Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

BandaLarga

as autoestradas da informação

BandaLarga

as autoestradas da informação

Ao contrário de António Costa Marcelo interrompeu as férias

Ao contrário de António Costa, Marcelo interrompeu as férias . É um sinal claríssimo de afastamento político .

Perante a tragédia diária o governo não toma decisão nenhuma desde logo demitir os responsáveis. E porque será ?

O actual primeiro ministro foi ministro da Administração Interna, logo responsável pelas políticas do governo de Sócrates para a floresta. É realmente difícil demitir alguém sem em primeiro lugar demitir-se a si próprio.

É que o que temos na floresta, no essencial, é obra de Costa. Os aviões Kamov e os helicópteros, o SIRESP , a organização dos meios e a falta deles, e o afastamento dos vigilantes e dos proprietários. 

Jorge Coelho demitiu-se após a derrocada da Ponte de Entre-os Rios. Sabemos hoje que o então ministro tinha numa das gavetas um relatório técnico a avisá-lo dos estado da ponte. A que não ligou nenhuma.

António Costa perante a tragédia que não há como esconder, vem agora dizer que a "culpa não morrerá solteira" . E descobriu também que as calhas técnicas por onde deviam passar os cabos ópticos foi dinheiro deitado à rua. Ninguém sabia ou quem comprou o SIRESP e negociou contratos e os assinou, fechou os olhos aos postes de madeira muito mais baratos mas que ardem com os fogos ?

António Costa que negociou o SIRESP e os meios aéreos se levar a peito a sua declaração, não tem refúgio possível. É que não lhe faltam relatórios técnicos metios na gaveta.

Marcelo anda a fazer-lhe a cama onde se irá deitar.

 

 

Os mitos que contribuíram para a nossa desgraça

Os mitos estão a ser desmontados. Não porque o crescimento dos últimos três trimestres tenha atingido níveis estratosféricos ou apenas invulgares. A média de 2,5% registada desde Outubro do ano passado é relativamente banal no plano europeu e medíocre para as nossas reais necessidades. Mas depois do prolongado jejum de quase duas décadas, com três recessões e um resgate pelo meio, já nos sentimos saciados com uma refeição mediana.

– Com esta política europeia não haverá crescimento económico

Quantas vezes não ouvimos esta frase, em diferentes versões mas sempre com o mesmo sentido? A culpa seria do Tratado Orçamental, dos “fanáticos da austeridade”, da “obsessão com o défice” ou da “penalização moral dos países do Sul”. Os tiranos tinham até rostos e nomes: Angela Merkel, Wolfgang Schauble e Jeroen Dijsselbloem. Ora, não só não se registaram mudanças nas políticas propostas por Bruxelas, como os tratados continuam em vigor e todos estes responsáveis se mantêm nas suas funções – ao que parece pelas sondagens, Merkel vai até renovar o seu mandato em Outubro

2 – A obsessão com o défice mata a economia

Depois do tratamento de choque que o limiar da bancarrota tornou inevitável, logo se começaram a ver “folgas” e se começou a pensar que o melhor era manter o défice orçamental ali pelos 3% sem esforços adicionais porque só assim se criaria espaço para dinamizar o crescimento económico. O “défice mais baixo da democracia” não é, afinal, um travão ao “crescimento mais alto da década”. A ideia de que a economia é comandada pelo Estado e por políticas económicas definidas por um punhado de economistas com uma folha de Excel já conheceu melhores dias. No fim do dia, a confiança que o equilíbrio orçamental transmite aos agentes económicos, aos nossos parceiros comerciais e aos nossos credores tem efeitos positivos mais prolongados do que os milhões que se atiram, tantas vezes sem critério, para a economia.

3 – O investimento público é fundamental

O investimento público é fundamental, de facto, para muitas coisas. Mas uma dessas funções cruciais não é, certamente, o efeito aritmético imediato que tem no cálculo do PIB. Porque, sabemos por experiência própria, as décimas a mais que conseguimos nas estatísticas do crescimento económico num ou noutro ano vamos pagá-las mais tarde com juros pesados se esses investimentos não forem racionais e necessários, com retorno económico e social comprovado.  Depois de uma série de anos de contenção no investimento público tivemos, em 2016, o valor mais baixo em muitos anos – porque o Governo, bem, optou por dar prioridade à redução do défice. E cá estamos com a economia a crescer sem precisar, para isso, do efeito provocado na actividade pela construção de mais uma auto-estrada, um estádio de futebol, um conjunto de barragens eléctricas ou outras coisas de mais do que duvidosa necessidade.

4 – Isto só lá vai com o estímulo do consumo

A destruição deste mito é, talvez, a mais importante de todas. Eu acredito que a economia portuguesa saiu estruturalmente mais forte da dieta forçada imposta pelo resgate e pela consequente recessão.

E o resultado está à vista. O primeiro motor deste ciclo de crescimento foram as exportações (que, estatisticamente, incluem o turismo) e o segundo está a ser o investimento. E isso é positivo, ainda que neste último caso possa haver algum efeito do eleitoralismo autárquico.
Seja como for, não são os estímulos dados aos cidadãos para que estes consumam que estão a fazer a diferença neste ciclo de crescimento económico. Até porque uma boa parte do que compramos é importado. Por outro lado, algum consumo é pago com o recurso ao crédito e uma das últimas coisas de que necessitamos é de desviar os recursos financeiros da banca para estas finalidades.

A Catarina Martins dizia que as exportações eram uma treta. É no que dá uma actriz ir além da chinela.

A seca e os incêndios

Os sinais são preocupantes e até indiciadores de termos atingido um máximo de taxa de crescimento trimestral para este ano.

O investimento, sem crescer mais, não permite aumentar as exportações ( que têm sido realizadas com base em capacidade instalada e não em capacidade acrescida ) e o aumento de rendimento disponível, alavancado pelo crédito ao consumo em que aposta o governo, vai arrastar mais importações e mais desequilibro no endividamento nacional .

O Turismo, que tem sido o motor desta primavera económica, vai agora iniciar um menor crescimento a que não é alheio um entupimento da capacidade aeroportuária.

Os incêndios vão levar a quebras de actividade já nos próximos trimestres e a seca com impacte na produção agrícola.

Ou os investidores ganham confiança na governação portuguesa, que não vejo suceder, e reagem com um aumento de investimento em bens de capital, ou os próximos trimestres podem ser o definhar face ao inicio do ano.

PS : João Duque - Expresso)

A geringonça prova que há Estado a mais

A geringonça está a devolver rendimentos e pensões à custa da qualidade dos serviços públicos. E as sondagens parecem mostrar que o povo gosta. Menos estado e mais sociedade civil.

Ironicamente, a neoausteridade veio provar definitivamente que dois dos argumentos mais utilizados por socialistas nos últimos 10 anos estavam errados. O primeiro é de que o investimento público é condição necessária para o crescimento. Como se viu nos últimos trimestres desde 2016, Portugal conseguiu ao mesmo tempo as maiores taxas de crescimento económico desde a crise e os níveis mais baixos de investimento público desde que há dados publicados. Por outro lado, a popularidade das medidas neoausteritárias, em relação às da austeridade clássica, vieram comprovar outra coisa que os socialistas sempre negaram: as pessoas preferem mais rendimento a mais serviços públicos. Sendo verdade que quase todos esses euros acabam por ir para impostos indirectos, a verdade é que a política de devolução de rendimentos à custa de cortes nos serviços públicos foi popular. Se os portugueses aceitam sacrificar a qualidade dos serviços públicos por mais uns euros ao final do mês é porque os liberais sempre tiveram razão: há estado a mais em Portugal.

O crescimento das vendas de carros eléctricos

Chegaram e o crescimento das vendas é inexorável. As soluções para tornarem sustentável a mobilidade eléctrica já estão no mercado.

Conseguirá a rede de postos de carregamento acompanhar o crescimento das vendas de veículos eletrificados que os analistas e peritos esperam? Não há razão para acreditar que a rede não crescerá à medida que as vendas o façam, até porque, identificada a oportunidade de negócio, é de esperar que surjam empresas interessadas em ocupar este espaço e operar postos de carregamento, tal como acontece já em Los Angeles, EUA, com a ChargePoint.

Para facilitar a necessária massificação dos postos de carregamento, a Urbitricity propõe uma ideia revolucionária e muito mais barata: utilizar os postes de iluminação para instalar tomadas que servirão para recarregar as baterias dos veículos. Recorrendo a um cabo especial, com um contador e um leitor de cartões, este sistema, que atualmente está a ser testado em algumas cidades europeias, permite contabilizar a energia utilizada e cobrá-la.

Com um custo estimado de 100 euros por cada tomada instalada, o sistema agora proposto pela empresa alemã –  já está em fase de testes em cidades como Londres, Berlim e Amesterdão .

Se os sindicatos na AutoEuropa quiserem

A economia portuguesa pode chegar aos 3% ainda este ano (?) ou em 2018, em vez de cair, se os sindicatos da CGTP não bloquearem a produção do novo veículo da AutoEuropa.

A produção iniciou-se na primeira semana de Agosto e promete acelerar o PIB português, até pelo feito de arrastamento que o fabricante alemão tem sobre os fornecedores de componentes automóveis em Portugal.

A AutoEuropa vai passar de 86 000 carros produzidos em 2016 para mais de 200 000 em 2018, assim não haja borrasca na frente externa e os sindicatos deixem a Comissão de Trabalhadores conseguir os acordos laborais com a Administração da fábrica. É que para produzir 200 000 carros é preciso trabalhar aos sábados e contratar mais 2 000 trabalhadores.

Contrariamente ao habitual ( na AutoEuropa) os sindicatos estão a ameaçar com greves e querem ser parte das negociações ( o que nunca conseguiram ser enquanto a Comissão de Trabalhadores foi liderada por António Chora).

Eu não sou de boatos mas a verdade é que, paralelamente, o PCP está a negociar com o governo o Orçamento para 2018 .

Para bom entendedor...

A ilusão percentual

O PIB do primeiro semestre de 2017 permanece abaixo dos máximos de 2007 e 2008. Até no primeiro semestre de 2011, quando da iminência da bancarrota, o primeiro ministro, José Sócrates, teve de pedir ajuda financeira da troika, a economia portuguesa conseguiu gerar mais riqueza do que agora .

Tão importante quanto a percentagem é conhecer o ponto de partida, ou seja, a base sobre a qual é calculada a taxa de crescimento. Ora, convém lembrar que a base destes 2,8% foi o PIB do primeiro semestre de 2016, o período logo após a tomada de posse do governo, que ficou marcado pelo colapso do investimento e pelo abrandamento da economia .

Crescer a partir de uma base baixa, como foi o caso do primeiro semestre de 2017, é bem mais fácil do que crescer  de uma base mais robusta,  como será o caso do segundo semestre de 2017.

É por isso que ninguem arrisca elevar a fasquia para os 3%.

Emprego precário e mal pago . A sustentabilidade da retoma é muito mais baixa

E a emigração continua a alimentar-se de gente sem trabalho ou com trabalho mal pago o que não impede as loas governamentais sobre os números do desemprego.

No turismo – setor que tem sustentado em grande parte o aumento das ofertas de emprego – as coisas passam-se do mesmo modo. Para além da sazonalidade – encargo que tem de ficar do lado do empregado e não no do empregador – os serviços são tremendamente mal pagos e a concorrência é tremendamente desleal: cursos superiores, anos de experiência e outros fatores anteriormente tidos como uma mais-valia valem coisa nenhuma.

É inegável que é o setor dos serviços que está a sustentar a retoma do emprego. O que faz com que seja igualmente inegável que a sustentabilidade da retoma seja potencialmente muito escassa. E que a qualidade dos empregos seja potencialmente muito baixa. Não será por acaso que um número constantemente muito alto de jovens muito qualificados continue a sair do país para trabalhar – por muito que qualquer um dos que regresse tenha de imediato direito aos seus 15 minutos de fama estrelar.

Não chega é preciso crescer mais rapidamente do que a dívida

Em particular,  o país deveria crescer significativamente acima da taxa de crescimento “natural” da dívida pública – a taxa de juro implícita média da dívida pública, que provavelmente será de cerca de 3,3% em 2017.[1]

Ou seja, seria fundamental ambicionar crescer mais rapidamente do que a dívida. Em termos nominais, entre 4% e 5% ao ano, e não 3,4% como no 1º trimestre do ano corrente. O Orçamento do Estado de 2018 e dos anos seguintes deveriam ter esse objectivo. Dessa forma teríamos duas das três componentes que determinam a trajectória de variação da dívida pública – a taxa de crescimento económico nominal e o saldo primário positivo (saldo orçamental antes da despesa com juros) -, a contribuir marcadamente para a redução da dívida pública, e que em conjunto teriam um efeito favorável na terceira componente, a taxa de juro da dívida da República.

E uma elevada taxa de crescimento económico não deixaria de se traduzir num melhor nível de vida para os portugueses, sendo importante para assegurar que, no longo prazo, a economia portuguesa seja competitiva e dinâmica, atraindo investimento produtivo e pessoas.

 

Recuperação da economia : o efeito de base

Após uma recessão há uma recuperação .

O crescimento homólogo de 2,8% no segundo trimestre causou alguma desilusão face às elevadas expectativas – no Jornal Económico noticiámos previsões de economistas que, no melhor cenário, apontavam para um crescimento de 3,4%.

Mas é bom pôr as coisas em perspectiva. Com dois trimestres consecutivos de crescimento sólido, a primeira metade do ano revelou uma dinâmica pouco comum nos anos mais recentes. É quase certo que o conjunto do ano traga a maior taxa de crescimento deste século.

Esta recuperação está a ser conseguida com a estabilização do consumo e dos rendimentos dos portugueses, com as exportações a manterem uma impressionante capacidade de crescimento, mesmo depois de anos de expansão robusta. E, finalmente, o investimento está a dar sinais de vida.

É certo que podemos estar perante um fenómeno por vezes ignorado na análise económica: o efeito de base. Depois de uma queda acentuada da atividade económica, é comum haver recuperações pujantes logo a seguir, apenas porque o ponto de partida para calcular a taxa de variação encolheu.

Historicamente, o país tem, desde os anos 70, quebras de atividade mais acentuadas uma vez em cada década, e recuperações mais ou menos demoradas logo a seguir.