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BandaLarga

as autoestradas da informação

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O "Alfa Pendular" viaja a 225 kms/hora . Para quê o TGV ?

Frequentemente viajo no "comboio Alfa Pendular" entre Lisboa e Aveiro ou o Porto a velocidades acima dos 200 Kms/hora . Basta melhorar a linha ( alargando curvas mais apertadas e parar menos vezes ) para que o comboio possa atingir aquelas velocidades durante mais tempo ( a média horária depende também do tempo que o comboio viaja àquelas velocidades ).

Sabe-se agora que os contratos para a construção da linha asseguravam ao Grupo Lena a adjudicação e, caso não hovesse adjudicação, grossas indemnizações.

Aparentemente as vantagens do TGV eram escassas, mas o comboio de alta velocidade era visto como uma forma de estimular a economia nacional com um grande investimento público. Numa altura em que o país marcava passo, com um crescimento anémico, o TGV era uma fuga para a frente. E a alta velocidade.

Pior do que isso, era também, como podemos verificar pela notícia que publicamos nas págs. 8-9 deste jornal, um negócio que tudo sugere que ia dar muito dinheiro a ganhar a amigos. Mesmo que a linha de alta velocidade nunca fosse para a frente...

alfapendular.jpg

 

 

A linha de mercadorias para servir os portos de Sines-Lisboa-Setúbal e a AutoEuropa

Aqui é Mira Amaral que explica o que há a fazer :O que há então a fazer é o seguinte:  

  • fazer o troço Poceirão-Caia em bitola europeia;
  • aproveitar a linha de 12 km Poceirão-Pinhal Novo que está em bitola ibérica e numa das vias colocar um carril interior, transformando-a em bitola europeia e levando-a até à Autoeuropa;
  • do Poceirão fazer em bitola europeia nova ligação a Sines e Setúbal.

 Com isto, teremos estes portos e a Autoeuropa já ligadas à Europa, através de Espanha, em bitola europeia!
Depois, como o tráfego de passageiros será pequeno, a linha em bitola europeia até ao Pinhal Novo pode perfeitamente trazer o TGV de Madrid. Aí, sem paragem, ocorrerá a adaptação dos rodados do comboio e este vem tranquilamente até Lisboa pela linha de bitola ibérica e pela ponte 25 de Abril. Com esta solução, investe-se no transporte de mercadorias e quem quiser (até podem ser os espanhóis) traz o TGV até Lisboa, mas sem gastarmos dinheiro em linhas por causa do TGV.
Este raciocínio de linhas de bitola europeia para levar as nossas mercadorias para a Europa também tem de se aplicar aos portos de Aveiro e Leixões e ao escoamento das mercadorias do norte e centro do país. Só que, segundo me dizem, esses projetos ainda não estão feitos e o pais não terá neste momento recursos para fazer todos os investimentos necessários na bitola euro­peia. Comece-se pois pelo tro­ço já estudado e saiba-se expli­car que esta solução não é igual à do TGV socialista!»

TGV E MERCADORIAS, Luís Mira Amaral, no Expresso de 17-09

E confirmado aqui :

Sérgio Silva Monteiro garante que o novo projecto da LTM terá menos 84% de custos e 95% de dinheiros públicos.

 

Morreu o TGV. Morreu a nova ponte sobre o Tejo. Está a nascer a LTM - Linha de Transporte de Mercadorias. "Em primeiro lugar, quero recordar que o TGV morreu em Novembro de 2011. Com o Plano Estratégico de Transportes, foi definitivamente cancelado, e esta decisão tornou-se irreversível com a recusa de visto prévio do Tribunal de Contas", sublinhou o secretário de Estado das Obras Públicas. Sérgio Silva Monteiro convocou ontem, ao final da tarde, os jornalistas para a apresentação da nova ligação ferroviária a Espanha e negar a possibilidade de o Governo retomar o projecto de alta velocidade ferroviária em Portugal.
E o que é a recém-designada LTM? Sérgio Silva Monteiro responde: "Queremos uma ligação ferroviária de mercadorias que ligue os portos do Sul - Lisboa, Setúbal e Sines - a Madrid e depois à Europa e não uma ligação ferroviária para transportar passageiros para Madrid". O arranque da obra não deverá acontecer antes de 2015.

O mapa a seguir mostra a posição estratégica de Sines, o primeiro porto de águas profundas que os navios encontam vindos do outro lado do Atlãntico e, com o alargamento do canal do Panamá já terminado, da maior parte dos navios  da costa do Pacífico.

É preciso uma linha férrea para levar as mercadorias para a Europa a partir de Sines.

 

 



O "TGV" já desapareceu dos títulos noticiosos

Entretanto, em todos os canais televisos desapareceu o "TGV" e passou a ser " linha para mercadorias com ínicio em Sines"

No Blasfémias a Helena Matos descasca bem a confusão. E aqui na TVI diz-se claramente que há um novo projecto para mercadorias. E, aqui,o Ministério da Economia reafirma que o comboio é para mercadorias. O DN diz no título que é TGV a partir de 2015 e no corpo da notícia :

O primeiro-ministro referia-se à ligação ferroviária em bitola europeia às redes transeuropeias de transporte de mercadorias que ficou acordada na XXV Cimeira Luso-Espanhola, que se realizou a 9 de maio, no Porto. Nesse evento, Portugal e Espanha comprometeram-se a concluir até 2018 a ligação ferroviária de mercadorias em bitola europeia entre Lisboa e Irún (fronteira franco-espanhola), com passagem por Sines, Caia e Madrid.

A comunicação social está alinhada partidariamente, no mesmo artigo dizem uma coisa e o seu contrário. Mas o mais significativo é que "TGV" só aparece nos títulos das notícias, sabendo, como sabem que a maioria não lê o corpo do texto. Ainda agora no muito nosso "serviço público da RTP" a notícia arrancava com " Projecto de Alta velocidade" e a seguir como nada fosse com eles, desataram a falar em comboio de mercadorias.

Ou estarão mesmo convencidos que iremos exportar "nabos" a 300 Kms à hora? Entretanto a UE exige que a velocidade do novo comboio de mercadorias seja no mínimo de 200 kms/hora.