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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Dívida pública sobe, sobe sem parar

A única razão que tem segurado os juros da dívida portuguesa é o programa de compra do BCE que não é eterno . E, com o nível de dívida que temos isso, será um enorme problema .

A dívida pública de Portugal está entre as maiores do mundo e a redução anunciada é a da percentagem da dívida face ao PIB e não do montante absoluto, que continuará a subir. Isto porque é o PIB que cresce e não a dívida que diminui. 

Também o Commerzbank, numa nota aos investidores, alertou esta semana que  «só graças à política de juros baixos do BCE é que são suportáveis os custos da dívida». A análise do economista Ralph Solveen aponta que  «crescimento robusto deve continuar nos próximos trimestres» - o banco alemão prevê 2,5% este ano e 2% no próximo - taxas que vão «ajudar a compensar o impacto do aumento da despesa pública e reduzir o défice e o rácio da dívida pública». Mas quando as taxas de juro subirem Portugal caminhará para ser «um dos países que mais vão sofrer com isso».

O banco central já é dono de quase um terço de toda a dívida », diz Marcus Answorth, acrescentando que «os progressos na economia têm sido bons, mas não suficientemente bons para começarem a abater neste impressionante fardo de dívida».

Portugal deve agradecer ao Banco Central Europeu

Quase um terço da dívida portuguesa está nas mãos do BCE que assim tem segurado as taxas de juro e a tem mantido nos mercados. Também é para isto que Portugal está na Zona Euro e na União Europeia. Fora há muito que a situação seria insustentável.

"Com um rácio de dívida, em percentagem do PIB, bem acima de 125%, o fardo da dívida é claramente insustentável, não fosse o apoio incondicional por parte do banco central. Agradeçam ao BCE”, escreve Marcus Ashworth.

"Os progressos na economia têm sido bons, mas não suficientemente bons para começarem a abater neste impressionante fardo de dívida”

O colunista, especialista em mercados financeiros, considera que a recente baixa das taxas de juro no mercado — já a descontar a hipótese de as agências de rating subirem a notação — é “mais o resultado da escassez relativa de títulos do que uma qualquer transformação económica súbita”.

Sem o apoio do BCE estaríamos perante uma situação insustentável. Será por isso que PCP e BE não escondem o azedume. Lá se foi o plano em preparação para a saída do Euro ou para a renegociação da dívida.

Razões para a saída do "lixo "

Foram seis anos no "lixo", é natural que o país depois de tantos sacrifícios e de melhores contas públicas, saia do "lixo". Mas ainda assim foi uma surpresa.

O que parece é que está cada vez mais próximo o fim do programa de compra de dívida por parte do BCE, que tem sido o principal suporte dos juros baixos . Ora uma boa maneira de manter os juros baixos, retirando o BCE de cena, é justamente elevar a dívida acima do "lixo".

Alemães e Draghi há muito que andam de costas voltadas por causa da política de compra de dívida do BCE que inunda os mercados de dinheiro sem conseguir fazer subir a inflação para 2%. A tal ponto que os alemães já colocaram o assunto no Supremo Tribunal .

E a questão é saber o que vai acontecer quando esse mar de dinheiro for retirado dos mercados. Ninguém sabe e por isso o BCE já iniciou há alguns meses a redução dos montantes comprados, especialmente a Portugal.

Ora, se não fosse esta compensação ( BCEversusS&P) os juros a pagar por Portugal podiam regressar a níveis proibitivos.

Aqui está uma boa razão para esta agradável surpresa.

Portugal tem o maior peso do custo dos juros no PIB

E, mesmo assim, graças ao BCE poupou uns 10 mil milhões em juros desde que se iniciou o programa de compra de dívida.

Existe o risco crescente que a confiança na sustentabilidade das finanças públicas dos países sofra uma erosão assim que as taxas de juro subam, o que ameaça colocar pressão sobre a política monetária para responder a este problema, afirma o Bundesbank. E teme que os países mais endividados da região tenham dificuldades em cumprir o serviço da dívida quando as taxas de juro começarem a subir.

Nas várias estatísticas que publica no seu boletim mensal, o Bundesbank coloca Portugal como o país da Zona Euro onde o custo com pagamento de juros tem um maior peso no PIB, o que aliado ao elevado peso da dívida (acima dos 130% do PIB) coloca o país como um dos mais vulneráveis a um aumento dos juros por parte do BCE.

O peso dos custos com juros até baixou em 2016 para o equivalente a 4,24% do PIB, mas é o único país do euro onde o rácio permanece acima dos 4%.

Após quase dois anos deste governo as ameaças continuam a ser muitas e graves. Mas parece que quem diz isto não é patriota.

 

Os anjos da guarda

A DBRS que nos mantém acima do "lixo" e assim permite ao país beneficiar do "Quantative Easing" do BCE - outro anjo - tem sido bem benévolo para Portugal atendendo ao seu comportamento com outros países. Se seguisse apenas as medidas e objectivos quantificáveis, a sua percepção quanto à nossa dívida seria igual às outras agências. Lixo.

E é mesmo possível estimar quanto é que esta subjectividade ajuda o rating português: entre 2010 e 2016 ela reforçou-o, em média, num nível. Ou seja, pelo menos durante grande parte desse período, foi essa subjectividade que permitiu manter Portugal fora da classificação "lixo".

Convinha que por cá se abrandasse a euforia, as coisas não são como as pintam. Lá fora há muito quem tenha sérias dúvidas sobre a sustentabilidade do modelo de governação. E as restantes agências de notação financeira recentemente não melhoraram a visão que têm sobre Portugal. Não podem estar todas erradas ou juntas em campanha contra a novel "tróika" - PS, PCP e BE.

E assim como quem não quer a coisa saltaram com estrondo - do PCP e do BE - as cativações que foram enganando alguns cá dentro mas que não enganaram as agências que cedo perceberam como se baixou o défice. 

O mais baixo de sempre . Pois...

Por onde andam as vozes da desgraça ?

O PCP até tinha afivelada uma campanha para preparar o país para a saída da Zona Euro. Entrou mudo e saiu calado. No Brexit as vozes da desgraça subiram de tom. Era agora. Não foi, pelo contrário a Zona Euro está a crescer e a fortalecer-se.

O BE também achava natural que o país se preparasse para uma eventual saída do Euro . Era o tempo do milagre Siryza e do Podemos . E apareceram os estudos sobre a saída do Euro e logo aí se viu que as soluções propostas empobreciam o país de forma definitiva.

Mário Draghi, o presidente do BCE, em Sintra, sublinhou que as vozes da desgraça "são agora sussurros que mal se ouvem" .O fim do Euro era um desejo manifestamente exagerado.

É necessário que o caminho a trilhar não se desvie da direcção certa, com uma economia robusta, a sustentabilidade das contas públicas e o olhar no futuro.

A maioria silenciosa está onde sempre esteve. Com a União Europeia e a Zona Euro.

 

O crescimento está de volta na Europa

Pela primeira vez em muitos anos o crescimento na Europa é superior ao dos Estados Unidos . Isto vai levar à retirada dos estímulos do BCE (compra de dívida) . Fica a inflação que ainda não chegou aos 2% objectivo do banco central europeu.

Assim, prevê que o processo de retirada de estímulos seja anunciado em Setembro e comece a ser executado em Janeiro. O que vai ter fortes consequências nos próximos dez anos .

As taxas de juro estão historicamente baixas mas vão ter que crescer . E como investir num cenário de mais crescimento, subida da inflação e menos apoio do banco central? "Comprar imobiliário na Península Ibérica".

Devem ser estes os tais constrangimentos de que fala a extrema esquerda

BCE mantém a taxa de juro em 0% e o programa de compra de dívida até ao fim do ano ou mesmo para além desse limite se tal for necessário. Claro que os mercados reagiram positivamente com a taxa de referência a 10 anos a recuar para mínimos e as expectativas económicas a melhorarem. Tudo isto ao contrário do que dizem os que querem sair da União Europeia e da Zona Euro.

Os constrangimentos de pertencermos à Zona Euro de que falam o PCP e o BE devem ser estes. A União Europeia empresta o dinheiro, manda para cá 353 mil milhões em subsídios não reembolsáveis, segura os credores e os mercados e ajuda à consolidação das contas públicas.

A inflação ainda não está na medida certa (2%)  mas é um objectivo que o BCE prossegue . Para já está afastada a deflação um buraco negro que nos atormentou mas que o BCE afastou. Tudo constrangimentos europeus impostos a este país onde as manhãs cantariam . Assim vamos melhorando à boleia do crescimento dos países europeus para onde exportamos.

“É verdade que o crescimento está a melhorar, que as coisas estão a ficar melhor”, afirmou o presidente do BCE perante os jornalistas esta quinta-feira. E acrescentou: “Em 2016 estávamos a falar de uma recuperação frágil e desigual. Agora é sólida e abrangente“.

Já esta quinta-feira, o INE divulgou dados que mostram que a confiança dos consumidores portugueses avançou em Abril pelo oitavo mês seguido para o valor mais alto em quase 20 anos. Também na Zona Euro os dados são positivos, tendo a Comissão Europeia, também esta manhã, revelado que a confiança de consumidores e empresários no bloco do euro cresceu em Abril para máximos de quase 10 anos.

Tudo constrangimentos, bom, bom, era estarmos fora da UE e juntarmo-nos aos BRIC como defende o João Oliveira, chefe da bancada do PCP na AR.

O BCE não salva apenas os países do sul...

Com as boas notícias do défice até esquecemos a maior dívida pública de sempre em Portugal. Tudo graças à ajuda impagável do BCE, que em bom tempo veio em nosso auxílio. 

Com a taxa da inflação a descer para menos de 2% na Alemanha desejada pelo banco central, a Alemanha poderá diminuir a pressão sobre o BCE para que este proceda à normalização das políticas monetárias. O BCE poderá então prosseguir o seu objectivo de manter o euro fraco e fomentar o crescimento económico na Europa, afastando o aumento das taxas de juro e a desaceleração da compra de activos pelos menos até às eleições em França e na Alemanha.

Este apoio à manutenção no poder dos partidos moderados nas principais economias da Europa, visa evitar mais instabilidade política provocada por partidos populistas que poderão por em causa a União Europeia ou até mesmo a moeda única . Na Holanda correu bem e até poderemos esperar um Brexit mais brando .

Ultrapassadas as eleições na França - factor decisivo - as eleições na Alemanha já serão um micro evento entre Merkel e Schulz que não assusta .

O problema para Portugal é se a partir daí o BCE iniciar a normalização da política monetária. Isso sim é que nos deve assustar .

PS : Ler no Expresso - Paulo Barradas

 

No melhor pano cai a nódoa

A Zona Euro está a atravessar o melhor momento na economia depois da crise. Apesar disso a actividade económica em Portugal pode desacelerar ou mesmo contrair nos próximos seis a nove meses segundo a OCDE. E é nisto que andamos quando não se tomam medidas estruturais e os parceiros do governo exigem despesa pública .

Depois da reversão de várias medidas tomadas pelo governo anterior o governo corre atrás do prejuízo.

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