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BandaLarga

as autoestradas da informação

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As cativações de Centeno fecham serviços nos hospitais do SNS

As cativações de Centeno foram longe demais e a realidade está aí e não pode ser desmentida. Há hospitais centrais de referência a fechar serviços por falta de enfermeiros e de equipamentos. Os 600 enfermeiros em falta só entram em Março para que as contas de 2017 batam certo. A austeridade tinha acabado.

A falta de enfermeiros nos hospitais atingiu este ponto de ridículo e a razão é simples de entender: sem nada que os incentive a ficar, optam por sair para unidades privadas ou mesmo para centros de saúde, onde as condições financeiras, de trabalho ou a qualidade de vida que adquirem compensam bem mais do que ficar. É um caso sério que alguns dos maiores hospitais do país já ponderem fechar serviços fundamentais, como a ginecologia e a obstetrícia, porque não têm profissionais suficientes para os garantir. E é um problema que tem de ser resolvido rapidamente e ao mais alto nível. Não criando barreiras à mobilidade e possibilidade de escolha destes profissionais, mas antes garantindo-lhes condições que assegurem que compensa ficar. O que inclui dar prioridade à contratação de meios suficientes para que todo o sistema não torne a colapsar daqui por um par de meses.

A despesa não pode crescer mas não é o governo que diz que estamos a crescer no PIB como nunca ? E se tal não é verdade não há que estabelecer prioridades que afectem menos os cidadãos ?

Os incêndios e os hospitais onde se morre é que são as prioridades para efectuar cativações enquanto se aumentam salários e pensões ?

Deitar os foguetes e apanhar as canas

EUROGRUPO | CENTENO A eleição do ministro portugués para a presidência do Eurogrupo tem sido festejada como uma grande vitória. E, nomeadamente, uma grande vitória da diplomacia portuguesa. Mas não foi, nem é. Sendo honrosa, ela resultou de um quadro de desistências, tipo dominó.

Primeiro facto: para reequilibrar o peso do norte e centro da UE, ficou entendido que o substituto do holandês do vinho e gajas deveria ser, agora, um ministro das Finanças dos países do sul. Os ministros mais falados como candidatos fortes foram os da França e Itália. Mas, dadas as conjunturas internas desses países, eles recusaram. Chegou então a vez do ministro espanhol.

Mas Madrid considerava relativamente irrelevante a função e queria mesmo ( e quer) a mais decisiva posição de vice presidente do BCE. Guindos desistiu também. Restava Lisboa ou Atenas. Esta era uma candidatura impensável, depois de tudo o que a Grécia do Syriza representa. Hipótese riscada.

Restava Portugal, que havia recuperado respeitabilidade com os dois últimos governos e, em Bruxelas, beneficiava do discurso anti-geringonço de Costa e da política realista de Centeno. Ficou este, por exclusão de partes. Sorridente, sabedor, dupla face, foi considerado um intérprete possível e aceitável da visão do eixo Berlim-Paris. Por exclusão de partes. Bastaria ir lendo a imprensa do país vizinho para ir seguindo o caso. Com a nossa não chegávamos lá...

 
 
 

Centeno foi escolhido porque executou a austeridade desejada por Bruxelas

Trocado por miúdos

Por : José Eduardo Martins

Centeno foi escolhido, afinal, por ter os resultados de consolidação que Bruxelas estima e que só não se chamam austeridade porque a onda de crescimento, na Europa, disfarça e o ministro cativa. Muito

A escolha de Mário Centeno para presidente do Eurogrupo foi, fora das redes sociais, a vitória portuguesa menos celebrada de sempre.

O feito vem, afinal, forçar várias clarificações e, mesmo que delas todos tenham fugido a correr, desta vez não há como não reparar em, pelo menos, três coisas:

Trocado por miúdos, nada de essencial vai mudar na União Europeia, a maioria de esquerda não existe e a direita tem de mudar de vida.

Na Europa, o impulso juvenil do Presidente Macron, reclamando mais entrega de soberania em torno de mais partilha de risco, ficou sem resposta. Nada importante vai mudar nos problemas estruturais da União Económica e Monetária (UEM).

Se o PPE, leia-se Angela Merkel, permite a eleição de mais um ministro das Finanças socialista, agora do Sul, é porque até podemos avançar no Fundo Monetário Europeu (pouco acrescentando ao Mecanismo Europeu de Estabilidade que os alemães já aceitaram) mas nada de partilha de risco, mais transferências ou convergência real.

Dito de forma mais simples, isso significaria transferências de recursos que nenhum dos eleitorados do Norte da Europa aceita. É assim a vida: de uma lógica vestefaliana pouco contrariável, aliás.

Em breve se perceberá tudo isto ao mesmo tempo que, esgotadas as reversões e confrontado com as escolhas sérias, se revela com clareza o logro desta aparência de maioria.

O nosso ministro foi escolhido, afinal, por ter os resultados de consolidação que Bruxelas estima e que só não se chamam austeridade porque a onda de crescimento, na Europa, disfarça e o ministro cativa. Muito.

Tanto que o novo paradigma de maioria fica conhecido por originalidades nunca antes reclamadas de esquerda, como fazer desaparecer o investimento público e aumentar a receita fiscal por via dos impostos indiretos.

Não admira, mesmo nada, que a maioria não tenha festejado a escolha. Ela ilustra que não são a maioria que dizem ser.

Vale a pena aprofundar o pensamento dos parceiros da maioria parlamentar, sobre a União e o Euro, de que o Eurogrupo é só um acidente:

Escreve José Manuel Pureza, do BE: “O resgate da democracia passa hoje por uma rutura com a prisão em que a União Económica e Monetária se tornou. Sem essa rutura, a substituição da Troika pelas instituições europeias, sendo simbolicamente importante, é algo que conhecemos bem: alternância sem alternativa.”

Mais claro, João Ferreira, do PCP: “A adesão ao Euro foi um desastre e a permanência é um desastre. Recuperar a soberania monetária é recusar esta sentença… O abandono do Euro não será nenhuma varinha mágica, mas é necessário para recuperar do atraso, da estagnação e da dependência… O Euro e a União Económica e Monetária são um obstáculo ao desenvolvimento. Um obstáculo que tem de ser removido.”

Enquanto isso, o PM vai a Bruges abrir o ano letivo do Colégio da Europa, com um discurso oficial sobre a importância de concluir a UEM e oferece o empenho de Portugal para a coisa, repetindo tudo o que o PSD escreveu em 2015.

A maioria de esquerda é como a anedota do alentejano que se acha casado por amor já que não tem interesse nenhum na mulher. Se não estão de acordo sobre ficar ou não na União e no Euro, estarão de acordo sobre o quê, afinal?

Mas a direita tem pouco de que rir... Depois de dois anos em que não antecipou os efeitos do crescimento que lançou. Mais ou menos artimanha, a consolidação está aí. E precisa falar de outra coisa. Infelizmente não tem sido o caso.

(Artigo publicado na VISÃO 1293, de 14 de dezembro de 2017)

Centeno avisou da subida da taxa de juros

Avisou no inicio da discussão do orçamento na tentativa de acalmar as exigências do PCP e do BE. E a renegociação possível é a que está a ser feita. Prolongar prazos e trocar dívida mais cara por dívida mais barata.

Mas como ninguém quis ouvir agora que vem aí uma subida de juros substancial Portugal não está preparado para enfrentar o embate. Agora é só procurar um culpado.

Depois da verba orçamental mais elevada, a da saúde - oito mil mlhões de euros- vem a verba dos juros da dívida . sete mil e quatrocentos milhões. O pouco dinheiro que sobrou devia ter sido dirigido para a redução da divida porque não há a mais pequena dúvida. Sem uma redução significativa da dívida pública a economia não cresce o suficiente.

E é por isso que estamos novamente a empobrecer, a divergir da Europa, crescendo menos mas mantendo a segunda mais alta dívida da União Europeia e a pagar juros mais altos com excepção da pobre Grécia ( não se deu o milagre). 

Centeno foi nomeado para Presidente do Eurogrupo. É bom, mas desenganem-se os que acham que mudará a natureza das coisas. No entanto, desde há umas semanas o Doutor Centeno tem alertado para o período de subida de taxas de juro que se aproxima e para a necessidade de reduzir a divida pública. Ótimo! Foi pena já ter desperdiçado três Orçamentos do Estado sem consolidação estrutural e sem aproveitar este período de alguma bonança económica. Como provavelmente não o fará em 2019, dado o ciclo eleitoral, dificilmente o Doutor Centeno terá contribuído significativamente para melhorar a nossa posição orçamental e económica.

 

O grande feito do PS : amarrar a extrema esquerda

É visível que a maior azia com a eleição de Centeno para o Eurogrupo é dos partidos à esquerda do PS. Afinal, o Governo é como os outros e segue uma ortodoxia europeia tão irrepreensível que o seu ministro das Finanças se torna o presidente dos ministros das Finanças do Euro. Mas é à direita que o golpe é maior. Porque demonstra que, sem se afastar da essência ortodoxa dos défices baixos, dos saldos primários e das reduções da dívida, é possível amarrar a extrema-esquerda .

E, agora, após a eleição de Centeno, temos que da direita à esquerda somos todos pró-Europa e pró-zona euro o que é extraordinário depois do que se disse contra durante a recessão. Bastou a economia crescer em toda a Europa para os problemas desaparecerem a curto prazo em Portugal.

O que é verdadeiramente surpreendente é que a única reforma que se mantém inalterada seja a das Leis laborais a que maior engulho representa para PCP e BE. Porque Centeno é um especialista liberal na matéria?

Na imprensa estrangeira a nomeação de Centeno é dada como um "estar no lugar certo no momento certo" tendo em vista que a maioria dos serviços são chefiados por gente da direita, é necessário um representante socialista a acrescer aos poucos que restam. Mas não contaram com os problemas internos cá dentro.

Se a geringonça tinha morrido com as autárquicas, a nomeação de Centeno é o prego último no caixão. 

PCP e BE à mesa das negociações com o presidente do Eurogrupo

Para o PCP e o BE acabou o fingimento, estão contra mais aprovam o orçamento que cumpre todas as determinações de Bruxelas. O PS arranjou, enfim, um culpado, e o PSD e o CDS têm que arranjar um caminho alternativo. De direita, porque agora as políticas da Europa são de esquerda.

Porque ter o ministro das Finanças nesse cargo implica um compromisso do actual governo e do PS para com o cumprimento das regras orçamentais europeias, apesar da desconfiança e das pressões de PCP e BE. O que inevitavelmente arrasta a questão para a política nacional: também será esta uma boa notícia para os partidos? Para o PS, sim. 

Do lado da geringonça, a tensão é óbvia embora, no seu cerne, se limite às aparências. Sim, há algo de inconveniente na situação: PCP e BE, que ainda há poucos anos recusaram orgulhosamente reunir-se com a troika, passarão a sentar-se à mesa de negociações e a alinhar tudo com o presidente do Eurogrupo. Mas, se o incómodo se prevê indisfarçável, na prática nada muda: por mais que tal ideia lhes desagrade, os partidos da geringonça já são o rosto da contenção orçamental que esmaga o funcionamento dos serviços públicos para, em troca, satisfazer as suas clientelas. E é isso que se espera que continue a acontecer, nomeadamente quando se discutir o orçamento para 2019 (ano de eleições legislativas). Ou seja, à esquerda fica tudo na mesma. PCP e BE apenas já não poderão fingir-se inimigos mortais das políticas de contenção orçamental.

Mário presidente do Eurogrupo vai-nos proteger de Centeno ministro

Jerónimo de Sousa já viu tudo. Não será Centeno que vai mudar as políticas europeias, serão as políticas europeias que vão ter a garantia que Centeno as aplica em Portugal. Um seguro, pois, contra a geringonça.

Bem podem o PCP e o BE apontar o dedo a Bruxelas que estarão a apontar o dedo ao ministro das finanças do governo que apoiam. E Centeno, presidente do Eurogrupo, não tem outro cenário que não seja implementar o que for decidido em Bruxelas.

Pode, naturalmente, participar na construção das decisões, sendo um entre pares, mas não mais do que isso.

Centeno ganha reputação pessoal e profissional e Portugal ganha estabilidade mas, a geringonça, não ganha nada a não ser mais uma fonte de atritos.

O Presidente da República não está satisfeito com este governo, nem com este ministro, nem com esta nomeação. Foi por isso que, antes de qualquer elogio, lembrou a Costa que Centeno é, primeiro, ministro das Finanças de Portugal. Marcelo sabe que a presidência no Eurogrupo é em acumulação de funções, poderá ser um cargo em full-time apenas no próximo mandato se houver uma reforma do euro. Marcelo esta, agora, sobretudo preocupado com a estabilidade política, mas também deveria estar preocupado com a sustentabilidade das finanças e da economia. Se estiver a ouvir os empresários e gestores certos, certamente estará.

Os lóbis enchem a rua a pedir o impossível

Daniel Bessa defende que já devíamos estar em superavit orçamental porque só assim seria possível começar a diminuir de forma sustentada a dívida publica.

Quando, e isso é inevitável, as taxas de juro subirem tem que haver folga orçamental para acomodar esse encargo. A queda dos juros que tem permitido a este governo consolidar as contas públicas não depende de nós . E quando a subida vier não podemos ter uma dívida nos 130% do PIB .

Uma subida nos juros por muito pequena que seja irá representar um encargo gigante para o Estado colocando em causa as contas públicas, ao mesmo tempo que atinge grande parte das famílias .

 Mário Centeno por duas vezes esta semana mandou avisos como se fosse Teodora Cardoso. Isso quer dizer que Centeno sabe coisas que nós não sabemos e será a causa de querer zarpar para o Eurogrupo. Quando a tempestade aparece no horizonte ou o pântano começa a encher todos fogem para Bruxelas e os exemplos são vários .

Centeno : " a situação orçamental portuguesa não permite pensar em "supostas folgas". É preciso "rigor", não é possível decidir com "miopia". "Temos de manter estes compromissos e não o fazer é colocar em causa o esforço dos portugueses". É que vem aí um "novo ciclo de taxas de juro mais elevadas" e não podemos chegar a esse momento sem ter a dívida a cair de forma sustentada".

Em vez disso os lóbis andam na rua a exigir o impossível .

PS : a partir de texto de João Vieira Pereira - Expresso

 

É por isto que PCP e BE voltam a falar em negociação da dívida

Com a dívida aos actuais níveis e não se vê como poderá reduzir-se significativamente no curto prazo, o ciclo de taxas de juro mais elevadas que vem aí dá razão a quem insiste que a folga financeira devia dirigir-se para a redução da dívida e não para aumentar despesa pública.

É que se o crescimento ajuda e a situação económica europeia deverá continuar a melhorar, com ela chegarão taxas de juro mais elevadas para as quais o país tem que estar preparado, defende Mário Centeno.

"Sabemos que vem aí tempos melhores para a economia europeia, mas virão associados a um ciclo de taxas de juro mais elevadas", afirmou o ministro das Finanças na segunda-feira, dia 13 de Novembro, acrescentando que "o ciclo de taxas de juro baixas vai ser alterado e não podemos chegar a esse momento sem ter a dívida publica a cair".

A dívida pública estará a cair mas continuará um monstro e, assim, se percebe a recente exigência do PCP e do BE na renegociação da dívida, bandeira que há muito não agitavam. 

E como continuamos na cauda em termos de crescimento económico percebe-se o nó .

Mas então a dívida cresce ou não cresce Prof Centeno ?

Crescer cresce mas cresce menos.  Esta é de morte, é como o crescimento humano, cresce rapidamente na infância e na juventude e depois começa a crescer menos e em certa idade para. Com a velhice começa a decrescer. Como pode ser de outra maneira ?

Com a dívida a questão é que já cresceu muito para além do necessário e saudável e é agora necessário descer e muito. De 130% para 60% mas o que nos diz Centeno é que a dívida está a crescer menos. Ora bolas.

A dívida pública total do país deverá chegar ao final de dezembro a crescer 0,8% face ao ano anterior, o ritmo mais baixo das últimas duas décadas, indicam dados oficiais recolhidos pelo DN/Dinheiro Vivo.

Afinal a dívida sempre está a crescer. É a tal "pós verdade" de António Costa.

A dívida pública desceu de 227 mil milhões em 2015 para 249 mil milhões em 2017.