Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

BandaLarga

as autoestradas da informação

BandaLarga

as autoestradas da informação

A cativar o futuro

Em 2015, a economia cresceu pouco acima de 1,8% (significativa revisão em alta, face aos anteriores 1,6%). Foi aliás, a grande novidade, positiva, que esta semana o INE "deitou" cá para fora.
Ouviram Costa a dizer algo sobre isto? Não.
O INE confirma o pior: a economia portuguesa é - na Europa a 28 - a que menos cresce, uns meros 0,3% no segundo trimestre face aos primeiros três meses do ano. Babam-se dos "3% de crescimento" homólogo (quero dizer, face ao segundo trimestre de 2016). Mas vejam o ridículo... se a economia aumentasse 2,7%, o segundo trimestre deste ano seria recessivo...
Pois é, concluindo: Portugal deveria estar a crescer muito mais, pelo menos a acompanhar o ritmo da UE a 28.
Agora, outra revelação, orçamental. O Governo continua a cortar no Investimento Público, como nunca aconteceu desde 1960.
É o INE que o indica.
Isto é grave, um crime. Quer dizer que o País não está a repor a riqueza criada no passado - o material médico, a Tac no hospital, o raio x, os transportes publicos, as estradas, etc; tudo envelhece, morre - o que significa que o património público dos portugueses está a ser deitado pela janela fora!
Calculo que o desgaste dos materiais não respostos (INE) ascenda a perto de três mil milhões de euros, só para os últimos 18 meses.
Eis como, Costa, Centeno e Catarina estão a gerir o País: vivem à custa dos investimentos do passado.

Uma coligação contra as cativações de Centeno

Da esquerda à direita todos estão contra as cativações orçamentais. Porque é uma finta ao Parlamento e degradam a qualidade dos serviços públicos. O orçamento executado em 2016 ( não tanto em 2017) não é o orçamento aprovado no Parlamento.

Ora, para além da natureza não democrática do instrumento, se utilizado de forma opaca e discricionária, as cativações geram um outro problema de natureza muito prática: prejudicam a qualidade dos serviços públicos. A razão é simples: se não há os recursos previstos na lei do OE também não pode existir o nível de serviço previsto. A este problema junta-se um outro: se o nível de serviço é impossibilitado pela ausência de recursos, a consequência é a desresponsabilização do responsável pelo mesmo serviço. Afinal, que responsabilidade pode ser assacada ao responsável do serviço público que foi defraudado nos recursos que lhe haviam prometido? Nenhuma.

Chegamos assim ao estado de desgoverno. E voltamos também ao início da discussão: um exercício orçamental diferente daquele que previamente havia resultado das escolhas políticas dos eleitores representados parlamentarmente pelos partidos e que deriva da utilização abusiva de cativações.

De atrasos e cativações se faz a Saúde

A Comissão que monitoriza a situação financeira da Saúde dá-nos um retrato real e preocupante :

Os dados de maio mostram que a dívida total dos hospitais aos fornecedores externos é de 1592 milhões de euros, mas são os valores da dívida vencida (valor após a data de vencimento da fatura) e os pagamentos em atraso (valores em atraso 90 dias após o vencimento da fatura) os mais preocupantes: 1160 milhões e 739 milhões, respetivamente. Qualquer um deles mostra um aumento em comparação com o período homólogo. No caso do primeiro, 23,6%, e, no segundo, 22,2%.

É claro que tais valores têm um enorme impacto negativo na tesouraria das empresas e representam um financiamento à Saúde a custo zero. Esta situação não pode manter-se muito mais. Mais tarde ou mais cedo atrasos e cativações vão dar lugar a pagamentos e a despesa pública.

Por agora foram varridas para debaixo do tapete.

Bébés e turistas cativados

Filas de espera que chegam a três horas para os passageiros que chegam ao aeroporto . Blocos de partos fechados em vários hospitais como na Maternidade Alfredo da Costa e no Hospital de S. João no Porto.

Razões ? Falta de pessoal. No Serviço de Fronteiras faltam 200 agentes já solicitados mas que o governo cativou . Nos hospitais faltam enfermeiros e os que há reivindicam melhores condições e pagamento das horas extra.( cativados)

De repente as cativações saltaram para cima da mesa. Razão ? A corrente discussão do orçamento para 2018, não se pode perder a oportunidade, há que fugir às cativações que foram caladas até agora. Aumentos de salários e pensões dos funcionários públicos não chegam, PCP e BE têm que recuperar a credibilidade.

Não sabiam das cativações como se o dinheiro caísse da árvore das patacas.

 

Com a austeridade nos serviços públicos me enganas

O aumento dos salários da função pública e das pensões foi feito à custa da austeridade degradando os serviços públicos . Mil milhões de cativações foram o instrumento.

Não é crível que PCP e BE não tenham visto . Menos ainda os sindicatos da função pública. E os fornecedores que viram os pagamentos atrazarem-se e sentiram a devolução frequente de facturas. Todos sabiam mas nenhum se atreveu a dizer que o rei ia nu. As razões são simples de entender.

O Banco de Portugal e a Comissão das Finanças Públicas avisaram mas foram sempre cercados pela propaganda governamental . Não é por acaso que Carlos Costa ( o do banco de Portugal ) e Teodora Cardoso ( a presidente da Comissão de Finanças) foram e são os inimigos de estimação. E as Agências de Notação que não vão na cantiga e mantêm a dívida no "lixo" ( a tal que não cessa de crescer)

O governo prefere o curto prazo, os votos dos funcionários públicos, ao longo prazo, os bons serviços públicos . E o investimento ( a falta dele) também só se sente no longo prazo.

Entretanto, espera-se que a economia cresça à boleia da recuperação da Zona Euro e do Turismo. No final logo se vê, é esta a estratégia do primeiro ministro ( quem vem atraz que apague a luz)

"A Conta Geral do Estado de 2016 revelou que tinha razão quem alertou para a impossibilidade de aumentar os salários da função pública e, ao mesmo tempo, reduzir o défice orçamental na fase da recuperação em que estávamos. Todos estavam a olhar para a despesa que o Governo dizia que ia fazer, inscrita no Orçamento do Estado aprovado na Assembleia da República. Como sempre se fez. As análises e comentários foram sempre realizados tendo como referência esse documento. Nunca passou pela cabeça de ninguém que as cativações se transformassem em cortes efectivos daquela dimensão, o valor histórico de 942,7 milhões de euros."

A farsa orçamental - o BE não sabia e o PCP ?

BE não sabia depois de andar ( como anda agora) a negociar o orçamento com o governo. E foi logo pela voz da economista da BE a quem são atribuídas as competências para negociar na área orçamental .

É claro que sabia das cativações, afinal para se aumentarem os salários e as pensões ( individualmente muito poucochinho ) havia que encontrar a contrapartida dos milhões . E ainda havia a redução para as 35 horas e a baixa do IVA na restauração. Claro que sabia que era preciso cortar na despesa virtuosa na Saúde, na Educação, na Administração Interna.

Se o crescimento do PIB é poucochinho, não há mais receita, só o fazer de conta orçamental. Cortar nos salários e pensões é visível, mas cortar nos serviços e no investimento é uma questão de fé. Não vai acontecer nada.

Infelizmente aconteceu e agora percebemos porque as instituições financeiras, cá de dentro e lá de fora, repetem os avisos, não melhoram as notações, continuamos a depender do fio ténue que nos mantém ligados à máquina da DBRS . A agência mais pequena de todas já avisou que se fosse só pelos números Portugal já estaria no "lixo", sem acesso ao "quantative easing", as taxas de juro a trepar e a dívida a crescer. Enfim, com novo resgate à vista.

Não, o Bloco de Esquerda não foi enganado, surpreendido. O Bloco de Esquerda foi cúmplice, ator principal de uma farsa fácil de contar: apresentar um Orçamento bonito, para toda a gente aplaudir, e no silêncio, para ver se ninguém nota até porque há reposição de rendimentos, cortar nos serviços públicos, deixar o investimento público no mais baixo nível desde que há registos, austeridade.

É que o Orçamento do Estado que o Bloco de Esquerda aprovou previa, no seu articulado, num artigo que o Bloco também votou a favor, o maior volume de cativações previstas desde 2004. E o que é que pode esperar-se de um Orçamento com tão expressivo volume de cativações? Pode esperar-se, claro, aquilo que veio a suceder, e que era evidente: o maior volume de cativações efetivas de sempre, cortes, de quase mil milhões de euros.

 

PCP e BE cativados

A partir de Junho do ano passado a economia da Zona Euro começou a espevitar e Portugal a crescer por arrasto . Mas não chegou aos 2,5% e Centeno teve que lançar mão das cativações que PCP e BE engoliram sem protesto. Agora estão a arder como parte do país.

Bem podem dizer que não sabiam ou que foram enganados - o orçamento executado não é o que aprovaram grita Mariana - mas a verdade é que o orçamento para 2018 ainda vai ser mais difícil . O crescimento da economia vai reduzir-se - nas previsões do governo - e isso vai manter ou mesmo aumentar as cativações .

Entretanto Costa, ganha tempo nas várias frentes da bagunça. A Pedrogão ainda nem sequer chegou a famosa comissão independente, Tancos está a revelar-se uma batalha política - como Vasco Lourenço acusa - e o governo derrete-se como um gelado no pico do verão.

PCP e BE estão entalados contra a parede vão ter que negociar o orçamento e as cativações e lá se vai a credibilidade dos seus protestos.

Hoje são evidentes as razões que levaram as agências de rating a não melhorarem a notação do país e os avisos frequentes das instituições financeiras. A dívida que não desce ( a segunda maior de todas), as taxas de juro que são o triplo das de Espanha, as reversões justas mas não prudentes. Tudo para acomodar o suposto milagre do défice mais baixo de sempre que PCP e BE engolem a custo.

Mas, mais uma vez estavam todos errados e nós é que estávamos certos.

O número (circense) do défice mais baixo da história

É o que diz a deputada Mariana Mortágua . Para fazer em Bruxelas o número do défice mais baixo da história o governo fez cativações à revelia dos seus apoiantes. Nada mais nada menos que 942,7 milhões que ficaram retidos nas finanças e não distribuídos pelos ministérios.

“O Governo entendeu ir para além da meta estabelecida para fazer, em Bruxelas, o número do défice mais baixo da história”, disse Mariana Mortágua, acrescentando que, enquanto o Governo faz esse número, “os serviços públicos precisam de dinheiro e investimento”.

“A recente tragédia dos incêndios alertou o país para isto mesmo, pondo em evidência as consequências de sucessivos anos de corte e ‘poupanças’ em áreas como a Administração Interna ou a gestão do território”.

É bom sublinhar que Mariana Mortágua faz perguntas ao actual governo não ao anterior. Esse teve que baixar o défice de 11,2% ( deixado por Sócrates) para 4,4%, o actual de 4,4% para 2%.

Lá se vai mais um mito . PS votou contra a nacionalização...

Os efeitos do menor défice na saúde e na educação

Foi à custa de cativações de verbas que não chegaram aos serviços do estado que se passou para além da europa . E à custa do corte no investimento.

As escolas a meter chuva e frio com os alunos e pais à porta a exigirem mais pessoal é um efeito de curto prazo .O Nogueira da Frenprof não pia .

Morrer um bébé na Guarda com a mãe a esperar uma hora e meia para ser atendida por um médico também é um efeito de curto prazo das cativações para o défice. Seis horas na urgência passou a ser historicamente razoável . Mas a austeridade parou, virou-se a página segundo a narrativa pós-verdade .

Com o corte do investimento a economia é poucochinha, a dívida não para de crescer e os juros são insuportáveis e com tendência a aumentar . São os efeitos a longo prazo .

Enquanto o povo sofre com a nova austeridade vai-se falando na CAIXA para se desviarem as atenções . Os que têm emprego e pensões exigem ( pertencem ao estado) os desempregados (pertencem ao privado) vão sofrendo com a nova austeridade.

A "festa" na Educação não chegou aos prédios/escolas degradados (mas fecharam-se boas escolas privadas) . E a pressa na devolução de rendimentos dos funcionários públicos atinge os doentes, as crianças e os idosos .

Morreu um bébé no Hospital da Guarda por falta de assistência mas, agora , a culpa não é das cativações de verbas nem da austeridade . Porque essas ou acabaram ou nunca existiram .

 

 

Uma vergonha, Catarina Martins

Camilo Lourenço

O artigo de hoje: A dra. Catarina Martins anda numa fona a visitar escolas e outras instituições afetadas pelos cortes na despesa pública (perdão, cativações). E a pedir ao governo para explicar os planos que tem para evitar vergonhas como a do encerramento da Escola Alexandre Herculano, no Porto.
A sério? Então a dra. Catarina e o seu Bloco de Esquerda acordaram agora? Quando os analistas e a comunicação social andavam a denunciar as referidas cativações, não percebeu que havia escolas a cair, médicos a dar consultas protegidos por guarda-chuva e crianças a tiritarem de frio nas escolas? Chega de hipocrisia, meninos do Bloco de Esquerda. Que vergonha!