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BandaLarga

as autoestradas da informação

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as autoestradas da informação

Na CAIXA é preciso sangrar para depois singrar

O PCP e o BE estão perante um cenário que só é novo para eles. A CAIXA vai fechar balcões e despedir 2 500 pessoas.

Os próprios sindicalistas do banco público nunca tiveram dúvidas.

O BE está preocupado mas não adianta o que pensa fazer . Claro que protestar sempre pode protestar mas está preparado para mais um sapo dos gordos que terá que engolir.

Quanto ao PCP a sua preocupação é que nos lugares onde os balcões da CAIXA fechem, abram os balcões da banca privada. Se assim for (o que me parece pouco provável atendendo a que o principal critério para o fecho é o económico) era bem bom para as populações que teriam sempre à mão um balcão bancário. Mas para os comunistas isso não é importante . A privada é que é o diabo...

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A privatização da CAIXA pela mão do PS

Há coisas do caraças e a situação da CAIXA é uma delas. Com a venda a privados de títulos que se podem transformar em capital - caso de necessidade por acumulação de prejuízos que é uma coisa do caraças mas habitual na CAIXA .

A Caixa Geral de Depósitos revelou quase dois mil milhões de perdas. Em grande medida, o prejuízo resulta de empréstimos irrecuperáveis, feitos durante os consulados de Sócrates como primeiro-ministro. As notícias dizem que o PS desvaloriza as perdas. O contribuinte que as pague. O banco do Estado tem sido o banco da oligarquia política.

Em Bruxelas é que isto não passou despercebido e vá de se lembrarem de mais uma coisa do caraças . Se a CAIXA não se portar bem os privados da CAIXA vão ter que defender o seu dinheiro e isso vai dar um escarcéu do caraças.

Sim, porque é que Bruxelas exigiu a participação de dinheiro privado na recapitalização da CGD se não para segurar a mão invisível e sôfrega do estado ?

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Ó Arménio, pá, querem fechar metade da CAIXA !

E, é claro, que os balcões que vão fechar são aqueles dos lugares despovoados , sem viv' alma , abre os olhos ó camarada. Os mesmos lugares onde fecharam os balcões dos CTT ( que faziam serviço público) e fecharam os centros de saúde, as maternidades, os tribunais e as escolas, ó Arménio. Que te indignaram e te levaram para a rua em manifestações populares e espontâneas...

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O aumento de capital da CGD, ou como se vende gato por lebre.

Rui Mendes Ferreira

 

Uma parte do aumento de capital da CGD vai ser feito através de emissão de Obrigações Subordinadas.

Para os menos conhecedores, estas obrigações, são classificadas de altíssimo risco. Serão títulos sem o menor dos direitos, sem garantia alguma de retorno, nem reembolso, nem garantia de capital, nem sequer parcialmente. Mas que irão ser vendidos, com a mensagem de serem do "banco público", e como tal um produto de altíssima confiança, segurança, e credibilidade".

Para atrair "investidores", o governo está a prometer o pagamento de elevados juros. Ou seja, a velha técnica da venda da "galinha gorda por pouco dinheiro".

Entretanto, o jornalista de assuntos económicos, da SIC, José Gomes Ferreira, já veio a público alertar os cidadãos, para não colocarem de forma alguma, as suas poupanças, na compra destas obrigações, pois a probabilidade de ficarem se nada é quase garantida. Disse até que isto se assemelha a mais um "conto do vigário", feito para "enganar velhinhos e velhinhas"

De imediato, representantes do governo e da CGD, mostraram-se altamente ultrajados com as palavras de JGF, e vieram a público, tentar contradizer JGF, alegando que a CGD não irá vender estas obrigações ao público em geral, mas somente a "Investidores Institucionais".

Garantindo assim, que desta forma, que não estão a tentar enganar ninguém do povo comum, e que assim sendo, podem ficar tranquilos, que se algo correr mal, as perdas e prejuízos, não ficarão nos bolsos dos clientes particulares do chamado "retalho" da banca comercial, mas sim nos agiotas e gananciosos, dos tais Investidores Institucionais.

Pura ilusão, e nada mais errado. Vou tentar explicar:

É um facto que o cliente de retalho, particular, não irá poder comprar tais obrigações. Não de forma directa. Mas irá acontecer de forma indirecta. Os chamados Clientes Institucionais, vão ser os bancos onde temos as nossas contas e poupanças, e onde iremos aplicar parte dos nosso depósitos. Serão os fundos de investimento, que investem as nossas poupanças. Serão as seguradoras, através dos nossos PPR`s e os fundos de pensões, onde estão os nossos descontos para planos de reforma.

Perceberem como é que estas obrigações vão acabar todinhas, de forma indirecta nos bolsos do cidadão comum?

Desta vez, a vigarice desta vez, está um pouco melhor montada que a que se passou com a venda de obrigações e acções do BES e do grupo ES. Mas o que lhe está subjacente é exactamente a mesma base. Andam e vender gato por lebre, mas como não agora já não o podem fazer de forma directa, por causa da vigilância apertada do BCE, estão a recorrer a entidades institucionais, para fazer passar a burla, devagarinho, até a conseguirem fazer chegar aos bolsos do povo comum.

Pelo meio, os ditos investidores institucionais, irão cobrar umas suculentas taxas de intermediação, por ajudarem o governo e o Estado a chutar os custos dos actuais e agora também dos futuros buracos da CGD para os bolsos do povo, e devagarinho e sem que os clientes de retalho dos bancos se apercebam, ou seja o normal cidadão que possui algumas poupanças, acabam por comprar unidades de participação em fundos mistos, múltiplos, PPR`s, unidades de participação, aplicações financeiras, onde estas obrigações de altíssimo risco e sem direito a qualquer garantia de reembolso nem capital garantido, nem mesmo parcial, irão ser colocadas, com pezinhos de lã, ocultadas e dispersas entre muitas outras, sendo esta a forma "indirecta" de as colocar nas mãos dos privados, e tudo isto conseguido sempre com a promessa de pagamento de juros e ganhos altíssimos.

E depois, quando as ditas obrigações derem para o "torto", e passarem a valer menos que lixo, e a probabilidade de tal acontecer, é elevadíssima, essas perdas serão repartidas por todos esses veículos e formas indirectas de investimento. O capital que alguns de vós tenham investido em PPR`s, fundos de pensões, seguros de vida, fundos mistos, fundos obrigacionistas, e outros do género, irá ter uma desvalorização, na exacta proporção que as ditas obrigações subordinadas da CGD possuem, no mix que compõem a carteira desses.

E que irão dizer depois os vossos gestores de conta, os gerentes das agências bancárias, com que trabalham? Irão simplesmente dizer que o fundo teve uma "ligeira desvalorização", fruto do desempenho dos mercados, ou da carteira dos investimentos, etc. etc. Mas na prática, o que aconteceu, é que com pezinhos de lã, foram tosquiados, com mais uma factura da CGD.

Mas nem tudo é mau. Pois, pelo menos desta vez, não serão os contribuintes a ter que pagar esta tranche da factura dos futuros buracos da CGD, mas sim, os tais incautos, a quem JGF chamou de "velhinhos e velhinhas". Mas quem não estiver atento, quando coloca alguma poupança num banco, numa conta a prazo indexada a fundo de investimento, numa subscrição de unidades de participação, num seguro de vida com reembolso de capital, num PPR, ou outras formas de poupança e investimento, irá acabar a fazer parte do tal grupo de "velhinhos e velhinhas", independentemente da idade que tenha.

É assim que funciona, e vai ser assim que se irá passar. Limpinho limpinho. Vai uma aposta?

Depois não venham dizer que não sabiam, que foram "lesados" e que querem o vosso dinheiro de volta, pois garanto-vos que desta vez, não o irão nunca conseguir receber.

Espero que tenham percebido, pois eu tentei explicar.

Offshores - Esqueçam a CAIXA

Rui Mendes Ferreira

Com algum atraso, é certo, mas prometido é devido

Offshores Parte II

No seguimento do meu anterior artigo, sobre este assunto.
Uma vez mais, chamo a atenção que somente procurarei apresentar informação e factos, e tentarei unicamente, explicar um pouco, às pessoas menos conhecedoras destes assuntos, como se processam estas coisas, o que está convencionado, e o que é legal e o que é ilegal. Nada mais. A parte mais subjectiva de opiniões, e respectivas análises, políticas ou de outra natureza, irei deixar ao critério de cada um.
Muito se tem falado dos valores transferidos para “Offshores” durante o anterior governo. Mas vamos lá então analisar os números, desde que existem registos oficiais destes movimentos:
De 2009, até à queda do governo de José Sócrates, e entrada em funções do governo de Passos Coelho, os registos na Autoridade Tributária, apresentam as seguintes saídas: 2009-1100 milhões de euros, 2010-3000 milhões de euros, e até meados de 2011-4600 milhões de euros, para um total de 8700 milhões de euros. Dos quais temos que ressalvar o seguinte: não conseguiu encontrar valores relativos a 2008, nem estão incluídos nestes valores os capitais saídos através de transferências pelo Offshore da Região Autónoma da Madeira, pois antes de 2012 não eram incluídos, e em 2008 , por não ser ainda obrigatório, o então governo de José Sócrates, não manteve registos destas operações, ou se as manteve, não as divulgou. Temos então um total de 8100 milhões de euros, só em 3 anos, sem a Madeira, sem 2008, e sem que se tenha ainda confirmado se durante estes anos, já existia o problema informático que o actual Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais diz estar na base das falhas encontradas referentes aos valores de 2012 a 2015.
Quanto a valores referentes ao período do governo de Passos Coelho encontramos os seguintes: 2012-990 milhões, 2013-1180 milhões, 2014-120 milhões, para um total de 2290 milhões. Tendo entretanto estes valores sido corrigidos em mais 9800 milhões, referentes aos anos de 2015, e já com as correcções feitas aos erros encontrados por motivos informáticos, segundo versão do actual Secretário de Estado, para um total de 12.090 milhões de euros, e já com 4 anos totalmente incluídos.

Entretanto, também estes valores já foram objecto de novas correcções, face à detecção de problemas informáticos, que de acordo com o actual Secretário de Estado, estão na origem de nem todas as operações terem sido reportadas ao governo. Também já conseguimos saber, que os valores em falta no reporte, se devem, uma vez mais, a pagamentos de importações, e a repatriamento de capitais de empresas estrangeiras a operar em Portugal.

Uma vez mais, também aqui, até ao momento, ainda não existe qualquer confirmação, se tal também aconteceu durante o período do governo de José Sócrates, pelo que só podemos aguardar até que tal esteja devidamente verificado.

Ora se compararmos os capitais movimentados através de Offshores entre o período de José Sócrates e o período de Passos Coelho, nos primeiros 3 anos de cada um, foi no tempo de Sócrates que mais capitais saíram, com a agravante de não estarem lá incluídos, ainda, os movimentos do Offshore da Madeira, nem sabermos ainda, se durante os anos de 2008 a 2011, já existia o problema informático que entretanto foi detectado. Logo, os números reportados ao governo de Sócrates, serão sempre muito superiores aos 8700 milhões que para já estão registados.

Quanto aos mais de 9 mil milhões detectados adicionalmente, saídos durante o governo de Passos Coelho, mais de metade deste valor, é referente ao pagamento por parte da Altice, aos brasileiros da OI, para a compra da Portugal Telecom. Não são capitais nacionais, mas sim franceses, que entraram e saíram, e foram depositados numa conta em regime de Offshore, por indicações da empresa brasileira. Retirando este valor, ao total, do período da governação de Passos Coelho, o valor correcto deverá ter andado pelos 7200 milhões de euros, por 4 anos, que comparam com os mais de 8700 milhões só de 3 anos da governação de Sócrates, e sem os valores do Offshore da Madeira, e sem a verificação pela AT se os valores reportados estão correctos ou se tb apresentam omissões devido a problemas informáticos.

Mesmo adicionando os novos valores já corrigidos, na realidade, iremos ter sempre valores nas duas governações, muito idênticos, considerando o mesmo número de anos, para cada um das partes.

Como podem ver, as questões dos valores, e sobre quando e como saíram mais capitais, em boa verdade é até negativa para o governo de José Sócrates. Mas tudo isto, é um assunto irrelevante, pois tal como anteriormente referi, o que interessa é sabermos se a AT, quer para os valores da governação de Passos Coelho, quer para os valores da governação de José Sócrates, fizeram a sua função, para a qual, nós contribuintes lhes pagamos.
Todo o resto, é fumaça e espuma, jogos e demagogia política para entreter e enganar o Zé Povinho. E sobre a AT ter ou não feito o seu trabalho, até ao momento ninguém nos informou absolutamente nada.
Nota: Nos registos de saída de capitais, verifiquei que mais de 90% são pagamentos das nossas importações. Por exemplo, as importações que fazemos da China, os pagamentos são remetidos para contas sediadas no Offshore de Hong Kong, e é assim, por indicação dos fornecedores da própria China. Não há nada de ilegal nisto. Há uma factura de compra, e Portugal limita-se a pagar e a depositar onde o fornecedor internacional dá indicações que pretende receber.

O mesmo se verifica quanto às nossas importações de petróleo. A Galp recebeu as facturas, e fez o pagamento para as contas nos locais que os seus fornecedores indicam. O mesmo se verificou com as nossas compras de milho e trigo aos Estados Unidos, onde recebemos as facturas, e pagamos onde o fornecedor mandou depositar, que na maior parte dos casos é no Panamá. E foi assim, é assim, e continuará a ser assim que se irá processar, nos pagamentos em tudo o que Portugal importa. O cliente somos nós, e temos que pagar ao fornecedor, depositando os montantes, nas contas que o fornecedor nos indica.
Outra grande parcela são capitais detidos por estrangeiros, e que optaram por sair do país. Também aqui, nada de ilegal existe. Um exemplo: a Auto Europa exporta para todo o mundo, e ao receber dos seus clientes, simplesmente transfere esses capitais para as contas da casa mãe, e onde quer que tais contas estejam sediadas. Desde que paguem os impostos devidos, são movimentos perfeitamente normais.
O ideal, seria, pois, que as nossas governações criassem um país e um regime legal e fiscal atractivo para que os donos esses capitais, ou parte deles, sentissem segurança e confiança e benefício em os reinvestir no nosso país, mas sobre isto, nada temos feito, e também já vimos que não será com o actual governo que o iremos fazer.
Para recapitular, a montanha na realidade e em rigor, pariu um rato, e capitais nacionais, saídos para o exterior e com fuga ao fisco, caso existam, são com toda a certeza valor muito baixos ou mesmo irrelevantes. Mas, se algo devem devem pagar, que sejam obrigados a pagar, mas isso é trabalho e responsabilidade da AT.

Mas se eu fosse governo, não contaria com estes valores para ajudar ao deficit, pois com toda a certeza, que não darão nem para pagar os custos de uma semana das 35 horas semanais na função pública. Vai uma aposta? ;)

É um assunto, que é sempre bom, ver ser, correctamente esclarecido e auditado, para que fique tudo devidamente transparente, e sem criar dúvidas junto do povo português, e em especial junto dos contribuintes.

Resumindo, é importante a publicação dos valores entrados e saídos, é. Mas mais importante, é sabermos que a AT tem andado a fazer correctamente o seu trabalho de controlo e fiscalização, e não se o o Secretário de Estado A ou B colocou no portal da AT o reporte de tais valores.

Mas continuo a achar, que tudo isto não passa de uma manobra para retirar a atenção do que se passou na Caixa Geral de Depósitos, e para que o actual governo, não seja obrigado a ter que esclarecer tudo o que por lá se passou e ainda passa, e acima de tudo, para tentarem evitar de dizer ao povo, quem são os caloteiros que roubaram mais de 6 mil milhões de euros à CGD, ou seja aos contribuintes, quem foram os directores e administradores responsáveis por tais empréstimos ruinosos, e feitos à margens das regras prudenciais, e quem foram os governantes que lhes deram cobertura.

Isto sim, é que é um roubo e buraco de enormes proporções, e é sobre estes, que o povo português deveria estar a direcionar toda a sua atenção, e até raiva, e não a movimentação de capitais, de forma legal, reportada e feita pelos seus legítimos donos, e que na melhor da hipóteses implicará valores devidos ao fisco a que até o Jorge Jesus diria serem "peanuts", e para os quais, existe na AT gente devidamente competente para tratar de encontrar e receber tais valores que possam eventualmente estar em dívida.

Mas pelo que vou vendo, lendo e ouvido, uma vez mais, o zé povinho, que nem uma criancinha, prefere beber a espuma e deixar o líquido no copo.

Espero ter conseguido explicar este processo, os números envolvidos, e a informação correcta que está por detrás destes valores.

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A grande fraude vai repetir-se na CAIXA

Bem me lembro de ter estranhado que o relatório do BPI sobre o BES não ter tido consequências. E lembro-me que o BES andava a vender aos seus balcões aplicações no GES. E também estranhei que os clientes embarcassem na tramóia.

É que agora está a nascer uma batota igual. A CAIXA vai ter que arranjar mil milhões de euros no privado para realizar uma parte da recapitalização . E, como já é evidente, também vai vender os títulos aos seus balcões aos seus clientes. Com um juro de 5/6% vai ser uma fartura de interessados. E se a taxa referida não chegar a CAIXA até pode oferecer uma taxa pornográfica de 10%. Ajuda a fazer as contas. As velhinhas que têm lá os seus depósitos irão na conversa . Como foram anos seguidos na conversa do Ricardo...

Mas trata-se do estado, o Presidente da República já anda a ajudar a festa como os anteriores ajudaram na fraude do BES. Não há nem havia qualquer risco, está tudo sólido . Depois as velhinhas ficam sem o dinheiro, e os sabichões manipuladores vão arranjar desculpas vergonhosas.

O verdadeiro escândalo da CAIXA está na sua gestão

É mais que óbvio que estamos perante uma campanha organizada no sentido de encobrir o verdadeiro escândalo da CAIXA . Os empréstimos que geraram as imparidades de milhões.

Há um impaciente ruído à volta das transferências para off shores que começaram por ser vendidas como se de uma fuga ao Fisco se tratasse .Hoje já se sabe que foi tudo feito dentro das regras com excepção de não se ter feito uma publicação . Se é só isso é pouco, muito pouco, para tanto barulho, terá que haver lá para trás outro(s) motivo (s). Quais ? Eis o que devia mover os políticos.

Encobrir o esforço hérculo dos cidadãos nos anos da troika enquanto  os milionários colocavam o dinheiro lá fora . Mas o problema é que esse dinheiro é na sua maioria de estrangeiros a viver cá e que se apressaram a colocar o seu dinheiro em lugar seguro.

No que ninguém acredita é que foi por esquecimento a não publicação. Mas ainda mais estranho é que o actual governo no ano e dois meses que leva de governação também não se lembrou . Guardou o trunfo para o lançar agora para abafar os escândalos da CAIXA ?

É preciso que venham a público a lista de devedores da CAIXA e a lista das transferências para os off shores não publicadas. A partir daí a análise vai permitir as coincidências no tempo com negócios pouco limpos, os amigos envolvidos e as verdadeiras razões de tanto barulho acerca de uma simples comunicação pública que não foi feita.

Começou por ser uma fuga em massa ao Fisco e nessa pós-verdade alinharam em coro, governo, apoios parlamentares e comunicação social. É este o escândalo. Que foi aproveitado pelo primeiro-ministro para atacar a oposição e fugir ao debate sobre a Caixa (que se recusa a divulgar a quem emprestou dinheiro que não conseguiu cobrar…). Mas há mais: a ‘notícia’ tinha quase um ano, já tendo saído no Público em abril de 2016. Este tempo parece-se cada vez mais com o de Sócrates. Os métodos são os mesmos.

O que é que a CAIXA tem ?

 

Uma ameaça aos ladrões

Publicar a lista dos devedores milionários da CAIXA só é ameaça aos ladrões diz Pedro Ferraz da Costa ex- Presidente da CIP.  

Por um lado defende-se o acesso do Fisco às contas bancárias mas por outro nega-se a publicação dos devedores da grandes contas na CGD . Não foi a Mariana Mortágua que disse que quem não deve não teme ? Mas agora a divulgação dos nomes dos devedores milionários é para o Banco de Portugal uma séria ameaça ao sistema financeiro.

Claro que o Banco de Portugal também está preocupado pois foi quem fez o controlo e não viu nada. Aliás, Constâncio, segundo o actual Presidente para a Competitividade transformou o BdP num gabinete de estudos e estatística.

Uma das teses que correm é que António Domingues queria fazer uma limpeza total e rápida da situação da CAIXA e que foi por isso que se montou todo aquele problema à sua volta e que o levou à demissão . E Macedo fará a limpeza ? É capaz, mas devagarinho , sem fazer muitas ondas, a população não tem que ter informação, basta pagar .

Os devedores da lista oculta da CAIXA são os mesmos da lista oculta das off shores ?

Parece que grande parte da lista oculta dos off shores tem origem naquele negócio limpinho, limpinho da PT . Parece, porque a lista dos proprietários do dinheiro não aparece. Tal como a lista dos maiores devedores da CAIXA . A verdade é que quando se trata de muito dinheiro a transparência não é nenhuma.

O que mais me preocupa é que os que criticam a não publicação da lista dos off shores são os mesmos que acham que a publicação da lista dos milionários devedores da CAIXA não deve ser publicada. Num caso o sigilo é virtuoso no outro caso é uma devassa. Quem quer ser cura numa freguesia destas ?

É que cá em Portugal é sempre assim . Coerência nem vê-la, o que é verdadeiramente importante não é a transparência e o interesse nacional é mais a cor da camisola . Se é dos nossos está tudo bem se não é está tudo mal. E cá vamos cantando e rindo, levados, levados sim...

É que sabendo quem são os devedores relapsos da CAIXA muita coisa se saberá quanto aos negócios ruinosos do estado, aos favores com muitos zeros . Se tomarmos conhecimento de quem são as transferências não publicadas cheira-me que vamos lá encontrar muita gente que também consta da lista dos devedores da CAIXA. É o que se chama uma farturinha ...

 

O caso da CAIXA é o caso do regime

António Barreto : Um processo aqui, um caso de corrupção ali, uns empréstimos sem retorno, uns favores a amigos, uns assaltos a empresas, algumas manipulações do mercado, umas transferências para offshores, muita mentira e uma prodigiosa incompetência fizeram da "jóia da coroa" o que ela parece hoje e que faz com que os políticos tenham receio do pântano. Fica-se cada vez mais com a impressão de que o caso da Caixa é o caso do regime: tudo anda ligado, da política à banca, da PT aos telemóveis, das águas aos petróleos, da electricidade à celulose, do BES ao Banif, do BPN ao BCP... Podem fazer-se todos os inquéritos imagináveis, ficará sempre algo de fora, aparecerá sempre, à última hora, novo facto inesperado que permita negociação futura e ocultação passada. Debaixo de cada pedra há lacrau ou veneno. E muitos parecem interessados em esconder e esquecer. Mas acrescentam sempre qualquer coisa.