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BandaLarga

as autoestradas da informação

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TG QUÊ?

Todos os portugueses sensatos ficaram tranquilizados quando o nosso Ministro da Economia e, mais tarde e de forma mais clara, o nosso Primeiro-Ministro afiançaram que o fantasioso TGV (o adjectivo é meu) seria processo para esquecer e que o Governo iria empenhar-se na ligação ferroviária para transporte de mercadorias em bitola europeia.

 

Dir-me-ão que fui ingénuo ao acreditar.

Bem sei que o que agora é Primeiro-Ministro disse na campanha eleitoral coisas que sabia não iria pode cumprir. Não desculpo o ardil, mas não deixo de o encarar, apesar de tudo, com alguma normalidade, sabendo-se, como é bem sabido, que quem fala verdade não ganha eleições.

É assim, infelizmente, como teremos oportunidade de ver nas próximas semanas no Sporting Clube de Portugal. Verão que, se aparecer um candidato com discurso sério, sensato e realista, afirmando que o clube terá de superar um bom par de anos sem aspirar a ganhar nada de importante até que restaure a sua pujança, terá uma votação diminuta. Ganhará o que convencer trazer no bolsinho do casaco (as cuecas há muitos anos que deixaram de o ter) a solução milagrosa, os amigos certos e as influências adequadas. Depois, claro, depois lá terão o cortejo de treinadores, o carnaval do luto, a culpabilização do sistema.

O Sporting Clube de Portugal é tão parecido com o país que, também por isso, o nome lhe vai bem.

Mas, voltando ao TGV, ouço o apaniguados do governo dizer, sem que nada de concreto expliquem, que é uma coisa totalmente diferente, que o nome não interessa, que interessa é que é uma ligação para meradorias em bitola europeia, que também pode transportar passageiros. Ao que parece, citado do Ministro das Finanças, publicou-se que se tratava da ligação Lisboa-Madrid.
Então, ocorrem-me umas singelas perguntas:
- Se é para transportar mercadorias, para que é necessária a alta velocidade? Existe o transporte "TGV" de mercadorias na Europa?
- Se, também, é para mercadorias, porque é Lisboa-Madrid? Há grandes portos ou entrepostos de mercadorias transportáveis por comboio em qualquer das cidades? Como ficam os portos de Sines, Setúbal, Figueira da Foz, Aveiro, Leixões, Viana?
- Qual a concertação existente entre os governos de Portugal e Espanha para a continuidade da linha para lá dos Pirinéus?
- Qual o custto acrescido da valência de transporte de passageiros e qual a previsão de frequência da linha? Foi ponderada a compatibilizaçao da necessidade de transporte rápido de passageiros com a descarga das mercadorias? Chegou-se à conclusão de que vai haver muita gente a querer viajar de comboio para Paris ou Berlim?
- Qual o custo acrescido da alta velocidade relativamente a uma linha convencional em bitola europeia?
- Quanto será o montante dos 15 por cento com que a generosa UE não comparticipará e quais os custos previsíveis da exploração?

Claro que os deputados e os jornalistas não querem saber disto para nada. Importante é o currículo do Franquelim, o que diz Ulrich ou que António dirigirá o PS sem "D".

Qualquer dia, mudará o treinador e a equipa continuará na mesma.

Viva o Sporting, pois!

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