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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Antes e depois do euro

Portugal pagava taxas de juro de dois dígitos e agora paga 4% .O problema é que a dívida cresceu irresponsavelmente e o problema é o mesmo. Uma factura que a débil economia, a crescer a 1,4%, não consegue pagar. Não se fale pois de injustiça.

O Euro deu a países mais pobres e com economias menos robustas acesso a um mercado de financiamento abundante e com taxas de juro muito baixas.

É preciso não esquecer que apesar do efeito “anestesiante” da política monetária do BCE, as taxas de juro a 10 anos de Portugal estão neste momento no limiar daquilo que o país aguenta e que os mercados aceitam. Com as taxas a 10 anos acima dos 4% desde há mais de 4 meses, dificilmente as taxas voltarão a descer desse patamar.

Esse facto coloca duas questões: a primeira é como vão reagir as taxas de juro de Portugal quando o efeito do BCE se reduzir e esgotar? Subirão para valores em torno dos 5%-6%? A segunda é como vai Portugal financiar-se nos mercados em 2018 e 2019, se as taxas subirem para esse patamar dos 5%-6%?

 

  • Desde o início de 2016 que o IGCP não faz um leilão, mas apenas operações sindicadas, denotando insegurança e algum receio face à reação dos mercados.
  • Desde então, os investidores estrangeiros quase desapareceram das compras de dívida pública. Estamos no mercado primário de novo a sustentar as emissões no setor financeiro nacional (e em parte num aumento significativo do retalho) e no mercado secundário com as compras do BCE e do Banco de Portugal, via “Quantitative Easing”.
  • as agências de rating não vão subir a notação de Portugal, pelo que é expectável que esta se mantenha em “lixo” nos próximos tempos. Note-se que a entrevista do ministro Centeno ao Financial Times a semana passada, a queixar-se das agências de rating, é um sinal de desistência.

 

Os avisos que nos são enviados pela Comissão Europeia e pelas outras instituições financeiras não deviam ser ignorados . Factos são factos .

Depois dos sinais os avisos

Do INE vieram os sinais (maus) do 1º trimestre da economia. Perder emprego,  crescimento e exportações. Tudo a confirmar as previsões que não as do governo. Agora estão aí os avisos.

UTAO não encontra explicações bastantes para rubricas e montantes inscritos no Orçamento. Fala em 2 mil milhões o montante que pode estar em falta.

O Presidente da República diz que andamento poucochinho da economia exige tomadas de medidas e revisão das metas " sem alarmismos".

O Ministro das Finanças reconhece o crescimento débil da economia e que são necessárias medidas.

Bruxelas ameaça com sanções e BCE avisa que o programa de compra de dívida portuguesa está a chegar ao fim.

João Salgueiro afirma em entrevista que pode vir a seguir o resgate de três bancos e os banqueiros reúnem-se para falar do colapso dos bancos e da dificuldade em sair da situação.

Não paramos de contrair empréstimos embora isso seja visto " como sermos capazes de colocar dívida". Só pede empréstimos quem não tem dinheiro próprio

Estamos feitos...

 

Primeiro aviso de Bruxelas sobre o Orçamento para 2016

Não há margem para gastar mais avisa Bruxelas. Este é o primeiro aviso . Quando o desastre chegar o PS não venha depois dizer que a culpa é de origem exógena, com epicentro  algures na África ou na América do Sul. E que foi apanhado desprevenido no tsunami entretanto formado.

E há perigos conhecidos mas que podem redundar em mais despesa  Aqui Portugal aparece como o pior caso. Os dados remontam a 2013, mas a Comissão faz questão de assinalar. “Os maiores valores registados são em Portugal e Chipre.” Chipre tem quase 5% do seu PIB em PPP não classificadas dentro do perímetro orçamental. Portugal mais de 5% do PIB. Dá uns expressivos 8,7 mil milhões de euros a preços de 2013. 

Centeno e Costa andam alegremente a distribuir dinheiro não nos dizendo como e onde é que encontrarão receitas .Para já a explicação não convence ninguém . É com "a pele do mesmo cão", isto é, com mais crescimento da economia, para cima dos 3,4%, coisa rara e nunca vista nos últimos 15 anos.

Já vimos este filme várias vezes no passado e o final não foi feliz.

A regra de ouro não é de esquerda nem de direita

Passos Coelho fez um exercício pedagógico dirigido ao país que é raro nele .E quando o faz é mau. Desta vez deixou explicações e avisos claros.

A regra de ouro [que estabelece o princípio de que os défices estruturais não devem exceder 0,5% do PIB] não é uma regra de direita, nem de esquerda: é uma regra que visa condições para que a esquerda, a direita e o centro possam ter projectos políticos diferentes" sem provocar o "desmoronamento do espaço público". Porque "todos os projectos precisam que as contas públicas batam certo no médio prazo".