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BandaLarga

as autoestradas da informação

BandaLarga

as autoestradas da informação

É bem de ver que a culpa é de quem morreu

Não há falhas. A natureza quando se zanga é incontrolável. A floresta arde há décadas.

O SIRESP ( sistema de comunicações para emergências), comprado por António Costa enquanto ministro da Administração Interna, custou a modica quantia de 500 milhões mas não funciona nas emergências. Descobriu-se - depois da compra feita - que os postes das antenas ardem com os incêndios e o SIRESP só funciona quando não é necessário. Já falhou mais vezes e os bombeiros dizem que a morte de 34 pessoas na "estrada da morte" se deveu à falha das comunicações.

Quem vendeu o SIRESP diz agora que está a aprender com as tragédias alheias e que vai melhorar o serviço . Depois de quantos mortos ? Ah, isso são "prejuízos colaterais".

A fileira da floresta contribuiu para a economia com cerca de 2,6 mil milhões/ano. Quanto custa um incêndio com estas proporções não contando com a tragédia alheia? Mas o SIRESP não funciona porque não há dinheiro para substituir os postes das antenas . E o orçamento para a floresta caiu 9% de 2016 para 2017. Há melhor exemplo de degradação do serviço ?

E as verbas retidas no Serviço Nacional de Saúde, na Educação e na generalidade dos serviços prestados pelo estado ? Pois se com toda esta euforia o défice primário ainda é de 4 mil milhões, (dá só para pagar metade dos juros anuais da dívida ), se a economia cresce metade da taxa média dos juros da dívida é de esperar que o SIRESP funcione ?

Era preciso um exemplo da degradação dos serviços públicos resultante das políticas seguidas ? O SIRESP não funciona e os mortos não falam.

Chega ?

PS :

Corpos das vítimas dos incêndios, estão a ser transportados para as morgues, em viaturas frigorífico de transporte de peixe, cedidas por empresários do sector, porque o sistema de refrigeração da viatura da Protecção Civil, que existe para este efeito, está avariado.

Falta de verbas para a manter operacional?????

 

 

Relatório sobre a floresta mais de dois anos na gaveta

Deixa arder que o meu pai é bombeiro dizia a malta pequena mal sabendo quanto perto andava da verdade. Os senhores que nos governam também pensam assim.

Há um relatório que fixa objectivos e metas, enfim, que só dá trabalho? Mete-se na gaveta, e na altura dos incêndios torna-se público para a plebe ver como os génios políticos andam a controlar o que verdadeiramente é importante.

O Plano Nacional de Defesa da Floresta consagra um conjunto de metas  até 2018. Um dos objectivos, que seguramente não foi concretizado, passava pela redução da área ardida a menos de 100 mil hectares/ano até 2012. Esse número foi frequentemente ultrapassado nos últimos anos e em 2016 chegou quase aos 160 mil hectares.

Entre os objectivos apontados pelo plano como "primordiais" contava-se uma "profunda alteração ao nível do planeamento", fazendo com que os municípios passassem "a definir políticas de intervenção na florestas e o reforço da capacidade técnica", com reflexos na prevenção e nos procedimentos.

Previa-se, igualmente, a criação de redes de gestão de combustível, o alargamento do uso de técnicas de fogo controlado e a criação de faixas de protecção que conduzissem "à diminuição, de forma significativa, do número de incêndios com áreas superiores a um hectare e eliminação de incêndios com áreas superiores a 1.000 hectares".

Ora, isto vai lá é com relatórios que custam milhões e que jazem na quietude das gavetas dos gabinetes governamentais. Levá-los para o terreno e implementá-los dá muito trabalho e obriga a sair do ar condicionado.

António Costa disse hoje em entrevista que foi ministro dos incêndios há 12 anos.

Desde Maio que o governo estava alertado

O secretário de estado que nas primeiras horas deu a cara e que agora foi afastado já tinha dito a uma estação de rádio (TSF) em Maio que se previam condições excepcionais para a ocorrência de incêndios este ano. Agora o primeiro ministro quer responsabilidades. Devia começar pelas suas ou não sabia de nada ?

O diário espanhol “La Vanguardia” escreveu que o secretário de Estado do ministério da Administração Interna português já havia admitido, em maio, que as perspetivas da campanha deste ano contra os incêndios florestais eram muito negativas mas, que no entanto, o governo não terá atuado para remediar esta situação.

A 15 de maio, durante a apresentação do plano contra os incêndios florestais, no Algarve, “o secretário de Estado do Ministério Português da Administração Interna desabafou”, escreve o “Vanguardia”. “Depois de informar que o balanço dos primeiros quatro meses deste ano agravaram consideravelmente desde 2016”. Citam as palavras ditas “com reserva” do secretário de Estado sobre as perspetivas para esta temporada: "2017, 2017. Se fosse um pouco consciente, fugia". As palavras “premonitórias” de Gomes podem ser ouvidas no site da estação de rádio da TSF."

O actual governo faz de conta que não sabe de nada, não tem responsabilidade nenhuma . Já só falta arranjar um relatório tipo PEC IV para dizer que não o deixaram implementar.

 

 

Algures a banhos mas ao lado das vítimas

Procuram-se :

Aviso urgente às polícias do mundo

19 Junho, 2017

Desapareceram de Portugal, desligando os respectivos telemóveis, as seguintes pessoas:

Jerónimo de Sousa, há muito, muito tempo foi metalúrgico. Levou as últimas décadas a anunciar catástrofes na vida do povo. Agora que aconteceu uma, ele desapareceu. Teme-se que algum grupo o tenha sequestrado e embarcado para a Venezuela, onde poderá experimentar as maravilhas do socialismo.

Catarina Martins, outrora palhaça agora membro informal do Governo. Costuma falar nas tvs de manhã, à tarde e à noite. Agora foge dos microfones. Dizem algumas fontes que está a preparar um número de funambulismo para recentrar o país nos assuntos que importam.

Manas Mortágua, chegaram as duas e desapareceram as duas. Teme-se que no prolongamento de uma mania familiar andem a banhos, em zonas frescas e bem fornecidas de bancos.

Heloísa dos Verdes, se encontrarem uma mulher que de dois em dois minutos diz num tom irreproduzível “Ó senhor primeiro-ministro!!!!!!! é ela. Não lhe digam nada. Deve estar em transe. Chamem o 112.

 

A verdade da grande mentira

A verdade da grande mentira

"À medida que se vão conhecendo os pormenores da Tragédia de Pedrógão Grande cresce a revolta. O fogo começou cerca das 14.00 horas quando das aldeias em perigo começaram a surgir os primeiros pedidos de socorro, sem resposta dos serviços de bombeiros ou de quaisquer outras entidades e muito antes das tais trovoadas secas que têm servido para culpar Deus em vez dos homens. Apenas quando se começou a saber em Lisboa que haveria mortos, se iniciou um enorme serviço de desinformação pública, adiando a informação sobre a existência da tragédia e na preparação do circo mediático que se seguiu com a visita de ministros e do Primeiro Ministro, bem como do Presidente da República, que a meio da tragédia já anunciava com muitos abraços e bastante hipocrisia que nada mais poderia ter sido feito. Esta tragédia, que matou 62 portugueses, representa uma amostra do indisfarçável estado de degradação do sistema político português"
Henrique Neto

Marcelo avisa que o governo tem ano e meio de governação

Marcelo no "pino do inverno" avisou que faria a leitura da responsabilidade política do que acontecesse no "pino do verão" . E perante tamanha tragédia vai fazê-la. E agora ?

Em plena época de incêndios, no ano passado, o Presidente da República preveniu o Governo de que estaria atento a medidas sobre o ordenamento do território, para ter a “certeza que no pino do inverno ninguém se esquece do que aconteceu no pino do verão“.

“Já temos muitas frentes pela frente, não vamos juntar mais frentes neste momento”, disse Marcelo para afastar questões sobre as causas da catástrofe de sábado. O Presidente deixou em aberto a possibilidade de, uma vez fechada a frente das chamas e das vítimas, poderá haver uma frente política para gerir. Por agora, a solidariedade com as famílias afetadas tem sido a cola entre atores políticos.

E quanto à falha do SIRESP (sistema de comunicações ) no auge da tragédia ? Não vai ser fácil para o governo apresentar justificações. É tempo do governo puxar para si as coisas boas mas também as coisas más. Não vai poder continuar a atribuir culpas ao governo que substituiu por sua exclusiva vontade.

O único país do mundo que não tem um corpo de guardas florestais

Um governo do PS deu a primeira machadada a seguir um governo do PSD/CDS deu o golpe final. Os guardas florestais foram integrados na GNR e metidos em gabinetes . A floresta ficou entregue a ninguém .

Tenham vergonha de dar a mão a palmatória e façam aquilo que desfizeram, reponham os Serviços Florestais no Ministério da Agricultura e Florestas (chamem-lhe Instituto, chamem-lhe o que quiserem), com a dignidade que eles nunca deviam ter perdido, reponham a funcionar a quadrícula de casas e postos florestais que são quem pode assegurar a vigilância permanente das serras do país, dêem a esses postos as novas tecnologias e os novos meios de comunicação e dêem de novo aos guardas florestais a capacidade legal de continuarem a vigiar as matas, de obrigarem os proprietários a limpar e a ordenar as matas.

Os guardas florestais não eram polícias, eram actores fundamentais da vigilância das matas, integrados numa cadeia de comando especializada que ia dos velhos Mestres Florestais aos Administradores Florestais e ate aos Chefes de Circunscrição. Eles não têm que ser comandados por sargentos ou tenentes. têm de ser comandados por quem sabe dos problemas das florestas.

Perdeu-se a grande sabedoria do velhos Mestres Florestais, senhores das serras e das matas que eles conheciam como as suas próprias mãos; mas ainda há na GNR umas centenas de antigos guardas florestais que podem ser o embrião de um novo corpo especializado.

Mas entreguem esse corpo especializado às câmaras onde há proximidade.

A área ardida em Portugal representa 50% da área ardida no sul da Europa

Se as condições naturais são as mesmas em Portugal, na Espanha, França, Itália, Grécia e Chipre então porque é que a área ardida entre nós representa 50% da área ardida no conjunto destes países ?

Mas o que se passa nas nossas florestas não tem apenas a ver com a questão do clima e da natureza, vai muito para além disso. E vale a pena ler alguns peritos no tema aqui, aqui e aqui, por exemplo.

Portugal representa 2% da área da União Europeia, mas representa 50% da sua área ardida. Ora, como é evidente, as condições meteorológicas são igualmente adversas no centro e sul de Espanha, em Itália e na Grécia, mas quando juntamos os quatro países, Portugal tem quase 2/3 dos fogos, apesar de ter menos de 10% da superfície.

Todos os anos logo que os incêndios começam os (i)responsáveis aparecem logo com a ladaínha do país "uno" que não precisa de críticas mas de solidariedade. Boa forma de afastar críticas e responsabilidades de quem, já foi tudo no sector, desde ministro da administração interna a primeiro ministro como é o caso de António Costa. Pelo contrário aparecem no cenário dantesco dos fogos como os salvadores, fazendo as promessas de sempre.

Mas os números das estatísticas não mentem quanto à falta de capacidade política para travar a tragédia anual. 

Demitam-se !

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Não há floresta no Terreiro do Paço

Nas televisões quem nos aparece a debitar discursos sobre o incêndio são membros do estado central. O Presidente da República, o primeiro ministro, a ministra da administração interna e o seu secretário de estado, o presidente nacional dos bombeiros, o presidente nacional da Proteção civil. Responsável local apenas o presidente da câmara.

Se tal fosse necessário esta é a imagem do estado centralista em que vivemos. As decisões são tomadas no Terreiro do Paço. É só ler o que a ministra disse sobre a programação do combate aos incêndios para se perceber que deverá pedir a demissão.  Já agora mal não faria pedir responsabilidades a todos os ministros da administração interna dos últimos 25 anos. António Costa exerceu o lugar nos governos de Sócrates  e passeia-se por ali no meio da tragédia como se não tivesse responsabilidade nenhuma.

E há quem se lembre do desastre da Ponte de Entre os Rios : "Acontece que, pelo que se sabe, Coelho teria recebido algum tempo antes um relatório dos seus serviços a dizer que a ponte estava em risco iminente de ruir. Ao não reagir a esse aviso, tomando previdências para evitar o desastre, Coelho fez muitíssimo bem em demitir-se quando ele ocorreu, com a perda de 59 vidas humanas."

Ontem como hoje não há florestas nem pontes no Terreiro do Paço mas é lá que se tomam as decisões. Não é este governo que prometeu descentralizar ? Depois destes desastres precisa de mais argumentos ? Ou é preciso morrer mais gente ?

As lágrimas não apagam fogos

Fogos teremos sempre mas podemos fazer muito para que não atinjam a dimensão dantesca do desta madrugada . Mas o muito que se pode fazer faz-se no inverno prevenindo .

Desde o tipo de arvoredo até à limpeza das matas. À vigilância, à abertura de acessos e às fontes de água para o combate.

Uma notícia há tempos chamou-me a atenção . Um eucaliptal tinha sido roubado. Isto mostra que foi possível, cortar as árvores, rechegar, carregar em camiões e transportá-las. Ora todas estas operações exigem máquinas pesadas, visíveis, altamente ruidosas mas, no entanto, ninguém deu por nada. Tal é o abandono.

O fogo pode, pois, começar o seu caminho que só será travado quando estiver em pleno desenvolvimento . Na primeira hora avança a 30 kms/hora a partir daí acelera para 100 kms/hora. É por isso que os nossos abnegados bombeiros o esperam à beira da estrada ou junto do edificado. Até lá nada ou pouco há a fazer.

Desta vez um conjunto de circunstâncias excepcionais elevou os prejuízos e as mortes para números impensáveis. Mas o rastilho sempre lá esteve e vai continuar a estar. Tomar medidas corajosas e impopulares é bem mais difícil do que debitar palavras de conforto perante as câmaras de televisão.

Por muito que se chore as lágrimas não apagam fogos.