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BandaLarga

as autoestradas da informação

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As razões das agências de rating

O país não melhora na avaliação das agências de rating porque ao contrário do governo e seus seguidores não vê melhorias no que é realmente importante .

Para haver uma subida de "rating" ou um "outlook" positivo, o rácio de dívida tem de estar numa tendência de descida duradoura e sustentável. A nossa expectativa é que, com base nas políticas de que temos conhecimento e das estimativas que usamos, o rácio de dívida desça, mas de forma lenta. O factor crítico é que o rácio de dívida continua muito elevado e é por isso que somos conservadores.

Nós sublinhamos no relatório o que tem de acontecer para um "outlook" positivo ou uma melhoria do "rating". Tem de haver provas de uma sustentada redução do rácio de dívida. E isso tem de vir via crescimento e via saldo primário. Está com o mesmo equilíbrio em ambas as direcções, como da última vez, porque da última vez também tivemos o "outlook" estável. Mas, claro, a estrutura económica tem sido um pouco mais encorajadora nos meses mais recentes.

O que temos é poucochinho .

Três anos após a saída da Troika não estamos melhor

É isso o que nos diz a avaliação das agências de rating . Continuamos no "lixo" e mesmo a DBRS não sobe a classificação. Digamos que a mais pequena das agências - a DBRS - vai mantendo o país na mais baixa das avaliações positivas mas como um bodo aos pobres. É a forma que encontraram para não deixar cair o país e retirá-lo do acesso aos mercados o que implicaria mais um resgate.

Se o sucesso é assim tão grande porque é que as agências de rating não melhoram a avaliação do país ? Estamos a regredir aos olhos das entidades externas, nenhuma vê progressos .

"Não podemos ficar satisfeitos, não nos podemos contentar com manutenções de níveis de análise de risco muito inferiores àqueles que os nossos parceiros europeus têm e que penalizam o Estado português", disse.

"É preciso ter outro fôlego, ter outras políticas e ter continuado um caminho de crescimento económico sustentado e de contas públicas sólidas, sem aumento de dívida, para hoje as agências de rating estarem a rever em alta os ratings, dando sinal de terem compreendido o esforço sustentável, sólido e duradouro que o Estado português estaria a fazer", sustentou.

Basta ler a DBRS para perceber isso mesmo. As razões positivas estão todas ligadas ao facto de pertencermos à União Europeia as negativas, são todas as que nos levaram ao resgate de Sócrates.

Os lamentos de Centeno não nos tiram do "lixo"

E os factos são factos de António Costa também não . A M&S manteve Portugal no lixo.

“Os mercados querem que Portugal encontre formas de crescer para lhe permitir pagar as suas obrigações. É essa a grande preocupação dos mercados. E querem que Portugal mantenha um grau de responsabilidade financeira que permita pagar a dívida".

Na altura, Centeno desvalorizava os relatórios feitos por bancos de investimento, como o Commerzbank, que viam com desconfiança a viragem da página da austeridade prometida pelo novo Governo.

Um ano depois dessa entrevista, em novembro de 2016, Mário Centeno aproveitou uma entrevista ao tablóide alemão Bild para deixar claro que uma das prioridades do Governo seria persuadir as agências de rating (as três grandes, Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch) a tirarem a notação de risco de Portugal de lixo. Seria algo essencial, porque permitiria que mais investidores pudessem financiar o Estado português. Vários analistas têm avisado que quando o Banco Central Europeu (BCE) deixar de comprar dívida portuguesa nos mercados, se o rating não tiver subido até lá, a falta de investidores poderá colocar Portugal numa “situação dramática”.

É nesta situação que estamos . Factos são factos e não há nenhuma narrativa pós verdade que mude a realidade.

E a DBRS aguenta com a responsabilidade ?

Em Abril próximo a DBRS terá que avaliar novamente a dívida portuguesa. É verdade que a agência Canadiana tem, à custa de Portugal, uma enorme  publicidade mas, também corre o perigo de as três principais agências continuarem a manter Portugal no "lixo". E o feitiço voltar-se contra o feiticeiro .

Enquanto, pelo menos uma das agências principais não elevar a notação do País, corremos o risco de o caldo se entornar, como seja as taxas de juro crescerem acima dos 4% referidos pela DBRS. Ora, a verdade, é que já lá andamos este ano .

Aquilo que foi uma grande alavanca para a DBRS pode tornar-se um peso insuportável . Até o BCE sacode a água do capote dizendo que manterá a compra de dívida enquanto a agência mantiver o país acima de "lixo". É um passa responsabilidade que não augura nada de bom e mostra bem que o percurso da economia e das contas do estado não convencem. É uma questão de tempo se o governo continuar a governar à vista. Sem reformas estruturais , sem crescimento da economia e controlo da dívida que foi das que mais cresceu em toda a europa no último ano.

Cantemos ossanas quando uma das agências principais tirar o país do "lixo". Até lá estamos com a cabeça no cepo.

O Primeiro Ministro mente mais e melhor

Mente tão docemente :  Os dados do PIB que o INE deu a conhecer na sexta-feira, dando conta de um crescimento de 0,2% no segundo trimestre, “aumentou as nossas preocupações sobre as perspetivas de crescimento, que parecem estar a abrandar no terceiro trimestre”, disse o responsável.

“Por isso, a perspetiva mantém-se estável, mas parecem estar a crescer pressões de várias frentes”, acrescentou, lembrando a exigência da Comissão Europeia de que Portugal avance com mais cortes de despesa, algo que o Governo português se tem recusado a fazer por não considerar necessário para atingir os seus objetivos.

A DBRS vai rever a nota dada a Portugal em outubro, precisamente uma semana depois de Portugal ter de apresentar à Comissão Europeia uma lista com as medidas tomadas para corrigir a trajetória orçamental e garantir que sai da situação de défice excessivo este ano.

Se a nota descer um nível adeus confiança sobre a dívida pública

Ameaçam cortar-nos o oxigénio

Não há uma única entidade nacional ou internacional que preveja um caminho decente para o nosso país. A própria agência de notificação que, juntamente com o BCE, nos liga ao oxigénio, a canadiana DBRS, admite baixar o rating do país.

Em causa para esse corte está um eventual "enfraquecimento do compromisso político perante políticas económicas sustentáveis", a reversão das reformas estruturais ou caso a "incerteza política se torne persistente".

Um crescimento económico mais fraco do que o esperado e que leve a uma deterioração da dinâmica da dívida pública também pode levar a uma revisão em baixa da nota atribuída pela DBRS a Portugal.

Ora isto é tudo o que os observadores têm apontado como os pontos fracos do orçamento para 2016. Que o crescimento está em queda e vai continuar é certo. Que a dívida, sem crescimento económico vai continuar a crescer é certo. Que o desemprego, sem investimento, vai continuar a crescer é certo ( aumentou para 12,3% quando já esteve em 9,1%). E que PS, PCP e BE em alguma curva do caminho e perante este cenário,  cada qual  seguirá o seu caminho também é certo. Só falta saber quem salta primeiro da geringonça

São os juros, estúpido !

Sobre o orçamento, e conforme as posições políticas, a leitura é completamente diversa. Para uns o orçamento é no mínimo preocupante para outros é justo ao repor rendimentos e assim relançar a economia. É claro que há um ambiente de preocupação tantos são os que interna e externamente, lançam avisos sobre os perigos e os potenciais incumprimentos.

Enquanto não chegarmos a Junho/Julho vamos andar assim. Mas não é possível andar no olho do furacão sem ter uma bússula. Actualmente um GPS. E, no caso, o GPS é a taxa de juros a 10 anos . Não percam tempo a discutir tudo e o seu contrário porque os argumentos são bons até esbarrarem numa qualquer parede. Mas os juros, senhores...

Lembro-me de Teixeira dos Santos a clamar no deserto apontando a barreira dos 7%. Chegados a este nível era preciso chamar o FMI e o Eurogrupo. Mas havia quem chorasse banha e ranho por cima do PEC IV. Estava ali a salvação. Se não houvesse um indicador numérico, resultado do livre jogo dos mercados, ainda chegávamos ao PEC XX com  metade do país a aplaudir. Depois vimos que o país estava bem pior do que o desejável e o povo teve que pagar as elevadas expectativas da economia do betão.

Por isso, meus caros, deixem-se de esbanjar energias e olhem para o comportamento das taxas de juro. E comparem com as que são praticadas em Espanha e Itália ( entre 1/2% ) e a Grécia onde era suposto estar a acontecer o "caminho Novo". É que após estes dois anos de governo de esquerda a Grécia paga 11% de taxa de juro a 10 anos.

A taxa de juros já vai em 4,4%

É claro que há razões externas que alimentam o continuo crescimento das taxa de juro da dívida mas a razão principal é a falta de credibilidade do orçamento . E o elo de segurança - a agência DBRS - que segura o país acima do lixo, é cada vez mais fraco.

António Costa vai dizendo que a culpa é do anterior governo que anda a chantagear o país em Bruxelas. Quer dizer os mesmos que andaram quatro anos a fazer de lacaios são agora os que influenciam as decisões do Eurogrupo.

"Vemos agora um maior risco de Portugal perder o seu único "rating" de grau de investimento, concedido pela DBRS. Esta classificação é crucial já que é necessário pelo menos uma notação de grau de investimento para um país ser elegível para o programa de compras do BCE", considerou Diego Iscaro, economista da IHS Global Insights. 

O orçamento ainda não está entregue mas o governo arrisca-se a ter que preparar um rectificativo para Abril. Já todos vimos este filme que nos levou a um resgate.

 

A Taxa da dívida já vai nos 4,077% e entra numa zona de perigo

Adensa-se o horizonte com a agência DBRS a única que mantém Portugal fora do lixo possa vir a baixar o rating da dívida. Um desastre anunciado.

A agência canadiana é a única que mantém Portugal em grau de investimento, o que permite à dívida portuguesa ser incluída no programa de compras do BCE. "Se a DBRS tomar alguma decisão que piore o rating da República, os efeitos serão drásticos e para já, nem gostaria de colocar essa hipótese", refere o director da gestão de activos do Banco Carregosa, Filipe Silva.

Mas no mercado, os receios sobre a decisão que a DBRS irá tomar no final de Abril aparentam aumentar.

Para o Commerzbank, "a inversão do novo Governo em relação às reformas e os seus planos para abrandarem de forma significativa o caminho da redução do défice orçamental deixam as obrigações portuguesas em risco de fraqueza adicional". O banco alemão alertou, numa nota de investimento, que a dívida portuguesa está perto de entrar numa "zona de perigo". 

A escalada dos juros portugueses, que desde o início do ano passaram de 2,516% para os actuais 4,077%, ocorre também numa altura de turbulência nos mercados financeiros, marcada por uma elevada aversão ao risco por parte dos investidores.

Esta enorme subida nunca ocorreu desde Fevereiro de 1997

 

E vão três

Três agências de rating avisam. A consolidação orçamental vai precisar de medidas adicionais.

Entre outras coisas, notamos, contudo, que a projeção de crescimento assumida para o PIB parece pender para o lado otimista. O que implica que se o crescimento económico tiver um desempenho abaixo do previsto pelo governo, serão necessárias medidas de redução do défice adicionais, para cumprir o objetivo. Aí, acreditamos que a estabilidade do governo seria colocada em causa”

A S&P tornou-se quarta-feira a terceira agência de rating em dois dias a mostrar dúvidas em relação aos planos orçamentais do governo, depois de a Moody’s e a Fitch terem feito o mesmo.

Só o governo acredita num crescimento de 2,1% contra os 1,7% de todas as instituições financeiras. Para nossa desgraça é fácil perceber quem tem razão.