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BandaLarga

as autoestradas da informação

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A greve é um aproveitamento político miserável da fragilidade do governo

O governo está muito fragilizado com as mortes nos incêndios deste Verão. As florestas ainda fumegam e os mortos ainda não estão enterrados e já a Frente Comum sindical se prepara para uma greve nacional.

Os sindicatos não exigem que aqueles que perderam os seus familiares e que agora estão mais sós e pobres sejam auxiliados de imediato. Não, os sindicatos vão exigir mais dinheiro e mais direitos para os funcionários públicos . Sabemos todos que o que se dá à Administração Pública tem que se ir buscar a outro lado qualquer. E como está tragicamente à vista é ao interior, às vilas e aldeias do país pobre que se vão buscar os meios para os entregar a quem já os tem.

No interior do país não há empregos para toda a vida. As pessoas são pobres e idosas e não têm voz para fazer greves e manifestações.

Uma grandiosa greve de solidariedade dos que vivem bem para com os que vivem mal isso sim seria nobre. Mas mais do mesmo ainda com a dor a escaldar a alma do país é uma vergonha.

De um lado o silêncio de quem sofre do outro, a greve de quem se prepara para ter mais quase uma semana de férias. É só olhar para o calendário.

 

São os funcionários públicos os que mais precisam ?

A contabilidade e a mercearia da discussão sobre o orçamento é mais do mesmo. Discute-se a administração pública. Os privados do Douro, do Alentejo, dos têxteis, da hotelaria, não entram na equação.

O problema é que a razão pela qual há tantos trabalhadores portugueses mal pagos no sector privado e no Estado é a mesma: não há dinheiro – embora haja empresários com dinheiro mas sem consciência social da sua função. A economia que cresce 3%, na melhor das expectativas, não chega para tudo. Não chega para melhorar as funções essenciais do Estado em áreas críticas para o futuro como a Educação, a Justiça ou a Saúde e, ao mesmo tempo, para aumentar a massa salarial dos funcionários públicos ao nível das expectativas criadas pelo Governo, pelo Bloco ou pelo PCP. Não é uma questão de vontade, nem de desejo. É a triste realidade de um país que ainda não recuperou sequer a riqueza perdida nos anos da troika. Havendo uma pequena folga, é injusto e imoral que seja integralmente apropriada só pelos que se conseguem ouvir.

 

 

A bomba que se esconde na progressão automática nas carreiras

O governo quer acabar com a progressão automática das carreiras na função pública. E faz bem . É que não é só insustentável financeiramente como é injusto ao tratar todos por igual .Uns merecem progredir outros não. 

Para uma inflação de, digamos, 2% o aumento de salários deveria andar pelos 2,5/3% mas a massa salarial anda sempre pelos 4/5% . A progressão automática nas carreiras destrói qualquer equilíbrio orçamental . E todos os anos a este aumento acumulado muito superior ao aumento da economia soma-se mais uma parcela.

Se bem me lembro foi Cavaco Silva, o homem que nunca se engana nem tem dúvidas, que introduziu esta bomba atómica na massa salarial da administração pública. Pelos vistos vai chegar ao fim e ser substituída pela avaliação . Que dirão a isto os sindicatos o PCP e o BE com o seu particular populismo ? Também é verdade que a progressão automática nas carreiras está há vários anos congelada ( não haver dinheiro tem destas coisas obriga a olhar e reconhecer os problemas ) . 

As coisas são como são e o que tem que ser tem muita força. De vagar, devagarinho, o que é sensato vai ganhando terreno .