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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Veleiros no Tejo ou um quadro de Vieira da Silva ?

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Sob um sol abrasador e a cantada luz de Lisboa os veleiros dançam suavemente ao sabor da brisa. Quem quiser saber mais alguma coisa sobre a pintura impressionista é dar uma saltada a Santa Apolónia. Não se sabe bem se estamos perante a realidade se da impressão que nos deixa o emaranhado de mastros e velas de todas as cores. Há um quadro de Vieira da Silva que antecedeu este dia o que prova que a arte está muito para além da vida.

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De um lado os carrascos que emprestam o dinheiro do outro as vítimas que o recebem

Políticos e jornalistas ganharam o hábito, nos últimos tempos, de falar de sanções por défice excessivo na Zona Euro como se fossem punições impostas por torcionários a vítimas inocentes e indefesas, surpreendidas por acontecimentos de que não são responsáveis. Não é objectivamente verdade: os procedimentos acordados por todos os participantes no euro foram concebidos para proteger todos dos potenciais incumprimentos de alguns na utilização de uma moeda que é comum - não há vítimas de um lado e castigadores do outro. Não é subjectivamente verdade: os responsáveis políticos portugueses sabem muito bem que escolheram voluntariamente a via do incumprimento, esperando continuar a beneficiar do endividamento garantido pela integração na Zona Euro.

Acabam os subsídios e é vê-los de mão estendida a ameaçar com os tribunais...

O fanatismo da maioria socialista europeia

Há que avisar António Costa e Catarina Martins que ameaçam a Comissão Europeia com os tribunais. Sanções em duplicado. Multas e suspensão dos fundos estruturais às diversas regiões.

Os socialistas da Europa querem sancionar os socialistas do país mais pobre depois da Grécia ( outro que também batia o pé). Mas o que isto mostra é que tanto um como outro sabem bem que Portugal sem os subsídios europeus não tem para onde se voltar. E a agressividade torna-se lamento.

Os mais desfavorecidos são as vítimas do radicalismo de esquerda .  “O que fica cada vez mais claro à medida que o processo das sanções se desenrola é o fanatismo e a completa irresponsabilidade da Comissão Europeia”. Olha quem fala em fanatismo e em irresponsabilidade. Quem agride permanentemente quem paga as contas.

Para quem tinha dúvidas quanto à alternativa apresentada aí está. Cortas nos subsídios levamos-te a tribunal.

Hospital pede aos doentes papel higiénico

Até na austeridade se exige alguma dignidade. Pedir papel higiénico aos familiares dos doentes dá uma imagem escatológica da austeridade. Que ainda por cima não é assumida pois como se sabe o virar de página da austeridade está concluída.

Mas num assomo de grande generosidade os familiares e doentes podem usar o gel de banho e perfumes a que estão habituados para mais e melhor conforto. Nada de austeridade como se vê. 

Pagamentos em atraso aos fornecedores e às grávidas ; escolas sem dinheiro para pagar a água e a luz. Como poderia ser de outra forma se a economia não cresce metade do orçamentado ? A receita do IVA está muito aquém do esperado e com a entrada da taxa reduzida na restauração o desastre ainda vai ser maior.

E o corte na despesa de 600 milhões proposto pelo governo anterior e tanto atacado está convertido em cativações no mesmo montante. Coincidências. 

A factura das reversões vem de TGV

Os tribunais decidiram que o estado terá que indemnizar os privados no processo do TGV. 150 milhões nem menos o que abre caminho para mais facturas no caso das reversões das empresas de transportes.

O estado só porque muda o governo não pode rasgar contratos e compromissos. A factura é o custo do apoio dos partidos da extrema esquerda ao governo. E as recentes decisões dos tribunais no que diz respeito aos contratos com as escolas em associação vão no mesmo caminho. Tudo junto é uma nota preta.

Entretanto os famosos 600 milhões que tanto celeuma causaram que tinham que ser cortados na Segurança Social estão transformados nos 597 milhões agora cativados. Ninguém diz nada e o silêncio é de ouro, talvez porque em vez de corte se chame cativação.

Esfumadas as reversões nos salários e pensões o governo já fez saber que não haverá aumentos de salários em 2017. Os sindicatos nem querem ouvir falar de tal coisa, preparam-se manifestações e barulho na rua. Depois das férias com o orçamento de 2017 a austeridade por enquanto escondida rebentará nas mãos de quem vendeu o leite e o mel.

António Costa está a aprender à sua custa que palavra dada tem que ser mesmo palavra honrada. 

 

A culpa é do diabo

Os governos não têm culpa e os partidos também não, só pode ser o diabo. Para o PSD o diabo está a chegar. Para o PS há que fugir dele.

Vendo bem ainda é a melhor forma de nos darmos todos bem. A culpa fica solteira como sempre esteve e o diabo é mesmo diabo merece levar com as culpas todas. Mas aceitar que a culpa é do diabo quer dizer que já estamos no inferno ou perto dele. É da sua natureza.

E também é da sua natureza tomar várias formas e cabeças. Gente sem culpa nenhuma que leva o país à bancarrota só pode ser o diabo que encarnou. Outros que fizeram um ajustamento infernal mas que deixaram o país à beira do inferno só pode ser o diabo em forma de pessoa(s). E outros há que brincam a saltar à fogueira, só pode ser o diabo que tomou conta deles. As pessoas não têm culpa de estarem possuídas.

O exorcista-mor faz tudo para que o diabo não apareça em forma de diabo, não vá os cidadãos descobrirem que o diabo tem forma de gente e daí, começarem a atribuir culpas. Que é uma coisa do diabo.

Gozem bem as férias que lá para Setembro temos aí o diabo. Sem culpas.

A ferro e fogo

Por acordo entre os dois maiores partidos o Presidente da Assembleia da República era indicado pelo partido mais votado. Foi assim até Outubro passado. Nessa altura o PS com a ajuda do PCP e do BE impôs Ferro Rodrigues.

Ora sabe-se bem que quem com ferro mata com ferro morre e desta vez quem pagou foi Correia de Campos, ex-ministro da saúde, demitido por Sócrates face às mudanças (boas) que estava a introduzir no SNS mas que não agradavam aos sindicatos e ao PCP.

Apesar do acordo PS e PSD - são necessários 2/3 dos deputados - vários deputados ( de ambos os partidos ou só de um deles?) roeram a corda e não votaram Correia de Campos para Presidente do CES . O que parecia pacifico mostrou-se afinal ser uma guerra surda . BE e PCP não votaram e o PS ficou nas mãos do PSD senão mesmo nas mãos da facção bloquista do partido socialista que não gosta de socialistas moderados como é o indigitado.

Agora vamos ver no que dá a nova ronda depois do PSD ter mostrado que o governo não deve contar com a posição de conforto com que tanto sonha. Hoje apoia-se no BE e no PCP amanhã no PSD e no CDS. Não está fácil.

Não é possível enganar todos o tempo todo

António Costa na recente reunião com os deputados do PS admitiu que a realidade está longe do seu optimismo. E teme que as eleições antecipadas sejam para bem mais cedo ainda antes das autárquicas. Com a economia a afundar o segundo semestre vai ser bem pior que o 1º semestre.

Na frente externa o isolamento de Portugal quanto às sanções também não augura nada de bom com a Espanha a fazer companhia mas com posição bem diferente da nossa, apressando-se a apresentar medidas adicionais.

O Observador diz que esta "baixa de expectativas" e o facto de ter sido "bastante cauteloso" foi lido como uma mensagem de preparação para eleições antecipadas.

Um dia depois da reunião do PS, Pedro Passos Coelho, durante uma reunião do Conselho Nacional do PSD, afirmou que "a conversa de que a austeridade acabou é mentirosa. A austeridade está cá toda", e acrescentou que a realidade se irá impor "muito antes das autárquicas" (Setembro/Outubro de 2017) e os portugueses vão aperceber-se e "sentir", segundo informações recolhidas pela Lusa.

Portugal é de longe o país que paga taxas mais altas na União Europeia

Vamos retirar deste filme a Grécia que está sob resgate. Portugal é de longe o país na UE que paga taxas de juro mais altas em toda a União Europeia.

Hoje os investidores pagaram a Portugal taxas negativas a curto prazo para lhes guardar o dinheiro. O problema é que os investidores nestes prazos pagam a todos os países e pagam bem mais que a Portugal. Nada de deitar foguetes. É que a curto prazo o BCE compra tudo.

Mas a dez anos, Portugal paga taxas acima dos 3% enquanto a Espanha paga entre 1,2% e 1,4% para não falar nos restantes países. Ora isto é uma tragédia para um país que não consegue crescer em termos económicos. E a tragédia é ainda maior porque Portugal podia estar a financiar-se às mesmas taxas muito mais baixas dos outros países.

Então o que falta a Portugal ? A confiança dos investidores.