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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Portugal é o exemplo que a austeridade produz bons resultados

Hoje muita coisa seria feita de modo diverso. "Ir além da troika" não foi avisado. A austeridade podia ter sido mais suave e dessa forma não ter os maus resultados sociais que teve. Fica a experiência.

O chefe da missão que esteve em Portugal reconhece isso mas afirma que a sua missão era aquela e que os problemas sociais eram da competência da União Europeia. Pode ser que sim mas alguma coisa falhou.

Portugal é hoje o exemplo de que a Europa e a Alemanha precisam para demonstrar que austeridade produz bons resultados a médio-prazo e que é compatível com um Estado com políticas sociais e capacidade para gerar emprego. Obviamente, há muitos factores externos a beneficiar o actual momento, mas a União Europeia alimenta-se sobretudo de números e de percepções passadas aos mercados.

Pressionado pelas metas da UE e pelas exigências de dois partidos visceralmente contra a UE, Centeno conseguiu cumprir embora à custa de um menor investimento público acompanhado por um menor investimento privado cujas consequências poderão ser desastrosas no crescimento da economia.

E se assim for a dívida ao nível a que está não é sustentável. Estamos longe de um mar de rosas.

E é preciso não esquecer que alguém baixou o défice de 11% para 3% no primeiro ano da austeridade...

 

 

Em concreto este governo esconde-se no abstrato

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 Este governo abriu, honra lhe seja, uma nova forma de austeridade. Não acabou com a austeridade, longe disso, mas mudou-lhe a natureza.

Amortiza a dívida mas em contrapartida não paga aos fornecedores . Somos, logo a seguir à Grécia ( quem havia de ser) o Estado que mais tarde paga aos seus fornecedores. Assim também eu seria o Ronaldo das finanças...

E para quem não sabe ou não quer saber, mas eu digo na mesma, só esse atraso corresponde a pelo menos meio ponto percentual no crescimento da economia. Já para não falar nos mortos pela Legionella num Hospital público por falta de manutenção e limpeza .

Nas cantinas das escolas públicas ( 48 escolas já se queixaram) a alimentação é abaixo de cão, o Estado paga 1,10 Euros por aluno . Mas está bem de ver, nós temos um ministério que trata dos problemas dos professores e não da Educação e dos alunos. 

A Geringonça chegou de mansinho, sem nos dar conta, assentou e envolveu tudo e todos com o seu manto de silêncio. Ao fim de dois anos levantou e deixou ver o que encobriu. É da sua natureza.

A irresponsabilidade de dizer que a austeridade acabou

Se acabou então paga. É assim que raciocina quem viu o seus rendimentos diminuírem . Professores, enfermeiros, polícias, juízes, e todos os que pertencem à função pública . Todos os outros, os que ainda pagam o enorme aumento de impostos e não têm sindicatos que os defendam, amoucham .

Não há dinheiro, este foi o argumento de António Costa que deu margem para os seus parceiros do governo ameaçarem. "Mas houve dinheiro ( milhares de milhões) para os bancos." Esquecem-se é de dizer que para os bancos foi uma só vez enquanto para a função pública são Xmilhões no primeiro ano, 2Xmilhões no segundo e ... nXmilhões daqui para a eternidade . Para sempre .

É claro, há muito, que quem deita Portugal para a bancarrota ( já por três vezes em democracia) são os políticos, os banqueiros e os grandes empresários que sugam o Estado até ao tutano. Mas não são só eles. 

" Logo abaixo das nossas lastimáveis elites e da sua vocação para a corrupção, há uma série de corporações poderosas, mais a grande massa dos trabalhadores do Estado e dos reformados, que foi crescendo ao longo do tempo por boas e por más razões. Esse Estado, sem profundas reformas, é insustentável. Ele pode ser alimentado durante alguns anos através do crescimento da economia, mas à primeira mudança de ciclo económico o país vai outra vez ao charco. Não é uma questão de “se”. É uma questão de “quando”.

António Costa, o "habilidoso", tropeçou no virtuosismo e caminha rapidamente para um pedido de ajuda externo.

Basta ouvir as exigências de Jerónimo e Catarina .

Os professores agora sabem que a austeridade não acabou

Os professores sentem-se injustiçados e têm razão em relação à sua discriminação pela Geringonça, mas há que lembrar que os nossos profs são os melhor remunerados da OCDE em termos de paridade do poder de compra .
O problema é que ao contrário do governo anterior que sem pensar em eleições dizia que não podia pagar e que a austeridade seria um princípio geral para vigorar, este governo faz de conta que pode pagar e mente dizendo que a austeridade acabou...

E, agora, os sindicatos já querem mudar a luta da rua para o Parlamento onde precisam do PSD para votar a favor face ao chumbo do PS .

A vida às vezes é tramada...

A austeridade que atinge a PSP é má de mais

É mau de mais para ser verdade o que o orçamento dedica à PSP. A gente sabe que a actual austeridade é boa mas, esta, nem nos tempos da troika. Confuso ? Só se andar distraído .

"Lembro-me que em 2011, quando veio a crise, nos pediram para fazer mais com menos. Agora é querer que façamos mais com nada. Dizem que a crise acabou, mas alguém se esqueceu de avisar a PSP. Nem nos piores anos da Troika a PSP esteve tão mal."

Mais de metade das viaturas estão inoperacionais e o efectivo reduziu-se em 1 000 agentes mas o orçamento não contempla verba para reposição e manutenção .

"Não prevejo nada de bom. As pessoas não têm noção do drama que vivemos todos os dias, com falta de pessoal, de meios. Mais de metade da frota automóvel está inoperacional e o policiamento de proximidade faz-se com viaturas emprestadas pelas autarquias."

Mas PCP, BE e PS não desarmam nas exigências a favor das suas clientelas eleitorais.

A boa austeridade mata

Rui Mendes Ferreira

8 h ·
 

Pensamento do dia:

A "boa" austeridade, mata.

Em 2014, foram infectadas 375 pessoas por "Legionella", das quais 12 viriam a falecer, vítimas da infecção, com origem em empresas do sector privado.

Hoje, temos umas dezenas de casos reportados, com duas mortes já confirmadas, vítimas de "Legionella", tendo o foco infeccioso, tido origem dentro do próprio hospital, público, onde supostamente estas infecções, deveriam ser debeladas.

A Ordem dos Médicos, entretanto, publicou hoje mesmo, um comunicado oficial, onde reporta que estas infecções no hospital S. Francisco Xavier, se devem aos cortes feitos pelo actual governo, nas despesas orçamentadas para as rubricas de trabalhos de manutenção e reparação.

Sobre estes factos, nem uma palavra se ouviu nem da parte de quem governa, nem dos partidos que apoiam o governo. É o mais absoluto silêncio.

Mas, face ao já habitual procedimento e miserável e hipócrita conduta, da parte de quem nos governa, assim como da parte dos partidos PS, PCP e BE, assim que alguém tiver a coragem de vir a público criticar, condenar, e exigir responsabilidades pelo que se está a passar no Hospital Francisco Xavier, aposto que iremos presenciar o seguinte:

- iremos ouvir dizer da parte de quem governa e quem lhes dá apoio, que quem critica não tem "direito moral" para criticar seja o que for, ou então que deviam era estar bem caladinhos, pois em 2014 morreu muito mais gente, e em 2017 "ainda só morreram" 2 pessoas, e assim sendo, até estamos é perante uma "melhoria"!!!!!!

- iremos igualmente ouvir, da parte de quem governa, e da parte daqueles que lhes dão o apoio, que: "qualquer menção a estas mortes, qualquer exigência ao governo para dar explicações públicas para o sucedido, e qualquer tentativa de responsabilização de quem governa, é "aproveitamento político".

Vai ser assim, tal e qual. Vai uma aposta?

A tragédia pôs a nu a austeridade escondida

PCP e BE sempre souberam da austeridade escondida como forma de atingir o défice pretendido. A tragédia teria sempre acontecido mas não nas proporções verificadas  bem como as listas de espera na Saúde . Em ambos os sectores a austeridade escondida veio ao de cima com vítimas como nunca aconteceu. "

Há números que valem mais do que mil palavras. A verdade, como aprendemos com a sabedoria popular, vem sempre ao de cima como o azeite. À medida que o tempo passa e chegam os dados, percebemos como é que foi possível repor os salários da função pública e eliminar cortes de pensões e, ao mesmo tempo, reduzir o défice público em 2016. A dimensão dos cortes mascarados de “cativações” ultrapassa o que se fez na era da troika.

Os números foram divulgados pela UTAO (Unidade Técnica de Apoio Orçamental) na análise à proposta de Orçamento do Estado para 2018 e são reveladores da táctica que foi usada para o Governo tornar o que parecia impossível realizável.

A tragédia dos incêndios pôs a nu essa estratégia de cortes já que obrigou a olhar para o Orçamento na perspectiva de um serviço específico. Este Governo dotou a protecção civil com menos recursos financeiros do que aqueles que tiveram na era da troika, como se pode ler neste trabalho do Observador, Fact checks. As verdades e enganos na moção de censura. Nunca saberemos o peso que teve a falta de recursos financeiros no que se passou nos incêndios deste Verão.

A aldrabice que nos venderam

Que a austeridade era uma opção ideológica . "E, sobretudo, que tudo aquilo que foi “vendido” aos portugueses, durante anos, que a austeridade era uma opção ideológica, que não era possível crescer sem investimento público e que não era possível pagar a divida sem a reestruturar, não passava de uma “aldrabice” económica."

A austeridade mantém-se descobriram agora os sindicatos

Pois mantém. Os contribuintes que pagam cada vez mais impostos sabem-no bem. A Administração Pública e os Pensionistas começam agora a perceber que o que receberam como aumentos não resolve coisa nenhuma . Ainda pensaram que era só o inicio mas desiludiram-se. Não há dinheiro e o governo diz que o congelamento dos salários e os aumentos ( a CGTP exige 4%) não cabem no orçamento.

Se o crescimento é poucochinho ( embora nos vendam umas percentagens assim assim mas escondendo o efeito base) estavam à espera de quê ? Não repararam que a dívida continua a crescer ? E que as cativações com a consequente degradação dos serviços públicos já não se podem esconder ? E que o défice externo é cada vez maior ?

Caros sindicalistas bem vindos à realidade.

O sucesso de Portugal levanta questões perturbadoras

A política de reversão de rendimentos teria sido possível sem a política de austeridade ? Teria sido possível com taxas de juro a 7% ? E com um défice de 11,2% ? E com um desemprego de 17% ?

O FMI diz que o seu objectivo foi puramente de reequilíbrio financeiro, as questões sociais daí resultantes eram assunto da União Europeia. Cabia a Bruxelas mutualizar a dívida, a Berlim investir mais . O desemprego não teria caído tanto.

O artigo, que faz o governo português corar de elogios, faz crer que Portugal “pode oferecer-se como um modelo para o resto do continente”. E diz porquê: “conseguiu aumentar o investimento público, reduzir o défice, reduzir o desemprego e alcançar um crescimento económico sustentado”. Tudo isto devolvendo rendimento e confiança às pessoas e atraindo de novo os investidores. Numa frase: “Portugal conseguiu aquilo que nos tinha sido dito que era francamente impossível”.

O sucesso de Portugal é “inspirador e frustrante” porque levanta questões perturbadoras: “Para quê esta miséria humana na Europa? E a Grécia, onde mais da metade dos jovens caiu no desemprego, onde os serviços de saúde foram dizimados, onde a mortalidade infantil e o suicídio aumentaram? E Espanha, onde centenas de milhares foram expulsos de suas casas? E França, onde a insegurança económica alimentou o crescimento da extrema direita?”. 

Teria sido ou não necessário ? A certeza que podemos ter é que só atravessamos o inferno porque o país descambou financeiramente . Se o país não tivesse mergulhado na situação pré-bancarrota não teria sido necessária a austeridade.

Todos os países que mantiveram as contas públicas equilibradas não precisaram da austeridade.

Eis a prova.