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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Que função tem a Caixa Geral de Depósitos ?

Que função tem a Caixa que os outros bancos não têm ?

A sua função? Mas que função? Este é o surrealismo de tudo isto. Além da titularidade do capital, não se conhece o que distingue a Caixa dos restantes bancos. O seu carácter supostamente distintivo de “banco público” ou de “banco do Estado” não tem qualquer expressão nos serviços que são prestados pela Caixa. Não há nada que a Caixa faça que a concorrência não faça também em condições e preços semelhantes.

Minto. Durante algum tempo, na década passada, nos consulados que incluíram Armando Vara e Francisco Bandeira, a Caixa tinha um sistema “Via Verde” para empréstimos e participações em empresas e projectos amigos do regime, muitos deles ruinosos. Não há responsáveis indiciados mas sabe-se que a conta ascende a alguns milhares de milhões. Mas para além desta nobre missão, que se espera tenha ficado bem enterrada no passado, não se conhece outra que distinga a Caixa dos seus pares.

Claro que o cidadão contribuinte a quem acabaram de ir ao bolso para pagar o “buraco” da Caixa no meio de juras sobre a diferença que é ter um banco público só pode irritar-se com a hipocrisia de quem, logo a seguir, permite que se feche o balcão da terra.

Em Almeida fica a Caixa Agrícola

A Caixa Geral de Depósitos vai despedir trabalhadores e fechar balcões. Em cada localidade que a CGD deixe será substituída por um qualquer banco privado . Em Almeida está lá a Caixa Agrícola porque tem muito menos custos fixos e aquilo que é um prejuízo para o banco estatal é um lucro para a privada.

A Caixa Geral de Depósitos não é do povo a não ser que se arranje uma compensação como se faz para as empresas de transportes públicos ou para a RTP . Já na TAP o estado ficou com 51% mas não manda lá nada porque se mandasse mais cedo ou mais tarde voltava para a situação anterior. Ninguém a queria. A TAP de bandeira .

O estado está a abandonar o interior porque está a perder importância . Aliás, o estado foi o primeiro a abandonar o interior, encerrando escolas, repartições de finanças e os CTT . Se o estado não se intrometer onde não deve, em todas essas localidades abandonadas vai aparecer uma entidade privada que prestará o serviço se as populações o considerarem necessário.

E sem que nos venham ao bolso !

Depois a Justiça é que não anda

 No outro dia soubemos que das três cartas rogatórias que faltam para fechar a investigação da Operação Marquês , uma estava em recurso no tribunal porque um dos arguidos recorreu para impedir a divulgação das condições da sua conta bancária. Não sei se durante estes quatro anos não terá havido outros recursos e acções com vista a atrasar o processo.

No caso do inquérito parlamentar à CGD, também a própria CAIXA, BdP e CMVM interpuseram recurso com vista a não entregarem na comissão da Assembleia da República, a lista dos beneficiários dos empréstimos milionários que arrasaram a instituição bancária estatal.

Aquilo que agora ficou decidido é que a Relação considera que não é possível o recurso para o Supremo. Ou seja, o dever de segredo profissional invocado pelas entidades, para não revelarem documentos confidenciais aos deputados do inquérito parlamentar à CGD, pode ser levantado e os documentos podem ser revelados.

Há ainda um outro processo, colocado pelo Ministério das Finanças, também para evitar o levantamento do dever de segredo pedido pela comissão parlamentar de inquérito da Caixa, mas esta decisão da Relação é apenas sobre os reguladores e o próprio banco público. O ministro defende que, a haver divulgação dessa lista, haverá uma quebra de confiança irreversível. O Banco de Portugal teme as "consequências gravíssimas". 

Consequências gravíssimas para os envolvidos nas maroscas porque o contribuinte já está a pagar. Sem recurso !

 

Na CGD há direitos adquiridos e nenhuma vergonha

Benefícios que mais ninguém tem são considerados direitos adquiridos por quem beneficia deles. A mesma CGD que nós contribuintes temos que recapitalizar com o nosso dinheiro. Importam lá os prejuízos ?

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) vai deixar de pagar aos trabalhadores o subsídio de refeição durante os dias de férias, de acordo com uma nota interna, disse hoje à Lusa o coordenador da Comissão de Trabalhadores .
 
Mas a Comissão de Trabalhadores já veio dizer que considera o subsídio de refeição durante os dias de férias, um direito adquirido. É sempre assim, entre nós: por mais infundados e iníquos que sejam os privilégios públicos - sempre pagos pelos contribuintes -, eles são sempre direitos adquiridos e intocáveis para quem deles beneficia.
 
Nas empresas públicas é um fartar e é claro que não querem uma gestão profissional . Tem que atender ao social...

Se a CAIXA não fosse pública, talvez...

Eis as razões apresentadas para a não revelação pública dos maiores créditos concedidos pela CAIXA . Se não houvesse aquele montante monstruoso de imparidades , se tudo fosse transparente, talvez estas razões fossem razoáveis . 

O argumento para pedir a nulidade do acórdão do Tribunal da Relação que determina o levantamento do dever de segredo da CGD.

“Basta pensar em matérias como o acesso ao crédito, questões concorrenciais, segredo comercial, e mesmo da intimidade da vida privada dos cidadãos e das empresas”, sublinha o Banco de Portugal no mesmo documento.

Ora, tudo isto estaria muito bem e seria de considerar se a reputação do banco público não fosse o que é , se em vez de andar em negociatas milionárias financiasse as Pequenas e Médias Empresas e a economia . Mas do que se sabe é tarde para esconder o rabo do gato escondido.

Banco de Portugal diz que publicação de créditos da CGD trará “ameaças graves”

Alberto Gonçalves (Observador ) : Estratégia A Minha Pátria é a Banca Portuguesa. Excepto quando se encontra à disposição de indivíduos devidamente credenciados pela oligarquia, a CGD é uma instituição sensível que deve ser tratada com consideração e pinças. Perder tempo com irrelevâncias, mesmo que as irrelevâncias incluam, entre habilidades sortidas, as intrujices cometidas pelas mais altas figuras do Estado, é matar a Caixa, é descurar os “enormes desafios que o país enfrenta” (cito um patriota aflito) e é, vendo bem, um acto de traição.

A CAIXA dos partidos

O pior que nos podia acontecer acabou mesmo por acontecer. Parecia possível ter uma administração na CGD livre dos partidos, mas os partidos juntaram-se todos para fazer uma barreira e, aos olhos do povo, a administração passou a ser culpada. A história julgará uns e outros.

O governo deve uma explicação ao povo. Os socialistas não podem comportar-se como se o Estado lhes pertencesse . Não há responsáveis. Não aconteceu nada e seguem em frente. Depois dizem que são "avanços" . E, claro, não há "grândoladas", nem manifestações, nem ruído . Na Beira Baixa dizem que "a burro que está a comer não se lhe deve mexer na barriga" . A geringonça cumpre o ditado em pleno.

Na CGD pública haverá sempre uma gestão política

Eis a grande lição. Mas alguém acredita que o problema fosse a declaração de rendimentos ? Não, não foi, a grande questão é que a classe política sempre viu a CGD como sua e não quer que passe para as mãos de profissionais independentes. Banqueiros que lhes possam dizer não, que administrem a CGD segundo as boas práticas da gestão bancária e não segundo os interesses políticos de quem está no governo.

Havia quem achasse que se tinha encontrado enfim uma solução não política para a CGD. Têm aí a resposta . Uma tragédia para o governo e para a CAIXA , porque se as dúvidas já eram muitas a partir de agora só tem dúvidas quem é ceguinho. A CAIXA é uma coutada política e não serve, nunca serviu, para financiar as pequenas e médias empresas exportadoras e a economia em geral . Se a ideia era destruir o resto da reputação da CAIXA pública conseguiram.

Vamos ver quem é que se segue.

O malabarista político caiu fora da CAIXA

Desta vez o malabarista político calculou mal o salto e caiu fora da caixa de segurança. Palavra dada palavra honrada, assegurou ao gestor que não era preciso depositar a declaração de rendimentos e património no Tribunal Constitucional. Agora, apertado por uma Lei da sua lavra diz, candidamente, que já entregou a sua.

A isto chama-se tirar o tapete a António Domingues e vamos ver se além do tapete não lhe tira a CAIXA de segurança e se os danos no banco publico não serão já inevitáveis e incalculáveis.

A deputada Catarina Martins, tomada pela mesma febre criativa veio propor que a declaração de António Domingues ficaria secreta. Ora isto é o contrário do espírito e letra da Lei. O BE esqueceu muito rapidamente a luta de classes. O que a Lei diz é que as declarações depositadas no Tribunal Constitucional são para serem tornadas publicas. Para que serviriam se assim não fosse ?

É uma vergonha o que se está a passar entre o governo e a administração da Caixa. Depois do governo ter dobrado a espinha perante as exigências de um gestor, vemos agora que o governo para conseguir o que queria mentiu. Depois de cinco mil milhões de euros ( que a anterior administração nunca exigiu), depois de salários milionários, depois de membros propostos para administração terem sido aconselhados a frequentarem cursos de preparação, temos a CAIXA à beira do abismo.

E, pensarmos nós, que tudo isto foi concebido para que rapidamente a CAIXA fizesse chegar dinheiro à economia, às médias e pequenas empresas.

Malabarismo político sem rede, é o que é. Depois vê-se.

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Só falta a CGD ter valor para ser privatizada diz o novo presidente

O Presidente da Caixa Geral de Depósitos exigiu que o banco público seja igual a qualquer banco privado. Já foram preenchidas algumas das exigências. Administradores privados e sem estatuto público; recapitalização da CGD com dinheiro privado; remuneração dos accionistas segundo as regras do mercado ; e siga o link que ainda faltam nove razões exigidas por António Domingos.

O primeiro-ministro diz que a CGD tem de ser pública, 100% pública, mas os objetivos traçados para o banco público e acordados com a nova administração gritam outra coisa. Se o governo e a nova administração da CGD têm estes entendimentos, a conclusão óbvia é a de que a privatização é a peça que falta, e coerente, para completar o puzzle. A privatização acabava com uma série de contradições nos termos. Além disso, evitava que fossem os contribuintes a pôr o dinheiro sem direito ao exercício de controlo que cabe a qualquer acionista numa empresa privada.

Em que ficamos ?