do crédito bancário pessoal . Crédito para compra da habitação, de automóveis já colocaram as compras ao nível de 2010. Em contrapartida, os indicadores de actividade económica e de clima económico que traduz a confiança dos empresários, estão a degradar-se.

Este novo aumento da procura está novamente a fazer-se à custa das importações . E os desequilíbrios daí resultantes levaram-nos ao pedido de ajuda internacional.

Não há ninguém ao nível do Ministério das Finanças ou do banco de Portugal que alerte quem de direito para este estado de coisas e que implemente medidas ao nível fiscal ou bancário que travem o excesso de consumo que está de regresso e em força ?

Com uma previsível subida das taxas de juro e o eventual fim da compra de títulos da dívida pública por parte do BCE vamos ter problemas sérios em 2017 - o que quer dizer que não aprendemos nada em 2010 .

PS : com Nicolau Santos -Expresso

E reconhecerem que poderão ter-se enganado, sendo melhor mudar de caminho ?

O factor que, segundo a nova maioria, deveria acelerar o crescimento do PIB era o consumo das famílias. E este não tem faltado: as famílias estão a gastar acima do seu rendimento disponível ( a sua poupança encontra-se em mínimos históricos, sendo agora negativa) e o crédito ao consumo aproxima-se de máximos históricos. Mesmo assim, o crescimento do PIB não acelera.

Uma conduta de acordo com práticas recomendáveis deveria levar o governo e a maioria parlamentar a dizerem-nos alguma coisa.Porque é que estando a ser implementada pelas famílias(é o que parece...)a estratégia delineada não está a dar o resultado pretendido?

Deverá o Estado ele próprio, consumir mais, endividando-se mais? Deverá incentivar as famílias a gastarem mais, endividando-se mais? Ou, pura e simplesmente, reconhecerem que poderão ter-se enganado, sendo melhor mudar de caminho ?

Prof Daniel Bessa - Expresso

 

Até para chegar a 1,2% a economia tem que acelerar

No Orçamento está previsto um crescimento de 1,8% que todas as instituições financeiras já negaram. Todas reviram em baixa e agora o mais certo é que o crescimento não chegue à previsão menos optimista.

Apesar de o crescimento do consumo interno estar em linha com o previsto os maus ventos vêm das exportações a tal treta da Catarina Martins. Já sabíamos há muito que o consumo interno não chega e que sem contas externas positivas não vamos lá. Nenhuma surpresa, pois.

Mas o ministro das Finanças diz que mesmo para chegar a um crescimento anual de 1,2%, será “necessário alguma aceleração da atividade económica ao longo do ano”. As previsões oficiais que constam no Orçamento do Estado para 2016 apontam para um crescimento de 1,8%. Mas Centeno deixa claro: “já nem falo em 1,8%” — e a referência a 1,2% deve-se ao facto de esta ser a previsão mais baixa que existe para a Portugal (OCDE).

Governo já sabe que não é pelo consumo interno

António Costa reuniu com as maiores exportadoras para ouvir. A economia não arranca e as exportações caiem a pique. Nada que não se soubesse, mas Costa foi na conversa até porque era a única forma de formar governo. Lembremo-nos da inteligente declaração de Catarina Martins " as exportações são uma treta ".

Os governos "vêm sempre com teorias algo esdrúxulas, nomeadamente o actual, que estava convencido que com o estímulo ao consumo interno iria resolver o problema da economia portuguesa. Remédio já testado sem resultados. Em Julho teremos os indicadores económicos do 2º trimestre que tudo indica serão bastante maus na linha do 1º trimestre mas ainda piores. E não há dúvidas que a verdadeira oposição ao governo são os indicadores do Instituto Nacional de Estatística. E a receita dos impostos insuficiente porque o PIB vai crescer 1,2% e não 1,8% como consta no orçamento. E o investimento cai e sem investimento não há emprego.

António Costa com as calças na mão já tem exigências dos empresários que são pouco amigas do PCP e do BE. Baixar o IRC, ajudas ao investimento e soluções para o crédito mal parado em Angola.

O caminho é cada vez mais estreito ao fim de apenas seis meses.

A economia cresceu 1,5% em 2015 - É a taxa de crescimento mais elevada desde 2010

Puxada pelo consumo privado e pelas exportações a economia cresceu 1,5% em 2015. É preciso recuar a 2010 para encontrar semelhante desempenho.

O investimento é que não melhora o que é a sentença de maior empobrecimento para o país e não criação de postos de trabalho. O crescimento previsto para 2016 é de 1,6%/1,7% com o perigo de degradar as contas externas e de haver derrapagens orçamentais. E vamos aguardar pelas medidas que Bruxelas não deixará de exigir.

Estávamos no caminho certo vamos lá ver se a ambição de chegar ao poder não estraga tudo.

António Costa o grande educador da classe média

António Costa o "grande educador da classe média". Não fumem, andem de transportes públicos e não consumam. Ora se ao mesmo tempo diz que é pelo aumento do consumo que o país lá vai...

Não sejam piegas. Diz António Costa que "se fumarem muito, se meterem muita gasolina e se contraírem crédito, parte do que ganham no IRS consumirão nos impostos". Ora bem, aquilo que se exige a um primeiro-ministro é que governe, de preferência bem, e não que dê bitaites sobre aquilo que cada um de nós deve ou não fazer na sua vida privada. Bem sabemos que a tentação moralista dos governos é grande. 

Se deixarmos um dia o Estado toma conta da nossa vida

Atrasar o crescimento

Só quem não conhece a realidade do país é que acredita que se induz o crescimento através do aumento do consumo

E é aqui que considera que "o actual Governo anda apostado em propor exactamente o contrário do que devia", concluindo que "não o poderá cumprir", embora mesmo assim "os estragos serão consideráveis".

"Sugerir estimular o consumo para obter crescimento é uma ideia de quem não conhece a situação nacional", defende. "Com a taxa de poupança das famílias em 4% e o investimento em 15% do produto, os registos mais baixos da história de Portugal, o mal do consumo é excesso, não falta de estímulo". 

É com este quadro que João César das Neves considera que "as políticas de aumentos de rendimentos, pensões e salários só servirão para subir impostos, reduzir lucros e, portanto, atrasar o crescimento". 

Pela via da produtividade em vez do consumo interno

A via do consumo interno levou-nos quase à bancarrota . Mas o verdadeiro problema da nossa economia é a produtividade . Dá trabalho e precisa de tempo mas é esse o caminho.

A este propósito, Daniel Bessa em artigo recentemente publicado no semanário Expresso, tratou esta questão de forma bastante assertiva. Considerou que o aumento de salários é uma boa intenção, mas é algo que depende da produtividade e, quando se olha para ela, constata-se que “em Portugal é 31% da verificada na Alemanha, sendo a espanhola um pouco mais do dobro e a italiana cerca de duas vezes e meia maior”. “Perante uma situação como esta, a razão e o bom senso aconselham a que se comece por subir a produtividade”, defende Daniel Bessa.

A produtividade, a par da inovação, da gestão de marcas e do ‘design’, continua a ser um dos principais ‘calcanhares de Aquiles’ da economia portuguesa. Até agora – mesmo depois da intervenção da ‘troika’ e da descida dos custos do trabalho – o problema não tem tido solução à vista. É uma questão naturalmente complexa que necessita de uma estreita colaboração entre todos os agentes económicos, desde empresas a sindicatos, passando pelo governo e instituições universitárias e que deve ser debatida sem preconceitos nem ideias feitas tendo como ‘balizas’ os nossos parceiros europeus .

Muito longe do que se passa em Portugal e com a actual solução governativa  não é possível. Quanto tempo se aguenta Mário Centeno ?

 

A extrema esquerda subiu logo desceu o investimento

Não há coincidências. Travar decisões à espera do que aí vem é o mínimo que se pode fazer quando a incerteza se instala . Foi o que aconteceu no 3º trimestre, segundo os dados estatísticos do INE. O crescimento do PIB estagnou a contas de um menor consumo interno e, este,foi afectado principalmente pelo menor investimento. O desemprego manteve-se quando se esperava que melhorasse.

É,claro, que a retoma do investimento só voltará quando e se houver um orçamento para 2016 aprovado e avaliadas as medidas que o PS teve que incluir por força dos seus acordos com PCP e BE. Uma coisa é certa, neste cenário, mesmo com a devolução de salários e pensões, o 1º trimestre de 2016 não vai ser melhor do que este em que estamos. E isto aponta para as previsões em baixa das instituições financeiras, muito mais prováveis do que a estimativa do PS que já vai com um PIB acima dos 3% , única forma de acomodar o aumento da despesa.

Hoje na Assembleia da República, o PS já ensaiou a narrativa que vamos ouvir por muito tempo. Passos Coelho enganou, escondeu. O país está muito pior do que nos diziam , assim preparando o terreno para as más noticias . 

Agora como é que com as contas públicas analisadas à lupa interna e externamente se "martelam" é que é dificil de explicar. Mas o PS é mestre no alijar de responsabilidades.