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BandaLarga

as autoestradas da informação

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É importante saber de que lado se está

As extrema esquerda não apoia ninguem para por omissão apoiar a extrema direita. Em França e também em Portugal .

Nestas duas semanas que faltam até à decisão definitiva dos franceses, antecipo muita tergiversação, muita confusão ideológica e muito preconceito. Mas nunca como hoje é importante saber de que lado se está — e, sobretudo, como se está. Essa é uma decisão crucial, nomeadamente à esquerda. A esquerda que acredita poder roubar os votos nacionalistas à direita através de uma recusa do projeto europeu acaba por reforçar o argumentário que leva uma Marine Le Pen até perto do poder.

Compare-se a direita em Espanha com a esquerda em Portugal

Infelizmente a realidade é a realidade o resto não passa de narrativas tão ao gosto do PS. Uma das grandes agência de notação publicou uma comparação da actual situação dos países mais atingidos pela crise. Leia-se sem preconceitos ideológicos e depois digam-me a que se devem os foguetes.

Apesar de algumas semelhanças, a agência vê diferenças consideráveis entre os dois países da Península Ibérica, destacando que Espanha lidera a recuperação, com maior crescimento de emprego, consumo e exportações, pelo que admite melhorar para positivo o ‘outlook’ (perspetiva) do ‘rating’ do país, atualmente em BBB+ (dentro de nível de investimento).

Já sobre Portugal, é dito que “avança mais lentamente do que Espanha”, mas que “deve manter-se no caminho da recuperação moderada”.

Quanto ao ‘rating’ de Portugal, a S&P diz que este continua “constrangido pela elevada dívida pública e privada” e por um “sistema bancário que permanece frágil”, o que dificulta a transmissão da política monetária e o estímulo ao investimento.

Quer dizer Portugal cresce menos ( a Espanha está a crescer 3%), cria menos emprego , tem uma dívida bem maior face ao PIB e paga três vezes mais em juros. E a Espanha vai ter melhoria na avaliação ( juros mais baixos) enquanto Portugal continua preso à maquina

De que te ris, António ?

 

A consolidação orçamental precisa de medidas de qualidade

Reduzir drasticamente o investimento para alcançar o défice é a pior forma de o fazer.

E “o crescimento [económico] é crítico para levar o rácio da dívida para níveis sustentáveis”, acrescentou. Abdelhak Senhadji referiu que “as dinâmicas da dívida [pública] ainda não são realmente favoráveis a Portugal”. Ou seja, “existe um progresso significativo que tem de ser feito daqui em diante”, dado que em 2016 o rácio da dívida portuguesa colocou-a como a quarta maior a nível mundial.

Isto é óbvio só não vê quem não quer.

A extrema esquerda pode deitar tudo a perder

A extrema esquerda e a extrema direita francesas, tal como em Portugal, defendem a saída do euro e da União Europeia. É extraordinário mas não é de agora e não é virgem.

"É preciso que a extrema esquerda não deite tudo a perder" preocupam-se os franceses que não querem ver Le Pen na presidência. Mas o candidato comunista, ao contrário de todos os outros que já indicaram o seu apoio a Macron, mais facilmente apoiaria Maduro na Venezuela ou Castro em Cuba .

Como já fez o Partido Comunista Português recentemente,ao apoiar os regimes da Venezuela, de Cuba, da Coreia do Norte , de Angola , da Rússia, mas não a integração de Portugal na Europa.

“Benoît Hamon e todos os extremistas que tomaram conta do PS não me representam, diz uma francesa . Há quem esteja bem menos confiante nesses tais “votos da esquerda”. Isabelle fala em tom de desafio: “Se eles dizem que são de esquerda, é bom que não permitam a vitória a Le Pen”. E Hervé fala em tom de desespero: “A extrema-esquerda pode deitar isto tudo a perder. Espero que não. Mas pode”.

Cá em Portugal também sabemos como é .

Seja qual for o resultado a França não sairá da União Europeia

Para a França sair da União Europeia é preciso um referendo e a saída ganhar. Ora, as sondagens dizem que numa segunda volta com Le Pen o seu adversário, seja qual for, ganhará com 72% dos votos. Estes 72% dos votos corresponde aos franceses que não querem abandonar a Europa.

É por haver esta "segunda volta" chamemos-lhe assim, que Le Pen na primeira volta faz o pleno dos seus apoiantes. Este raciocino é frequente nas respostas dos franceses que são entrevistados à saída das urnas. Quer dizer, a segunda volta funciona como um seguro democrático e de vida.

Voto de protesto na primeira volta, voto pró europa na segunda volta. O dia de hoje é, naturalmente, importante, mas não é decisivo. Dentro de duas semanas, aí sim, será decisivo porque uma mais que improvável vitória de Le Pen abriria a porta a um referendo sobre a saída da Europa. Em Inglaterra, Cameron, ex-primeiro ministro, para resolver um problema de legitimidade dele próprio, abriu a porta ao Brexit . Hoje sabemos que a diferença foi mínima e que o futuro, os jovens, votaram pró-europa e que o governo inglês quer ficar com as vantagens de pertencer ao espaço europeu sem ter as responsabilidades.

A comissão de Bruxelas que negoceia com o governo inglês os termos do Brexit, não pode esquecer-se que tem os euro cépticos prontos a cantar vitória se " a Inglaterra ficar melhor fora do que dentro". É preciso fazer passar essa mensagem um óbvio contributo para a derrota de Le Pen.  

 

As razões das agências de rating

O país não melhora na avaliação das agências de rating porque ao contrário do governo e seus seguidores não vê melhorias no que é realmente importante .

Para haver uma subida de "rating" ou um "outlook" positivo, o rácio de dívida tem de estar numa tendência de descida duradoura e sustentável. A nossa expectativa é que, com base nas políticas de que temos conhecimento e das estimativas que usamos, o rácio de dívida desça, mas de forma lenta. O factor crítico é que o rácio de dívida continua muito elevado e é por isso que somos conservadores.

Nós sublinhamos no relatório o que tem de acontecer para um "outlook" positivo ou uma melhoria do "rating". Tem de haver provas de uma sustentada redução do rácio de dívida. E isso tem de vir via crescimento e via saldo primário. Está com o mesmo equilíbrio em ambas as direcções, como da última vez, porque da última vez também tivemos o "outlook" estável. Mas, claro, a estrutura económica tem sido um pouco mais encorajadora nos meses mais recentes.

O que temos é poucochinho .

Professores de português sem colocação devem emigrar

António Costa faz o mesmo convite razoável anteriormente feito por Passos Coelho. Uma das grandes vantagens da União Europeia é que torna os horizontes pessoais e profissionais muito mais alargados.

Gente capaz, jovem, não tem que passar os melhores anos da sua vida numa vil e apagada tristeza . Porque com a União Europeia podem emigrar com segurança, viver e trabalhar em países europeus onde se ganha bem e se beneficia de uma boa qualidade de vida.

Mas com Passos Coelho isto tornou-se numa indignação generalizada na esquerda, com Costa "no pasa nada".

O primeiro-ministro António Costa disse que o compromisso do presidente francês sobre o ensino do Português é uma oportunidade para muitos professores de Português que não têm trabalho em Portugal. As declarações foram transmitidas pelos canais de televisão e não tardaram a ser comparadas às do anterior primeiro-ministro.

Há uma espécie de clorofórmio inebriante que transforma a mesma medida em boa ou má conforme a origem. Se é de Passos é má e neoliberal. Se é de Costa é de estadista. Foi assim que chegamos ao PEC IV de Sócrates. Só muito tarde houve coragem para nos libertarmos de um manto de silêncio.

Um método orçamental mesquinho usado há décadas

Como quando José Sócrates nos deixou com um défice de 11,4% . Estadista, fez-nos crer que caminhávamos para o melhor dos mundos. Ainda há quem fale no PEC IV . Mas alguém quer saber de más notícias como as que nos chegam todos os dias de lá de fora a quem já pedimos ajuda e, pelo andar da carruagem, pediremos novamente ?

Centeno trouxe novidades a esta tragédia clássica sem, no entanto, alterar a base do enredo. Primeiro, tem tido a sorte que faltou a Teixeira dos Santos. A política de juros baixos do Banco Central Europeu, além de maquilhar a falência técnica do Estado português, permitiu uma redução de mais de 650 milhões nos encargos financeiros, só ultrapassada pela feroz queda do investimento público de mais de 1100 milhões. Esta é a segunda originalidade: o total desinteresse pelo aparelho produtivo, colocando o investimento estatal no valor mais baixo dos últimos 22 anos.

A terceira inovação é a descarada contradição no discurso. O governo apresentou-se desde o princípio como abertamente antiausteridade, repudiando os terríveis cortes e apertos dos últimos anos, para depois os agravar impiedosamente. Pior, o instrumento preferido foi a "captivação", que só por si manifesta a duplicidade e a dureza do exercício: as verbas são prometidas, mas nunca chegam a ser disponibilizadas. Este método mesquinho é usado há décadas, mas os 843 milhões de 2016 são raros, devido aos violentos e compreensíveis protestos dos serviços afectados. Protestos esses que, desta vez, primaram pela ausência.

Isso criou um momento histórico: o primeiro episódio de violenta austeridade conseguida sem tumultos e por um governo que mantém a popularidade.

Um clima assim teria criado, pela primeira vez em décadas, uma real oportunidade para uma verdadeira reforma do aparelho de despesa pública. Oportunidade certamente ilusória, devido aos compromissos impostos no acordo à esquerda. Esse autoriza, quando muito, a dose de cuidados paliativos aplicada, evitando a indispensável intervenção cirúrgica.

Os feitos orçamentais de 2016, e a forma paradoxal da sua obtenção, estão sem dúvida entre os mais notáveis da nossa atribulada história financeira. Apesar disso, os verdadeiros problemas das contas do Estado e do aparelho produtivo mantêm-se inalterados. O colapso, quando vier, parecerá uma surpresa e um acidente. Como em 2009.

 

A " nova situação" é o velho respeitinho pelos credores

A "nova situação" mistura o partido socialista com o apoio da extrema esquerda a aplicar uma política orçamental que na "velha situação" era de direita .

Nem nos melhores dos nossos sonhos podíamos imaginar que algum dia a austeridade e responsabilidade orçamental dessem o braço, promovidas por um governo socialista, com pacificação garantidas pelo PCP e pelo BE.

Sim, a "nova situação" é isto : o velho respeitinho pela ordem imposta pelos credores sem confusão nas ruas. Uma política orçamental de direita, sem manifestações e greves. Uma vela acendida ao santo Draghi e ao dinheiro barato, sem tumultos que abalem o sonho de que estamos a resolver os nossos reais problemas.

Os patrões de ínicio desconfiados começam a perceber que a "nova situação" até pode dar muito jeito. A "nova situação" espanta Bruxelas com a proposta de obter um excedente orçamental e a extrema esquerda bate palmas. A "nova situação" "vai além da Troika" como se dizia no tempo da "velha situação" mas a extrema esquerda cala-se.

A extrema esquerda descobriu as maravilhas daquilo que antes apelidavam de neoliberalismo ou, pior ainda, de submissão ao capital.

De facto o que está a acontecer nem no melhor dos nossos sonhos.

PS: ler Luís Marques - Expresso