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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Falhou a natureza

Fase Charlie terminou no dia 30 de Setembro. Foram retirados parte dos meios de ataque aos incêndios e a natureza devia começar a fazer chuva e a baixar a temperatura. Mas a natureza não cumpriu.

Perante o calor e a seca a Fase Charlie entrou na Fase Bravo. Era assim que estava planeado. Mas planeado ou não a verdade é que continuou tudo a arder e já morreram pelo menos mais 27 pessoas . Vai continuar, não fiquem ansiosos diz António Costa. 

Se vamos esquecer os incêndios e as mortes de Pedrógão, então o Governo merece uma estátua pela capacidade de gerir uma crise, mas o lioz dessa estátua será a nossa indiferença coletiva.
O truque foi fácil: adiar as conclusões para quando a trituradora da atualidade já tivesse sobreposto assuntos e até lá acusar quem tocasse no tema de aproveitamento da catástrofe. O estômago sobe à traqueia com vontade de sair pela boca, mas é mesmo assim.

Do relatório: "A questão que se coloca é a seguinte: no século XXI, com o avanço do conhecimento nos domínios da gestão da floresta, da meteorologia preventiva, da gestão do fogo florestal, das características físicas e da ocupação humana do território, como é possível que continuem a existir acontecimentos como os dramáticos incêndios da zona do Pinhal Interior que tiveram lugar no verão de 2017?"

E agora sabemos, também no Outono.

 

Costa promete - haverá mais dramas como os de hoje

António Costa já promete que haverá mais dramas como os de Pedrogão e os de hoje. Ninguém tem culpa, os incêndios são um problema estrutural e como tal não há demissões. Nem da actual ministra nem dos antigos onde, por acaso, encontramos o actual primeiro ministro.

É que é mesmo por esta circunstância que António Costa defende a ministra "à outrance" . Se tivesse que a demitir por causa dos incêndios que fazer com ele próprio que é o pai da organização estatal de ataque aos incêndios que tão bons resultados tem dado ?

Na última década houve poucos incêndios há muito combustível acumulado e com este verão que não nos larga é de prever que nos próximos dias haja mais do mesmo.

Claro que ninguém pergunta a Costa porque é que não mandou limpar a floresta mas isso não estará ao alcance das devoluções. São muito mais fáceis de fazer e ganham-se votos, já mandar limpar a floresta só dá chatices. Sem fogos ninguém se lembra do governo que mandou fazer a limpeza da floresta.

E bem vistas as coisas além dos seis anos nos governos Sócrates só tem dois anos no actual governo. Como se vê não teve tempo para fazer o quer que seja . Não, sem varinha de condão, os portugueses são adultos e percebem...

Quem ganha com os incêndios ?

Fazem-se relatórios para nos dizerem que a culpa é do calor, da falta de limpeza e de meios, mas ninguém manda fazer relatórios para responder a esta pergunta óbvia. Quem ganha com os incêndios ?

Depois do incêndio a madeira ardida é comprada por quem ? Quem é que faz negócio com os meios de ataque ao incêndio ? Quem compra, manda reparar, manda fazer a manutenção dos meios ?

E os meios da força aérea não podem estar preparados com "kits" que transformem aviões de transporte em aviões de combate aos incêndios ? O mesmo para hélios ?

Autoridades locais dizem ( sem que ninguém os ouça) que depois dos incêndios aparecem uns senhores muito bem intencionados a quererem comprar a madeira e as terras, assim transformando minifúndio em latifúndios a partir do emparcelamento das terras.

Mas já alguém viu algum governante deslocar-se ao terreno para ouvir os locais ? Já alguém se deu ao trabalho de seguir o circuito económico iniciado com um incêndio ? Ou é pura maldade ? Ou é o raio ( que os parta)?

Há mortes no dia de hoje, amanhã de manhã vamos ficar a saber em toda a extensão a hecatombe que decorre neste momento. E lá teremos mais um relatório que tem como objectivo silenciar, de preferência com resultados daqui a três meses e longe do período das eleições.

O que é preciso fazer para tirar de cima os políticos e dar meios e competências aos poderes e populações locais ?

E as mãos criminosas são assim tão poderosas que se tenha medo ? É que a troika ( de gente lá de fora) em três anos derrubou o " dono disto tudo", um governo estadista e vários gestores vencedores de prémios internacionais.

Ou estamos à espera que arda tudo para depois chamar alguém independente das negociatas para colocar as coisas nos eixos ?

 

Há uma mão criminosa nos incêndios - a do Estado.

Em qualquer país decente já havia demissões : Responsabilidade sistémica – O que os peritos dizem é que o modelo existente (prevenção, de um lado; combate, do outro) é um modelo errado. E dizem que, em alternativa, é preciso maior integração entre prevenção e combate. Ou seja, um arraso no modelo criado em 2005 por António Costa, então MAI.

Responsabilidade política – Os dados não deixam margem para dúvidas: o Governo falhou em toda a linha na área da Protecção Civil. Falhou no modelo. Falhou nas pessoas que escolheu para a Protecção Civil. Falhou na nomeação de Comandantes sem experiência e com licenciaturas de farinha amparo. Falhou em nomeações feitas fora de tempo, em cima da época de incêndios. E então? Não há responsabilidades políticas? Ninguém se demite? O Governo vai novamente sacudir a água do capote?
• Em boa verdade, se tivesse um mínimo de princípios, depois deste relatório, a MAI pedia para sair e colocava o seu lugar à disposição.
• Mas isso não vai suceder. O PM só vai querer ler uma das partes do relatório (Recomendações) e finge que não lê o resto.

Há uma mão criminosa- a de todos os ministros MAI que lançaram milhões de euros para cima dos fogos, em SIRESP e meios aéreos mas não tiveram a coragem de ir ao terreno e encontrar soluções. Com as populações, os poderes locais, os bombeiros.

Agora é só esperar que chegue a chuva e se apague a memória. Enterram-se os mortos e dá-se música aos vivos. Até para o ano.

Um orçamento para eleições não para as próximas gerações

Marques Mendes junta-se aos muitos que apontam a imprudência do orçamento apresentado.

É um OE de "abrir a sério os cordões à bolsa". Praticamente toda a folga económica existente é gasta a satisfazer as clientelas da geringonça;
• É um OE virado para eleições. Para eleições em 2018, caso haja uma crise (improvável). Ou para eleições em 2019, fazendo com que o PS aproveite 2018 para se consolidar já em alta nas sondagens.

Devíamos ter aproveitado a "folga" económica para uma maior redução do défice e da dívida. Quanto ao défice, como disse Daniel Bessa esta semana, com este crescimento económico já devia estar a 0%. E quanto à dívida, há uma redução mas devia ser bem maior. Afinal, é o nosso calcanhar de Aquiles.
• Numa palavra: olhou-se para o imediato, não para o médio prazo; tudo isto é obra de políticos, não de estadistas; pensou-se nas próximas eleições, não nas próximas gerações.

2018 e 2019 serão bem mais complicados

Neste momento mais favorável o orçamento devia ser cauteloso e de poupança. Mas não é. Pressionado por PCP e BE vai distribuir o que não há e que no futuro próximo vai ser um quebra cabeças.

Não há nenhuma instituição financeira que estime para o próximo ano um maior crescimento da economia ( bem à sua maneira António Costa já lhe anda a chamar o maior crescimento do século).

Já foi sinalizado o fim dos estímulos às economias, o que quer dizer que, sem grandes surpresas, as taxas de juro vão começar a subir . O petróleo começa a testar com regularidade os 60 dólares quando até meados deste ano andou nos 40 e os 50 dólares. E quatro das maiores economias do euro vão desacelerar - Espanha ( principal destino das exportações portuguesas) Holanda, Itália e Alemanha ( terceiro destino das exportações portuguesas). A excepção será a França ( segundo destino das exportações ).

Em contrapartida vamos contar com a produção e exportação do novo veículo da Autoeuropa, com a manutenção do forte crescimento do turismo, com a continuação do sólido investimento na construção, com a vinda de estudantes estrangeiros e com a animação das empresas na área das tecnologias de informação com a realização da Web summit em 2018 e 2019.

E tudo isto não deixa dúvidas que dificulta a redução do défice,  com a orientação da redução do IRS e o aumento da folha de salários da função pública. Tudo compensado com o aumento da derrama sobre as grandes empresas o que é um péssimo sinal para a economia que necessita de investimento privado para manter bons níveis de crescimento.

Mas a geringonça irá encontrar, seguramente, um culpado sob a batuta desse génio da táctica que dá pelo nome de António Costa.

(PS : a partir de texto de Nicolau santos - Expresso)

 

 

 

Desapareceram vinte mil milhões de Euros

Desapareceram mas estão aí algures a recato em contas de certas famílias. Um assalto organizado ao Estado por políticos, gestores privados e públicos, com a complacência das instituições controladoras que não viram ou não quiseram ver.

Desde a Caixa Geral de Depósitos ao BPN, passando por grandes empresas, Convém ainda não esquecer que as actuações de políticos, banqueiros, bancários, gestores e empresários relativamente às PPP, aos swaps e aos golpes em quase todos os bancos portugueses estão fora da alçada deste processo Sócrates barra Salgado barra Espírito Santo barra PT.

Mas ficaremos a saber que duas ou três (ou mais...) operações políticas e financeiras de assalto ao Estado, a algumas das melhores empresas portuguesas, aos recursos de milhões de depositantes, credores, accionistas e investidores se desenvolveram durante anos. O que aconteceu com a cumplicidade de um ou dois partidos políticos, com a participação activa de alguns dos "melhores" banqueiros portugueses, com a intervenção maliciosa de um governo, com a colaboração dolosa de vários gestores privados e públicos.

Ficaremos todos a perder .

 

 

Um orçamento pouco amigo de quem produz e cria emprego

O problema é e foi sempre o mesmo. Não produzimos o suficiente e não somos competitivos. O lucro, entre nós, é visto como um pecado não se percebendo que é o lucro reinvestido que cria postos de trabalho no futuro.

“Qual é o objetivo do governo, de António Costa e Mário Centeno, com este [terceiro] orçamento do Estado? É promover a poupança e o investimento, é reformar o país neste ambiente de bonança, ou é aproveitar a boleia do ciclo económico para dar tudo o que puder, o que temos e o que não sabemos se teremos amanhã? Tenho uma resposta, mas vamos esperar pela apresentação do ministro das Finanças para podermos retirar as devidas conclusões”. A resposta está dada.

O agravamento do IRC não é simbólico, vai ter impacto nos resultados das empresas. E criar incentivos perversos. Aliás, o investimento até vai abrandar em 2018. E não vale a pena defender a tese de que estão a criar um mercado interno mais forte, com a devolução de IRS e os aumentos nas pensões e na Função Pública. Porque, ao mesmo tempo, estão a dizer às empresas que têm de exportar, e que as exportações têm de aumentar o seu peso no PIB. Não é assim que o conseguirão.

Este Orçamento do Estado que vai ser aprovado – pudera, depois de tantas concessões nas últimas duas semanas – não é só uma oportunidade perdida, é quase uma irresponsabilidade. Pelo que não faz pelas empresas, mas também pelos incentivos que cria a tantos que estão a ser enganados sobre a natureza estrutural do Portugal que temos hoje.

Este foi sempre o caminho que nos levou à pobreza e à desigualdade. Quem emigra, em grande número, são os trabalhadores pobres que não encontram emprego.

O orçamento/2018 é razoavelmente omisso

Como é que o aumento da despesa é paga ? Bem isso é razoavelmente omisso no orçamento.

Se ouvirmos políticos nenhum se atreve a criticar o aumento da despesa com salários e pensões não vá desagradar aos seus. Mas se ouvirmos economistas, jornalistas e outros todos eles fazem uma pergunta : e como é que se paga ?

Neste texto do Nicolau Santos temos um bom exemplo. Enumera um extenso lençol de aumentos da despesa mas quanto às receitas, não passa disto :

...as fragilidades são óbvias bastará que ventos contrários soprem do exterior ; a economia não cresce sem investimento seja público ou privado e também não pode ser esquecido o apoio às empresas : ora tudo isto está razoavelmente omisso no orçamento apresentado.

E se as coisas correrem mal outros virão a seguir apagar a luz , digo eu...

Assim serão precisos 500 anos para pagar a dívida

Daniel Bessa( ministro de Guterres) diz o que muita gente confirma. Patriótico e de esquerda ( para usar o chavão comunista) era não subir as pensões e com os mil milhões em excesso baixar o défice para zero.

Assim é que o país ganharia reputação aos olhos dos nossos credores e preparávamos o país para a crise seguinte que mais tarde ou mais cedo chega aí. Nos tempos bons poupar para não abanar ao primeiro trambolhão. Foi o que fizeram todos os países que evitaram crise, já nós, andávamos alegremente a gastar dinheiro em TGV que nunca saíram do papel.

“Isso é que daria ao mundo um sinal de que os dez milhões de senhoras e cavalheiros deste país estão preocupados com este problema [da dívida elevada] e, de uma vez por todas, resolveram dar-lhe uma resposta”, referiu ao jornal. Para Daniel Bessa, a dívida pública elevada é “um barril de pólvora” que lhe causa “preocupação”. “O que este país não geriu (…) foi [o] risco. Acumulou dívida em excesso, um dia as coisas desandaram e a dívida caiu em cima de nós”,

O governo queria crescer pelo aumento da despesa e pelo aumento do consumo interno mas está a crescer pelas exportações. Mas ainda bem mesmo que o governo não saiba porquê.