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BandaLarga

as autoestradas da informação

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E assim se hipoteca o futuro

Hoje há menos investimento público do que quando o Governo a que eu presidia era criticado pelos socialistas,comunistas e bloquistas - Passos Coelho

 

O peso do investimento público permanece em níveis historicamente muito baixos e incompatíveis com as necessidades de recuperação da economia nacional - Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas

 

O corte no investimento público é uma perda que não se nota no bolso dos contribuintes no curto prazo e os problemas com a sua ausência só se vão sentir ao longo do tempo - Alfredo Marvão Pereira - Economista

A verdade da mentira - Rui Mendes Ferreira

A verdade da mentira.

Hoje, irei falar das contas públicas, de 2016, analisadas e explicadas, e tendo por base, os procedimentos contabilísticos que são aceites pela UE, e que são os únicos considerados tecnicamente, correctos.

Para que o maior número de pessoas possam entender as contas apresentadas pelo governo, como foram conseguidas, e a que estratagemas e manipulações recorreu o governo, o texto de hoje, terá obrigatoriamente que ser um pouco extenso, mas irei tentar não enveredar por demasiadas explicações, de carácter técnico.

Vamos então começar pelas contas de 2015, para que tenhamos um termo comparativo. O Deficit oficialmente reconhecido pela UE, para o ano de 2015, o último ano da governação do anterior governo, foi de 2,9%. Guardem nota deste valor, pois iremos voltar a ele um pouco mais à frente.

Como é que este valor foi calculado? Este valor, de 2,9%, é o que foi oficialmente reconhecido pela UE, após serem retirando das contas, tudo o que form considerado como "extraordinário". Ou seja quer as receitas extraordinárias, quer as despesas extraordinárias,

Vou explicar: para a UE, e muito correctamente, o que é avaliado, é o saldo, final, expurgado de medidas que não sejam consideradas de carácter repetível, nem sustentado.

Dou um exemplo: Uma ajuda a um banco, por parte do Estado, é uma despesa. Mas tal despesa, é avaliado contabilísticamente, como algo extraordinário. Não é uma despesa que venha a existir de forma permanente ano após, ano, e como tal, e bem, Bruxelas aceita que essa despesa não seja considerada para efeitos de déficit, o que tem um resultado positivo sobre as contas finais.

Mas o mesmo procedimento, também é aplicado para a parte das receitas do Estado. Por exemplo, em 2016, o Estado vendeu 12 aviões militares, caças F16 à Roménia, por 170 milhões de euros. É efectivamente uma receita, que ajuda a baixar o deficit, mas para Bruxelas, esta receita é não recorrente. Ou seja, como os aviões nem sequer foram cá fabricados, e não é uma venda que o nosso Estado possa fazer TODOS os anos, Bruxelas não aceita que tal receita, seja incluída nas contas públicas, para efeitos de apuramento do deficit corrente, do ano a que foram obtidas.

Como podem perceber, o mecanismo de receita extra ou despesa extra, é algo, que tem que ser sempre correctamente aplicado, para os dois lados. Se não se consideram alguma das despesas, que não são previsíveis de voltar a acontecer no ano seguinte, ajudando por essa ordem as contas Portugal nesse ano, o mesmo princípio, é exactamente aplicado para qualquer receita que seja considerada como extra e não repetível.

O que Bruxelas nunca aceita, nem é previsível que alguma vez venha a aceitar, e tecnicamente não é correcto ser aceite, é que um dado país, recorra à "Chico Espertice" de retirar das contas, só as despesas extraordinárias, e que deixe nas contas, as receitas extraordinárias.

Coincidência, ou não, foi precisamente este o estratagema a que o actual governo recorreu nas contas de 2016 que agora apresentou, e que estão a permitir dizer que Portugal alcançou um deficit de 2,1%.

Eis pois os valores que deveriam ser classificados como "extraordinários", mas não o foram, e que, Bruxelas dificilmente irá aceitar:

- Reavaliação de Activos - 170 milhões que representam 0,1% do PIB, mas isto não passa de um esquema meramente contabilístico.

- Venda dos Caças F16 à Roménia - 0,1% do PIB

-Cativação indevida dos lucros que o BdP teve com a compra de dívida da Grécia, e que devíamos ter devolvido à Grécia, como estava acordado com o anterior governo - 0,1% do PIB

- Devolução (pela CE) de 302 milhões de euros pagos (por Passos Coelho) em Julho de 2011, como caução aos empréstimos da Troika, 0,2% do Pib

- Recebimentos de impostos em atraso referentes a anos fiscais anteriores (PERES) - +/-600 milhões - 0,4% do PIb

- Cativações de despesas públicas já aprovadas ou feitas e não realizadas ou não pagas: 410 milhões - 0,25% do Pib

Expurgados estes valores, que face às regras contabiliticas da UE, irão ser considerados como receitas extraordinárias, não repetíveis, que em termos técnicos tb são chamadas de "One Off", temos um total de receitas de 1,15% do PIB, que adicionados ao deficit de 2,1% que o governo está a apresentar, teremos na realidade um deficit de 3,2%.

Tudo isto, mais não são são que expedientes e "chico espertíces" levadas a cabo pelo governo, para mascarar as contas, e tentar desta forma iludir quer a UE, quer o FMI, quer os credores, e quer os mercados externos.

E não estou sequer aqui a incluir, mais de 04% do PIB, que resultam de mais dos cortes de 1000 milhões no investimento público, nem os 350 milhões poupados em juros, resultantes de em 2015 o anterior governo ter pago taxas de juro muito mais baixas que aquelas que o actual governo está a ter que pagar. Os custos dos aumentos das taxas, que aconteceram já em 2016, irão começar a ter efeitos, nas contas de 2017. Se estes valores forem considerados, então o deficit de 2016, não é de 2,1%, nem de 3,2%, mas sim de 3,6%.

Agora, lembrem-se do valor do deficit de 2015 que foi de 2,9%, e compare-se com os valores de 3,2% e 3,6%, que são os valores reais de 2016, após serem expurgados os esquemas e as "chico espertíces", a que o actual governo recorreu.

Assim, na realidade, o que temos em 2016, é uma efectiva subida do deficit, face ao deficit de 2015, e não uma descida como o governo nos anda a tentar convencer que aconteceu.

Percebem agora, porque é que apesar do governo andar a apregoar que as contas públicas tiveram o deficit mais baixo de sempre, os juros da dívida pública subiram brutalmente (de 1,6% em 2015, para 4,5% em 2017), e continuam a subir, ao invés de terem baixado como seria normal e esperado se tal situação fosse efectivamente verdadeira, e tecnicamente correcta?

A razão da subida dos juros é muito simples: lá fora, não engoliram a enorme patranha que por cá, o governo fez com as contas públicas. A maior parte do povo português, é fácil de ser enganado, mas Bruxelas, a UE, o Eurostat, o FMI, os credores, e os mercados financeiros internacionais, pelos vistos não está a ser.

Espero ter conseguido explicar, e uma vez mais desculpem ser um texto tão longo, mas para conseguir explicar tudo com rigor, e de forma a que consigam entender de forma mais abrangente, não pode ser de outra forma.

Tenham um bom fim de semana.
Rui Ferreira

Orgulho em ser europeu e do sul

Miguel Sousa Tavares : Recordar ao holandês que foram os países do sul da Europa, que ele tanto despreza, que edificaram as fundações da Europa que hoje conhecemos, impondo os seus valores, hoje universais, contra os "bárbaros" do norte.

A Grécia deu à Europa a democracia e a arte; a Itália deu-lhe o Império Romano, uma das mais notáveis criações políticas da Humanidade, fundado na Lei e na igualdade das partes, e deu-lhe o Renascimento, contra o obscurantismo então reinante;  Portugal e a Espanha abriram o mundo à Europa, e a França os valores da Revolução Francesa .

O que deu o norte de comparável ?

A Lisnave privada a distribuir lucros pelos trabalhadores

Lisnave esteve falida, sem trabalho mas cheia de greves. Foi comprada por um euro por dois engenheiros que ali trabalhavam. Conhecedores do negócio puseram a empresa a dar lucros. Ali trabalham em permanência cerca de 400 trabalhadores mas por dia trabalham cerca de mil e duzentos. Conforme as encomendas.

Tem clientes em todo o mundo e repara mais de 70 porta contentores por ano.

E a diferença que  separa os estaleiros que vivem do seu trabalho e os que vivem de subsídios é o conhecimento do negócio. Ter os contactos necessários e a reputação profissional certa. E cumprir prazos.

Os estaleiros de Viana do Castelo andaram anos a viver de subsídios e sem trabalho, com greves e com lutas sindicais. Os estaleiros da Mitrena foram comprados por um operador privado e a partir daí são um caso de sucesso. Tudo para exportação.

O estado não pode andar metido em negócios que não conhece

Jaime Gama : tudo isto é ilusório

histórico socialista põe a boca no trombone . Há uma ilusão geral sobre a actual situação.

Alerta que "é muito fácil pregar as situações óptimas" e que "a opinião pública está anestesiada porque lhe é escamoteada a compreensão do problema [da dívida] e lhe é permanentemente afirmada a oferta ilusória que é impraticável". "A realidade far-se-á sentir na altura própria," adverte.

"Imagine o que é a perspectiva do endividamento português quando o BCE resolver deixar de comprar dívida aos Estados-membros. (…) Esses cenários não são discutidos. (…) Há uma ilusão geral muito grande em relação à situação que envolve a economia portuguesa," afirma esta quinta-feira, 23 de Março, o histórico socialista em entrevista a Maria Flor Pedroso, na Antena 1.

E critica ainda a ilusão de que Portugal conseguirá trilhar o caminho da recuperação da dívida sozinho e de que conseguirá limpar o passivo com o "aplauso" dos credores. "Acho que há aí uma ingenuidade enorme. (…) É uma matéria sobre a qual é possível fazer toda a espécie de demagogia, mentindo e salvando a sua imagem com propostas absolutamente ilusórias," acrescenta.

Mentira, ilusão, esconder, escamotear . Vindo de um socialista não está mal.

Prós & Contras

Os prós são a criação de emprego ( 110 000 ) e o défice (2,1%), apesar de o investimento ser muito baixo e de várias medidas orçamentais não serem repetíveis .

Os Contras são os juros altos (4,2% ) e a dívida ser elevadíssima (ligeiramente acima de 130%), apesar da ajuda de compra de dívida pelo BCE e de o rácio beneficiar com  a subida da economia.

Mas o ponto é que se não fosse estarmos na União Europeia os Prós eram bem mais modestos e os Contras bem mais prejudiciais.

Porque a criação de emprego resulta das exportações que crescem à boleia do crescimento da economia da UE e, o défice, está a ser controlado graças à disciplina orçamental imposta pelo Tratado Orçamental . Se assim não fosse não teríamos nem uma coisa nem outra.

Quanto aos Contras as taxas elevadas seriam bem mais elevadas sem a ajuda do BCE e a dívida bem mais elevada se não fosse a disciplina orçamental. Fora da Zona Euro teria razão o tal holandês . Copos e gajas . Mais umas auto estradas e umas circulares...

Para o PCP e o BE é preciso romper com a Zona Euro e a seguir com a União Europeia. Quem não percebia agora já pode perceber . É patriótico e de esquerda...

 

 

Mas os juros e a dívida sobem

economia europeia está a crescer o que ajuda as nossas exportações e com elas a nossa economia . Mas os juros de referência a dez anos não deixam de crescer . É uma bomba ao retardador . Quem ouve a Mariana Mortágua dizer que Portugal dá mais lucro (sic) que a Alemanha não compreende. Mas eles continuam a subir ?

Os juros da dívida portuguesa negociados no mercado secundário mantêm a tendência altista registada já no fecho dos mercados desta quinta-feira. A dez anos, as taxas de juros exigidas pelos investidores para trocarem dívida entre si crescem 1,5 pontos base para 4,210%.
Por outro lado, os juros da Alemanha no mercado secundário registam a tendência oposta, descendo 0,5 pontos base para 0,427% a dez anos.

défice ficou em 2,1% com medidas extraordinárias que não se repetem mas a dívida continua a crescer . O governo anterior baixou o défice de 11% para perto de 3% . Facto. E o governo que nos levou à bancarrota subiu a dívida de 90% do PIB para 120% . ( Os 78 mil milhões da troika foram pedidos pelo primeiro ministro que pediu a ajuda externa. Sócrates.)

E enquanto o défice não for resultado de medidas estruturais e a  dívida não descer os juros não baixam. Deixem-se de narrativas...

Portugal dá mais lucro que a Alemanha

A Mariana Mortágua depois daquela de querer ir buscar o dinheiro onde ele está, avariou . Então se Portugal tem lucro porque nos pede a nós contribuintes cada vez mais impostos ? E não paga a fornecedores ? E não baixa a dívida ? E não convence os credores a baixar as taxas de juro ?

Se é como a jovem deputada diz não é melhor o estado  começar a reduzir impostos e devolvê-los aos contribuintes ? Sei lá, talvez em forma de dividendos.

Jaime Gama alerta para uma “ilusão muito grande” em relação à economia portuguesa. Em entrevista à Antena 1, o antigo presidente da Assembleia da República diz que é “essencial” reflectir sobre o problema da dívida. E deixa a pergunta: “o que acontecerá quando o Banco Central Europeu deixar de comprar dívida?”. Mau , lá se vão os dividendos...

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Esta é uma boa notícia se se confirmar

Embora acima de todas as outras instituições o ISEF prevê que a economia possa crescer em 2017 entre 1,7% e 2,1% , puxada pelas exportações e pelo investimento.

Deve no entanto sublinhar-se que as restantes previsões andam abaixo do limite inferior do intervalo (1,7%-2,1%) . A probabilidade que aconteça é pois bastante baixa mas não deixa de ser uma boa notícia. Só com a economia a crescer à volta dos 3% é que o país sairá deste atoleiro.

Quanto aos indicadores que são já conhecidos deste primeiro trimestre, o ISEG destaca o "forte crescimento das exportações (19,6%) e importações (22,3%) em Janeiro", bem como a "continuação do crescimento da procura turística externa"

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PS :  O Governo inscreveu no Orçamento do Estado para 2017 uma estimativa de crescimento do PIB de 1,5%. O Banco de Portugal aponta para um crescimento de 1,4% e a Comissão Europeia de 1,6%.

Diz que é a papaguear mas os juros não param de crescer

Só por cá é que estamos em negação. Dizem-nos que não fazemos as reformas necessárias e que gastamos o dinheiro onde não devemos atiramo-nos ao holandês pequeno dos copos e das gajas. Estamos no "lixo" mas para nós é uma injustiça. Sobem os juros mas a culpa é dos países do norte da Europa.

Quem chame a atenção para os aspectos negativos que são sublinhados pelas entidades Europeias é, no mínimo , um traidor . Mas factos são factos como diz António Costa . E o comportamento das taxas de juro durante um período alargado não deixa dúvidas a ninguém.

custo da divida.png

 

Em média o custo da dívida que foi emitida este ano é de 3,4%, segundo dados divulgados esta quinta-feira pela agência que gere o crédito público, o IGCP. Está acima do custo do "stock" de dívida, que é de 3,2%.

É o valor mais elevado desde 2014, ano em que o custo médio das emissões foi de 3,6%. E é quase um ponto percentual mais elevado que o custo médio de 2016, que se situou em 2,5%. O ano mais barato para o novo financiamento tinha sido 2015, com um custo médio de 2,4%. No mercado secundário, as taxas das obrigações portuguesas têm mostrado uma tendência de subida, principalmente desde o início de Novembro. A taxa a dez anos sobe de 3,318% para 4,195% nesse período.

Quem é que acredita na narrativa oficial ?