as autoestradas da informação

25
Out 14

Todo o cuidado é pouco.  Reestruturação só é "possível e admissível" com "solução europeia". Alguns há, que nem querem ouvir falar disto. Querem uma auditoria à dívida para  separar a dívida legítima da ilegítima. Qual é a legitima? Isso depois vê-se mas, digo eu, deve ter a ver com a forma como foi aplicada, como se os credores tivessem culpa das burrices alheias.

Falta investimento, é verdade, e os responsáveis do Banco do Fomento devem andar muito ocupados com a escolha da frota automóvel e com os gabinetes. Também não compreendo esta falta e gostaria de saber mais sobre os programas já aprovados ou em andamento mas o governo parece que gosta é de nos dar más notícias.

"Enquanto não corrigirmos os efeitos assimétricos do euro sobre a competitividade das nossas economias só estaremos a acentuar a divergência." Também é verdade. Mas como é que se corrigem os "efeitos assimétricos" ? Caro António, a discussão nestes últimos anos tem sido essa. Uns dizem que é pela consolidação das contas, 2/3 pela despesa e 1/3 pela receita. Outros dizem que é pela negociação da dívida. Outros ainda que é pelo investimento. Ainda não tinha reparado? Vai perder amigos, António.  

publicado por Luis Moreira às 19:47

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Recentemente têm começado a aparecer, de forma mais notória e sobressalente, o abandono que fazem os pais dos seus filhos, sem nenhum cuidado pelos mais novos. Dias antes, escrevi o texto violência e crime intrafamiliar, acessível em http://bandalargablogue.blogs.sapo.pt/violencia-ou-criminalidade-1091182 . Mas, revoltei-me ao saber que um antigo Ministro de Ciência e uma apresentadora da TV, apenas podem-se encontrar para se entregar os filhos que têm passado dias com eles, si a polícia está presente: tanta é agressividade entre este desfeito casal, que passam a ser o pior exemplo para os pequenos filhos, um hoje qua augura um futuro infeliz para o dia em que os pequenos passem a ser adultos. Ou a rapariga que salvara de um incêndio a seis irmãos dos oito que tinha, e entrou de novo por não estar certa se os outros dois dormiam no lar o em casas de avós. Era hábito nesses jovens pais abandonar os filhos de noite e sair a se divertir como pais sem filhos. Ela morreu na tentativa nos seus dezasseis anos. Amadora toda ficou revoltada e uma linha telefónica especial, o 24, tem sido aberta para filhos abandonados. Como é natural, as crianças sobreviventes não foram devolvidas, vivem com parentes e os pais, foram a cadeia e tribunal. É a família de hoje.

Sonhemos. Tornemos ao que entendemos por família: é um substantivo quase impossível de definir. Talvez se possa dizer que é um conceito que tem várias definições, todas elas certas por corresponderem a diferentes maneiras das pessoas se vincular. Pela negativa, é mais simples falar de família às pessoas que não têm parentesco entre si, quer dizer relações consanguíneas ou por afinidade. Se a relação é consanguínea, a definição é mais simples: automaticamente pensa-se no pequeno grupo de pai, mãe e descendentes (filhos). Nos tempos da minha juventude, era um grupo que incluía irmãos dos pais, os seus filhos, ou os meus primos, pela primazia da relação entre essas pessoas, todas as filhas ou filhos de irmãos/ãs dos pais. Se ainda eram vivos, os pais dos pais ou avôs, eram não apenas família, bem como eram parte do grupo familiar extenso. Viviam todos na mesma casa, baixo o mesmo teto.
Há as teorias da família, definidas especialmente no direito romano, no direito canónico ou no direito positivo do código civil. Os três tipos de lei imperavam e mandavam a proximidade das pessoas parentes entre si. O primeiro grupo que tenho mencionado, nasce da economia do capital que pode ter a família alargada que moram juntos num paço, ou num bairro vedado ao público, condomínio de todos os familiares com várias casas divididas entre os grupos domésticos familiares, todos com porta aberta e com circulação dos familiares entre os diversos lares. O meu melhor exemplo, retirado não da teoria que legisla e orienta as relações dos parentes, o que aprendi em trabalho de campo ou método etnográfico. Método que narra e é interpretado pela etnologia ou ciência do entendimento da comparação etnográfica.
A imagem que seleccionei para ilustrar este texto descreve o que normalmente se pensa de uma família: grupo pequeno, novo e com bebés. Tal como Norma refere a Druida, que vê os seus filhos assassinados, a destruição do hábito de viverem juntos e da casa queimada pelos invasores que lhe destroem a família. A ideia está baseada numa lenda francesa defensora da família. O segundo exemplo que pensei referir, é o de meu amigo Hermínio Medela de Vilatuxe, descendente dos duques de Alba e primo dos Condes de Lemos na Galiza, factos que ele próprio desconhecia e que acabei por desvendar durante a minha pesquisa de etnopsicologia da infância, com três visitas prolongadas de dois anos, e outra de sete meses em casa deles.
A lei gálica dá a herança ao primeiro filho(a) nascido(a), o que coube à sua irmã Marcelina, a Patrúcia da família, os descendentes sem herança, tinham de abandonar a casa. Quando adulto, Hermínio era pastor de cabras por isso emigrou. Com as poupanças e a colaboração da sua mulher Esperanza, que se empregava como doméstica em casas ricas, enquanto as crianças eram cuidadas pelos avôs maternos e paternos, regressou a Vilatuxe, onde construiu uma casa para a família. Mas a família cresce, à casa são acrescidos novos quartos até que o meu compadre abuelo, pondo de lado a lei, decidiu dividir a sua quinta, adquirida com dinheiro da emigração e da sua pastorícia de cabras, a sua profissão, para a repartir de igual forma entre os seus descendentes. Filho(a) que casa, recebe então parte das terras e entre essa inúmera família construem-se novas casas para os casados ai viverem e ganharem a vida no que melhor puderam. Ao todo, cinco casas são levantadas, contando a casa paterna, entregue ao mais novo Medela, o meu amigo Miguel e à sua mulher Catarina. História narrada e analisada nos meus livros sobre Vilatuxe, especialmente no editado pela Profedições: O Crescimento das crianças, Porto, 1998.
Era uma família de condomínio, muito chegados uns aos outros e com uma profunda solidariedade e respeito aos pais, Hermínio e Esperanza, como analiso no meu livro de 2010: Esperanza, uma história de vida, publicada em Estrolabio pelo meu amigo editor Carlos Loures, Lisboa.
Teoricamente, família é definida como o conjunto de todos os parentes de uma pessoa, e, principalmente, dos que moram com ela. Conjunto formado pelos pais e pelos filhos, ou conjunto formado por duas pessoas ligadas pelo casamento e pelos seus eventuais descendentes, bem como é um conjunto de pessoas que têm um ancestral comum, ou que vivem na mesma casa.
Família, enfim, são pessoas unidas por consanguinidade ou por laços de afinidade, resultantes de matrimónios de pessoas de fora da família conjugal, que casam entre si e geram uma descendência que passa a ser consanguínea da pessoa e dos seus parentes, que incorporou por matrimónio mais um membro dentro da família. Passam a ser de parentesco duplo: consanguíneos e afins. Ou que não casam e aparece uma terceira forma de família: amancebamento, legislado pelo Código Civil.
A família tem a sua nota em dó maior com os netos, como a que hoje espero: May Malen I. Ilsley, que amo profundamente, como à senhora que me acompanha na vida, fémea que fixou este texto e tem feito da sua família um sítio em que se acompanham e se fecham entre eles. Como a minha. A dela não cabe na minha e vice-versa, pelo que a relação é longínqua, mas há confiança e comunicação- co eantigamente.
Isso e família.
Raul Iturra
25 de Outubro de 2014
lautaro@netcabo.pt

publicado por Luis Moreira às 19:04

Uma "local" pequenina na primeira página do Expresso chama a atenção para uma possibilidade de grande impacto no crescimento da nossa economia. O preço actual do petróleo nos mercados internacionais . O preço do barril anda agora nos 82 dólares e tudo indica que é para manter ( desde Junho que está a descer). As contas foram feitas na base dos 127 dólares. Como importamos todo o petróleo que consumimos é óbvio que a poupança e a competitividade dos nossos produtos  crescerá muito. Pelas razões apontadas no texto anterior.

Com o PIB a crescer 2% outro galo cantaria. Desde logo (é dos livros) a criação de emprego disparava. Desciam as prestações sociais aos desempregados ( por serem em menor número) e os produtos exportáveis seriam mais competitivos o que levava ao aumento das vendas no exterior.

Para ajudar o BCE anda a injectar milhões de euros nos bancos com o intuito de elevar a inflação aos 2% e assim estimular a economia. Com mais moeda em circulação a paridade com o dólar continuará a descer. Ter uma economia débil com uma moeda forte é um dos nó cegos.

Tudo isto é possível e muito provável. O governo com medo do argumento que o pode obrigar a abrir os cordões à bolsa não fala no assunto. Ou então não fala porque " a esmola é grande e o pobre desconfia". A oposição não fala porque este é o seu pior pesadelo, embora seja o cenário mais feliz para o país. Por cada 20 dólares de descida no preço do barril o PIB cresce 0,5%. E 2014 ainda vai a tempo de sair beneficiado?

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publicado por Luis Moreira às 01:34

24
Out 14

Na antiga RDA as farmacêuticas do lado de cá, pagavam ao governo comunista do lado de lá, para fazerem experiências de novos fármacos em humanos. É claro que as cobaias eram os menos informados e os mais desprotegidos. É verdade, a existência de cobaias no sistema comunista mostra bem que as pessoas estão muito longe de serem iguais. E mostra que é mais difícil encontrar cobaias no sistema capitalista  porque as pessoas são mais informadas e há um maior escrutínio por parte da sociedade .

Não é claro que as cobaias soubessem ao que iam . O que se sabe é que o governo comunista estava perto da bancarrota e era por sua iniciativa que as farmacêuticas faziam as suas experiências em hospitais do regime. Quer dizer o capitalismo explorava a miséria e o comunismo também. Sem tirar nem pôr.

Sem democracia e sem estado de direito o comunismo e o capitalismo equivalem-se no que têm de pior. Não é possível um povo ser informado e gozar dos direitos mais elementares se for pobre. Se for pobre não terá capacidade para sustentar um estado social por incipiente que seja. Ora a verdade, é que nunca em circunstância alguma o comunismo conseguiu tirar os povos da miséria. E é nessa incapacidade de produzir riqueza que está parte da diferença. A outra parte está no facto de que só se cria riqueza se houver liberdade individual para tomar iniciativa. Veja-se como o Partido Comunista Chinês importou o sistema capitalista para fazer crescer a economia.

 

publicado por Luis Moreira às 23:24

Há 27 mil milhões de euros para o investimento de que se conhecerá o plano em Novembro e a que António Costa se atira como "gato a bofe". E tem razão, oxalá o trabalho de casa esteja feito, mas comungo a preocupação de não ver o aumento do investimento reflectido no Orçamento para 2015. E a verdade é que não ouço ninguém por parte do governo a rebater a preocupação de Costa.

De resto a despesa está a diminuir, a receita aumentou e o défice está controlado. E as contas com o exterior são um sucesso, como se pode ver em ( as contas externas em Agosto tiveram uma melhoria apreciável) . Este último caso que é de uma importância fundamental e que raramente tem sido positivo, é ignorado por grande parte da comunicação social e pelos comentadores. Por ignorância ou por táctica política ?

publicado por Luis Moreira às 17:46

Com Madonna

e com Cristina

 

 

 

publicado por Luis Moreira às 15:14

Na redução do défice das contas nacionais e, ao contrário do que se apregoa, a contribuição da despesa é praticamente igual ao da receita. Estão aqui os quadros que mostram a evolução das contas nacionais.

O saldo primário já é positivo há três anos mas os juros, tendo em conta a elevada dívida, persistem elevados. É preciso baixar os juros ou aumentar o saldo primário.  Baixar os juros já podemos estar descansados que os deputados tomaram o problema em suas mãos e ideias não faltarão. Fazer crescer a economia é que é capaz de demorar mais tempo mas, como diz Bruxelas, "ainda há espaço para aumentar os impostos". Já que o Tribunal Constitucional não deixa baixar mais a despesa...

Muito curioso, e à revelia da narrativa da pobreza, as prestações sociais têm aumentado o que corresponde ao apoio dado aos desempregados e mais pobres.

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publicado por Luis Moreira às 01:03

23
Out 14

Há muito que lhe andam a rezar pela alma mas a verdade é que não há nada mais saudável. Eram os BRICS que iam tomar a dianteira e trazer a justiça ao mundo. Tudo porque o velho Ocidente estava ultrapassado na tecnologia, nas ciências e na produção de riqueza. E as matérias primas dos países em desenvolvimento já não são exploradas em proveito dos gananciosos. Mas parece que a realidade não está conforme a narrativa. 

Devido às alterações no consumo mundial motivadas pelo "boom" de gás de xisto nos EUA, o acidente nuclear de Fukushima e a crise na Ucrânia, o petróleo e outras fontes de energia mais tradicionais perderam protagonismo para o gás natural. Estes acontecimentos estão a inaugurar uma ordem no palco da geopolítica energética assente em preços mais baratos nos USA e que, se estenderão rapidamente à Europa com o acordo comercial USA/ UE.

O gás de xisto já está a ser explorado nos US em depósitos com a extensão de toda a Arábia Saudita . O mesmo se passa no Canadá e há sinais consistentes da sua existência em vários países europeus, incluindo Espanha( já em exploração na bacia de Cádiz) e em Portugal ( ao largo do Algarve ) onde a Repsol está a entrar na fase da exploração.

PS : no Algarve já temos o lobby dos "verdes" a apregoar as sempre presentes calamidades. No caso seria a destruição do turismo.

publicado por Luis Moreira às 19:22

Em França sopram novos ventos que mais tarde ou mais cedo vão chegar até nós. O Primeiro Ministro, socialista, quer mudar de nome ao partido e deixar de lhe chamar socialista. Quer juntar-se ao centro. Interessa-lhe governar com medidas pragmáticas que resolvam problemas concretos. Holland, com a sua imagem desgastada, olha impotente para esta discussão .

Os governos de Holland, que chegou ao poder à esquerda, revelaram-se incapazes de resolver os problemas . Não que as ideologias tenham acabado, serão sempre o húmus de onde brotarão os sonhos que fazem o mundo avançar, mas quem governa tem que se haver com problemas concretos que não pode evitar. E, aí, não há ideologias que nos valham no quadro da democracia e da liberdade.

Valls acha que mesmo a mudança do nome do partido não deve ser um tabu: diz que deverão ser fundados uma federação ou um movimento, "uma casa comum" aberta aos "progressistas', nos quais inclui os centristas de François Bayrou, antigo ministro da Educação.

Faz recordar Olaf Palme, o primeiro ministro Sueco que lançou as bases da moderna sociedade do seu país e que morreu às mãos de um nunca identificado assassino. Dizia que "tal como no futebol as grandes jogadas gizam-se ao centro".

António Costa deve estar mais do que nunca atento. Os velhos socialistas, tal como com Holland, cercam-no.

 

publicado por Luis Moreira às 11:35
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22
Out 14

Renegociar a dívida. O PS leva da esquerda e da direita. E ideias concretas, há ? Os socialistas jogam à defesa. É preciso discutir a dívida mas não avançam com ideia nenhuma. Depois da discussão do orçamento haverá a discussão da dívida na AR, primeira prova de fogo do PS de António Costa. Junta-se ao PCP e BE no "hair cut" ou quer pagar a dívida no quadro de uma solução europeia?

O PS acabou por estar no centro do debate, com os restantes partidos da oposição e da maioria a acusarem os socialistas de não assumirem uma posição sobre a reestruturação de dívida nem de apresentarem soluções concretas. "Dos que levantam a voz para falar contra a dívida, foram muito poucos os que levantaram a voz para falar contra a despesa. Para este debate ser sério, teremos de discutir as causas deste problema", apontou a deputada do CDS-PP, Cecília Meireles, apontando a falta ideias concretas do projecto de resolução do PS.

Pois é, como se diz na gestão das empresas " as ideias gerais são comigo os pormenores são contigo"...

 

publicado por Luis Moreira às 20:55

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