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BandaLarga

as autoestradas da informação

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O cancro financeiro público e privado

Centeno goza de uma paz e popularidade nunca vistas num ministro das finanças. Com o silêncio dos sindicatos e da extrema esquerda . Quantas grandoladas já teriam percorrido o país se fosse um governo de direita ?

Porque os meios utilizados para atingir o sucesso devem mais a expedientes oportunistas do que a rigor técnico. Cortes selváticos no investimento e despesas de operação, receitas extraordinárias e impostos originais não constituem receita válida e consistente para gerir um país. Corta-se onde se pode, não onde se deve. Assim, em cada mês renasce a interrogação do que se conseguirá.

A dívida pública continua a subir, e até acelerou face ao período anterior. Não existem medidas estruturais ou sequer estratégia orçamental sólida e segura. Centeno, decerto forçado pelas restrições políticas, limita-se a sacrificar tudo ao objectivo imperativo da meta do défice em percentagem do PIB. Entretanto, o cancro financeiro, público e privado, agrava-se em surdina, sob a aparência de sucesso de um governo alheio à sua função de criar uma situação sólida e sustentável de apoio ao progresso económico e social. Centeno é ministro de um número só, mas a exigência europeia, se pode ser instrumento, nunca é objectivo final.

O PCP e o BE acordaram para a politica orçamental a que se venderam

Não foi a magia de Centeno, foi um truque .

Da mesma forma que a economia não é um sucesso, Centeno não é um mágico . As cativações não explicam todo o sucesso alcançado com o valor do défice mas ajudaram. Se às retenções dos gastos dos ministérios juntarmos o gigante perdão fiscal atribuído a quem sistematicamente foge ao Fisco, e ainda outros pozinhos extraordinários, chegamos ao número mágico.

O Bloco de Esquerda e o PCP finalmente acordaram para a política orçamental a que se venderam. E tentam a todo o custo mostrar que não são também responsáveis pelas consequências de termos o governo mais austero de sempre.

Fazer 950 milhões de cativações, o maior valor de que há registo, tem de ter consequências no funcionamento do estado. Até se podem não sentir de imediato mas é impossível esconder por muito tempo a falta de meios.

Não foi a magia de Centeno que nos trouxe o défice mais baixo de sempre. Foi um truque. Os serviços do Estado estão a começar a falhar, por falta de meios. Basta abrir os olhos e olhar à nossa volta.

PS : João Vieira Pereira - Expresso

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"O Orçamento executado em 2016 não é o Orçamento que nós aprovámos.”

 

 

A saloiíce lusa e a política económica do governo

Mas alguém acredita que há admiração lá fora pelo caminho que a economia em Portugal está a seguir ?

Só alguma saloiíce lusitana é que acha que a “teoria económica” da Geringonça é vista com admiração nos círculos preponderantes no eurogrupo. É claro que eles podem achar curiosos os resultados obtidos, mas ninguém os convence minimamente de que tudo não decorre de um acaso pontual. Para eles, trata-se apenas de um "desenrascanço" conjuntural, fruto de alguma acalmia dos mercados, do efeito das políticas temporalmente limitadas do BCE, do salto das exportações (que entendem nada ter a ver com a ação do governo), do surto do turismo (por azares alheios e sorte nossa, como o “milagre do sol”), bem como do "pânico" de PCP e BE em poderem ver Passos & Cia de volta, desta forma “engolindo sapos” e permitindo ao PS surpreender Bruxelas com o seu seguidismo dos ditâmes dos tratado. Ah! Eles também constatam que a política de estímulo do consumo acabou por não ser o “driver” anunciado do crescimento. E que tudo o que foi feito está muito longe das imensas reformas que eles consideram indispensável, nomeadamente no regime laboral e nas políticas públicas mais onerosas para o OGE (Saúde, Educação, Segurança Social, Fiscalidade), por forma a promover uma redução, significativa e sustentada, da dívida. É assim uma grande e indesculpável ingenuidade estar a dar importância à "boca" do cavalheiro alemão!

A "viragem" da economia portuguesa de que fala Centeno aconteceu em 2013 e 2014 e não a seguir a 2015 !...

O Ministro das Finanças publicou um artigo no jornal "O Público" onde diz que a economia portuguesa está num ponto de viragem.

 

 

O que é espantoso é que este retrato da economia portuguesa podia perfeitamente ter sido feito há cerca de dois anos atrás, em meados de 2015, quando estava em funções o governo anterior, antes das eleições legislativas de Outubro de 2015 e da mudança de governo em Novembro de 2015.

Mais : algumas das evoluções positivas que são agora sublinhadas eram então ainda mais evidentes. Por exemplo :

- "Portugal voltou a ter perspetivas de crescimento sustentado" : mas as perspectivas de crescimento em 2015 para os anos seguintes eram ainda maiores do que são hoje, apesar das condições externas serem hoje mais favoráveis do que eram na altura ; por um lado, a taxa de crescimento abrandou em 2016 e apenas em 2017, práticamente dois anos depois, recuperou o ritmo da altura ; por outro lado, as previsões sobre as taxas de crescimento nos anos subsequentes eram então de uma progressão regularmente ascendente, o que não acontece actualmente, com taxas positivas, é certo, mas em sentido descendente (a generalidade dos observadores concorda em que a razão principal se prende com o facto de não estarem a ser feitas nem estarem previstas reformas estruturais) ;  

- "uma redução continuada da dívida pública em percentagem do PIB de agora em diante" : mas esta redução começou efectivamente em 2015, tendo a percentagem descido abaixo dos 130%, e foi interrompida e invertida em 2016, estando hoje em cerca de 134% ;

- "uma diminuição das taxas de juro da dívida" : mas a taxa de juro da divida que mais reflete e impacta o custo da divida refinanciada é a de mais longo prazo, em particular a 10 anos, e esta práticamente duplicou desde o final do primeiro trimestre de 2015, apesar da generalidade das taxas equivalentes dos paises da zona Euro, com a excepção da Grécia, terem descido desde então ;

- "Portugal não deve ter vergonha de ser um exemplo." : mas Portugal era mais um exemplo antes do governo actual, em 2014 por ter concluido com êxito o resgate e ter regressado aos mercados, em 2015 por estar a crescer económicamente e a consolidar financeiramente ; tanto é assim que as agências de rating melhovam então as expectativas positivas do pais e que a UE se preparava para tirar o pais do procedimento de défict excessivo em ... 2016 !...; Portugal perdeu esse estatuto na segunda metade de 2015 e em 2016 era considerado como um caso problemático e preocupante ; e se hoje Portugal volta a ser considerado um exemplo não é tanto pelos resultados em si mas mais pela surpresa que é um governo apoiado por uma extrema-esquerda eurocéptica estar a seguir uma politica que não é de rutura mas antes de continuidade com a do anterior governo de direita.

Ou seja, a economia do pais teve efectivamente uma "viragem", saindo da recessão e passando a crescer, saindo da emergência financeira e progredindo na consolidação das contas públicas. Mas essa "viragem" não é de agora, ou sequer a partir de finais de 2015 quando mudou o governo ; ela aconteceu em 2013 e 2014 e estava a reforçar-se em 2015, antes da mudança de ciclo politico.

O que se tem passado no ano e meio de duração do governo actual, descontando uma certa perda de ritmo e de credibilidade externa entre 2015 e 2016 no seguimento de uma fase final da legislatura anterior marcada pela incerteza e pelo receio de uma mudança de politica e de uma primeira fase da nova legislatura que parecia confirmar essa perspectiva, e descontando ainda o completo abandono das reformas estruturais, tem sido sobretudo a constatação de uma continuidade relativamente ao essencial da politica e do modelo que vinha sendo seguido nos anos anteriores : "um aumento das exportações, num contexto de aumento moderado da procura interna assente na criação de rendimento e não de endividamento" e a continuação da "redução do déficit" orçamental permitindo manter "uma situação orçamental equilibrada e sustentável" (citações tiradas do artigo de Mário Centeno).

O que Mário Centeno acaba por reconhecer involuntáriamente é que a economia portuguesa recuperou significativamente desde o pico da crise em 2012 e 2013 e que não se registou recentemente nenhuma "viragem" para algo de novo e diferente.

Mais : se o ano de 2015 não tivesse sido cortado por eleições e pela mudança de ciclo politico, o mais provável teria sido a economia portuguesa não ter tido uma fase de abrandamento no processo de recuperação então em curso e estar hoje com melhores indicadores e com melhores perspectivas.  

Mas acontentemo-nos com o que temos !!

         

  

Centeno queixa-se dos juros altos

Há quem queira convencer-nos que as taxas de juro que pagamos estão a um nível razoável mas, a verdade é que não estão. Basta ver o que pagávamos há um ano e fazer a comparação com a trajectória das mesmas taxas com outros países. Com Espanha por exemplo.

ministro das finanças queixa-se da (suposta) injustiça face à situação ( que não existe segundo alguns) . Ora as razões são conhecidas :este governo não faz as reformas necessárias porque os seus apoios parlamentares não deixam .

Os funcionários públicos recuperaram rendimento, mas a classe média continua à espera do fim da sobretaxa. O emprego aumentou ao mesmo tempo que aumentou a precariedade e diminuiu o salário médio. O investimento, público e privado, continua mais ou menos parado. Os juros da dívida aumentaram e levam-nos mais ou menos 5% de tudo o que produzimos anualmente no país. Amortizar dívida continua a ser uma miragem.

“Acho que não estamos a ser tratados de forma justa. A maior parte do nosso orçamento foi gasto no pagamento de juros, mais do que em qualquer outro país da Europa”, afirmou Centeno. “É importante que as agências de rating percebam que o Portugal de hoje é diferente do Portugal de 2012.” -
Oxalá que isto mude para melhor mas esta situação mostra bem que a narrativa do governo não é aceite no exterior por quem nos empresta o dinheiro.

 

É a dívida que decide o jogo

A dívida só desce com a economia a crescer pelo menos o dobro do que cresce agora e que, significativamente,foi ultrapassada pela...Lituânia . Descemos da 16ª posição para a 20ª em termos de crescimento.

É, claro, que ter um défice mais baixo é importante se a descida for estruturante mas, isso só se faz com a economia a crescer e com disciplina nas finanças públicas . Quando a descida do défice é a "olho" como aconteceu com o anterior governo e agora e com o actual, degradam-se os serviços públicos. Veja-se o que se está a passar na Educação e na Saúde. Junte-se -lhes as cativações.

Para mais PCP e BE são contra um menor défice ( há que aumentar a despesa pública) o que não ajuda nada o PS e que introduz incerteza na vida pública.

As medidas tomadas são conhecidas - cativações, travagem do investimento, perdões fiscais - e foi baixando as expectativas ( abaixo de 3%, abaixo de 2,6%, abaixo de 2,3% e finalmente chegar a 2,1% ) com que quis converter o défice de 2,1% numa vitória política. Os SMS da CAIXA não deixaram . 

Mas num ano difícil para a Europa cheia de eleições, este défice é uma arma importante e teremos muita gente europeia a bater palmas ao défice português.

Centeno perdido cá dentro vai ter que ganhar lá fora a mais difícil das guerras. A da dívida.

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A extrema esquerda anda a fazer a cama a Centeno

Centeno é demasiado liberal para os camaradas, até foi além da troika, perdão, além do défice que, segundo Mariana Mortágua, devia servir para relançar o investimento .

Além disso cumpre demasiado escrupolosamente as regras europeias, não é flor que se cheire no campo radical . Galamba que pertence à ala radical do PS ( entrou para deputado na quota da ex-namorada do ex -primeiro ministro ) bem como outros ajudam à festa da extrema esquerda.

Mas ainda não chegou a hora ,os juros ainda estão demasiado altos, demitir Centeno pode ser um desastre. Lá para a Primavera .

Eles querem que Centeno saia. E como sabem que Costa ainda não pode prescindir do "mágico do défice" – elogiado lá fora –, apostam no desgaste do ministro. A história da Caixa, envolvendo Centeno e Marcelo, anima a conspiração. Que está em curso e tem como alvo o ministro das Finanças.

Apanhado na rede, o deputado socialista diz que falou a título pessoal, não como porta-voz do partido do Governo. Ou seja, coabitam em Galamba dois lados, tal e qual como na geringonça – que elogia Centeno pelo défice ao mesmo tempo que o critica pelo mesmo défice. Sim, sabemos que Mariana Mortágua só quer fazer bem a quem mais precisa e, assim, há que distribuir antes de amealhar para pagar as dívidas. Perdendo-se credibilidade junto de quem detém e gere a nossa dívida.

Não, não é Marcelo, é Centeno .

Afinal o Galamba não quis dizer aquilo que disse

deputado e porta voz do PS disse que Marcelo é tão responsável quanto Centeno no caso da CAIXA. Agora, chamado à pedra pelo partido vem dizer que o que quis dizer é que a responsabilidade é nenhuma . E o bom do Galamba " o espiral recessiva" com que ameaçava Passos Coelho segue em frente porque também não tem responsabilidade nenhuma . Devagarinho estamos a chegar ao habitual .A culpa morre solteira apesar dos SMS e da documentação já conhecida .

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Marcelo é tão culpado como Centeno, Costa é que não

João Galamba veio hoje defender que o Presidente da República é tão responsável como Centeno no affair da CAIXA mas, parece que o Primeiro Ministro, mais uma vez, é que não tem responsabilidade nenhuma.

O deputado do PS coloca assim a questão. Se a responsabilidade é igual então se Centeno se deve demitir Marcelo deve fazer o mesmo . Costa é que é inocente como uma virgem . É uma maneira suja de olhar para a questão depois de tudo o que se sabe . Mas fica-lhe bem proteger o primeiro ministro .

""O Presidente da República está profundamente implicado nisto. O que ele tentou fazer, na segunda-feira, político hábil como é, foi tentar demarcar-se e desresponsabiliza-se de algo que é responsabilidade sua".
O porta-voz do PS refere-se à polémica sobre o grau de envolvimento do ministro das Finanças, Mário Centeno, na negociação das condições de contratação do ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD). 

O Correio da Manhã escreve esta quinta-feira que Marcelo cedeu a Costa. O DN escreve que Marcelo "mil vezes perguntou" a Costa se havia acordo para dispensar a administração da Caixa e "mil vezes o primeiro-ministro lhe respondeu que não". 

"Tudo aquilo de que é acusado Mário Centeno pode Marcelo Rebelo de Sousa, o Presidente da República, 'ipsis verbis', ser acusado da mesma coisa", acrescentou Galamba. 

Pronto.Tudo provado chegou o momento de limpar a água do capote. António Costa é que não.

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Se Centeno esperava que Costa o fosse salvar

Bem pode ficar à espera sentado . Costa está no assunto da CAIXA como está em todos os assuntos que correm mal . Não está, não sabe, não foi ele. Mas Costa estava a par de tudo.

A partir deste dado, como poderá o governo aceitar a demissão de Mário Centeno sem arrastar António Costa? Não me parece que tal venha a ser possível e a geringonça tudo fará para travar mais revelações de sms e afins. Se a história fosse ao contrário, com o PSD à frente do executivo, há muito que o PS, o PCP e o BE teriam exigido a cabeça do ministro. Uma história que em si não é tão importante para a vida do país, desde que se entenda que a verdade não tem qualquer importância. Mário Centeno, já se percebeu, não é político, mas sim um gestor. Gosta de fazer o seu trabalho, mas esquece-se que a política não é uma área onde os “inocentes” se safem.