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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Centeno avisou da subida da taxa de juros

Avisou no inicio da discussão do orçamento na tentativa de acalmar as exigências do PCP e do BE. E a renegociação possível é a que está a ser feita. Prolongar prazos e trocar dívida mais cara por dívida mais barata.

Mas como ninguém quis ouvir agora que vem aí uma subida de juros substancial Portugal não está preparado para enfrentar o embate. Agora é só procurar um culpado.

Depois da verba orçamental mais elevada, a da saúde - oito mil mlhões de euros- vem a verba dos juros da dívida . sete mil e quatrocentos milhões. O pouco dinheiro que sobrou devia ter sido dirigido para a redução da divida porque não há a mais pequena dúvida. Sem uma redução significativa da dívida pública a economia não cresce o suficiente.

E é por isso que estamos novamente a empobrecer, a divergir da Europa, crescendo menos mas mantendo a segunda mais alta dívida da União Europeia e a pagar juros mais altos com excepção da pobre Grécia ( não se deu o milagre). 

Centeno foi nomeado para Presidente do Eurogrupo. É bom, mas desenganem-se os que acham que mudará a natureza das coisas. No entanto, desde há umas semanas o Doutor Centeno tem alertado para o período de subida de taxas de juro que se aproxima e para a necessidade de reduzir a divida pública. Ótimo! Foi pena já ter desperdiçado três Orçamentos do Estado sem consolidação estrutural e sem aproveitar este período de alguma bonança económica. Como provavelmente não o fará em 2019, dado o ciclo eleitoral, dificilmente o Doutor Centeno terá contribuído significativamente para melhorar a nossa posição orçamental e económica.

 

O grande feito do PS : amarrar a extrema esquerda

É visível que a maior azia com a eleição de Centeno para o Eurogrupo é dos partidos à esquerda do PS. Afinal, o Governo é como os outros e segue uma ortodoxia europeia tão irrepreensível que o seu ministro das Finanças se torna o presidente dos ministros das Finanças do Euro. Mas é à direita que o golpe é maior. Porque demonstra que, sem se afastar da essência ortodoxa dos défices baixos, dos saldos primários e das reduções da dívida, é possível amarrar a extrema-esquerda .

E, agora, após a eleição de Centeno, temos que da direita à esquerda somos todos pró-Europa e pró-zona euro o que é extraordinário depois do que se disse contra durante a recessão. Bastou a economia crescer em toda a Europa para os problemas desaparecerem a curto prazo em Portugal.

O que é verdadeiramente surpreendente é que a única reforma que se mantém inalterada seja a das Leis laborais a que maior engulho representa para PCP e BE. Porque Centeno é um especialista liberal na matéria?

Na imprensa estrangeira a nomeação de Centeno é dada como um "estar no lugar certo no momento certo" tendo em vista que a maioria dos serviços são chefiados por gente da direita, é necessário um representante socialista a acrescer aos poucos que restam. Mas não contaram com os problemas internos cá dentro.

Se a geringonça tinha morrido com as autárquicas, a nomeação de Centeno é o prego último no caixão. 

PCP e BE à mesa das negociações com o presidente do Eurogrupo

Para o PCP e o BE acabou o fingimento, estão contra mais aprovam o orçamento que cumpre todas as determinações de Bruxelas. O PS arranjou, enfim, um culpado, e o PSD e o CDS têm que arranjar um caminho alternativo. De direita, porque agora as políticas da Europa são de esquerda.

Porque ter o ministro das Finanças nesse cargo implica um compromisso do actual governo e do PS para com o cumprimento das regras orçamentais europeias, apesar da desconfiança e das pressões de PCP e BE. O que inevitavelmente arrasta a questão para a política nacional: também será esta uma boa notícia para os partidos? Para o PS, sim. 

Do lado da geringonça, a tensão é óbvia embora, no seu cerne, se limite às aparências. Sim, há algo de inconveniente na situação: PCP e BE, que ainda há poucos anos recusaram orgulhosamente reunir-se com a troika, passarão a sentar-se à mesa de negociações e a alinhar tudo com o presidente do Eurogrupo. Mas, se o incómodo se prevê indisfarçável, na prática nada muda: por mais que tal ideia lhes desagrade, os partidos da geringonça já são o rosto da contenção orçamental que esmaga o funcionamento dos serviços públicos para, em troca, satisfazer as suas clientelas. E é isso que se espera que continue a acontecer, nomeadamente quando se discutir o orçamento para 2019 (ano de eleições legislativas). Ou seja, à esquerda fica tudo na mesma. PCP e BE apenas já não poderão fingir-se inimigos mortais das políticas de contenção orçamental.

Mário presidente do Eurogrupo vai-nos proteger de Centeno ministro

Jerónimo de Sousa já viu tudo. Não será Centeno que vai mudar as políticas europeias, serão as políticas europeias que vão ter a garantia que Centeno as aplica em Portugal. Um seguro, pois, contra a geringonça.

Bem podem o PCP e o BE apontar o dedo a Bruxelas que estarão a apontar o dedo ao ministro das finanças do governo que apoiam. E Centeno, presidente do Eurogrupo, não tem outro cenário que não seja implementar o que for decidido em Bruxelas.

Pode, naturalmente, participar na construção das decisões, sendo um entre pares, mas não mais do que isso.

Centeno ganha reputação pessoal e profissional e Portugal ganha estabilidade mas, a geringonça, não ganha nada a não ser mais uma fonte de atritos.

O Presidente da República não está satisfeito com este governo, nem com este ministro, nem com esta nomeação. Foi por isso que, antes de qualquer elogio, lembrou a Costa que Centeno é, primeiro, ministro das Finanças de Portugal. Marcelo sabe que a presidência no Eurogrupo é em acumulação de funções, poderá ser um cargo em full-time apenas no próximo mandato se houver uma reforma do euro. Marcelo esta, agora, sobretudo preocupado com a estabilidade política, mas também deveria estar preocupado com a sustentabilidade das finanças e da economia. Se estiver a ouvir os empresários e gestores certos, certamente estará.

Os lóbis enchem a rua a pedir o impossível

Daniel Bessa defende que já devíamos estar em superavit orçamental porque só assim seria possível começar a diminuir de forma sustentada a dívida publica.

Quando, e isso é inevitável, as taxas de juro subirem tem que haver folga orçamental para acomodar esse encargo. A queda dos juros que tem permitido a este governo consolidar as contas públicas não depende de nós . E quando a subida vier não podemos ter uma dívida nos 130% do PIB .

Uma subida nos juros por muito pequena que seja irá representar um encargo gigante para o Estado colocando em causa as contas públicas, ao mesmo tempo que atinge grande parte das famílias .

 Mário Centeno por duas vezes esta semana mandou avisos como se fosse Teodora Cardoso. Isso quer dizer que Centeno sabe coisas que nós não sabemos e será a causa de querer zarpar para o Eurogrupo. Quando a tempestade aparece no horizonte ou o pântano começa a encher todos fogem para Bruxelas e os exemplos são vários .

Centeno : " a situação orçamental portuguesa não permite pensar em "supostas folgas". É preciso "rigor", não é possível decidir com "miopia". "Temos de manter estes compromissos e não o fazer é colocar em causa o esforço dos portugueses". É que vem aí um "novo ciclo de taxas de juro mais elevadas" e não podemos chegar a esse momento sem ter a dívida a cair de forma sustentada".

Em vez disso os lóbis andam na rua a exigir o impossível .

PS : a partir de texto de João Vieira Pereira - Expresso

 

É por isto que PCP e BE voltam a falar em negociação da dívida

Com a dívida aos actuais níveis e não se vê como poderá reduzir-se significativamente no curto prazo, o ciclo de taxas de juro mais elevadas que vem aí dá razão a quem insiste que a folga financeira devia dirigir-se para a redução da dívida e não para aumentar despesa pública.

É que se o crescimento ajuda e a situação económica europeia deverá continuar a melhorar, com ela chegarão taxas de juro mais elevadas para as quais o país tem que estar preparado, defende Mário Centeno.

"Sabemos que vem aí tempos melhores para a economia europeia, mas virão associados a um ciclo de taxas de juro mais elevadas", afirmou o ministro das Finanças na segunda-feira, dia 13 de Novembro, acrescentando que "o ciclo de taxas de juro baixas vai ser alterado e não podemos chegar a esse momento sem ter a dívida publica a cair".

A dívida pública estará a cair mas continuará um monstro e, assim, se percebe a recente exigência do PCP e do BE na renegociação da dívida, bandeira que há muito não agitavam. 

E como continuamos na cauda em termos de crescimento económico percebe-se o nó .

Mas então a dívida cresce ou não cresce Prof Centeno ?

Crescer cresce mas cresce menos.  Esta é de morte, é como o crescimento humano, cresce rapidamente na infância e na juventude e depois começa a crescer menos e em certa idade para. Com a velhice começa a decrescer. Como pode ser de outra maneira ?

Com a dívida a questão é que já cresceu muito para além do necessário e saudável e é agora necessário descer e muito. De 130% para 60% mas o que nos diz Centeno é que a dívida está a crescer menos. Ora bolas.

A dívida pública total do país deverá chegar ao final de dezembro a crescer 0,8% face ao ano anterior, o ritmo mais baixo das últimas duas décadas, indicam dados oficiais recolhidos pelo DN/Dinheiro Vivo.

Afinal a dívida sempre está a crescer. É a tal "pós verdade" de António Costa.

A dívida pública desceu de 227 mil milhões em 2015 para 249 mil milhões em 2017.

 

O cancro financeiro público e privado

Centeno goza de uma paz e popularidade nunca vistas num ministro das finanças. Com o silêncio dos sindicatos e da extrema esquerda . Quantas grandoladas já teriam percorrido o país se fosse um governo de direita ?

Porque os meios utilizados para atingir o sucesso devem mais a expedientes oportunistas do que a rigor técnico. Cortes selváticos no investimento e despesas de operação, receitas extraordinárias e impostos originais não constituem receita válida e consistente para gerir um país. Corta-se onde se pode, não onde se deve. Assim, em cada mês renasce a interrogação do que se conseguirá.

A dívida pública continua a subir, e até acelerou face ao período anterior. Não existem medidas estruturais ou sequer estratégia orçamental sólida e segura. Centeno, decerto forçado pelas restrições políticas, limita-se a sacrificar tudo ao objectivo imperativo da meta do défice em percentagem do PIB. Entretanto, o cancro financeiro, público e privado, agrava-se em surdina, sob a aparência de sucesso de um governo alheio à sua função de criar uma situação sólida e sustentável de apoio ao progresso económico e social. Centeno é ministro de um número só, mas a exigência europeia, se pode ser instrumento, nunca é objectivo final.

O PCP e o BE acordaram para a politica orçamental a que se venderam

Não foi a magia de Centeno, foi um truque .

Da mesma forma que a economia não é um sucesso, Centeno não é um mágico . As cativações não explicam todo o sucesso alcançado com o valor do défice mas ajudaram. Se às retenções dos gastos dos ministérios juntarmos o gigante perdão fiscal atribuído a quem sistematicamente foge ao Fisco, e ainda outros pozinhos extraordinários, chegamos ao número mágico.

O Bloco de Esquerda e o PCP finalmente acordaram para a política orçamental a que se venderam. E tentam a todo o custo mostrar que não são também responsáveis pelas consequências de termos o governo mais austero de sempre.

Fazer 950 milhões de cativações, o maior valor de que há registo, tem de ter consequências no funcionamento do estado. Até se podem não sentir de imediato mas é impossível esconder por muito tempo a falta de meios.

Não foi a magia de Centeno que nos trouxe o défice mais baixo de sempre. Foi um truque. Os serviços do Estado estão a começar a falhar, por falta de meios. Basta abrir os olhos e olhar à nossa volta.

PS : João Vieira Pereira - Expresso

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"O Orçamento executado em 2016 não é o Orçamento que nós aprovámos.”

 

 

A saloiíce lusa e a política económica do governo

Mas alguém acredita que há admiração lá fora pelo caminho que a economia em Portugal está a seguir ?

Só alguma saloiíce lusitana é que acha que a “teoria económica” da Geringonça é vista com admiração nos círculos preponderantes no eurogrupo. É claro que eles podem achar curiosos os resultados obtidos, mas ninguém os convence minimamente de que tudo não decorre de um acaso pontual. Para eles, trata-se apenas de um "desenrascanço" conjuntural, fruto de alguma acalmia dos mercados, do efeito das políticas temporalmente limitadas do BCE, do salto das exportações (que entendem nada ter a ver com a ação do governo), do surto do turismo (por azares alheios e sorte nossa, como o “milagre do sol”), bem como do "pânico" de PCP e BE em poderem ver Passos & Cia de volta, desta forma “engolindo sapos” e permitindo ao PS surpreender Bruxelas com o seu seguidismo dos ditâmes dos tratado. Ah! Eles também constatam que a política de estímulo do consumo acabou por não ser o “driver” anunciado do crescimento. E que tudo o que foi feito está muito longe das imensas reformas que eles consideram indispensável, nomeadamente no regime laboral e nas políticas públicas mais onerosas para o OGE (Saúde, Educação, Segurança Social, Fiscalidade), por forma a promover uma redução, significativa e sustentada, da dívida. É assim uma grande e indesculpável ingenuidade estar a dar importância à "boca" do cavalheiro alemão!