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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Reescrever o colapso da PT com meias-verdades

 

O "Público" publicou ontem um grande trabalho da Cristina Ferreira, a respeito do colapso da PT. O artigo recupera alguns factos que já tinham sido noticiados e revela outros que ainda não eram do conhecimento público, dando-nos uma perspectiva bastante completa daquilo que de facto aconteceu na PT. É jornalismo de qualidade. Mas hoje, o ex-primeiro-ministro José Sócrates atira-se ao "Público" e à Cristina Ferreira por causa deste artigo, chegando ao ponto de colocar em causa a sua honestidade enquanto jornalista. Isto não se faz e tendo eu acompanhado o sector das telecomunicações como jornalista especializado, entre 2007 e 2013, choca-me a forma como Sócrates tenta reescrever a História com subterfúgios e meias-verdades. Sem querer entrar nas questões que estão sob investigação judicial, há três argumentos invocados nesta resposta do ex-primeiro ministro que sei, à partida, serem infundados:

1. Sócrates diz que o seu Governo foi neutral na OPA da Sonae. E alega que a Caixa - onde pontificava o seu amigo Armando Vara - decidiu votar contra a OPA puramente por razões financeiras, não tendo sido decisiva na derrota da Sonae. De um ponto de vista formal, tem razão. Mas na realidade não é bem assim, pois a Caixa foi decisiva neste processo. A Caixa, banco do Estado, emprestou centenas de milhões de euros a accionistas do chamado "núcleo duro" anti-OPA, recebendo em garantia acções da PT. Se isto não é tomar partido de forma decisiva, não sei o que será. Estamos agora a pagar a factura desses e de outros créditos concedidos pela Caixa durante a era Sócrates.

2. Sócrates diz que foi no seu consulado que a PT perdeu mais quota de mercado, ficando sem o seu histórico monopólio. Isto é, mais uma vez, uma meia-verdade. Pois essa perda de quota de mercado deveu-se à cisão da PT Multimédia, detentora da TV Cabo, que teve lugar após a derrota da OPA da Sonae. Os accionistas da PT - como o BES, Caixa, Berardo, Ongoing e Visabeira - receberam como 'despojos de guerra' as acções da PT Multimédia. A PT perdeu o monopólio, sim senhor, mas os seus accionistas não, pois a PT Multimedia também era deles (e assim continuou a ser até que, já depois de Sócrates sair do Governo, a ZON fundiu-se com a Optimus e deu origem à NOS).

3. Como se sabe, Sócrates chumbou a primeira tentativa de venda da Vivo à Telefónica, em 2010, utilizando a célebre 'golden share', argumentando com a necessidade de a PT continuar presente no Brasil. Hoje, garante a pés juntos que não sugeriu à PT fazer a ruinosa fusão com a Oi, que foi o negócio que levou verdadeiramente ao colapso da empresa. Mais uma vez, uma meia-verdade. O que aconteceu é que Sócrates disse aos accionistas da PT que só aprovaria a venda da Vivo à Telefónica se a operadora portuguesa tivesse uma alternativa no Brasil. Ora, na altura, só havia no Brasil uma grande empresa de telecomunicações que a PT conseguiria comprar, por razões políticas e financeiras: a Oi. Para bom entendedor...

Henrique Monteiro : Eu vi e sei que honestidade e decência não são conceitos muito aprofundados na consciência de Sócrates

Henrique Monteiro enquanto director do "Expresso" conheceu muito bem a forma de actuar de José Sócrates. Por isso sabe o que é para o ex-primeiro ministro "um jornalismo sério e honesto".

Vem isto a propósito do Editorial e da primeira página do Público de ontem onde se relata como se levou a cabo "a maior destruição de valor de uma empresa de referência, a PT".

Podemos dizer que Henrique Monteiro está muito marcado por Sócrates, o que admite, mas Monteiro diz que nunca conheceu alguém com uma relação com os jornalistas tão ordinária, em que não pedia antes exigia - aos berros e com ameaças- que não se publicasse um artigo sobre si .

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A terceira retoma

A economia retoma e depois cede. Vamos ver se agora não será assim, a retoma em toda a Zona Euro é mais visível e a recuperação do emprego também. Mas sem reformas corremos o risco de ceder.

Sem querer estragar a festa mas alertando para os perigos que corremos, a primeira prova de que esta recuperação da economia é duradoura será feira nesta segunda metade do ano, quando estivermos a comparar com a parte de 2016 que já registava um elevado crescimento. Neste momento ainda estamos a confrontar a evolução do PIB com o desempenho frágil da primeira metade do ano passado, quando parecia que nos íamos de novo afundar.

Desde o fim da crise esta é a terceira vez que a economia portuguesa arranca e depois fraqueja. Têm sido quatro anos de solavancos, em grande medida ditados pela evolução da economia europeia. Sem dúvida que desta vez a recuperação é bastante mais visível, nomeadamente pela criação de emprego e pelo aumento do investimento. Mas neste momento o que está a alimentar o crescimento é procura interna, mau sinal para um país endividado.

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Chorar e fazer luto é próprio das vítimas

Perante a tragédia o poder apressa-se a desresponsabilizar-se . Diz que é tempo de luto não podemos usar a tragédia para efeitos políticos.

Ora, as vítimas não fazem política mas os políticos, sim. Quem faz este carrossel de passa-culpas são os políticos como se nada tivessem a ver com a tragédia. Há dois meses em Pedrogão, ontem no Funchal . Setenta e oito vítimas mortais e duas centenas de vítimas hospitalizadas e os políticos querem que não seja tempo de apurar responsabilidades políticas e criminais.

Uma das funções fundamentais de quem faz política é assegurar segurança dos cidadãos .

Um Estado anafado que quer estar em todo o lado mas não consegue assegurar os direitos básicos dos cidadãos, não pode furtar-se à responsabilidade que decorre do exercício do poder. E o governo não pode amordaçar os cidadãos e a oposição com uma narrativa que tem como objectivo retirar do espaço público as questões políticas que teme.

É a Democracia  e o Estado de Direito que estão em causa. Porque em ambas as tragédias é preciso saber quem tomou decisões incompetentes e quem, por omissão ou desleixo, possa ser responsabilizado por homicídio por negligência.  

À política o que é da política . À Justiça o que é da Justiça. Ao povo o direito à indignação. E ao luto .

PS : para o governo os 18 meses de governação justificam tudo o que corre de feição mas não justificam as tragédias. Na última vez já íamos no PEC IV...

 

Amordaçar um povo que sofre

A narrativa que o governo tenta criar. Não é bonito falar nas tragédias. Logo eles, os partidos que não fizeram outra coisa quando estavam na oposição. É tempo de o governo se fazer passar por santinho .

"Durante anos, Portugal viveu debaixo de um impiedoso diktat do pensamento da direita neoliberal produzido em centros universitários como o Instituto de Ciências Sociais e disseminado por uma rede eficaz de jornalistas e colunistas. Hoje Portugal começa a viver debaixo de uma impiedosa rede de vigilância montada pelos intelectuais do Bloco, pelos apparatchiks do PCP e pela intelligentsia socialista que se investiu da missão de purgar as mentalidades dos perigos desviantes. Só se pode falar do Governo e das suas políticas com perfume de incenso e mãos juntas em jeito de oração. Pouco a pouco, foram sendo criados os códigos, as palavras e as frases que podemos dizer e citadas as questões da actualidade que podemos criticar. Quem não o fizer quebra consensos ou faz fretes a obscuras forças nacionais ou estrangeiras. Ou se é a favor do Governo, ou se é “pafiano” ou “troikiano” ou, como agora, entra no “aproveitamento político de tragédias” que estrafega os “consensos nacionais”. 

Crescimento da economia mais acelerado na Zona Euro (2,2%)

Revisto em alta para o conjunto dos 13 países da Zona Euro (2,2%). A maioria das economias acelerou o seu crescimento.

Entre os 13 países da Zona Euro que divulgam os dados do segundo trimestre do ano, sete registaram um acelerar do ritmo de crescimento, com a Letónia a liderar, ao registar um aumento do PIB de 4,8%. Os Países Baixos foram os segundos que mais cresceram (3,8%) , seguidos por Espanha (3,1%). 

Na União Europeia o crescimento do PIB foi de 2,3%, o que também corresponde a uma revisão em alta do PIB, já que os dados preliminares apontavam para um crescimento de 2,2%.

Também na terça-feira, a Alemanha revelou que a economia aumentou 2,1% em relação ao segundo trimestre de 2016, registando também um acelerar do seu crescimento.

Itália revelou já esta quarta-feira de manhã que o PIB cresceu 1,5%, o que corresponde ao maior crescimento anual desde 2011.

Por estes dias a norma é crescer mais é pois natural que Portugal também cresça.

Deixaram-se de ouvir as aves agoirentas que queriam sair da Zona Euro e da União Europeia. Derrotados dizem que estão a ganhar.

Afinal pertencer à Zona Euro é bom

O brêxit, dos ingleses, tenta a todo o custo ficar dentro da Zona Euro . Vendem para a Zona Euro 230 mil milhões e importam 290 mil milhões. Querem continuar com esta troca tal como se fossem membros efectivos da zona euro. Ter as vantagens e não ter as desvantagens. O melhor de dois mundos.

Primeiro uma fase de transição em que nada ou quase nada muda. E depois desse período temporário um "sistema o mais livre possível e sem fricções". No que diz respeito ao brexit, são estas as intenções do governo britânico para as questões aduaneiras.

De acordo com o documento que o governo britânico tornou público ontem, durante o período de transição - uma espécie de união aduaneira temporária com a UE - continuaria a existir livre circulação de mercadorias entre o Reino Unido e a União Europeia e ambos partilhariam as mesmas tarifas em relação a países terceiros. No fundo, os britânicos continuariam a fazer parte da união aduaneira apesar de já terem saído. "Estar ao mesmo tempo dentro e fora da União Aduaneira é uma fantasia", escreveu no Twitter Guy Verhofstadt, o responsável máximo do Parlamento Europeu para as negociações do brexit.

E agora que a Europa cresce, afastada a crise, não são só os britânicos que tentam tudo para ficar. Em Portugal deixou de se ouvir que é necesssário preparar o país para sair e a Grécia cumpre escrupolosamente os ditâmes de Bruxelas . Os partidos anti-europa representam uma ninharia representativa do querer dos cidadãos. Cerca de 70% são pró-europa.

Mas o engraçado é que estes derrotados acham que estão a ganhar... 

António Costa já apresentou a sua nova versão dos factos

Há cinco (5) hipóteses segundo o governo que explicam a tragédia dos incêndios :

Estas são as quatro primeiras versões (há uma quinta, já lá vamos). Recapitule-se: (1) a de o SIRESP ter funcionado com toda a normalidade; (2) a das falhas do SIRESP terem sido de “menor relevância”; (3) a de que o SIRESP falhou excepcionalmente num momento de emergência; (4) a de que há um problema efectivo no SIRESP. Ora, apesar de contraditórias, estas versões têm em comum um único foco de responsabilidade: o SIRESP, a sua gestão e a sua articulação com o Estado. Primeiro, para o ilibar. Depois, para o comprometer cada vez mais.

Agosto, surja a quinta versão dos factos, desta vez pela boca do primeiro-ministro, para que fique definitiva: o SIRESP “colapsou” mesmo e a responsabilidade afinal é da PT. Vendo para além dos relatórios e dispensando as conclusões da comissão de peritos que o parlamento convocou, António Costa já apresentou a sua (nova) versão dos factos. Uma versão particularmente conveniente, diga-se. Por um lado, iliba o governo e anula as suas co-responsabilidades. Por outro lado, faz de bode expiatório uma empresa (Altice, detentora da PT) à qual declarou guerra e contra a qual tem direccionado as suas críticas – e, já agora, ameaça-a com a mudança do SIRESP para outra operadora. Situação win-win

Um sinal de clara desaceleração da economia

Uma economia pequena e frágil como a nossa pode sofrer impactos negativos com resultados surpreendentes. Pode acontecer já em no 2º semestre de 2017. Aliás, o próprio governo aponta para uma desaceleração já em 2018 e 2019.

Quanto ao crescimento do PIB para 2017 e depois de conhecidos estes dados, dificilmente ultrapassará os 2,5%. Ainda assim bastante positivo tendo em conta o passado recente da economia portuguesa. No entanto, ao contrário do ano passado, a segunda metade do ano deverá já revelar uma clara tendência de desaceleração. O primeiro semestre, com um crescimento de 2,8%, deverá ser o mais forte do ano, sendo provável que próximos trimestres registem uma desaceleração, já que o termo de comparação com o final do ano passado será menos favorável. Já o crescimento em cadeia não deverá voltar a um ritmo acima dos 0,4% por trimestre — a não ser que por algum motivo pontual as existências ou as exportações, liquidas (por via das importações) voltem a ajudar — deverá abrandar, já que grande parte do impacto dos estímulos internos (reposição de salários e pensões) e externos (efeito desfasado das politicas do BCE e recuperação europeia) irá diminuir.

O que é mau continua presente, sem reformas estruturais a economia é uma geringonça. PCP e BE bloqueiam as medidas necessárias.

Quase quatro anos de crescimento

Afinal o crescimento da economia ficou-se pelos 2,8% o mesmo que no trimestre anterior.

De acordo com o INE, o PIB cresceu apenas 0,2% quando comparado com o que havia acontecido nos primeiros três meses do ano, um abrandamento significativo face ao que aconteceu nos últimos três trimestres. No primeiro trimestre do ano, a economia cresceu 1% face ao trimestre anterior. Há um ano que o ritmo de crescimento em cadeia não era tão baixo.

Os valores divulgados esta segunda-feira, 14 de Agosto, saíram abaixo da expectativa dos analistas que apontavam para um crescimento de cerca de 3% (0,4% em cadeia). Segundo o INE, o comércio internacional pressionou negativamente o andamento da economia, enquanto o investimento puxou pela economia, permitindo a estabilização do crescimento em termos homólogos.

Comparando com os primeiros três meses do ano, o crescimento do PIB desacelerou para 0,2%. Este valor é o mais baixo desde o segundo trimestre de 2016 e representa uma desaceleração forte, quando comparado com o crescimento trimestral de 1% que tinha sido registado entre janeiro e março.

Mas Portugal está a crescer acima da Zona Euro