as autoestradas da informação

21
Set 14

 

 

 

Tinha escrito o texto en castelhano para a nosso blogue Pavana para una hermana que resucitó, en http://bandalargablogue.blogs.sapo.pt/pavana-para-una-hermana-que-resucito-1057119

A nossa aflição era grande. Ora acordada, ora inconsciente. Consegui falar com ela meio segundo ao telefone. A sua voz desfalecia. No meio das Festas Pátria do seu país, cinco dias de dança, comidas, bebidas, jogos. Não há quem trate um doente. São dias de família, nem doenças nem trabalho: toca divertir-se para quem o consegue.

Quem arrebita lentamente, nem tempo tem para reparar que a pavana, a cueca, dança popular e não peça de roupa intima em outras línguas e costumes, a resbalosa estão a ser dançadas ao ar livre.

A luta é outra, é o vírus que entra por todo o corpo, que encurta os pulmões, não permite os rins funcionar, o coração palpita duramente para salvar um corpo atacado por uma infanteria que não aceita nem balas em baionetas, onde as espingardas disparadas são tiros de foguete que não ferem ninguém. Apenas à pessoa que a sofre e que nem sabe que o mundo bailoteia enquanto o seu encolhido corpo luta. Filhos, noras, filhas, genros, netos e netas, irmãos e irmãs, param o seu próprio divertimento porque vê um sofrimento perto de si. Sofrimento que toca o malfadado corpo e em contágio emotivo, o corpo e as emoções dos que a rodeiam. Nem são tantos, é um pequeno grupo porque as leis estão feitas que para nascer, nascemos sós, e para entrar na eternidade, sem companhia nenhuma: o corpo encolhido em sinal de humilhação para se ser perdoado pelo tipo de vida que tenha tocado viver, as mãos estendidas em sinal de oração e arrependimento, voando pelos sonhos de la pavana, cueca e resbalosa que um dia se dançou.

A imagem e terrorífica. Os que querem ai estar, não lhes é permitido. A solidão das solidões.

Como analista, tentei falar com a antiga arrogante, alta e esguia dançarina que e tempos tinha sido. Os parentes sabem a história mas toca seguir adiante a desafiar a parca que ronda um corpo un corpo que um dia foi a delícia de toda uma população, grande ou pequena, que batia palmas como sinos em arrebato e acompanham a alma e o ser de quem sofre e que um dia foi o prazer de teatros cheios de pessoas. Como uma Maria Callas, que ainda canta nos discos, mas que foi-se embora só nos seus 53 anos.

Ora bem, há duas alternativas: a humilhação já falada, ou o pensamento positivo que arrebita a quem toma conta da pessoa doente e dá sinais positivos de ânimo ara que as tropas de vírus no avancem e invadam o corpo esguios que em sonhos ainda dança, com Callas, que não dormia para rememorar seus 20 anos de gloria y palmas a bater até ficarem vermelhas.

E o que se vê nesta mãe quando os sedativos a descansam e dorme como um anjo enquanto avança na Pavana do seu imaginário. Os que estão fora não vem esta ensonação e pensam que descansa enquanto a sua mente trabalha sem pestanejar para não sair do sono que repara mais e melhor, que o oxigénio, as diálises, os comprimidos. Dança de olhos azuis, cabelo louro e cumprido, a pé nu, o corpo vestido em tules brancos como Isidora Duncan, um vento percorre ao pé dela e faz da túnica una pintura que ni Rembrandt nem Goya ou Picasso, teriam imaginado. O Rodin ou Camille Claudel, esculpido.

Parecia de comprimido, mas era a sua forte imaginação e o seu prazer pela dança, o que demorava esse arrebitar. Enquanto menos mexer, mais Baloma- alma das pessoas para os nativos do arquipélago Kiriwina flutuava pela sua ensonação. Nem o Cisne Negro de Tchaikovsky tinha as dotes, o don, a dádiva da Duncan nos sonhos da doente, que demorava a sua curação para dançar mais.

Não me desespero, não se desesperam: é uma Isolda à espera do seu Tristão. As setas inflamadas não atingem a canoa e vai mar adentro em procura do repouso e serenidade.

Filhos, irmãos, netos, que Duncan ensone para se curar. É um lento arrebitar, mas é uma Pavana que restabelece. Com os santos padroeiros enumerados nesta página. Flor María está lentamente a ressuscitar. O cisne Negro, já príncipe, a espera junto com Tristão.

Amém.

Raúl Iturra

Domingo 21 de Setembro de 2014

lautaro@netcabo.pt

                                  

La resbalosa

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Luis Moreira às 17:00

Duas adolescentes francesas foram intercetadas quando tentavam viajar para Istambul. Daqui preparavam o salto para se juntarem aos terroristas do Estado Islâmico. Compreendo bem que tenham sido entregues às famílias e assim evitar um erro dramático. Há quem diga que um adulto pode decidir o que fazer da sua vida. Se quer viajar para o Iraque tem a liberdade de o fazer. Acho que sim, mas que nesse caso tenha apenas bilhete de ida. Porque a liberdade deles viajarem não pode servir para andarem a matar gente e para colocar em risco a nossa liberdade. Aceitar que haja uma espécie de turismo da morte, vou ali ao Iraque aprender uma técnicas de terrorismo e já volto, sem que as autoridades nada façam para o impedir é algo que ultrapassa a minha compreensão.

Para além das nossas vidas está em causa a nossa liberdade. A segurança que os estados vão ter que reforçar vai limitar a nossa liberdade e a nossa forma de vida que os "turistas do terror" tanto odeiam. Com bilhetes só de ida resolve-se grande parte do problema.

publicado por Luis Moreira às 14:44

No minuto 10 do vídeo - o ministério da Educação não pode continuar a ser o ministério dos professores.

publicado por Luis Moreira às 03:08

20
Set 14

Todos os anos temos o mesmo arraial no início do ano lectivo. Na União Europeia a maior parte dos países recorre ao "recrutamento aberto"( com contratação pelas escolas ou autarquias, ou pelas duas entidades). Contudo, nos países do sul, como França, Portugal,Espanha, Itália ou Grécia, predomina o concurso com eventual recurso à existência prévia de uma lista classificada de candidatos. Em Portugal, desde que se começou a falar em "autonomia das escolas", que se começou também a falar na necessidade de flexibilizar a colocação de professores, com recurso à colocação directa pelos órgãos da direcção das escolas. Mas a transferência das competências e recursos que devia acompanhar a autonomia não passou de uma ficção.

O recurso ao "recrutamento aberto" através da contratação pelos agrupamentos faz todo o sentido desde que não seja uma medida avulsa. Tem de ser inserida no quadro de definição de reais "contratos de autonomia". Para isso é preciso confiar nas escolas e nos professores. ( Expresso). 

publicado por Luis Moreira às 19:52

Ricardo Costa (Expresso) : Com uma ou outra nuance, no PS o défice é um problema circunstancial e a dívida uma coisa que teve inicio no capitalismo desenfreado e que alguém há de aligeirar um dia. Com todo o respeito, esse discurso não apresenta uma alternativa credível a Passos Coelho pela simples razão de que não é realista. O discurso de Passos, que acima de tudo tem o óbvio defeito da resignação a um destino de sofrimento, assenta em factos e números. Não tem uma pinga de esperança ou sonho, mas bate certo. Os dos candidatos do PS apela à mudança e dá votos, mas não resiste ao primeiro orçamento de Estado.

O que o PS ainda não percebeu é isto. E, pelo andar da carruagem, só vai perceber quando entrar para o governo e encontrar as gavetas vazias.

 

 

publicado por Luis Moreira às 12:45
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Esta é que é esta. O Presidente da Câmara de Lisboa quer aumentar os impostos em Lisboa face à perda de receitas do município. O candidato a Primeiro Ministro quer fazer crescer a economia. Mas programa só lá para Maio/Junho porque para o curto prazo não há propostas nem ideias. Como fazer crescer a economia? Podia começar a mostrar como se faz já em Lisboa. Tomar medidas para aumentar o turismo, a hotelaria, as actividades económicas mais importantes. Mas não, vai pelo caminho que critica ao governo. Aumentar impostos.

É claro que o presidente António Costa está a fazer em Lisboa a ginástica que o Governo faz no País. O problema está no que o candidato Costa não nos diz sobre a forma como vai continuar a reduzir o défice e a dívida pública. Mas, não nos iludamos, à Esquerda ou à Direita, fica claro que há ‘uma' diferença entre ser candidato e exercer o poder.

publicado por Luis Moreira às 10:00

19
Set 14

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Este canto do mundo, foi descoberto em 1539 por um capitão castelhano denominado Diego de Almagro. Existia, como refiro no meu texto Os heróis do Chile, em http://bandalargablogue.blogs.sapo.pt/os-herois-do-chile-prof-raul-iturra-1054627 O Chile, como Chili, existia desde milhares de anos antes que a Europa. Era a época em que o Reino da Espanha andava nas descobertas na expansão do seu poder. O Adiantado Almagro pensou que o território descoberto era pobre, duro, seco, selvagem e ameaçador: havia nações nativas impossíveis de domar, como o povo Mapuche. Povo que falava uma língua que ninguém entendia, apenas mais tarde na vida soube-se que era o mapudungu, palavra composta de um substantivo e um verbo. Mapu em castelhano significa terra e dungun, falar. Com as suas hostes, abandonaram o território e tornaram para o seu acampamento de origem, ao norte do novo território, a nação Quéchua ou quíchua en língua nativa) dos Inka (em Quíchua,Inca em Castelhano), ferozmente conquistada pela família Pizarro e os seus soldados, que mataram a população do Império de Tahuantinsuyu, ou Império dos Quatro Cantos, governado pela casta Inca, do qual o Chile era parte até o Século XV. Ameaçado o Império, os Quíchua correram a defender seu Imperador e abandonaram tudo. Incluindo a educação Quíchua dos Mapuche do Chile. Arauco, como eram denominados pelos invasores espanhóis, porém, não nasceu domado. Teve que ser dominado a partir de 1542 pela nova vaga de conquistadores comandados pelo capitão castelhano Pedro de Valdivia em 1542. História conhecida por todos, como tem sido referida por mim em outros textos do Blogue raulitura http://rauliturra.wordpress.com/2013/02/10/um-pais-chamado-chile/ em meses anteriores a este. Todos sabemos que o país é comprido e estreito, como mostra o desenho do mapa do país. São 4. 300 Quilómetros no Chile Continental, mais o território antártico de milhares de quilómetros e as ilhas da Oceânia, Juan Fernández e a de Rapa-Nui. Há um debate sobre o significado do nome Chile. Em língua Aimará, habitantes nativos do norte da república, dizem que significa país distantes, os Mapuche nunca o nomearam, denominando a sus habitantes winca ou estrangeiros. Como sabemos também, a Nação Mapuche lutou com as forças coloniais contra a independência do Chile, por terem reconhecido os Mapuche como uma Nação autónoma e independente.

Quatro factos caracterizam a existência do Chile. O primeiro, ter conquistado a sua independência como colónia da Espanha em 1810, sendo assim a segunda colónia da hoje América Latina e se emancipar. A primeira tinha sido o vice-reinado do Rio da Plata, hoje a República Argentina, liberada pelo General José de San Martín, quem ajudara o Chile, com seu Diretor Bernardo O’Higgins, a ganhar sua independência a 18 de Setembro de 1810, com duras batalhas lutadas entre esse dia e o ano de 1818, que teve como resultado um Chile emancipado e autónomo. O segundo fato que carateriza o país, é a existência, anos mais tarde, da poetisa laureada com o Prémio Nobel, Lucila Godoy Alcayaga, nascida no vale de Elqui centro norte do país, quem usava o nome de Gabriela Mistral para poder ser uma pessoa anónima. Costumava dizer nas nossas conversas: tenho duas vidas, a que me dão os outros na história do país em que nasci, e a minha e que a mais ninguém pertence, como teve a sorte da ouvir nos meus catorze anos de idade. Nasceu em Vicuña, Chile, a 7 de Abril de 1889, era professora primária, mais tarde, após estudos e graduações, professora e diretora de escolas de meninas no Sul do Chile em que ensinou a Pablo Neruda como escrever poemas, até ser nomeada pelo seu amigo o Presidente do Chile Don Pedro Aguirre Cerda, consulesa na Itália, mais tarde em Portugal e depois no México e no Brasil. Escreveu a poesia mais triste que uma pessoa que sabe o que é a prosa, a literatura, o poemário, podia escrever. Os seus livros, todos comigo, parecem ser o resultado de uma mulher revoltada. Ou assim o comenta também o seu antigo estudante da escola primária de Parral, sul do Chile Neftalí Reyes Basualto, denominado mais tarde Pablo Neruda. Foi a sua professora quem o iniciara nas leituras dos clássicos da literatura universal, emprestando-lhe livros da sua biblioteca pessoal, como Tolstoi e Dostoiéski, Gorki e Theckov, D’Annuzzio e Croce, Baudelaire e outros como Cervantes e Quevedo, uma entrada triunfal à literatura Universal do futuro laureado com o Nobel de Literatura. O seu antigo estudante pergunta-se nas suas memórias porque Gabriela tinha que escrever tão amarga poesia, sendo como nera uma mulher doce, sorridente como borboleta, mas a morte do seu antigo namorado a marcara para o resto da sua vida, a feridas moram na pele da alma e não se restabelecem facilmente. Foi com essa amargura que viveu, como comenta Pablo Neruda: Llevas, Gabriela, amada hija de éstos yuyos, de estas piedras, de este viento gigante. Todos te recibimos con alegría. Nadie olvidará tus cantos a los espinos, a las nieves de Chile. Eres chilena. Perteneces al pueblo. Nadie olvidará tus estrofas a los pies descalzos de nuestros niños. Nadie ha olvidado tu <palabra maldita>. Eres una conmovedora partidaria de la Paz. Por esas, y otras razones, te amamos. (Neruda, 1974, Confieso que he vivido. Memorias, Planeta, Chile-Argentina-Uruguai-Paraguai 1ª edição, página 391). Gabriela Mistral foi o melhor acontecimento que podia acorrer a uma antiga República em permanente formação. Gabriela Mistral, sempre ofendida, raramente visitava o Chile. Após de ser laureada com o Nobel, apareceu no Chile na época do Presidente Ibáñez, em 1955 como tenho relatado em outro texto meu neste blogue rauliturra, onde colaboro, guardando os meus textos numa pasta que tenho criado à espera de publicação. Faleceu em Long Island, Nova Iorque a 10 de janeiro de 1957, seu 68º aniversário. Praticamente, dois anos após a sua visita ao Chile. O povo a não conhecia e, por ser uma mulher popular, assistiu massivamente aos seus funerais e a acompanharam no seu velório no sítio escolhido da Universidade do Chile. Embalsamado, o seu corpo foi transferido para a sua terra e repousa no cemitério de Montegrande, no seu vale de Elqui, com uma imagem que a representa. Tinha eu dezasseis anos. A chorei como narro no meu texto Mi Gabriela Mistral, que pode ser acedido em http://estrolabio.blogs.sapo.pt/700642.html

O terceiro facto que faz do Chile um país, é o de ter nascido no território o poeta Pablo Neruda. Foi a leitura do seu livro Confieso que he vivido. Memorias, Publicado pela Editora Planeta, Chile, que têm-me inspirarado estas linhas. Nasceu no sul do território, em Parral, a 12 de Julho de 1904. Foi com Lucila Godoy Alcayaga, mais tarde Gabriela Mistral, que aprendera as suas primeiras letras na escola primária onde ela ensinava. Costumava dizer que era ser filho de um empregado dos caminho-de-ferro, mas a sua mãe, professora primária, faleceu quando ele era uma criança de um mês e foi enviado a morar a casa do seu avô materno que tinha casa e terras em Parral, Província do Maule. Neftali Ricardo Reyes Basoalto nasceu a 12 de Julho de 1904, filho de José del Carmen Reyes Morales, um operário do caminho-de-ferro, e de Rosa Basoalto Opazo, professora primária. Ainda jovem adotou o pseudónimo de Neruda retirado do poeta checo Jan Neruda.

Era tímido e os poemas que ele escrevia, os entregava ao seu pai. Aprendeu literatura com a sua professora primária que lhe emprestava os livros antes citados quando era estudante já do Liceu de Temuco e ela, a Diretora do Liceu de Meninas de Temuco, palavra mapuche que significa água de Temo, a flor do eucalipto, nascente do rio Temuco. Todas as suas referências as tenho registado nos meus textos.

As minhas recordações de Pablo Neruda, que pode ser acedido em http://estrolabio.blogs.sapo.pt/793959.html, hoje aviagemdosargonautas ou http://aviagemdosargonautas.net/  em que narro estas recordações da nossa intimidade de vizinho de casa em Valparaíso, ele na sua que nomeu La Sebastiana, nos na nossa da cidade, rua Montealegre. Morou com o seu avô materno temporalmente. O seu pai transferiu-se para Temuco em 1906, onde casara com Trinidad Cândia Marverde, a quem ele denomina Mamama nas suas memórias póstumas de 1974 e no seu livro Memorial de Isla Negra, Buenos Aires, Losada, 1964. 5 Vols.

 Isla Negra era sua casa na praia, perto da de Algarrobo onde passávamos férias no dia em que tornamos a Chile por três anos e três meses. Éramos vizinhos de férias, mas a nossa família nunca perturbou o seu descansado e merecido silêncio. A obra de Pablo Neruda, o seu nome oficial após pedido em tribunal e registo de notário, é cumprida e extensa. A sua obra é extensa como as suas viagens. Foi enviado a Madrid e México como Cônsul. Na Espanha, após perder a libertação da Segunda República e os falangistas do general rebelde, por nome Francisco Franco, escreve o seu livro España en el corazónem 1936. A sua obra completa inclui O Canto General de 1950 e Alturas de Machu Pichu, bem como Los versos del capitán, 1953,dedicados a sua amante, mais tarde a sua mulher, Matilde Urrutia.

A sua obra é tão grande e poética, que ganhou os prémios de Lenine, o de Estalinegrado e o Nobel de Literatura em 1971. O interessante de ele é a pessoa, refletida na sua obra. Ainda estudante de Literatura em Francês na Universidade de Santiago, ingresa ao Partido Comunista do Chile, é eleito Senador em 1945, após dar apoio ao denominado Presidente Traidor, Gabriel Gonzáles Videla, um pequeno advogado da cidade da Serena, Norte Chico do Chile, eleito com os votos do Partido Radical como deputado e com os do Partido Comunista, que o leva à Presidência do Chile entre 1946 e 1952. Pablo Neruda era Senador pelo PCP Ch, mas teve que fugir, como todos os seus membros para não ir a prisão e assassinado a mansalva. O seu exílio decorreu na Itália onde era consulesa Gabriela Mistral, quem o reconhecera como o seu antigo estudante e como o melhor poeta do mundo, entregando-lhe a papelada que o acreditava como cidadão chileno. A sua fugida do Chile foi tão escondida e rápida, que apenas contava com papéis falsificados como argentino. Os homens da direita chilena ajudaram a esconder o poeta nas suas terras, porque a lei era um terror, publicada e promulgada em 1949, mas mais tarde abolida pelo Senado.

A personalidade de Pablo Neruda é a mais-valia de um país que esta sempre em mudança. Os seus versos não são apenas os de um sociólogo formado na vida, são os de um político que sabe entender a vida e a forma em que ela se apresenta sem raiva nem rancor. Para as eleições a Presidente da República de 1970, foi-lhe solicitado ser candidato, o que aceitou com a ideia de como unir a esquerda na figura de apenas um candidato, baixo a ideia que apenas um poeta pode entender: Unidad Popular. No dia em que os partidos da esquerda chilena acordaram escolher o Senador Allende como candidato, Neruda retirou-se de imediato e trabalhou com ele e para ele durante toda a campanha para que o seu amigo Salvador pudesse vencer à quarta eleição. Allende ganhou. Como diz nas suas Memórias, o Presidente Allende o enviou de imediato como Embaixador para a França. Representar o país em frente de outro, requer a votação do Senado. Neruda comenta nas suas memórias que não sabe quem facilitou a sua nomeação, porque também os hipócritas-cristãos (democratas cristãos) votaram contra ele, escondidos trás as bolas branca e preta. Por três votos, a proposta de Allende prosperou e Neruda, que tinha sido Cônsul nos mais variados sítios, desde o México a Rangum, estava habituado a este tipo de enigmas. Em Paris trabalhou como Embaixador e não como poeta que tenta conquistar um galardão.

Em 1971 torna a Chile já Nobel de Literatura, mas doente de cancro à próstata. Acabou as suas memórias 11 dias a seguir a morte do seu amigo, o Presidente Allende e faleceu a 23 de Setembro de 1973. Dizem que foi assassinado por um agente da ditadura que inoculou um vírus no seu corpo que falecia. A sua casa de Santiago, como eu observei, foram as pessoas mais comprometidas com o poeta do povo. A Chascona foi barbarizada, destruída pelos membros da ditadura, essa única no Chile da democracia mas o velório transcorreu ai. Baixo o cuidado da Embaixada Sueca e do Embaixador que defendeu com a sua vida a morte do poeta do povo, cada vez que entravam os esbirros do ditador que queriam encarcerar o Vate.

A morte do seu amigo Salvador e a injeção a mansalva, aceleraram a sua morte. O seu funeral foi muito concorrido com os gritos de viva Chile, viva Allende, viva Neruda, que se ouviam entre a grande multidão ladeada de soldados traidores.Repousa o seu corpo na casa da Isla Negra que ele oferecera para os sindicatos reunir.

A quarta valia do país, foi Salvador Allende, de quem já falei no meu texto anterior, ainda baixo estudo para publicação. Remeto-me a ele. Os amigos morreram no mesmo mês, com dias de diferença: Salvador Allende a 11 de Setembro de 1973, Pablo Neruda a 23 de Setembro do mesmo mês

Raúl Iturra

lautaro@netcabo.pt

4 De Fevereiro de 2013-reescrito e revisto e passado para o acordo ortográfico, a 19 de Setembro de 2014 e em português para todos entenderem no nosso país. Até hoje tenho escrito em Castelhano, como se estiver no Chile. Especialmente assim escrito para Maximina Costa e Bernardete Alves, amigas e colaboradoras, às que tanto devo.

Código para vídeo: https://www.google.pt/#q=video+de+pablo+neruda

Código para ouvir:

 http://www.youtube.com/watch?v=_a_12U5wNTI

 

 

 

 

publicado por Luis Moreira às 23:02

Chama-se o "síndroma do abismo" : A Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública exige aumentos salariais de 3,7% para o próximo ano, com a garantia de pelo menos 50 euros por trabalhador, e a reposição dos valores cortados aos salários e pensões.

A estrutura sindical afeta à CGTP pretende ainda que a reposição dos salários e pensões nos valores anteriores a 2011 seja feita antes do final da atual legislatura.

A Frente Comum defende também a atualização do subsídio de refeição para 6,50 euros e a atualização das restantes matérias pecuniárias em 3,7%.

A proposta reivindicativa para 2015 aprovada pelos sindicatos da Frente Comum prevê ainda o descongelamento das posições remuneratórias e o reposicionamento nos escalões da carreira correspondentes aos anos de serviço.

A estrutura sindical reivindica também a reposição do valor anteriormente pago pelo trabalho extraordinário, nomeadamente um acréscimo de 100% pelo trabalho em dia feriado.

A reintegração dos trabalhadores em mobilidade especial (requalificação), o fim do encerramento e privatização dos serviços públicos, a resolução imediata das situações de precariedade e a reposição do horário semanal de 35 horas são outras das reivindicações que integram a proposta de mais de 20 páginas da Frente Comum.

Esta reivindicação tem só o inconveniente de mostrar que a "massa salarial" da função pública está muito acima dos salários. Quando os aumentos salariais eram de 2% (inflação) a massa salarial era sempre superior a 5/6%. E a produtividade muito abaixo. Às mesmas causas correspondem os mesmos resultados.

publicado por Luis Moreira às 18:17

Crescem os movimentos de autonomia e de independência. A Escócia pondera ou ponderou sair do Reino Unido, mas não se propõe sair da UE, pelo contrário, deseja permanecer (escrevo quando a votação terminou e o resultado ainda é desconhecido, mas o argumento funciona para os dois lados). A Catalunha quer sair de Espanha, mas não tem qualquer intenção de abandonar a União. O mesmo se pode dizer da Flandres e das outras regiões nacionalistas que em breve serão micro-Estados.

A fragmentação política na Europa está provavelmente no futuro, mas ligada à elevada sensação de segurança dos europeus. Os escoceses não sentem qualquer ameaça externa e acreditam que se podem tornar numa espécie de país escandinavo. Se houvesse uma ameaça, ninguém votaria a favor da separação. Dizer que o problema está na Europa parece ser uma conclusão contrária aos factos. É precisamente o oposto, ninguém quer perder o acesso a um mercado gigantesco e à livre circulação de bens e capitais. Isto também não é uma conspiração de Bruxelas contra o Estado-nação, pelo contrário, as nações europeias podem existir de muitas formas e existem também sob a forma União Europeia, que pertence aos Estados que a compõem.

publicado por Luis Moreira às 16:08

Eleger as CCDR ( Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional) : O candidato às eleições primárias do PS António Costa defendeu hoje em Loulé a descentralização das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) através da eleição das suas direções pelos autarcas de cada região. António Costa defendeu que esta solução permite fazer planos nas regiões e ter os investimentos e estratégias de desenvolvimento que vão ao encontro da visão dos seus residentes.

A discussão livre de ideias trás sempre boas oportunidades. Se são boas não importa o autor  . Uma grande vantagem da democracia.

 

 

 

publicado por Luis Moreira às 11:00

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