as autoestradas da informação

23
Out 14

Em França sopram novos ventos que mais tarde ou mais cedo vão chegar até nós. O Primeiro Ministro, socialista, quer mudar de nome ao partido e deixar de lhe chamar socialista. Quer juntar-se ao centro. Interessa-lhe governar com medidas pragmáticas que resolvam problemas concretos. Holland, com a sua imagem desgastada, olha impotente para esta discussão .

Os governos de Holland, que chegou ao poder à esquerda, revelaram-se incapazes de resolver os problemas . Não que as ideologias tenham acabado, serão sempre o húmus de onde brotarão os sonhos que fazem o mundo avançar, mas quem governa tem que se haver com problemas concretos que não pode evitar. E, aí, não há ideologias que nos valham no quadro da democracia e da liberdade.

Valls acha que mesmo a mudança do nome do partido não deve ser um tabu: diz que deverão ser fundados uma federação ou um movimento, "uma casa comum" aberta aos "progressistas', nos quais inclui os centristas de François Bayrou, antigo ministro da Educação.

Faz recordar Olaf Palme, o primeiro ministro Sueco que lançou as bases da moderna sociedade do seu país e que morreu às mãos de um nunca identificado assassino. Dizia que "tal como no futebol as grandes jogadas gizam-se ao centro".

António Costa deve estar mais do que nunca atento. Os velhos socialistas, tal como com Holland, cercam-no.

 

publicado por Luis Moreira às 11:35
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22
Out 14

Renegociar a dívida. O PS leva da esquerda e da direita. E ideias concretas, há ? Os socialistas jogam à defesa. É preciso discutir a dívida mas não avançam com ideia nenhuma. Depois da discussão do orçamento haverá a discussão da dívida na AR, primeira prova de fogo do PS de António Costa. Junta-se ao PCP e BE no "hair cut" ou quer pagar a dívida no quadro de uma solução europeia?

O PS acabou por estar no centro do debate, com os restantes partidos da oposição e da maioria a acusarem os socialistas de não assumirem uma posição sobre a reestruturação de dívida nem de apresentarem soluções concretas. "Dos que levantam a voz para falar contra a dívida, foram muito poucos os que levantaram a voz para falar contra a despesa. Para este debate ser sério, teremos de discutir as causas deste problema", apontou a deputada do CDS-PP, Cecília Meireles, apontando a falta ideias concretas do projecto de resolução do PS.

Pois é, como se diz na gestão das empresas " as ideias gerais são comigo os pormenores são contigo"...

 

publicado por Luis Moreira às 20:55

É meu amigo de infância, nasceu numa pequena aldeia junto a Castelo Branco e estudou nesta cidade. Logo que as notificações da tropa começaram a bater-lhe à porta, nos idos de sessenta , pôs-se ao fresco. Foi para Paris estudar cinema. Conheceu muita gente célebre. Logo que aprendeu a língua francesa rumou a norte, a Londres. Novamente o cinema onde fez de tudo atrás das câmaras. Aqui conheceu Ingmar Berman que o convidou a ir até à Suécia. Está lá há quarenta anos. Cinema, sempre cinema. Tem filhos e filhas pelo mundo repartidos sendo que uma das filhas é uma das actrizes de um filme em exibição em Lisboa. Fala das mulheres do cinema com o mesmo entusiasmo de há quarenta anos. Na Suécia, quando lá chegou, na ilha onde vivia o realizador, só viviam três homens de cabelo escuro. Tinha uma saída junto das mulheres louras e brancas que não era brinquedo. Ele próprio agora também já é branco e louro

Veio a Portugal matar saudades e falar sobre cinema em vários locais. Eu sempre que o apanhava aqui em Lisboa levava-o a jantar. O Orlando, só comia bacalhau. Adora tudo o que é português e não há melhor terra para se viver nas suas próprias palavras. Ele que conhece o mundo.

Há dois dias voltou para a sua Suécia. Já me telefonou e enviou mails e sms. Saudades. Está combinado. Tenho lá um apartamento à minha espera. É só o António Costa devolver-me o excesso de IRS e IVA.

publicado por Luis Moreira às 16:22

Honoris causa significa “por causa de honra” e é uma palavra de origem latina. Geralmente honoris causa é utilizada quando uma universidade deseja conceder um titulo de honra para uma personalidade ou uma pessoa importante.

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publicado por Luis Moreira às 02:17

21
Out 14

Quem diria. Das anedotas e da pobreza saltaram para a construção e reparação de aviões.

Este é um projecto conjunto com as indústrias de Defesa da Argentina, Portugal e República Checa", parceiros industriais da Embraer no projecto, afirmou Jackson Scheiner, presidente da Embraer Defesa e Segurança, na cerimónia de inauguração.

Parte dos componentes são construídos em Portugal, nas oficinas da OGMA e com cerca de 18 entidades associadas ao fornecimento de componentes, sob coordenação da EEA. A OGMA já arrancou também com os procedimentos para fazer manutenção destes aviões.

A Embraer conta ainda com duas fábricas em Évora, onde são construídos componentes para os jactos Legacy e E-Jets e onde também são construídos alguns componentes para este cargueiro.

E somos parceiros na NATO e nos PALOP podemos ajudar a vendê-los mesmo com pronúncia alentejana.

publicado por Luis Moreira às 19:04

Já sabemos que é para defender o serviço público, embora o que se vê é os utentes sofrerem mil tormentos . Outra razão é lutar contra a privatização embora o que se vê é que há cada vez mais gente contra a empresa pública por causa das greves. Há ainda uma deterioração das condições de trabalho nunca explicada. Tudo resumido o que os sindicatos querem é fazer política alinhada com o PCP. E não se importam nada de prejudicar os mais vulneráveis já que os outros andam de carro.

A empresa em 2010 teve prejuízos de 76 milhões de euros. Apesar das greves foi possível evoluir e o ano passado teve 24 milhões de lucro. Isto só foi possível porque se introduziu racionalidade na gestão, nos múltiplos subsídios que eram pagos por tudo e por nada. Para qualquer mortal esta seria uma boa razão para continuar a melhorar o dito serviço público prestado mas, dizem os sindicalistas da CGTP, que ter lucro é preparar a empresa para ser privatizada. Quer dizer, empresa pública não pode ser lucrativa tem mesmo que viver à conta do contribuinte.

Felizmente que a maioria de nós sabe que serviço público não é sinónimo de greves. Mas promover  onze greves num ano é mesmo para privatizar. Pois então, privatize-se!

 

 

publicado por Luis Moreira às 16:26

 

 

mãos.jpg

 

 

http://youtu.be/n0XTnmr9rxo
Wagner Tanhaüser. Coro dos peregrinos
http://www.youtube.com/watch?v=n0XTnmr9rxo&feature=youtu.be&t=2mhttp://youtu.be/n0XTnmr9rxo%3ft=1m17s47s
Ligação http://www.youtube.com/watch?v=n0XTnmr9rxo&t=4m6s para o vídeo



Foi uma surpresa. Sabíamos que vinha, mas nunca tão cedo, o nosso weñe Javier ou Javier Weñe. Nasceu as 13 ppm da quinta-feira dum espirro da mãe!
Não é simples nem difícil. Falar de netos e referir uma geração que substitui a outra. Em anos curtos, ou ao longo de mais da uma década. Há factores heterogéneos, diversos, que permitem que três gerações sejam capazes de partilhar a sua vida dentro do mesmo universo. Parece-me que a mais elementar é a cronologia das idades dos progenitores da geração mais antiga. Se a paixão, o namoro, a sedução começam a uma idade temprana, pode acontecer que essas três ou quatro gerações partilhem o mundo durante um tempo cumprido. Se o convívio sedutor começa tarde, o mais provável é que a vida em conjunto seja mais corto que o que desejarmos. O leitor pode entender que falo de pessoas que se amam, respeitam e convivem em paz e serenidade, colaboram nos afazeres da vida e aceitam sem ironia as opções que a geração seguinte opta por realizar. Alternativas afirmativas, enfim, que inspiram reverência, não por causa do seu conteúdo, mas porque a geração mais nova adota como ícone ao adulto que mais o orienta dentro das suas opções.
Ser neto não é emotividade, é entendimento, é racionalidade, é seguir com respeito as ideias consultadas a pessoa que sabe entender a via da alma e as suas heterogeneidades. Parece-me que a emotividade pode nascer do agir imitativo de quem não sabe ser orientador dos mais novos e comportar-se com respeito e sedução.
Pode-se pensar que ser avo é complexo por sentir um dever esse orientar. Mas o comportamento e a conduta sábia e calada, exprimida apenas de o agir que não fala, apenas faz, acaba por fazer da tarefa de ser neto, um fugir de carícias e uma reprodução do que se vê é feito e, por imitação, aprende que ser neto não são carícias e seduções, apenas conversas sobre os acontecimentos. Entre nós, as carícias são as formas normais de se contactar. Grande engano.
Faz 28 horas tive um novo neto. Nem desejo correr, desejo respeitar a geração paterna que dirá o dia e hora para or e o conhecer.
Ser neto é todo um trabalho que deve ser respeitado: é um agir esperado e respeitado, diferente de ser filho o irmão. É ser o descendente de um adulto maior, as vezes chamados velhos, que brincam com o bebé e vice-versa. Ser neto é o respeito mútuo entre gerações. Como acontece no quebra-nozes de Tchaikovsky: http://www.youtube.com/watch?v=HMlqaXxY6MQ , ligação
http://youtu.be/HMlqaXxY6MQ , na dança da fada açudada. Ser neto um grande trabalho…É necessário entender as ideias do adulto e as suas pretensões, o que nem sempre e possível. O adulto tem um código de vida que o mais novo não entende por falta de conceitos. Aliás, é a vida social que possui esse código que adulto organiza e cumpre, sendo o seu dever transferi-lo para o mais pequeno. A criança neta tem que aprender esse código se quer permanecer dentro da vida social. Parte de esse código, é o de entender o mais novo e o ensinar como o adulto ensina o filho mais velho. Ser neto é aceitar as grandes caricias do mais velho, sejam estes pais, tios, avós ou bisavós. Os mais novos ensejam a liberdade que o seu imaginário lhe ensina. O mais duro, é esses adultos dos que falava ontem que punem os pequenos se não fazem como eles determinam que a vida entre outros deve ser levada. Entre o imaginário e a regra de comportamento, se debate o imaginário da criança, como analisei no meu livro de 1988, segunda edição do ano 2000: O imaginário das crianças. Os silêncios da cultura oral, Fim de Século, Lisboa. Porque silêncios da cultura oral? Porque o neto se divide em dois ou tres, imagina visitas e diálogos, imensas vezes interrompidas por un adulto que pergunta: o que andas a fazes tu? A questão é difícil de responder, nem ele sabe o que faz, dividido como está entre os seus fantasmas, como diria Cyrulnick, especialmente quando define resiliência no seu texto O murmúrio dos fantasmas, editora Martin Fontes, 2005, Paris. Essa pergunta o torna a terra e o imaginário se esgota porque tem que pensar e perante a razão, acaba esse imaginário, fundamental para os pequenos criar um mundo próprio, em que todo entende por a racionalidade da historia que cria, está retirada dos seres que fabrica, imitando adultos. É assim que os adultos aprendem desde a época de terem sido crianças respeitadas pelos seus adultos que calam as sua historias para dentro do grupo familiar, sem nunca troçar com o imaginário. Bem ao contrário, ouvem as fantasias e as calam como cumplicidade entre pais e filho e, eventualmente, um tio o avô.

Raúl Iturra
Original de 21 de Agosto de 2011.
Reescrito e mudado o sentido, a 21 de Outubro de 2014.
lautaro@netcabo.pt

publicado por Luis Moreira às 12:07

20
Out 14

Vai desiludir muita gente. Quanto à dívida já deixou de falar em "hair cut " e espera a boleia de um grande que tenha o mesmo problema. O que Passos tem feito até agora. António Costa antes de revelar publicamente a sua opinião quer uma discussão pública. O que pensam os portugueses sobre a dívida?

Era mais fácil quando era oposição. Aí ganhava em ser agressivo. Ia impor a sua opinião junto da srª Merkel, levar para Bruxelas a discussão. À sua volta tem muita gente que andou três anos a dizer "não pagamos", ou que a "dívida é para rolar". Esses vão começar cedo a rosnar entre dentes pelo menos enquanto cheirar a poder.

Mesmo o "Manifesto dos 74" é para analisar pacientemente, sem precipitações, há o tempo todo até que os adversários políticos exijam uma resposta concreta durante a campanha eleitoral. "Agora, as palavras e as propostas do PS são lidas e ouvidas com outra atenção, pelos eleitores, mas sobretudo pelas instâncias internacionais e pelos mercados. Nas últimas semanas, as agências de ‘rating' estiveram em Portugal, falaram com muita gente é uma das perguntas era precisamente sobre as intenções de Costa em relação à dívida. São sérias? É claro que são, só podem ser, porque, como diz Eduardo Catroga numa entrevista que tem de ser lida com atenção, a redução da despesa não é uma questão ideológica, é uma questão de aritmética. Com uma dívida pública a tocar nos 130% do PIB, como se resolve o nó gordio?

publicado por Luis Moreira às 19:59

E não é por falta de ideias ( Sérgio Figueiredo- DN) :

Movimentos sociais como o Fórum para a Liberdade, e o seu mentor Fernando Adão da Fonseca, andam há anos a bater-se, sem qualquer sucesso, por uma mudança radical das regras do jogo: o problema não é défice de autonomia das escolas, é a ausência de competição entre elas.

Financiar a procura em vez da oferta, dar liberdade de escolha às famílias em vez de prendê-las a uma escola com código postal, mais um conjunto de outras ideias simples, mas heterodoxas, produziam mais concorrência no sistema do que todos os exames nacionais que se possa inventar.

Reduzir a carga diária, estender o ano escolar, organizar o calendário em dois semestres e acabar com o absurdo de três meses seguidos de férias - é algo que a Confederação dos Pais há muito pede, e diretores de escola defendem, mas "a mãe em casa e pai no trabalho" é a lógica ainda vigente num sistema que perdeu a sintonia com as dinâmicas da vida real.

 

publicado por Luis Moreira às 15:15

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Violência intra-familiar não é um tema fácil de abordar. Pensa-se sempre que um grupo de parentes ou seres humanos relacionados entre si, por laços de consanguinidade ou de afinidade, é um grupo feliz. No seio do grupo, cabe aos adultos protegerem os mais novos orientando-os desde muito cedo na vida, pelas sendas do amor, o respeito filial ou o respeito que os pais têm pelos filhos. Pelo menos, é assim que eu penso.
Mas a realidade parece ser outra. Não foi por acaso que coloquei a imagem de uma criança punida, com as marcas de uma bofetada recebida na sua pequena cara. Bofetada de quem se desconhece a autoria e o motivo da punição material, reflectida na cara triste e sofrente de quem não entende qual o mal que fez para receber tamanho castigo. Castigo reiterado ao longo do tempo pela pequena da imagem, e por muitas outras mais.
Essa bofetada marca pelo menos três aspectos da vida da infância. A primeira é visível e não precisa ser comentada, a imagem fala o que as palavras da pequena não sabem dizer porque as desconhece ou, ainda, porque não espera que o seu adulto a use contra ela. Essa bofetada pode ser o resultado de quem tem raiva contra si próprio e desabafa nos mais pequenos, como comenta Sigmund Freud em 1905 em húngaro, traduzido para inglês por Hoggart Press, Londres, em Obras Completas, Volume VII,1953: Three essays on Sexuality, ou Melanie Klein em: Inveja e Gratidão (1943 em alemão, 1954 em inglês e em luso brasileiro, 1991), Imago, Brasil, Alice Miller (1981 em alemão), 1998: Thou Shalt not be aware. Societie’s Betrayal of te Child, Pluto Press, EUA, ou Françoise Dolto, 1971: L’Évangile au risque de la psychanalise, Editons du Seuil, Paris, textos que comento no meu livro: O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade Repositório ISCTE e Internacional, em: http://repositorio.iscte.pt/, ou http://www.rcaap.pt.
Textos todos que defendem a criança das ameaças dos seus adultos, que esperam delas comportamentos formais, gentis e de uma responsabilidade mais além dos seus curtos anos. Este tipo de violência, é, para mim, um crime não apenas contra o seu corpo, como contra os seus sentimentos. Sentimentos que devem converter essa criança em adulto triste, deprimido e pouco feliz com a vida. E o círculo continuará a ser repetido por ter aprendido em tenra idade que os pequenos devem ser ensinados às chicotadas e sem nenhum respeito por tudo o que lhe falta saber.
Bem sabemos que a lei protege a infância com leis especiais, veja-se, para o caso português, a Lei da Protecção de Crianças e Jovens em Perigo, Nº 147 de 1999. Até esse dia, apenas o Código Civil imperava, falando unicamente de filiação, heranças e tutorias nos artigos 1776 e seguintes, ignorando absolutamente essa realidade de trair a infância, como se na sociedade nada acontecesse em relação às punições mencionadas.
Este pequeníssimo ensaio, é apenas um rascunho do livro que preparo sobre a criminalidade intra-familiar, que é, de forma ignorante, denominada violência doméstica. Nem sempre acontece entre as famílias, mas há mais maus tratos de palavra ou de obra, do que o que a lei quer reconhecer. Andreia Sanches, diz no jornal «O Público» de 16 de Julho: 26 das 41 famílias analisadas com menores maltratados não tinham mais de quatro elementos. "A configuração das famílias é cada vez mais reduzida, há mais monoparentalidade, pode estar a haver uma degradação das condições económicas nestas famílias."
No entanto, a imagem é sempre esta:

Que fazemos nos?

 

publicado por Luis Moreira às 10:03

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